domingo, 3 de fevereiro de 2013

Caminhos de Pedra, herança de pioneiros italianos no sul do Brasil.



(Foto: http://www.caminhosdepedra.org.br/ )

Há quase duas décadas atrás estive hospedada no Hotel Dall’Onder (patrocinador do restauro de algumas das moradias que visitei) em Bento Gonçalves, enquanto fazia o conhecido Circuito das Uvas (e dos Vinhos) pelas cidades daquela região. Um dia no hotel, meu grupo foi fazer um passeio pré-agendado e eu resolvi ficar, para minha surpresa um funcionário do hotel me perguntou se eu não queria fazer um passeio alternativo, algo novo que poucas pessoas conheciam, ele se referia aos turistas porque para os moradores da região aquela rota era muito íntima e pessoal, pois fazia e faz parte da história deles. Foi assim que em 1994 conheci os “Caminhos de Pedra”.


Durante o passeio fiz lindas fotos, experimentei vinhos artesanais, copas, queijos e salames, visitei um Moinho, a Casa de Erva Mate com sua roda d’água, a Casa Merlin e pude conhecer um pouquinho da Itália em terras gaúchas.

Hoje, arrumando umas coisas aqui em casa encontrei um suplemento de turismo cuja matéria de capa era justamente os “Caminhos de Pedra”, roteiro obrigatório para o viajante que quer conhecer a preservada cultura italiana naquela região e resolvi recordar um pouco daquela viagem.

Espalhada por sete comunidades de Bento Gonçalves o “Caminhos de Pedra” apresenta ao visitante um dos mais expressivos acervos arquitetônicos herdado dos italianos do interior do Brasil, segundo o IPHAN são 68 bens imóveis em pedra, madeira e alvenaria, construídos a partir de 1875. Em 2009 o roteiro foi declarado patrimônio histórico cultural do Rio Grande do Sul.

O patrimônio imaterial também se faz presente através das tradições culinárias, artesanato e grupos artístico-culturais que promovem o resgate e elevação da cultura da região. A música, a dança, o teatro e o canto representam a tradição e herança italiana na comunidade.

A lembrança mais marcante foi a visita a Casa Merlin, na época o casal Avelino e Maria Merlo (já falecidos) nos receberam e mostraram a casa. Construída em 1889 com pedras de basalto irregular de cor preta, unidas entre si com uma mistura de feno, palha de trigo e estrume de vaca destaca-se pelo sótão, que servia para armazenagem de grãos e forragens, e também como isolante térmico no inverno. Na saída a simpática Maria Merlo fez questão de nos acompanhar à porta de sua encantadora casa cercada de flores.

O primeiro grupo a visitar o então nomeado “Caminhos de Pedra” em 1992 foi um grupo de turistas de São Paulo, de lá cá pra cá a cidade de Bento Gonçalves e suas comunidades recebem cerca de 60.000 turistas anualmente.

O mais interessante é que a iniciativa idealizada em 1987, pelo engenheiro Tarcísio Vasco Michelon e o arquiteto Júlio Posenato além de garantir o resgate de patrimônio que estava fadado a desparecer, potencializou o que as comunidades tinham/têm de mais acessível: o turismo histórico e cultural. Garantindo assim a permanência de jovens, na região, que hoje estão à frente dos negócios que o “Caminhos de Pedra” estimulou, aquecendo a economia local e preservando a memória e cultura herdada dos primeiros italianos que ali chegaram por volta de 1875.

Para os interessados em economia criativa o “Caminhos de Pedra” é sem dúvida um case de sucesso. Já para o viajante que busca roteiros não convencionais o “Caminhos de Pedra” é uma ótima opção.

Eu recomendo.

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