domingo, 13 de janeiro de 2013

A Economia e seus Acrônimos.

A crise econômica que chegou em meados de 2008 à Europa afetou alguns países mais que outros, a Espanha é um dos que custa a recuperar-se dos problemas que enfrenta desde então, muitos atribuem isso à demora do atual governo em reconhecer a existência de tal crise e de não tomar as medidas necessárias para combatê-la em tempo. 

Lembro-me que no segundo semestre de 2008 enquanto outros países da UE já falavam em crise e discutiam algumas medidas, o presidente Zapatero evitava usar a palavra “crise”, já a população preparava-se a sua maneira para o que viria e não precisava ser economista para ter uma idéia dos problemas que enfrentariam, além disso, algumas das medidas adotadas hoje, se antecipadas, poderiam ter evitado que a Espanha chegasse a atual situação. 

Com um governo com baixa popularidade e sem muita credibilidade para presidir a União Européia – no seu ano rotativo de presidência – os espanhóis vivem dias difíceis. O número de desempregados é altíssimo, passando dos quatro milhões – com uma taxa de desemprego na casa dos quase 19% –, com os setores da construção civil e imobiliário que impulsionaram a economia espanhola na última década, paralisados, os altos juros cobrados pelos bancos, as dívidas com habitação somados à alta taxa de imigração, faz com que a Espanha não viva seus melhores dias e, juntamente com Portugal, Itália / Irlanda e Grécia forme parte do pejorativo acrônimo PIGS, criado por analistas econômicos no final dos anos 80, quando consideravam inverossímil que esses países pudessem ingressar em uma zona de moeda comum – segundo revista XL Semanal nº 1169 do jornal El Correo – e que hoje recuperado pelo artigo “PIGS might fly” de Andrew Clare, publicado em uma nota editorial do Financial Times sob o título “PIGS in muck” aparece em publicações de todo o mundo para designar as economias da zona do euro em pior situação desde o inicio da crise. 

A atual situação dos outros países também não é nada animadora, enquanto Grécia é sacudida por manifestações, desemprego em larga escala e um déficit orçamentário que se arrasta há décadas e que em 2009 atingiu os 12,7% do PIB, quando na zona do euro o limite seria de 3%, e espera a prometida ajuda dos países da UE, os italianos mostram-se bastante insatisfeitos com a situação econômica do país, em especial no sul, segundo alguns analistas, a Itália ao contrário da maior parte dos países da zona do euro, que reagiram com relativa resistência à crise internacional, está à beira da recessão, depois de uma década com indicadores abaixo da média dos seus principais parceiros, ademais disso os partidos de direita ultra-conservadores avançam com políticas protecionistas impulsionando uma cruzada, entre outras coisas, contra a imigração, que ironicamente no sul sempre foi o maior contingente de mão de obra. 

Já Portugal, sempre considerada como o “primo pobre” também tem sérios problemas de déficit público acumulado, desemprego, queda na bolsa de valores, etc, podendo ser a “bola da vez” e seguir os passos da Grécia e Espanha. O efeito dominó na economia da zona do euro atinge outros países por tabela, entre eles, os aspirantes à integração como a Turquia, pois com o modelo germânico-europeu prevalescente, a cada dia mais exigente, a idéia de construção européia atual tornou-se demasiada rígida inclusive para a própria Alemanha, dificílimo de suportar para os PIGS e de acesso inconcebível para novos aspirantes.

Btw, na atual conjuntura mundial o “In” é ser BRIC (hoje BRICS).

(Texto publicado originalmente em abril/2010)

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