sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O amor de um humanista: Victor Hugo e sua Juliette.

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(Imagem retirada de cartaz da peça de teatro: L'Orgueil d'Aimer)

Victor Hugo (França, 1802 / 1885 França) e Juliette Drouet (França, 1806 / 1883, França).

Um dos mais célebres escritores franceses, sempre preocupado com as questões sociais e políticas que afligiam a França e a Europa do século XIX, autor de “O Corcunda de Notre-Dame” e “Os Miseráveis” viveu intensamente, foi amado pelas mulheres e pelo povo francês. Victor Hugo foi casado e teve muitas amantes, mas foi sua história com Juliette Drouet, atriz e cortesã francesa que mais lhe renderia cartas de amor. Foi em 1833 que Victor Hugo conheceu e tomou por amante uma bela jovem que atuou em duas de suas peças e, que logo em seguida deixaria os palcos para viver esse grande amor. O casal que esteve junto por 50 anos – até a morte de Juliette em 1883 – teve altos e baixos como todo casal, porém o amor de Juliette por Victor era incontestável. Ela escreveu milhares de cartas e bilhetes apaixonados ao seu amado durante todo o tempo que eles estiveram juntos e o acompanhou em seu exílio em 1851, abdicando de tudo. Victor também retribuiu o carinho de sua dedicada Juliette, enquanto ela copiava e revisava seus manuscritos, ele pagava as dívidas contraídas pela bela e vaidosa amante. Com a morte de sua musa inspiradora e companheira leal de muitos anos, incluindo o período que viveu longe da França, Victor Hugo perderia sua alegria de viver. Mesmo com todo o dinheiro ganho com sua produção literária, reconhecimento público e uma vida abundante, sem sua Juliette, o escritor viveria por mais dois anos apenas, morrendo em 1885. Por trás da genialidade do homem encontramos a dedicação da mulher, uma combinação que faz de Victor Hugo e Juliette Drouet um casal inspirador. 


(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mata Hari e Vadim Maslov, um amor de espiã.

(Na foto: Kateřina Brožová como Mata Hari e Josef  Vágner como Vadim Maslov,
 no musical tcheco “Mata Hari” em cartaz na Broadway, 2014)





Mata Hari (Holanda, 1876 / 1917, França) e Vadim Maslov (Russia) 

Nascida Margaretha Geertruida Zelle, a exótica dançarina holandesa com traços orientais parte de sua herança javanesa, ganhou notoriedade como a espiã Mata Hari. Apesar das controvérsias quanto a sua atuação durante a 1ª Guerra Mundial, período que manteve relacionamentos com ambos os lados, Mata Hari ficaria conhecida no mundo por sua beleza e volúpia, colecionando admiradores. Há muito ela tinha deixado de lado o passado de sofrimento e fugas causados por seu primeiro marido para lançar-se a uma vida de prazeres e luxo. Viúva, com fama de mulher sedutora, corajosa e de espírito livre nunca lhe fora difícil encontrar homens que desejavam tê-la por companhia, recompensando-a por isso. Foi naqueles dias difíceis para toda Europa, por conta da guerra que se estendia que ela conheceu aquele que viria a roubar seu coração e tranquilidade. Vadim Maslov – Masloff em alguns textos – foi um oficial russo, 20 anos mais novo que Mata Hari, supostamente envenenado e cego de um olho durante a guerra, por quem ela se apaixonou perdidamente. Empenhando-se ao máximo para curá-lo na intenção de um dia ser por ele desposada e viver uma vida tranquila, ela não poupou esforços. Porém, seus planos foram interrompidos. Presa e acusada de atuar como agente dupla, ela foi condenada e executada na França em outubro de 1917 não podendo assim viver e desfrutar daquele doce e tão merecido amor. 



(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)


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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dante Alighieri e Beatrice Portinari sua musa inspiradora.

