quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Aviso aos Navegantes.

Cupcake Red Velvet_by Meg Mamede
 (Com recheio de doce de leite e cobertura de ganache de chocolate branco e chantilly)

Já faz alguns meses que não publico posts por aqui, na verdade ando sem tempo e inspiração para escrever.

Mas em breve inauguro um novo espaço o "Cozinha da Meg Mamede" onde falarei de culinária em todas as suas formas. Estou dedicando mais tempo a gastronomia, paixão antiga que agora ganhou mais espaço na minha vida.

Aguardem! -:)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Museus do Mundo: Calouste Gulbenkian – Lisboa.


Imagens: “Retrato de uma jovem” de Giacomo Ghirlandaio, Calouste Gulbenkian em uma de suas viagens e baixo-relevo de estudo de Faraó (extraídos do site da Fundação Calouste Gulbenkian)


Desde muito tempo as artes têm no mecenato uma forma de incentivo e patrocínio, a começar por imperadores romanos, passando pela Igreja, seguido dos príncipes do renascimento, até chegar nos dias de hoje, onde geralmente, as grandes fortunas movimentam o mercado das coleções e fomentam a produções artísticas. Desse movimento nascem às coleções particulares que afortunadamente, em muitas das vezes são acessíveis ao público através das fundações que administram esses bens, salvaguardando o patrimônio e promovendo a difusão de bens materiais de grande valor histórico-cultural. Destaco aqui o Museu Calouste Gulbenkian, fundado por Calouste Sarkis Gulbenkian, turco de origem Armênia, que chegou a Lisboa no ano de 1942, em plena II Guerra Mundial de passo para os EUA e, acabou ficando até sua morte em 1955 aos 86 anos. Em Portugal, especialmente Lisboa sentiu-se acolhido como em nenhum outro lugar, resolvendo estabelecer-se. A retribuição de Gulbenkian ao povo lisboeta e aos estrangeiros que visitam o museu ou participam das atividades e programas da fundação que leva seu nome, vai além do vasto acervo de obras de arte e objetos que adquiriu em suas viagens (cerca de 6000 peças, desde a Antiguidade até ao princípio do séc. XX). Na estação de metrô São Sebastião, que dá acesso à Fundação Calouste Gulbenkian há algumas reproduções de obras do museu e foi o “retrato de uma jovem” de Giacomo Ghirlandaio, artista renascentista, que me fez passar algumas tardes pelos corredores do museu. Com acervo tão extenso é impossível ver tudo em uma única visita, são vários núcleos representativos: da arte egípcia com documentos que marcam momentos da civilização egípcia desde o Império Antigo até à Época Romana, com destaque para a bela coleção de moedas gregas e “medalhões” que fazem parte do tesouro encontrado em Abuquir, Egito, em 1902, para além de esculturas, cerâmicas, vidros, jóias e gemas. Seguindo encontramos um pequeno núcleo onde se destaca um baixo-relevo assírio proveniente do Palácio de Assurnasirpal, depois, podemos apreciar a produção artística do Oriente – Pérsia, Turquia, Síria, Cáucaso e Índia – do século XII ao século XVIII, tapetes, tecidos, iluminuras, encadernações, lâmpadas de mesquita, azulejos e cerâmicas de Iznik. Há também, pergaminhos iluminados provenientes da Armênia dos séculos XVI e XVII e porcelanas e pedras brutas da China e lacas do Japão. Para os apreciadores das artes plásticas, as esculturas do acervo de Gulbenkian são de encher os olhos, com obras de Jean de Liège, Antonio Rosselino, Andrea della Robbia, Pisanello, Jean-Baptiste II Lemoyne, Pigalle, Caffieri, Carpeaux, Barye, Dalou a Rodin, percorrem desde a Idade Média até o século XIX. Já a pintura é uma viagem às escolas e diferentes estilos da tradição européia, encontramos os séculos XV, XVI e XVII, bem representados pelos principais centros de produção artística, com obras de Lochner, Van der Weyden, Bouts, Ghirlandaio, Moroni, Frans Hals, Ruisdael, Rubens e Rembrandt. As obras de Largillière, Boucher, Hubert Robert, Fragonard, Lépicié, Nattier e Quentin de La Tour representam a produção pictórica do século XVIII na França. O século XVIII está ainda representado por uma área dedicada ao pintor veneziano Francesco Guardi enquanto outro setor é reservado a pintores ingleses como Lawrence e Gainsborough. Turner e Burne-Jones documentam a pintura inglesa no século XIX. A pintura oitocentista francesa está representada, com obras de Corot, Millet, Rousseau e Fantin-Latour, bem como de Manet, Degas, Renoir e Monet. E, não terminamos. Ainda nos espera iluminuras, livros raros elaborados entre o XIII e XVI – produção flamenga, francesa, holandesa, inglesa, italiana e alemã –, tapeçarias de Flandres e de Itália do XVI e, do XVIII francês as tapeçarias de manufaturas dos Gobelins, Beauvais e Aubusson, um notável conjunto de móveis das épocas da Regência, Luís XV e Luís XVI de artistas como Cressent, Oeben, Riesener, Jacob, Carlin e Sené e peças de ourivesaria, da autoria dos melhores ourives franceses como F.