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Tesouros de Pirenópolis, GO.


(Marcio e Amazona no Ateliê Filigrana, Pirenópolis-GO
Foto: Meg Mamede)
Cidade goiana conhecida por suas belezas naturais, casarios antigos, boa comida, rica cultura local e gente hospitaleira, Pirenópolis tem muito mais para descobrirmos em suas pequenas ruelas e em cada esquina. Com um olhar atento e a leveza de quem flana por charmosas ruas é possível encontrar tesouros, entre eles, as lindas joias confeccionadas a mão pelo casal Amazona Fernandez e Marcio Barbosa do Ateliê da Filigrana.

A palavra filigrana com origem no latim surge a partir da junção de filum que significa fio e granum, que quer dizer grão, mas mais que arte de unir fios e grãos, trata-se da arte da preciosidade e delicadeza, algo que poucos dominam como o casal de Pirenópolis.

Técnica que certamente remonta do período das civilizações da antiguidade oriental perpassando o espaço e o tempo através das inúmeras conquistas e trocas culturais entre os povos do oriente e ocidente até chegar ao que conhecemos hoje por arte da filigrana (alcunha que surgirá somente no século VXII dada por um diplomata florentino à técnica). Ainda hoje com forte representação em Portugal e Espanha, herança de anos de ocupação mourisca (árabe) da Península Ibérica. No Brasil foi introduzida a partir do século XVII juntamente com a exploração das minas de ouro e prata pelos colonizadores portugueses.

Na família de Amazona e Marcio a arte de criar lindas e delicadas peças em ouro, prata e pedras naturais foi passada de mestre para pupilo no caso do Marcio que aprendeu com o professor Pel na técnica rococó, se aperfeiçoando mais tarde com a esposa Amazona que por sua vez recebeu do pai Royer o aprendizado necessário para criar joias ricas em detalhes e beleza. Conhecimento que deve seguir com a família por muitas gerações, já que além de um sobrinho iniciando na arte, o casal tem quatro lindos filhos que também demonstram interesse pelo ofício dos pais.

Passei algumas horas em companhia do casal observando-os trabalhar, ora interrompendo-os com perguntas, ora para fazer algumas fotos, e pude ver que apesar de toda a atenção e foco que colocam no trabalho eles ainda são dados ao bem receber e à prosa fugaz que só os bons de coração podem oferecer, a chamada hospitalidade, outra arte rara nos dias de hoje em especial nos grandes centros urbanos.


(Ateliê Filigrana, Pirenópolis - GO / Fotos: Meg Mamede)

Resultado da tradição familiar e esmero, as peças expostas no Ateliê Filigrana são de uma beleza desconcertante e singular, o que faz com que toda e qualquer pessoa que aprecie o “belo” deseje ter algo para si.  Segundo Marcio “não se pode comparar a técnica de filigrana (ourivesaria) à confecção de um relógio de precisão por exemplo, porque os fios têm vida e vontade própria, às vezes uma peça que pode parecer simples para o não especialista pode levar dias para ficar pronta pois os fios e grãos têm que estar nas condições corretas para confecção de cada peça”. Vale lembrar que cada joia é única e muitas delas são personalizadas de acordo com o desejo do cliente.  

Mais que trabalho as criações do casal Amazona e Marcio denotam grande conhecimento da técnica e muito amor pelo que fazem, o resultado não poderia ser outro se não o deslumbramento que cada uma das peças produz em quem visita o Ateliê Filigrana.



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