(Imagens Google)




Dante Alighieri (Itália, 1265 / 1321, Itália) e Beatrice Portinari (Itália, 1266 / 1290, Itália)

Amor que inspirou e moveu uma vida dedicada à literatura, o amor que Dante Alighieri nutriu por sua Beatriz – Beatrice Portinari – surgiu na mais tenra idade. Em uma época em que os casamentos eram arranjados entre as famílias e as alianças eram políticas ou financeiras, o escritor então com nove anos, conheceu sua amada. Um amor por assim dizer platônico, nada foi dito apenas olhares. Ele só voltaria a rever a jovem e bela Beatriz, filha de um banqueiro florentino, na juventude, quase uma década depois. Mas o amor nunca consumado teria um desfecho ainda mais doloroso para Dante, com a morte prematura de Beatriz em 1290, só lhe restou os sonhos. Sonhos nos quais sua amada esteve sempre presente, sonhos estes que interpretados se tornariam fonte para os textos de Dante, surgindo assim o amor romântico na literatura italiana. Depois desse acontecimento e tomado por grande sofrimento Dante escreve “Vida Nova” obra de cunho autobiográfico onde o autor se vale da prosa e da poesia para lembrar seu amor. Em seguida ele se dedicou ao estudo da filosofia e, produziu sua obra maestra “A Divina Comédia” cujas personagens Dante, Beatriz e Virgilio representam o homem, a fé e a razão, possibilitando ao homem moderno acessar a cosmovisão medieval. Um dos nomes mais notáveis da literatura florentina e italiana imortalizou sua amada em uma obra que até hoje desperta curiosidade e admiração, obra onde Beatriz serviu de guia pelos caminhos do paraíso, aqueles mesmos que em vida Dante não conheceu.



(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)


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sábado, 27 de setembro de 2014

Páris e Helena, entre o amor e o mito.

(“O rapto de Helena de Tróia” (1680-1683) de Luca Giordano, óleo sobre tela do Musée des Beaux-Arts de Caen)





Páris (Tróia, atual Turquia – final da idade do bronze) e Helena de Tróia (Grécia – final da idade do bronze).

Falar de Páris e Helena de Tróia não é tarefa fácil são muitas as versões sobre essa história. A guerra desencadeada pela união do casal é uma das guerras mais lembradas de todos os tempos, porém suscita muitas dúvidas entre historiadores e estudiosos, se de fato ocorreu ou foi apenas mais um acontecimento mítico. Os protagonistas o galante Páris de Tróia, atual Turquia, e a bela Helena, grega que passou a ser conhecida como Helena de Tróia após o episódio de seu rapto ou fuga com Páris são representados na literatura moderna como um casal apaixonado, amor esse que traria graves consequências para os troianos. Imortalizados nos poemas de Homero o casal que provocou a ira de Menelau, rei de Esparta, Grécia, e então esposo de Helena, séculos depois se tornaria inspiração para o cinema, o teatro e a literatura ocidental, substituindo o tom trágico dos épicos pelo romantismo típico do século XIX. Motivados por um amor tão grandioso quanto à guerra que duraria cerca de uma década, Helena mulher cuja beleza era conhecida para além das fronteiras da Grécia e Páris jovem obstinado não pensaram nas consequências, se entregaram a um amor que viria a culminar com a morte de Páris e a derrota de Tróia.  Apesar do desfecho a história do belo casal até hoje faz suspirar os corações apaixonados, além disso, mostra a força do feminino em contraposição ao masculino. No mundo bélico e poderoso dos homens a beleza e docilidade da mulher pode tornar-se uma arma, fazendo com que os mais poderosos e sábios sucumbam frente aos encantos da amada.


(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Frida Khalo e Diego Rivera, um amor engajado!

(Frida Khalo e Diego Rivera - Foto: Bowes Museum)



Frida Kahlo (México, 1907 / 1954, México) e Diego Rivera (México, 1886 / 1957, México).