-T. Germain, Durand, Lenhendrick, Roettiers e Auguste. Para finalizar as belas jóias criadas por René Lalique (1860-1945) integra um núcleo excepcional pela quantidade e qualidade dos trabalhos expostos. Como podem imaginar, o que acabo de descrever é uma parte do acervo do Calouste Gulbenkian, assim como outros museus do mundo, outras obras e objetos estão guardados em reserva técnica e por vezes saem a título de empréstimos para ser exposta em alguma parte do mundo ou mesmo para completar alguma nova concepção museográfica ou para dialogar com alguma exposição temporária que o museu receba. O colecionismo é o que deu origem aos atuais museus, peças e objetos de arte acumulados ao longo dos anos tornando-se acervos particulares e que através de fundações ou doações a outras instituições podem ser vistos e apreciados pelo público em geral, objetos que têm e fazem história, seja dos os que os produziram ou daqueles que o adquiriram. O museu moderno como conhecemos hoje surge entre o XVII e XVIII, a partir das doações de coleções particulares às cidades, como a dos Grimani à Veneza, dos Crespi à Bolonha, dos Maffei à Verona. Mas, o primeiro museu verdadeiro, surge a partir da doação da coleção de John Tradescant, feita por Elias Ashmole, à Universidade de Oxford, quando é criado o Ashmolean Museum (1683). Já no Brasil, os museus em sua grande maioria, surgiram no século XX, com exceção do Museu do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano que data de 1862 e do Museu de Mineralogia e Geologia da Escola Nacional de Minas e Metalurgia de Minas Gerais, de 1876. O que melhor conheço e destaco aqui, por sua variedade e qualidade do acervo, é o MASP – Museu de Arte de São Paulo, fundado em 1947 pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand e Pietro Maria Bardi, jornalista e crítico de arte italiano, lugar onde teve inicio minha paixão pela história da arte. São homens e mulheres colecionadores e mecenas das artes que em todo o mundo impulsionam o mercado das artes e colaboram inegavelmente para a difusão desses bens. Entre os colecionadores e mecenas brasileiros cito: Gilberto Chateaubriand, ex-diplomata brasileiro, filho de Assis Chateaubriand – com coleção que pode ser vista no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – cujo acervo de arte atinge cerca 7000 obras; o empresário Paulo Geyer com sua extensa coleção do século XIX – doada para o Museu Imperial de Petrópolis –; o advogado carioca Sérgio Fadel que sob o ponto de vista de abrangência histórica e segundo críticos de arte é uma das mais completas de arte brasileira, com obras que vão do século XVIII até os dias atuais – em coleção privada –; as respectivas coleções das empresárias e irmãs Ema e Eva Klabin – a primeira em exposição na Fundação Ema Gordon Klabin em São Paulo e Eva Klabin na fundação que leva seu nome no Rio de Janeiro – e a coleção de José e Paulina Nemirovsky – na Fundação José e Paulina Nemirovsky em São Paulo–. Sei que há outros colecionadores e mecenas de arte no Brasil, mencionei apenas alguns nomes do eixo São Paulo-Rio, por tratar-se de coleções que conheço pessoalmente, melhor dizendo, por tratar-se de parte dos acervos que vi exposto nas várias exposições que visitei nos últimos anos. Acredito que todos esses homens e mulheres imbuídos do mesmo espírito de Calouste Gulbenkian, ademais de bem sucedidos e influentes, souberam (e espero que outros também o saibam) devolver a sociedade parte do que dela receberam, através de atividades de cunho caritativo, artístico, educativo e científico que suas Instituições promovem, preservando o patrimônio e viabilizando o acesso à cultura a todos aqueles que têm sede de conhecimento.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Festa do Divino de Mogi das Cruzes: 400 anos de tradição e fé.




Brasileiro adora festa, algumas delas estão tão enraizadas e remontam alguns séculos como é o caso da tradicional Festa do Divino da cidade de Mogi das Cruzes / SP, que neste ano completa 400 anos. 

