terça-feira, 20 de março de 2012

A Via Crucis em Balmaseda, Espanha.

Foto Divulgação Via Crucis Viviente de Balmaseda

A pequena e histórica Balmaseda situada na comunidade autônoma do País Basco, ao norte da Espanha, se prepara para sua festa maior: a encenação da Via Crucis. Celebração de caráter penitencial que remonta do século XVI, quando a população da vila pedia em suas procissões a proteção contra a peste negra que assolava outras regiões. É no ano de 1865 que a procissão da Via Crucis ganha ares de representação com a introdução de personagens que acompanhariam a procissão tradicional: fariseus – soldados romanos – e ao final do século XIX o surgimento das Marias, Madalena, Jesus e Simão “o Cirineu”.

Buscando cada vez mais realismo a população de Balmaseda inseriu novos elementos e personagens à representação: Barrabás, Pilatos e muitos figurantes, o que transformou a tímida procissão de séculos passados num espetáculo cheio de teatralidade e emoção, que atrai gente de toda a Espanha.

Durante a Semana Santa a pequena Balmaseda com pouco mais de 7 mil habitantes, triplica sua população em virtude da festa da Semana Santa. São fiéis, turistas e curiosos que vão para Balmaseda para ver de perto o espetáculo que toma as ruas da cidade, que é cuidadosamente preparada e transformada em cenário para o que eles chamam de Via Crucis Viviente de Balmaseda.

Uma cidade que zela por suas tradições e patrimônio, onde pontes e trechos de estradas romanas foram preservadas e persistem até os dias atuais. A primeira vila de Vizcaya (ou Biskaia em basco) que serviu de caminho para viajantes e comerciantes antes e durante a Idade Média e foi uma espécie de Aduana (alfandega) devido a sua posição geográfica privilegiada. Questões demográficas, econômicas e de infraestrutura tornaram-na ponto estratégico para o comércio da época. Desde sua fundação em 1199 Balmaseda recebeu um população heterogênea, formada por artesãos, agricultores e comerciantes, entre eles alguns judeus poderosos que ajudaram a construir o que Balmaseda é hoje: um lugar lindo cuja atmosfera nos faz viajar no tempo por conta da arquitetura medieval e tradições preservadas.
 
 
Ponte Romana de Balmaseda
Eu conheci Balmaseda na época em que vivi Orduña, cidade próxima, me lembro dos comentários sobre a importância da Semana Santa para localidade, já para o visitante trata-se de uma oportunidade única de presenciar o acontece na vila, conhecer o que eles mesmos chamam de “lapso no tempo”. A semana em que toda a população se transporta no tempo e espaço para viver de maneira dramática os últimos momentos de vida de Jesus de Nazaré.

A “Paixão de Cristo” transformada na paixão de um povo.




Via Crucis Viviente de Balmaseda 2011
(por sugestão de Blossom)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Festa de São Patrício. Na Irlanda, claro!


 Saint Patrick's Day na capital Dublin, Irlanda (imagem Goggle)