A arte mexicana, sua força, cor e latinidade uniu um dos casais mais icônicos do século 20. Frida Kahlo e Diego Rivera casaram-se em 1929 e apesar da diferença de idade tornaram-se um dos pares mais conhecidos do México e do Mundo, seja pelo talento artístico de ambos, seja por seus ideais políticos. A relação conturbada e apaixonada que mantiveram fez deles um casal passional e curioso. Frida conheceu muito cedo o sofrimento e a dor por conta de problemas físicos e sua união com o muralista traria mais sofrimento ao longo dos anos. Apesar das traições, de ambos, a devoção e amor de Frida por Diego pode ser comprovada através de um diário mantido pela artista. Sobre Diego, dizem que era Frida que buscava nas mulheres com quem se envolvia.  A arte engajada e preocupada com os valores e memória do povo mexicano fez com que se destacassem artística e politicamente, fazendo com que fossem reconhecidos no México e no mundo, influenciando as novas gerações de artistas. Entre idas e vindas, o casal reconcilia-se e passa a viver em casas separadas ligadas por uma ponte, Frida morre em 13 de julho de 1954, data que Diego Rivera – que morreria três anos depois – afirmaria ser o dia mais trágico de sua vida. A vida movida pela paixão que Frida e Diego viveram, resultou em uma arte pujante e libertária que poucos são capazes de produzir e compreender.


(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)


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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Filmes que são uma delícia...







Quando pensei em criar o blog Cozinha da Meg Mamede já sabia que ele não seria um blog só de receitas, para mim o cinema, a literatura, as viagens e os sabores seriam a tônica dos meus textos.

Pensando no que o cinema representa pra mim e sobre o quanto é possível aprender com ele, me veio à cabeça uma das primeiras imagens de comida que tenho lembrança, ainda criança assisti  “A Dama e o Vagabundo” e nunca me esqueci da cena em que eles compartilham o espaguete. Hoje sei que aquilo era a representação do amor, não do amor romântico, mas do amor que nos faz humanos quando compartilhamos algo com qualquer pessoa. Anos mais tarde ver a cena do casal de amantes alimentando um ao outro na cozinha em “9 ½ Semanas de Amor” também me causou algum impacto, afinal comida e sexo são essenciais à nossa vida e ambos nos conferem prazer e bem estar. Depois na graduação assisti “A Guerra do Fogo”, um daqueles filmes obrigatórios no curso de História, mas foi revendo o filme anos depois que me dei conta da importância da abordagem de Jean-Jacques Annaud, afinal tudo mudou quando nossos ancestrais descobriram o fogo, e o que veio depois faz toda a diferença, a mudança cultural e física que ocorreu quando o Homem troca o alimento cru pelo cozido, naquela época assado, mas isso é assunto pra outro post.

Curiosamente, nenhum dos três filmes citados faz parte da lista de “Filmes que são uma delícia” que publico aqui, isso porque os filmes escolhidos são filmes que têm em comum a cozinha, a comida, os alimentos, as receitas, os profissionais do segmento da alimentação e os encontros ao redor da mesa com certo protagonismo e relevância na produção. Todos os filmes de alguma maneira nos remetem à alimentação e aos relacionamentos, seja com a família, com amigos, no trabalho ou ainda com o entorno e meio ambiente, esses dois últimos ítens muito atuais por conta do movimento Slow Food no mundo.

A seleção é fruto de uma pesquisa dedicada onde passo horas lendo artigos, comentários, assistindo a trailers e filmes na íntegra em sites nacionais e internacionais. Muitas vezes o filme participa de algum festival aqui no Brasil mas não é distribuído, daí a dificuldade de encontrá-lo em locadoras, porém hoje em dia isso não é problema, pois muitos sites oferecem os filmes para download ou para assistir online, e há ainda tv’s por assinatura que oferecem alguns dos títulos em seu catálogo.

A lista de “A à Z” tem crescido rapidamente e a cada dia títulos novos são inseridos,  é possível encontrar: longa- metragens de gêneros variados, entre eles  drama, comédia, romance e suspense, muitos documentários, alguns curtas, seriados e animações. Optei por utilizar links para acesso externo, pois já existem muitos artigos e comentários sobre os filmes, desta forma consigo acrescentar novos títulos com mais agilidade e frequência. Alguns dos filmes citados estão com seu título original e alguns vídeos em outros idiomas.

