terça-feira, 16 de abril de 2013

Realidade x ficção. Onde chegaremos?



Há alguns meses vinha sofrendo de dores horríveis, depois de quase 50 dias de terror e a base de remédios para deixar qualquer hipocondríaco com inveja, finalmente me livrei deles (das dores e dos remédios). Era uma hérnia de disco entre L4 e L5, que depois de removida meu mundo voltou a ser colorido. Mas porque estou falando disso? Introdução mais idiota deve estar pensando o leitor. Não é bem assim, quando passamos momentos difíceis, sejam de provação ou dor, somos todos iguaizinhos, e tão somente esses momentos são capazes de nos fazer rever conceitos, ver a vida e tudo o mais com outros olhos. Após sair da cirurgia, sorridente e sem dores, achei mágico o fato de estar falando com o anestesista e na sequência já estar acordada no quarto em companhia do meu marido e da Elena, minha sogra. Voltei pra casa no dia seguinte a cirurgia.

Isso não é mágico? Não! Isso é real!

Já em casa, numa dessas tardes estava começando um filme com o Jude Law – um dos meus homens do cinema – parei pra ver Repo Man – Resgate de Órgãos (de Miguel Sapochnik, EUA/Canadá, 2010) título e enredo pesado pra quem acaba de sair do hospital, mas o ar futurista do filme, toda aquela ficção e violência tem por traz uma argumentação interessante, ao menos foi o que eu consegui captar ao final. Não tenho a intenção de contar o filme aqui, assista se quiser saber do que se trata, tem ótimos atores: Jude Law, Forest Whitaker e a brasileiríssima e talentosa Alice Braga. 

Como disse o filme me fez pensar. Tanta tecnologia nos levará onde? No futuro (não muito distante) estará ela somente a serviço do mercado e do enriquecimento de poucos? O que poderia (falo de maneira hipotética aqui) ser uma saída para as filas de transplantes poderia também se tornar um negócio para quem detém a tecnologia e um pesadelo para quem necessita dela? Tal como um carro ou uma casa adquirida se não paga poderá ser tomado de volta? Será tudo business


Nessa mesma linha o filme O preço do amanhã (Andrew Niccol, EUA, 2011) com Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy e Olivia Wilde (a 13 de House), tem na ficção científica e no mercado financeiro o fio condutor da trama. Sabe ficção cientifica nem é meu estilo predileto e o filme nem é tão bom, é entretenimento, ainda assim me fez pensar sobre nosso tempo por aqui. Quando eu o assisti fiquei pensando sobre o quanto vale nossa vida e quanto queremos viver. Alguns, acredito eu, adorariam a possibilidade de parar no tempo, de fisicamente fixar-se num corpo jovem e desfrutar assim de muitos e muitos anos de vida. Mas na ficção (como na vida real) somente os ricos têm essa possibilidade, pois tempo é igual a dinheiro literalmente.

Em ambos os filmes há fiscalização, punição e tecnologia. Eu me pergunto: será que tanta tecnologia e inovação não nos levarão ao ponto de partida? Será que a perda da humanidade não fará de nós, seres autômatos? Curaremos as doenças, controlaremos os fluxos humanos, mas... existirá emoção? 

Ando viajando, a dor me fez repensar uma porção de coisas. Tive até medo da vida, penso que ela requer correr riscos e cobra dívidas da gente. Descobri que ser humano é sentir dor, solidão e medo, sobretudo, aprender a lidar com isso. Desacelerei, aprendi a dizer não e percebi “coisas “ que antes não notava.

Assim como nos filmes, na vida real é a Vida a protagonista! O resto são meros coadjuvantes...

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