segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Kilt e Quilt.


Apesar da pronúncia ser a mesma, as palavras quilt e kilt têm significados diferentes. Ambas remontam os séculos e, estiveram presentes nas tradições de povos antigos, como por exemplo: os celtas. Nos dias de hoje estão presentes em países da Europa e América, em especial entres os povos de origem anglo-saxônica. 

O kilt é uma espécie de saiote masculino, pregueado na parte de trás, trespassado na parte da frente, que vai da cintura até aos joelhos.  Era confeccionado na Escócia, tradicionalmente, em tecido de lã e com padrões de tartan - estampas geométricas que identificavam a origem e consequentemente o clã a que o guerreiro pertencia, hoje em dia podendo referir-se à família de origem – e eram utilizados por guerreiros e batedores dos clãs. Era o traje típico de homens e jovens das montanhas escocesas do século XVI. Desde o século XIX, ele está associado a toda a cultura escocesa e com a herança da cultura celta. 

O ator Liam Neeson como Rob Roy, herói escocês.
(Imagem google)
Com o passar do tempo e com aculturação dos povos, o kilt passa a fazer parte das tradições de outras partes do Reino Unido (Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales) e são também confeccionados com tecidos diferentes dos tradicionais, mas mantendo as características originais, se não, deixaria de ser kilt para se tornar simples saia.

Quanto ao quilt, durante a idade média na Europa, a técnica de quilting (acolchoamento) unia os pedaços ou sobras de tecidos que serviriam de reforço para as roupas dos guerreiros, eram confeccionadas peças para serem usadas embaixo das armaduras. Além das roupas, eram feitas colchas para aquecer as pessoas dos rigorosos invernos no hemisfério norte. Naquela época o quilt tinha características mais funcionais e utilitárias do que a decorativa e/ou ornamental.

Quando da colonização do Novo Mundo, os “Pais Peregrinos” trouxeram na bagagem seus quilts e, a técnica do quilting comum entre as mulheres que se reuniam para elaborar trabalhos manuais nas chamadas quilting bee – onde geralmente confeccionavam algo grande como uma colcha ou tapete a várias mãos –, já que os conservadores protestantes acreditavam que “cabeça vazia: oficina do diabo”.  Dessa maneira introduziram os padrões anglo-saxônicos de quilt na América do Norte. 

Quilting Bee (Imagem google)
Com a expansão industrial e o surgimento das máquinas de costura caseiras, os trabalhos manuais deram lugar a uma produção em maior escala e do uso doméstico passam para os primeiros negócios. De lá pra cá, entre recessões, guerras, revoluções culturais e modismos os quilts surgiram e ressurgiram, para no século XX ganhar, juntamente com o patchwork, espaço, apreciadores e o status de arte.

No Brasil as técnicas do quilt e patchwork foram mais difundidas a partir da chegada de imigrantes alemães e italianos e, num segundo momento, com os ingleses e americanos, ganhando adeptos e fazendo surgir lindos trabalhos. Já os kilts, esses não chegaram por aqui, ou se chegaram não fizeram a cabeça do homem brasileiro. 

O que é uma pena, porque é um charme!

(por Meg Mamede)

Outras viagens que podem interessar:

Related Posts with Thumbnails