Aqui gula não é problema, tão pouco engorda. Se você gosta de gastronomia e cinema ou está buscando um filme que ainda não tenha assistido, tire um tempinho e vá clicando nos links pra saber um pouco mais, depois é só deliciar-se!



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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Shah Jahan e Mumtaz Mahal.

(Imagem extraída de GBGT)






















Shah Jahan (Índia, 1592 / 1666, Índia) e Mumtaz Mahal (Índia, 1593 / 1631, Índia).

É da milenar Índia que conhecemos uma das mais belas histórias de amor e dedicação de todos os tempos. Foi no inicio do século XVII que a princesa persa Arjumand Banu Begum, então nominada Mumtaz Mahal – “a escolhida do palácio” – e o imperador mongol Shahabuddin Mohammed Shah Jahan se casaram. Protagonistas de uma das mais conhecidas histórias de amor do oriente, o casal foi imortalizado com a construção monumental do palácio Taj Mahal, obra encomendada por Shah Jahan em homenagem a sua amada, morta ao dar a luz ao décimo quarto filho do casal. Mulher dócil e apaixonada pelo imperador Mumtaz Mahal sempre o acompanhava nas viagens, até mesmos nas campanhas militares, e foi toda essa dedicação e afeto que os tornaria inseparáveis. O imperador por sua vez mostrava devoção e predileção pela graciosa e, benevolente Mumtaz Mahal em relação às demais esposas. O Taj Mahal, hoje mausoléu do casal de imperadores, é um dos monumentos mais visitados do mundo e se tornou um símbolo do amor, guardando em seu interior todo o encantamento que nem mesmo o tempo foi capaz de destruir. Com sua arquitetura impecável e apesar das intempéries e intervenções humanas, o monumento segue preservado e esplendoroso personificando o amor imortal e transcendente de Shah Jahan e Mumtaz Mahal.


(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Que vença o melhor!



Finalmente a “Copa das Copas” chega à reta final, termina neste domingo com duas grandes seleções: a técnica e disciplinada Alemanha, que sabe o que é perder uma semifinal em casa, mas que também soube reverter isso para obter outro resultado, e a catimbenta e raçuda Argentina que há 28 anos busca estar na final para levar a taça.

Sinuca de bico pros milhares de brazucas que compraram ingresso para final e estarão no Maracanã assistindo a disputa entre uma rival histórica e a equipe que atrapalhou o sonho do Hexa. Oportunidade essa de praticarem as tão difundidas hospitalidade e tolerância brasileira, mostrando educação e civilidade, e isso vale pra todos no entorno do estádio e no resto do país. Afinal a Copa é nossa!

Eu não escondo que torço para os argentinos “nuestros vecinos boludos”, uma vez que o Uruguai foi embora cedo demais, mas dê o que dê o resultado não muda nada na minha vida, como não mudaria se fosse o Brasil o vencedor.

Que bom que a final será entre uma equipe americana e outra europeia, se não fosse assim não refletiria a realidade do que vimos ao longo dos jogos, um mundial surpreendido por países como: Costa Rica, Colômbia, Argélia, Nigéria e até EUA, não seria equilibrado e interessante se a final fosse disputada somente por países de um mesmo continente, afinal não estamos numa Copa América ou numa UEFA.

Quanto ao resto, essa Copa mostrou o quão o povo brasileiro é despreparado para o esporte, um país tão desigual não deveria esperar que todos torcessem com a mesma intensidade ou para a mesma equipe, não deveria esperar que todos cantassem em uníssono o hino do país, tudo isso seria válido se fosse autêntico.

O sentido verdadeiro do esporte é a interação, a superação e o aprendizado que qualquer modalidade pode trazer para aquele que a pratica e não o acirramento de disputas e desafetos.

O que temos visto na TV e nas redes sociais é fruto de décadas de padronização, nos vendem e, querem nos enfiar goela abaixo a falsa ideia de que o futebol, a cerveja e o carnaval são paixões nacionais ou que “somos todos um só”, ora somos de fato o país da diversidade cultural portando não é possível que coloquem todos no mesmo saco. A nossa mídia tem parte de culpa em tudo que acontece apresentando reportagens e crônicas passionais, parciais e tendenciosas, essa xurumela que vende e dá audiência no país e que muitas das vezes incita à tristeza e revolta os menos preparados.

