quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Memória Mogiana: A Ordem do Carmo.

Fotos do acervo Meg Mamede
Acabo de assistir a um vídeo documentário sobre as Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes, do historiador mogiano Glauco Ricciele e muito me alegro ao ver as imagens. Apesar de há muito tempo ter desistido de entender como funcionam as questões da cultura, história e memória na minha cidade natal, sei que existem pessoas que trabalham em prol da preservação do patrimônio e memória da provinciana Mogi das Cruzes.

Vendo o vídeo fui tomada de certa nostalgia, há alguns anos atrás tentei juntamente com o jovem Juan Carvalho e o Frei Tinus van Balen iniciar um trabalho de ação educativa junto ao MIC e infelizmente não obtivemos o êxito desejado, não sei se por falta de interesse ou interesses conflitantes ou pela falta de política pública para o setor, se por briga de egos ou o fato do acervo pertencer a uma ordem religiosa, onde muitas vezes, também existe interesses divergentes.

Quem perde com isso? Ora, é claramente a população que sai perdendo. Gente que, como já disse em outros textos, não é educada para fruição, não se apropria dos espaços públicos e de memória por puro desconhecimento do entorno e com isso não se vê como sujeito importante no processo histórico.

As Igrejas das Ordens 1ª e 3ª e o convento anexo são construções no estilo das casas bandeiristas, a pintura do teto da ordem 3ª segundo Percival Tirapelli, historiador de arte, possui características do rococó mineiro encontradas em Diamantina e Serro, já o acervo possui belíssimas peças representativas do barroco paulista, entre elas uma coleção incrível de Paulistinhas (tipo de imaginária sacra em barro, característico da produção popular de São Paulo durante os séculos XVIII e XIX que em geral têm entre 15 e 20 cm). Tudo isso retornou às Igrejas do Carmo em 2004, após árduo trabalho do Frei Tinus van Balen, em seguida as peças foram selecionadas e estudadas pela museóloga Thelma Palha dando origem em 2005 ao chamado MIC – Museus das Igrejas do Carmo.

Visitei muitos museus no Brasil e fora do país, conheci excelentes trabalhos e ideias interessantes que fazem com que pequenas coleções, acervos e espaços expositivos interajam com a população local, e vice versa, e sei que Mogi das Cruzes possui uma “verdadeira jóia” no MIC, é uma pena que o museu não seja aberto ao público o ano todo, que isso só ocorra quando da inauguração de novas exposições, como a última, encerrada no dia 05 deste mês, intitulada “Arte Sacra: Barroco e Diversidade no Acervo Carmelita” com curadoria de Danielle Pereira.

Aproveito para parabenizar todos, conhecidos e anônimos, que com esforço contribuem para a preservação e difusão da memória da cidade.



Igrejas do Carmo, Mogi das Cruzes (vídeo produzido por Glauco Ricciele)

2 comentários:

  1. Fico muito contente que meu trabalho esta sendo agraciado por inúmeras pessoas. Obrigado pela publicação e sinta-se a vontade em utilizar outros videos ou mesmo sugerir algum tema referente a história de nossa amada Mogi das Cruzes. Parabéns pelo blog Meg Mamede. Um grande abraço.

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  2. Olá Glauco, que bom que tenha gostado do post, assim como eu fiquei tocada pelo vídeo documentáro que fez das Igrejas do Carmo e outros pontos importantes da quatrocenona Mogi das Cruzes. Obrigada pela visita e comentário. Volte sempre que quiser e precisando de algo não hesite em entrar em contato. Abraços históricos.

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