Nestes dias, muito tem se ouvido falar sobre o Saint Patrick's Day, – originalmente: Lá ’le Pádraig ou Lá Fhéile Pádraig ou simplesmente Paddy's Day na Irlanda, onde o dia tem seu maior peso – São Patrício  (385-461 dC) foi um missionário cristão, sagrado bispo para depois tornar-se um dos padroeiros da Irlanda.
E o que se comemora nesse dia? Como em todo e qualquer país que tenha tido ou tenha contato com a igreja católica de Roma ou não, festejar os Santos é uma prática comum. Para isso, vale a data do nascimento, da morte ou de algum feito importante do santo em questão. Melhor ainda quando a festa adota hábitos pagãos, no caso de Saint Patrick  é dia de beber muita cerveja e destilados, de encher de gente os pubs irlandeses, escoceses, ingleses e todos os outros espalhados pelo mundo.
A grande festa irlandesa ganhou adeptos não só nos países de língua ou colonização inglesa, como: Canadá, Austrália, Estados Unidos, Nova Zelândia, tradição introduzida pela imigração irlandesa nesses lugares, ela já consta do calendário de festas de, por exemplo: nossos hermanos argentinos. No Brasil, algumas cidades também fazem festa, mas a mais agitada é de Belo Horizonte, MG. 
Na Irlanda a data de 17 de Março, dia da morte do Santo, é feriado nacional e o grande Festival de São Patrício leva muita gente para as ruas para ver os desfiles, dançar, beber e festejar o Saint Patrick´s Day, festa que podemos comparar, guardadas as devidas proporções, ao Carnaval brasileiro ou a Oktoberfest alemã.  
Neste ano a festa acontece na Irlanda de 16 a 19 de Março com desfiles, bandas de música, teatros de rua, espetáculos ao ar livre, danças, artes visuais e atividades para todas as idades. Além das cervejas: Guinness, Murphy’s e Beamish, conhecidas e consumidas em quase todo mundo, tem também a culinária tradicional e moderna a base de batata, carnes e frutos do mar. Como acontecem todos os anos, irlandeses e turistas tomam as ruas das cidades durantes os dias da festa.
Dublin se tingirá de Verde, a cor de São Patrício, que conforme conta a história é uma referência ao trevo de três folhas que o Santo utilizava para falar aos cristãos sobre a Santíssima Trindade.
São Patrício (imagem Google)
Ok! Mas, quem foi São Patrício?
Segundo Jacopo de Varazze em sua “Legenda Aurea” – livro no qual o autor relata a vida dos Santos – “O bem-aventurado Patrício pregava na Irlanda com poucos resultados, por isso pediu ao Senhor um sinal que assustasse os pecadores levando-os a fazer penitência. Por ordem do Senhor, ele traçou então com seu báculo um grande círculo no solo, e em toda aquela circunferência a terra abriu um grande e fundo poço. Foi revelado ao beato Patrício que aquele era o lugar do Purgatório, e quem quisesse ali descer não precisaria mais fazer penitência por seus pecados em outro purgatório. A maioria dos que ali entrasse não sairia, mas alguns voltariam depois de lá ter permanecido da manhã de um dia à manhã do outro. De fato, muitos dos que ali entraram não voltaram.” (leia na íntegra)
Agora... se quiser saber mais sobre a festa, terá que ser rápido para conseguir: vôo, hotel, preparar as malas e aterrissar na terra de Oscar Wilde, Liam Neeson, U2, The Corrs, The Cranberries, Enya, etc.. Quem sabe você não encontra algum deles por lá.

"Lá Fhéile Pádraig shona daoibh!”

domingo, 11 de março de 2012

Uma viagem pelas Gerais.



Fotos tiradas durante viagem a Minas Gerais (entre dez-2005 e jan-2006) do acervo de Meg Mamede

Há alguns anos atrás fiz uma viagem pelas Minas Gerais, fomos de São Paulo à Diamantina, demos um giro pelas cidades do circuito histórico e Estrada Real. Visitamos as casas museu: de Carlos Drummond de Andrade em Itabira e Guimarães Rosa em Codisburgo.

Uma noite no Caraça alimentando o lobo Guará e aproveitando toda a paz que o lugar inspira, já de dia conheci a polêmica "Última Ceia" do Mestre Ataíde, onde uma mulher serve os convidados, pintura posicionada em uma das paredes do Colégio do Caraça. 

Conhecemos também um pouco da história do circuito dos diamantes e a pequena e quase fantasma, Biribiri (buraco no buraco) próxima a Diamantina.

Estivemos na Gruta de Maquiné em Diamantina e na Pedra Pintada em Barão de Cocais para ver as belas pinturas rupestres da localidade. Além é claro de visitar, se não todas, quase todas as Igrejas de: Sabará, Serro, Caeté, Catas Altas, Santa Bárbara, Ouro Preto, Ouro Branco, Mariana, Diamantina, Congonhas, etc..

As Minas Gerais da boa culinária e diversidade paisagística: da fauna e da flora encantadoras e em alguns trechos, devastada pela mão do Homem e pelas máquinas a serviço da Vale. Do Mar de Morros e da Serra do Espinhaço com seus saguis (Sagui da Serra) atravessando a estrada e assobiando para chamar a atenção.

Os símbolos e ícones religiosos estiveram sempre presentes nesse percurso. Do rico barroco, com suas chinoiseries, pinturas florais e marmorizadas às obras dos mestres Ataíde, Aleijadinho e outros importantes representantes da dramaticidade barroca brasileira.