Ainda bem que a “Copa das Copas” tem dia e hora para acabar. O país parou, e o que receberemos em troca dessa “apaixonante” ilusão? Nada. Quem tinha que receber algo já recebeu. Nós brasileiros que nos preparemos para receber a alta conta desse legado maldito, e... é só.

No mais, agora é a vez do Chucrute e do Churrasco regados a muita Caipirinha.


Que vença o melhor!

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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Marco Aurélio e Cleopatra, o Amor e o Poder!

(Marco Antonio e Cleopatra em cena do filme "Cleopatra" de Joseph L. Mankiewicz de 1963)

Marco Antônio (Roma, 83 a.C. / 30 a.C., Alexandria) e Cleópatra (Alexandria, 69 a.C. / 30 a.C., Alexandria).

Poder, inteligência, beleza e luxúria, foi o que uniu o casal Marco Antônio – Marcus Antonius, general e triúnviro romano – e Cleópatra – Cleópatra VII Philopátor, rainha egípcia –, história de amor que se mistura com a história de Roma e Egito, não sendo possível dissocia-los ou apaga-los daquele período.  Cleópatra mulher ambiciosa e perspicaz sabia tirar proveito de seus predicados, fosse para seduzir os homens, fosse para chegar ao trono. Seu envolvimento com Marco Antônio não foi diferente dos demais, porém a estratégia política e militar acabou tomando outras dimensões e o casal passa a viver uma vida de prazeres, festas e promessas. Marco Antônio apaixonado se entrega aos encantos da bela rainha egípcia e atende a todos os seus apelos, incluindo a cessão de territórios romanos no oriente, o que lhes causaria problemas com Roma desencadeando a derrocada de ambos. O casal teve três filhos, segundo alguns registros históricos Marco Antônio teria se casado com Cleópatra conforme as tradições egípcias, legitimando assim os filhos do casal. Apesar de passarem longos períodos distantes um do outro por conta das batalhas e disputas o casal viveu uma vida sem limite, um amor visceral. Vencidos por Otávio – imperador romano – na Batalha de Ácio, Marco Antônio e Cleópatra se suicidaram em 30 a.C. e juntos foram sepultados no mausoléu real. Juntos entraram para história.


(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)


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domingo, 8 de junho de 2014

O Tempero da Vida.

(Themis Panou como avô Vassilis em "O Tempero da Vida")






“Canela, doce e ardente como toda mulher; Pimenta, picante e ardida como o sol; Sal, utilizado para dar mais sabor à vida” (frase impressa na capa do filme no Brasil).

O Tempero da Vida, “Politik Kousina” filme de Tassos Boulmetis de 2003 é um filme delicioso sob a ótica social e gastronômica. Tudo isso por conta dos ensinamentos transmitidos de geração para geração. É a história da terna relação estabelecida, e interrompida por questões geopolíticas, entre avô e neto, que tem como pano de fundo uma loja de especiarias (como o armazém do vô Tobias, meu avô paterno), e dois países, a Grécia e a Turquia.

Uma criança que cresce inspirada pelas lições do avô, que ora usa a gastronomia, ora a astronomia para falar da vida, tudo isso misturado e temperado pelos aromas e gostos que só as especiarias podem trazer para o nosso prato e para o nosso dia a dia.

(Markos Osse como o garoto Fanis em "O Tempero da Vida)


O filme mostra a alquimia presente no ato de alimentar-se, de alimentar a família, os amigos, a vida e os sonhos.  As metáforas da “Entrada, Prato Principal e sobremesa” marcando a vida de um garoto que tem nas lembranças as delícias preparadas e compartilhadas com o avô, e o gosto do primeiro amor.

