quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Yoani Sánchez: de Cuba para o Brasil.

Vendo jornal soube da possibilidade de Yoani Sánchez, finalmente, sair de Cuba. Na verdade por hora é tudo especulação da mídia, afinal, o governo cubano negou a saída da blogueira do país por mais de 18 vezes.  A esperança de Yoani que já conseguiu visto para vir ao Brasil participar da exibição no dia 10 de fevereiro em Jequié na Bahia, do documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta brasileiro Cláudio Galvão, é a visita da presidente Dilma Roussef a Cuba, ocasião na qual Yoani espera ser recebida pela presidente brasileira para uma conversa.
O blog Generación Y no ar já há alguns anos, tornou Yoani Sánchez conhecida e premiada no mundo todo. Em 2009 ela teve sua saída de Cuba para vir a São Paulo negada, ocasião do lançamento pela editora Contexto do livro “De Cuba com carinho”, uma seleção de artigos do blog.

Corajosa, ela narra e registra através de textos e imagens o que é viver na ilha dos Castros, realidade cotidiana e perigosa para ela que conta sem papas na língua e de maneira responsável toda a dificuldade da vida em Cuba, principalmente para quem é tido como persona non grata pelos socialistas da ilha.

Generación Y, um dos blogs mais acessados e lidos no mundo não pode ser lido em Cuba.

Censurada, Yoani publica seus artigos através de lan houses e, por vezes em hotéis com ajuda de amigos e turistas.

Apesar de todos os problemas e dificuldades que a autora tem para manter o blog, sobretudo, a informação em tempo real sobre o que acontece naquele país e em sua própria vida e, apesar da crítica ácida e ferrenha que ela tece ao governo e seus seguidores, é possível perceber seu amor por Cuba. Ela faz o que faz porque quer ver Cuba mudar, porque quer viver num lugar melhor onde o direito de ir e vir seja mais que respeitado, seja garantido e isso só compreende quem deixou seu lugar e voltou, quem já teve sua liberdade tolhida ou sua voz calada.

¡Ojalá! Espero que a vinda de Yoani Sánchez ao Brasil se concretize e que ela possa desfrutar desse momento tão esperado, por ela e por seus leitores, que assim como eu, adorariam ter um exemplar do livro autografado pela autora num merecido e festejado lançamento.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Memória Mogiana: A Ordem do Carmo.

Fotos do acervo Meg Mamede
Acabo de assistir a um vídeo documentário sobre as Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes, do historiador mogiano Glauco Ricciele e muito me alegro ao ver as imagens. Apesar de há muito tempo ter desistido de entender como funcionam as questões da cultura, história e memória na minha cidade natal, sei que existem pessoas que trabalham em prol da preservação do patrimônio e memória da provinciana Mogi das Cruzes.

Vendo o vídeo fui tomada de certa nostalgia, há alguns anos atrás tentei juntamente com o jovem Juan Carvalho e o Frei Tinus van Balen iniciar um trabalho de ação educativa junto ao MIC e infelizmente não obtivemos o êxito desejado, não sei se por falta de interesse ou interesses conflitantes ou pela falta de política pública para o setor, se por briga de egos ou o fato do acervo pertencer a uma ordem religiosa, onde muitas vezes, também existe interesses divergentes.

Quem perde com isso? Ora, é claramente a população que sai perdendo. Gente que, como já disse em outros textos, não é educada para fruição, não se apropria dos espaços públicos e de memória por puro desconhecimento do entorno e com isso não se vê como sujeito importante no processo histórico.

As Igrejas das Ordens 1ª e 3ª e o convento anexo são construções no estilo das casas bandeiristas, a pintura do teto da ordem 3ª segundo Percival Tirapelli, historiador de arte, possui características do rococó mineiro encontradas em Diamantina e Serro, já o acervo possui belíssimas peças representativas do barroco paulista, entre elas uma coleção incrível de Paulistinhas (tipo de imaginária sacra em barro, característico da produção popular de São Paulo durante os séculos XVIII e XIX que em geral têm entre 15 e 20 cm). Tudo isso retornou às Igrejas do Carmo em 2004, após árduo trabalho do Frei Tinus van Balen, em seguida as peças foram selecionadas e estudadas pela museóloga Thelma Palha dando origem em 2005 ao chamado MIC – Museus das Igrejas do Carmo.