O que mais me impressionou foram os altares laterais da Igreja Matriz de Catas Altas, dedicada a Nossa Sra. da Conceição, representando as várias irmandades religiosas locais. Os altares laterais foram construídos em períodos diferentes e num tempo de riqueza, construídos para que as Irmandades fossem lembradas, numa clara disputa de poder. A matriz de Catas Altas se pareça com um grande teatro, lá encontramos vários estilos entre altares finalizados e inacabados: florais, chinoiseries e marmorização com algumas das peças atribuídas a Mestre Ataíde e Aleijadinho. Para quem chega, a igreja não é tão atrativa, mas ao entrar o espetáculo de cores, entalhes, brilho e por vezes simplicidade vale a visita. Datada do século XVIII a igreja foi construída em madeira, taipa e pedra e é parada obrigatória para quem gosta de conhecer, observar e admirar o passado.

Visitei tudo que foi possível, ouvi histórias e fiz muitas fotos. Conheci museus, igrejas, cemitérios, sacristias, torres e tive o prazer de conhecer de perto o Órgão Arp Schnitger – construído na primeira década do século XVIII em Hamburgo, Alemanha – a jóia da Catedral de Mariana.

Voltando para casa relaxei num “banho perolado”, umas das muitas opções oferecidas pelo balneário do Parque das Águas da cidade mineira de Caxambu – cidade que faz parte da região conhecida por suas estâncias hidrominerais e sua biodiversidade – além de aproveitar as águas termais, num entorno de muita beleza natural e arquitetura preservada, pude fotografar os lindos vitrais em estilo arte nouveau na sede do balneário e passar horas relaxantes no spa.

Guimarães Rosa tinha razão “é junto dos bão que se aprende o mió”.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Via Uno em Havana, que contraste!

Acompanho o blog de Yoani Sánchez há algum tempo e são muitos os artigos que me provocam reflexão. A seguir na íntegra e sem tradução reproduzo "Boutique" que me chamou a atenção, pois, o que passa em Havana, Cuba, também acontece no Brasil, não é toda a população que pode comprar um Via Uno e outras marcas que anteriormente tinham preços acessíveis e hoje estão nas alturas. É fato, que os sapatos brasileiros têm execelente qualidade e beleza que encanta consumidoras no Brasil e fora daqui, mas entre comprar um sapato ou comida, sapato ou livro, fico com a segunda opção. Já tive meus dias de Imelda Marcos, hoje sou mais Yoani Sánchez "sin dudar".


Loja Via Uno, Havana - Cuba.

A pocos metros de la Plaza de San Francisco se ve la glamorosa vidriera de una tienda Vía Uno. Zapatos de piel con afilados tacones, un tanto inútiles para las irregulares aceras de La Habana. Bolsos con pliegues y ribetes dorados en los que pareciera que cabe el mundo, que hubiera espacio para toda la ciudad. La gente curiosa se detiene frente al cristal y algunas mujeres entran a mirar de cerca, aunque muy pocas salen con alguna compra entre las manos. Allí está la adolescente que pronto cumplirá quince años insistiéndole a la madre para que desembolse los ahorros en unos botines rojizos. También la funcionaria de una nueva corporación, con la boca abierta y las cejas levantadas ante los precios que llegan a las tres cifras. Cruzando la calle –justo frente a la puerta de la boutique- hay una anciana con la mano extendida pidiendo dinero.

Como en una fotografía sobre expuesta, los contrastes sociales se perciben cada día con más fuerza en la vida cubana. Mientras muchos se levantan con la angustiante pregunta de “¿qué voy a comer hoy? una nueva clase -con moneda convertible en el bolsillo- alardea de consumir los artículos de tiendas exclusivas. Gente que gracias a la corrupción, los negocios privados, las remesas o los privilegios gubernamentales accede a una ropa más cara, mejores alimentos, a mercancías que no están al alcance de la gran mayoría. En las zonas turísticas, esos claroscuros se aprecian con mayor nitidez disparidad. Es ahí donde la Cuba de varios niveles se hace más visible, más dolorosa. Es ahí donde se desmiente ese concepto de “igualdad” que todavía se escucha en innumerables consignas, que habita –como un espejismo- en la mente de tantos fuera de nuestras fronteras.

Bajo el resplandor que despide el cartel lumínico de letras afiladas, un señor vende cucuruchos de maní. Ni una sola sílaba de su pregón se escucha dentro de esa tienda climatizada, mucho menos en el probador, donde alguien sube la cremallera de una prenda de lujo.

Outras viagens que podem interessar:

Related Posts with Thumbnails