A lição maior vem a partir das ervas culinárias e condimentos que o turco Vassilis com toda sua sapiência compara ao universo e seus mistérios, bem como as relações humanas. Para ele, o condimento utilizado num prato pode ser determinante para o bem ou mal, depende de como foi empregado e assim também é na vida.

O filme nos faz refletir sobre a afetividade presente nas nossas lembranças olfativas e gustativas, as memórias capazes de nos fazer voltar no tempo e no espaço sem sair do lugar, nos faz pensar no prazer que o ato de se alimentar nos proporciona e o quanto isso pode ser melhor quando compartilhado com as pessoas que amamos.


Ficha técnica:
Politik Kousina – Título em português: O Tempero da Vida
Direção de Tassos Boulmetis
Ano: 2003
País: Grécia e Turquia

Elenco: Georges Corraface, Başak Köklükaya, Themis Panou e Markos Osse.


(texto escrito por Meg Mamede para o blog Cozinha da Meg Mamede)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A química do amor!

(Na foto: Marie Curie and Pierre Curie, SLUB Dresden - Deutsche Fotothek)



Marie (Polônia, 1867 / 1934, França) e Pierre Curie (França, 1859 / 1906, França)

A lei da atração – na física – “os opostos se atraem” não se aplica ao casal Curie. Marya Salomea Sklodowska de origem polonesa e o francês Pierre Curie estiveram sempre do mesmo lado e, juntos seriam responsáveis por uma das mais importantes pesquisa e descoberta do final do século 19, a radioatividade – termo cunhado por eles –. Marie Curie foi uma mulher a frente de seu tempo que com esforço e dedicação alcançaria posição e prêmios nunca antes dados a uma mulher. Pierre Curie um físico brilhante, químico, professor e catedrático da Sorbonne em Paris – lugar que a esposa ocuparia quando de sua prematura morte aos 46 anos – era aos olhos de Marie o companheiro perfeito. Ambos movidos pelo amor ao trabalho e à pesquisa formaram uma parceria que mudaria os rumos da física e da química para sempre. Casaram-se em 1895 e tiverem duas filhas: Irène e Ève. A primeira seguiu os passos dos pais dando continuidade as suas pesquisas e assim como eles foi galardoada com o Prêmio Nobel de Química, já a caçula, se tornou pianista e escritora, sendo a principal biógrafa da mãe. O casal que dividiu a paixão pela pesquisa compartilhou uma vida simples, o que não os impediu que conhecessem juntos, e individualmente, o reconhecimento e prestígio advindo do trabalho realizado anos a fio. Quando da morte de Pierre em 1906, Marie lhe escreveu cartas de amor prometendo continuar o trabalho, promessa que ela cumpriu até sua morte em 1934 vitimada pela exposição continua à radiação.
 

 (por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Amor na Inconfidência Mineira.

(Marília de Dirceu - Imagem Google)


Tomás Antônio Gonzaga (Portugal, 1744 / aprox. 1810, Moçambique) e Maria Joaquina Dorotéia de Seixas (Brasil, 1767 /1853, Brasil) Marília (d)e Dirceu.

O grande poeta do arcadismo Tomás Antônio Gonzaga lançou mão em sua obra maior de seu eu lírico para falar de um amor do passado, que apesar das variantes e controvérsias, tem, para muitos, em Maria Joaquina Dorotéia de Seixas, mineira de Vila Rica, sua maior inspiração. Nas liras de Marília de Dirceu, o poeta português imortalizou seu amor interrompido, para alguns, não consumado. Com o casamento marcado, a bela e formosa Dorotéia se viu sozinha, seu amor, o poeta, foi desterrado e exilado em Moçambique devido ao seu envolvimento com a Inconfidência mineira e eles nunca mais voltariam a se ver. 