Cidade localizada entre o Vale do Paraíba, Litoral Norte e a Grande São Paulo, Mogi é tão quatrocentona quanto a capital paulista. Fundada por bandeirantes e ordens religiosas, como toda e pequena Vila que se formava no período colonial e crescia ao redor de uma igreja, minha cidade natal não poderia ser diferente.


Sempre achei Mogi provinciana, mas ela tem lá seu charme. Apesar de pouco ter sido preservado do seu casario histórico, a região do Largo do Carmo, onde se encontram as edificações das Ordens 1ª e 3ª do Carmo, construções no estilo das casas bandeiristas, ainda há casas cujas fachadas foram preservadas. Mas falando do patrimônio imaterial, esse sim resistiu ao tempo e continua sendo uma atração à parte para mogianos ou não, visitantes e fiéis.


Fé, tradição, culinária, usos e costumes, música e representações folclóricas tudo isso e muito mais é possível encontrar em uma festa que mexe com o devoto e com a economia local.


Neste ano a Festa do Divino de Mogi das Cruzes acontecerá de 09 a 19 de maio, além do programa religioso que inclui a montagem do Império do Santíssimo para visitação popular e oração dos fiéis tem a programação gastronômica, todos os anos são montadas barracas com doces, salgados e o prato típico da festa chamado e “Afogado”, segundo algumas fontes: Quando Mogi era uma cidade pequena no século 18, o pessoal vinha da roça para participar da festa. Era costume do dono da festa dar alimento aos visitantes. Como vinha muita gente, fazia um cozido de carne com batata, verduras e legumes. Acabou virando tradição. As carnes, verduras e legumes ficavam boiando na água... pareciam estar se "afogando". Daí, o nome do prato.
 

Histórias à parte é curioso notar que são os homens que vão pra cozinha fazer o “Afogado” enquanto as mulheres ajudam em outras tarefas. Algo comum em sociedades matriarcais como a sociedade basca, ao norte da Espanha, lá os homens criaram as confrarias onde mulher não entra e não cozinha, o que os converteu em referência para a gastronomia tradicional e de autor. O que não é o caso em Mogi, mas que o "Afogado" é uma delícia, isso é, e acompanhado de uma pimentinha e aguardente é uma boa pedida para as noites mais frias de maio. Geralmente há filas para provar o tal prato, mas vale a pena.
 

Tem ainda a Entrada dos Palmitos, nome dado é um grande cortejo, um dos pontos altos da festa que relembra a chegada de homens e mulheres à festa de Pentecostes, gente que vinha à cidade para agradecer a colheita. Um desfile de cavalos, peões, carros de boi, festeiros, fiéis e os integrantes da Congada, Marujada e Moçambique (representações folclóricas típicas dessas festas) tudo junto e misturado numa festa popular como muitas outras espalhadas por esse Brasil.


Quer saber mais sobre a Festa do Divino de Mogi das Cruzes acesse: http://www.festadodivino.org.br/
 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Realidade x ficção. Onde chegaremos?



Há alguns meses vinha sofrendo de dores horríveis, depois de quase 50 dias de terror e a base de remédios para deixar qualquer hipocondríaco com inveja, finalmente me livrei deles (das dores e dos remédios). Era uma hérnia de disco entre L4 e L5, que depois de removida meu mundo voltou a ser colorido. Mas porque estou falando disso? Introdução mais idiota deve estar pensando o leitor. Não é bem assim, quando passamos momentos difíceis, sejam de provação ou dor, somos todos iguaizinhos, e tão somente esses momentos são capazes de nos fazer rever conceitos, ver a vida e tudo o mais com outros olhos. Após sair da cirurgia, sorridente e sem dores, achei mágico o fato de estar falando com o anestesista e na sequência já estar acordada no quarto em companhia do meu marido e da Elena, minha sogra. Voltei pra casa no dia seguinte a cirurgia.

Isso não é mágico? Não! Isso é real!

Já em casa, numa dessas tardes estava começando um filme com o Jude Law – um dos meus homens do cinema – parei pra ver Repo Man – Resgate de Órgãos (de Miguel Sapochnik, EUA/Canadá, 2010) título e enredo pesado pra quem acaba de sair do hospital, mas o ar futurista do filme, toda aquela ficção e violência tem por traz uma argumentação interessante, ao menos foi o que eu consegui captar ao final. Não tenho a intenção de contar o filme aqui, assista se quiser saber do que se trata, tem ótimos atores: Jude Law, Forest Whitaker e a brasileiríssima e talentosa Alice Braga. 

