quarta-feira, 23 de abril de 2014

Amor na Inconfidência Mineira.

(Marília de Dirceu - Imagem Google)


Tomás Antônio Gonzaga (Portugal, 1744 / aprox. 1810, Moçambique) e Maria Joaquina Dorotéia de Seixas (Brasil, 1767 /1853, Brasil) Marília (d)e Dirceu.

O grande poeta do arcadismo Tomás Antônio Gonzaga lançou mão em sua obra maior de seu eu lírico para falar de um amor do passado, que apesar das variantes e controvérsias, tem, para muitos, em Maria Joaquina Dorotéia de Seixas, mineira de Vila Rica, sua maior inspiração. Nas liras de Marília de Dirceu, o poeta português imortalizou seu amor interrompido, para alguns, não consumado. Com o casamento marcado, a bela e formosa Dorotéia se viu sozinha, seu amor, o poeta, foi desterrado e exilado em Moçambique devido ao seu envolvimento com a Inconfidência mineira e eles nunca mais voltariam a se ver. 

A Marília de Dirceu e, de Gonzaga, passou no Brasil do século XVIII, de inspiração e alvo de especulação para mito, no momento em que o romantismo estoura na Europa e o Brasil carecia de modelos e heróis.  O amor impossível, trágico ou interrompido sempre foi tema de lendas e de histórias reais, e em dado momento, no auge do romantismo brasileiro, Marília extrapolou a literatura para ganhar vida própria projetando-se no imaginário coletivo de uma sociedade patriarcal e católica. Com isso Dorotéia de Seixas e Tomás Antonio de Gonzaga se confunde com Marília e Dirceu, ora se completam como casal real, ora como personagens da obra do poeta. Em Marília de Dirceu a ficção e a realidade se misturam, tendo os fatos históricos de um Brasil colonial como pano de fundo e o amor do poeta por uma bela e virtuosa mulher com tema central. O livro que se tornou uma das obras brasileiras mais lidas de todos os tempos trouxe à tona um amor utópico, mas não menos real, as desventuras de um casal que teve seus planos modificados pelo destino e, quis este mesmo eternizá-los em versos.  


 (por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Elysium "O futuro é hoje".

Adorei a atuação do Wagner Moura em “Elysium” (2013), quem conhece os Campos Elísios da mitologia não tem como não fazer analogia (Terra = Tártaro x Elysium = Campos Elísios) é a ficção cientifica mais uma vez dando uma lição à gananciosa e nada solidária raça humana. O diretor sul africano Neill Blomkamp que dirigiu a produção de baixo orçamento “Distrito Nove” (2009) que foi sucesso de bilheteria é o responsável pelo filme, segundo produzido por ele.

No elenco o talentoso que “faz chover” e dispensa comentários Matt Damon, o sul-africano Sharton Copley que espero retornar alienígena numa desejada continuação de “Distrito Nove”, Jodie Foster nome de peso que neste filme foi ofuscada pelos coadjuvantes os brasileiríssimos Wagner Moura e Alice Braga e o mexicano Diego Luna, latinos que catalisaram uma revolução no filme.

Falando da atuação dos dois brasileiros na produção gringa, bem, a Alice Braga já está mais que adaptada e inserida no cinema internacional com uma filmografia para lá de eclética, no campo da ficção científica ela já tinha atuado em “Repo Men – O Resgate de Orgãos” (2010), a morena paulista de sorriso largo tem encantado diretores e produtores por onde passa, já o nosso eterno Capital Nascimento está impagável no papel de Spider personagem caricato, um mercenário de bom coração que se destaca ao longo da trama.



A primeira vista o filme pode parecer mais do mesmo, mas não tem aquela ótica viciada e previsível dos filmes estadunidenses, com cenas da Estação Orbital Elysium rodadas em Vancouver no Canadá, enquanto para as cenas na Terra a locação escolhida foi um dos maiores depósitos de lixo do mundo o Bordo Poniente na cidade do México. O filme pode causar algum pânico se pensarmos que muito do que já vimos em séries, filmes e desenhos de ficção científica são realizações que vivenciamos hoje no século XXI.

O diretor mostra bem como vivem ricos e pobres e o filme apesar de se passar no futuro é um espelho do mundo em que vivemos hoje.


Eu recomendo pipoca e um digestivo.

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