A Marília de Dirceu e, de Gonzaga, passou no Brasil do século XVIII, de inspiração e alvo de especulação para mito, no momento em que o romantismo estoura na Europa e o Brasil carecia de modelos e heróis.  O amor impossível, trágico ou interrompido sempre foi tema de lendas e de histórias reais, e em dado momento, no auge do romantismo brasileiro, Marília extrapolou a literatura para ganhar vida própria projetando-se no imaginário coletivo de uma sociedade patriarcal e católica. Com isso Dorotéia de Seixas e Tomás Antonio de Gonzaga se confunde com Marília e Dirceu, ora se completam como casal real, ora como personagens da obra do poeta. Em Marília de Dirceu a ficção e a realidade se misturam, tendo os fatos históricos de um Brasil colonial como pano de fundo e o amor do poeta por uma bela e virtuosa mulher com tema central. O livro que se tornou uma das obras brasileiras mais lidas de todos os tempos trouxe à tona um amor utópico, mas não menos real, as desventuras de um casal que teve seus planos modificados pelo destino e, quis este mesmo eternizá-los em versos.  


 (por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Elysium "O futuro é hoje".

Adorei a atuação do Wagner Moura em “Elysium” (2013), quem conhece os Campos Elísios da mitologia não tem como não fazer analogia (Terra = Tártaro x Elysium = Campos Elísios) é a ficção cientifica mais uma vez dando uma lição à gananciosa e nada solidária raça humana. O diretor sul africano Neill Blomkamp que dirigiu a produção de baixo orçamento “Distrito Nove” (2009) que foi sucesso de bilheteria é o responsável pelo filme, segundo produzido por ele.

No elenco o talentoso que “faz chover” e dispensa comentários Matt Damon, o sul-africano Sharton Copley que espero retornar alienígena numa desejada continuação de “Distrito Nove”, Jodie Foster nome de peso que neste filme foi ofuscada pelos coadjuvantes os brasileiríssimos Wagner Moura e Alice Braga e o mexicano Diego Luna, latinos que catalisaram uma revolução no filme.

Falando da atuação dos dois brasileiros na produção gringa, bem, a Alice Braga já está mais que adaptada e inserida no cinema internacional com uma filmografia para lá de eclética, no campo da ficção científica ela já tinha atuado em “Repo Men – O Resgate de Orgãos” (2010), a morena paulista de sorriso largo tem encantado diretores e produtores por onde passa, já o nosso eterno Capital Nascimento está impagável no papel de Spider personagem caricato, um mercenário de bom coração que se destaca ao longo da trama.



A primeira vista o filme pode parecer mais do mesmo, mas não tem aquela ótica viciada e previsível dos filmes estadunidenses, com cenas da Estação Orbital Elysium rodadas em Vancouver no Canadá, enquanto para as cenas na Terra a locação escolhida foi um dos maiores depósitos de lixo do mundo o Bordo Poniente na cidade do México. O filme pode causar algum pânico se pensarmos que muito do que já vimos em séries, filmes e desenhos de ficção científica são realizações que vivenciamos hoje no século XXI.

O diretor mostra bem como vivem ricos e pobres e o filme apesar de se passar no futuro é um espelho do mundo em que vivemos hoje.


Eu recomendo pipoca e um digestivo.

sexta-feira, 21 de março de 2014

O amor no cangaço!

(Lampião e Maria Bonita - imagem Google)


Lampião (Brasil, 1898 / 1938, Brasil) e Maria Bonita (Brasil, 1911 / 1938, Brasil)

Foi na aridez do sertão brasileiro, junto à caatinga e o cangaço que o amor de Lampião e Maria Bonita floresceu. A jovem Maria Gomes de Oliveira fascinada pelas histórias que ouvia sonhava conhecer Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião e com a ajuda de um tio – coiteiro, uma espécie de protetor do cangaceiro – o encontro aconteceu. O encantamento foi imediato, cerca de um ano depois Maria Bonita se tornaria mulher de Lampião e a primeira cangaceira – espaço antes restrito aos homens – e junto de seu amor se converteriam em uma lenda. Não havia rotina na vida do casal, ora fugindo da polícia, ora dançando em festas dos povoados, o casal era feliz a seu modo. Daquele imenso amor que parecia ser maior que a rudeza da região nasce Expedita, a menina veio ao mundo pelas mãos do pai, mãos que empunhavam com destreza toda sorte de armas, mas que também acarinhavam e protegiam Maria Bonita nas longas jornadas e intermináveis fugas. Maria Bonita foi uma mulher forte que sempre lutou ao lado do seu amado, mas a sorte não estaria sempre com eles, em julho de 1938 o bando de Lampião foi atacado pela policial armada oficial – conhecida por volante – e o casal foi morto e decapitado. Final trágico para o amor que enterneceu o sertão e entrou para história provando que os brutos também amam e são amados.