Como disse o filme me fez pensar. Tanta tecnologia nos levará onde? No futuro (não muito distante) estará ela somente a serviço do mercado e do enriquecimento de poucos? O que poderia (falo de maneira hipotética aqui) ser uma saída para as filas de transplantes poderia também se tornar um negócio para quem detém a tecnologia e um pesadelo para quem necessita dela? Tal como um carro ou uma casa adquirida se não paga poderá ser tomado de volta? Será tudo business


Nessa mesma linha o filme O preço do amanhã (Andrew Niccol, EUA, 2011) com Justin Timberlake, Amanda Seyfried, Cillian Murphy e Olivia Wilde (a 13 de House), tem na ficção científica e no mercado financeiro o fio condutor da trama. Sabe ficção cientifica nem é meu estilo predileto e o filme nem é tão bom, é entretenimento, ainda assim me fez pensar sobre nosso tempo por aqui. Quando eu o assisti fiquei pensando sobre o quanto vale nossa vida e quanto queremos viver. Alguns, acredito eu, adorariam a possibilidade de parar no tempo, de fisicamente fixar-se num corpo jovem e desfrutar assim de muitos e muitos anos de vida. Mas na ficção (como na vida real) somente os ricos têm essa possibilidade, pois tempo é igual a dinheiro literalmente.

Em ambos os filmes há fiscalização, punição e tecnologia. Eu me pergunto: será que tanta tecnologia e inovação não nos levarão ao ponto de partida? Será que a perda da humanidade não fará de nós, seres autômatos? Curaremos as doenças, controlaremos os fluxos humanos, mas... existirá emoção? 

Ando viajando, a dor me fez repensar uma porção de coisas. Tive até medo da vida, penso que ela requer correr riscos e cobra dívidas da gente. Descobri que ser humano é sentir dor, solidão e medo, sobretudo, aprender a lidar com isso. Desacelerei, aprendi a dizer não e percebi “coisas “ que antes não notava.

Assim como nos filmes, na vida real é a Vida a protagonista! O resto são meros coadjuvantes...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Caminhos de Pedra, herança de pioneiros italianos no sul do Brasil.



(Foto: http://www.caminhosdepedra.org.br/ )

Há quase duas décadas atrás estive hospedada no Hotel Dall’Onder (patrocinador do restauro de algumas das moradias que visitei) em Bento Gonçalves, enquanto fazia o conhecido Circuito das Uvas (e dos Vinhos) pelas cidades daquela região. Um dia no hotel, meu grupo foi fazer um passeio pré-agendado e eu resolvi ficar, para minha surpresa um funcionário do hotel me perguntou se eu não queria fazer um passeio alternativo, algo novo que poucas pessoas conheciam, ele se referia aos turistas porque para os moradores da região aquela rota era muito íntima e pessoal, pois fazia e faz parte da história deles. Foi assim que em 1994 conheci os “Caminhos de Pedra”.


Durante o passeio fiz lindas fotos, experimentei vinhos artesanais, copas, queijos e salames, visitei um Moinho, a Casa de Erva Mate com sua roda d’água, a Casa Merlin e pude conhecer um pouquinho da Itália em terras gaúchas.

Hoje, arrumando umas coisas aqui em casa encontrei um suplemento de turismo cuja matéria de capa era justamente os “Caminhos de Pedra”, roteiro obrigatório para o viajante que quer conhecer a preservada cultura italiana naquela região e resolvi recordar um pouco daquela viagem.

Espalhada por sete comunidades de Bento Gonçalves o “Caminhos de Pedra” apresenta ao visitante um dos mais expressivos acervos arquitetônicos herdado dos italianos do interior do Brasil, segundo o IPHAN são 68 bens imóveis em pedra, madeira e alvenaria, construídos a partir de 1875. Em 2009 o roteiro foi declarado patrimônio histórico cultural do Rio Grande do Sul.

O patrimônio imaterial também se faz presente através das tradições culinárias, artesanato e grupos artístico-culturais que promovem o resgate e elevação da cultura da região. A música, a dança, o teatro e o canto representam a tradição e herança italiana na comunidade.

A lembrança mais marcante foi a visita a Casa Merlin, na época o casal Avelino e Maria Merlo (já falecidos) nos receberam e mostraram a casa. Construída em 1889 com pedras de basalto irregular de cor preta, unidas entre si com uma mistura de feno, palha de trigo e estrume de vaca destaca-se pelo sótão, que servia para armazenagem de grãos e forragens, e também como isolante térmico no inverno. Na saída a simpática Maria Merlo fez questão de nos acompanhar à porta de sua encantadora casa cercada de flores.