(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Tristão e Isolda o mito do amor impossível.

(Cena do filme Tristão e Isolda de Kevin Reynolds, 2006)

Lenda com primeiros registros no século XII, na região hoje conhecida por Reino Unido. Por tratar-se de uma lenda de herança oral e não de um fato comprovado a partir de fontes precisas, tomo por data os primeiros escritos sobre sobre o casal. 

Da cultura celta para o mundo, a história de Tristão e Isolda é atemporal e transcendente. Quem nunca ouviu falar da trágica história de amor entre o cavalheiro da Cornualha (Inglaterra) e a princesa irlandesa? História presente na gesta medieval e na literatura moderna. Isolda a prometida de Marco – rei da Cornualha – e Tristão – sobrinho do rei – se apaixonam perdidamente após tomarem poção de amor destinada aos noivos. Isolda casa-se com Marco e torna-se amante de Tristão. Descobertos Tristão é banido de sua terra e casa-se com outra mulher. Com o passar do tempo, em uma de suas aventuras por outras terras Tristão fere-se mortalmente e somente os cuidados de sua amada poderia salvá-lo, mas sua esposa o engana dizendo que Isolda não viria, ele não resiste e morre antes da chegada de seu amor. Isolda por sua vez não suporta a tristeza e morre logo depois. Apesar das muitas interpretações para essa história, o drama e a paixão estão presentes em todas as versões. A paixão do grego pathos significa entre outras coisas sofrimento e dor, sensações que somente aqueles que se apaixonam podem compreender. Através da herança oral foi possível dar a conhecer mais uma história de amor e paixão que não se difere das muitas histórias de amor contemporâneas, cujos casais reais ou fictícios protagonizam até os dias de hoje.


(por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Machado de Assis e sua amada Carolina.

(Na foto flagra Machado de Assis no centro da cidade do Rio de Janeiro, com sua Carolina Augusta Novaes)

Machado de Assis (Brasil, 1839 / 1908 Brasil) e
Carolina de Augusta Novaes (Portugal, 1835 / 1904, Brasil)

Machado de Assis, grande nome da literatura brasileira, dramaturgo, jornalista, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e autor de “Dom Casmurro”, amou intensamente sua Carola, forma carinhosa como chamava a esposa. Portuguesa, Carolina Augusta Xavier de Novais veio para o Brasil no ano de 1866 e poucos anos depois estava casada com o escritor. Não foram somente os personagens de Machado de Assis que encontraram o amor e seus versos que o bradaram, o escritor também teve esse privilégio e viveu uma relação de quase 35 anos com sua escolhida. A esposa alguns anos mais velha que ele era culta, educada, apresentou lhe clássicos da Europa e ajudou o escritor com seus textos revisando ou criticando-os quando necessário. O casal que não teve filhos viveu em harmonia e trocou longa correspondência, cartas essas verdadeiras declarações de amor. Machado ficou viúvo em 1904 e tomado por grande sofrimento escreve o poema “A Carolina” – um réquiem a sua amada – que é se não o mais, um dos mais bonitos poemas de sua obra poética (...) Trago-te flores, - restos arrancados / Da terra que nos viu passar unidos / E ora mortos nos deixa separados (...). Muitos acreditam que Carolina de Augusta Novaes está representada pelas três heroínas de “Memorial de Ayres” última obra do escritor lançada em 1908, ano de sua morte. Uma forma que o Machado de Assis encontrou para imortalizar sua amada.


 (por Meg Mamede originalmente escrito para Agenda 12 x 12 - 2014, produto concebido, produzido e comercializado por Ana Camargo Deisgn© todos os direitos reservados)

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