O primeiro grupo a visitar o então nomeado “Caminhos de Pedra” em 1992 foi um grupo de turistas de São Paulo, de lá cá pra cá a cidade de Bento Gonçalves e suas comunidades recebem cerca de 60.000 turistas anualmente.

O mais interessante é que a iniciativa idealizada em 1987, pelo engenheiro Tarcísio Vasco Michelon e o arquiteto Júlio Posenato além de garantir o resgate de patrimônio que estava fadado a desparecer, potencializou o que as comunidades tinham/têm de mais acessível: o turismo histórico e cultural. Garantindo assim a permanência de jovens, na região, que hoje estão à frente dos negócios que o “Caminhos de Pedra” estimulou, aquecendo a economia local e preservando a memória e cultura herdada dos primeiros italianos que ali chegaram por volta de 1875.

Para os interessados em economia criativa o “Caminhos de Pedra” é sem dúvida um case de sucesso. Já para o viajante que busca roteiros não convencionais o “Caminhos de Pedra” é uma ótima opção.

Eu recomendo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

A Economia e seus Acrônimos.

A crise econômica que chegou em meados de 2008 à Europa afetou alguns países mais que outros, a Espanha é um dos que custa a recuperar-se dos problemas que enfrenta desde então, muitos atribuem isso à demora do atual governo em reconhecer a existência de tal crise e de não tomar as medidas necessárias para combatê-la em tempo. 

Lembro-me que no segundo semestre de 2008 enquanto outros países da UE já falavam em crise e discutiam algumas medidas, o presidente Zapatero evitava usar a palavra “crise”, já a população preparava-se a sua maneira para o que viria e não precisava ser economista para ter uma idéia dos problemas que enfrentariam, além disso, algumas das medidas adotadas hoje, se antecipadas, poderiam ter evitado que a Espanha chegasse a atual situação. 

Com um governo com baixa popularidade e sem muita credibilidade para presidir a União Européia – no seu ano rotativo de presidência – os espanhóis vivem dias difíceis. O número de desempregados é altíssimo, passando dos quatro milhões – com uma taxa de desemprego na casa dos quase 19% –, com os setores da construção civil e imobiliário que impulsionaram a economia espanhola na última década, paralisados, os altos juros cobrados pelos bancos, as dívidas com habitação somados à alta taxa de imigração, faz com que a Espanha não viva seus melhores dias e, juntamente com Portugal, Itália / Irlanda e Grécia forme parte do pejorativo acrônimo PIGS, criado por analistas econômicos no final dos anos 80, quando consideravam inverossímil que esses países pudessem ingressar em uma zona de moeda comum – segundo revista XL Semanal nº 1169 do jornal El Correo – e que hoje recuperado pelo artigo “PIGS might fly” de Andrew Clare, publicado em uma nota editorial do Financial Times sob o título “PIGS in muck” aparece em publicações de todo o mundo para designar as economias da zona do euro em pior situação desde o inicio da crise. 

A atual situação dos outros países também não é nada animadora, enquanto Grécia é sacudida por manifestações, desemprego em larga escala e um déficit orçamentário que se arrasta há décadas e que em 2009 atingiu os 12,7% do PIB, quando na zona do euro o limite seria de 3%, e espera a prometida ajuda dos países da UE, os italianos mostram-se bastante insatisfeitos com a situação econômica do país, em especial no sul, segundo alguns analistas, a Itália ao contrário da maior parte dos países da zona do euro, que reagiram com relativa resistência à crise internacional, está à beira da recessão, depois de uma década com indicadores abaixo da média dos seus principais parceiros, ademais disso os partidos de direita ultra-conservadores avançam com políticas protecionistas impulsionando uma cruzada, entre outras coisas, contra a imigração, que ironicamente no sul sempre foi o maior contingente de mão de obra. 

Já Portugal, sempre considerada como o “primo pobre” também tem sérios problemas de déficit público acumulado, desemprego, queda na bolsa de valores, etc, podendo ser a “bola da vez” e seguir os passos da Grécia e Espanha. O efeito dominó na economia da zona do euro atinge outros países por tabela, entre eles, os aspirantes à integração como a Turquia, pois com o modelo germânico-europeu prevalescente, a cada dia mais exigente, a idéia de construção européia atual tornou-se demasiada rígida inclusive para a própria Alemanha, dificílimo de suportar para os PIGS e de acesso inconcebível para novos aspirantes.

Btw, na atual conjuntura mundial o “In” é ser BRIC (hoje BRICS).

(Texto publicado originalmente em abril/2010)

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