Visitei muitos museus no Brasil e fora do país, conheci excelentes trabalhos e ideias interessantes que fazem com que pequenas coleções, acervos e espaços expositivos interajam com a população local, e vice versa, e sei que Mogi das Cruzes possui uma “verdadeira jóia” no MIC, é uma pena que o museu não seja aberto ao público o ano todo, que isso só ocorra quando da inauguração de novas exposições, como a última, encerrada no dia 05 deste mês, intitulada “Arte Sacra: Barroco e Diversidade no Acervo Carmelita” com curadoria de Danielle Pereira.

Aproveito para parabenizar todos, conhecidos e anônimos, que com esforço contribuem para a preservação e difusão da memória da cidade.



Igrejas do Carmo, Mogi das Cruzes (vídeo produzido por Glauco Ricciele)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Livraria Cultura agora em Curitiba.

Inaugurada há pouco mais de um mês em Curitiba a Livraria Cultura já se tornou point para os que buscam opções culturais que só as grandes cidades oferecem. Falo isso como frequentadora da Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo, confesso que senti falta daquela atmosfera quando cheguei aqui há quase um ano atrás.

Passado o frisson dos primeiros dias, ontem, domingão de sol, fomos conhecer a livraria que ocupa três andares no Shopping Curitiba e não nos arrependemos. Passamos horas por lá, enquanto Rogério se decidia entre livros de cinema e música, eu me deliciava com a leitura de “Como um rei na França” de Amaury Temporal, mesmo que para mim a França não traga boas lembranças, e um livro de receitas que escolhi por conta da minha nova paixão: a culinária.

O lugar está lindo, seguindo o estilo da rede de livrarias ainda conta com espaço gourmet, teatro e a área infantil, além do atendimento especializado, aliás, como o Pedro Herz, diretor geral da Livraria Cultura, frisa em trecho da carta ao leitor da revista da cultura, edição de janeiro 2012 “É preciso saber que os diferenciais têm valor. Entre eles, estão a qualidade do atendimento e a fidelização do cliente por meio de uma experiência agradável de aquisição; cada vez mais, o consumidor contemporâneo nota que sua plena satisfação conta muito e pode estar além da pura relação de compra e venda”.

Acredito que com a vinda da Livraria Cultura para Curitiba, nós, consumidores temos muito a ganhar, ademais da já mencionada qualidade de produtos e serviços da rede de livrarias, a concorrência também trará benefícios, afinal temos aqui FNAC, Livrarias Curitiba e outras que com certeza lançarão mão de estratégias para atrair e fidelizar clientes.

É fato que as grandes redes não têm o charme intimista de livrarias menores e tradicionais como a livraria Ghignone, que infelizmente fechou as portas em agosto passado, ainda assim, são ambientes interessantes onde se respira arte e cultura fazendo um bem danado para aqueles que gostam dessa atmosfera.

Esse é um dos lugares de Curitiba que eu elejo como um dos meus preferidos.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Lavoura Arcaica de Raduan Nassar.

"O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora, inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento. Sem medida que eu conheça, o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza. Não tem começo, não tem fim. Rico não é o homem que coleciona e se pesa num amontoado de moedas, nem aquele devasso que estende as mãos e braços em terras largas. Rico só é o homem que aprendeu piedoso e humilde a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura. Não se rebelando contra o seu curso. Brindando antes com sabedoria para receber dele os favores e não sua ira. O equilíbrio da vida está essencialmente neste bem supremo. E quem souber com acerto a quantidade de vagar com a de espera que deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco de buscar por elas e defrontar-se com o que não é. Pois só a justa medida do tempo, dá a justa 'atudeza' das coisas."
(Raduan Nassar)


(Trecho da obra de Nassar narrada por Raul Cortez no filme homônimo dirigido por Luiz Fernando Carvalho de 2001)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Around the world 2010-2011: Time Lapse by Kiem Lam.

Málaga - Espanha by Kiem Lam
Sempre que o assunto é viagem e lugares eu me sinto hipnotizada. Recebi do amigo Ricardo indicação pra ver o vídeo do Kiem Lam, fotógrafo que quando criança queria ser campeão internacional de ping pong e fiquei encantada com as imagens e a música. O vídeo que me lembrou muito "Baraka" longa do Ron Fricke de 1992, é uma síntese, em quase cinco minutos, dos 343 dias que Kiem passou por 17 países, 19 aviões, 58 ônibus, 18 barcos e fez 6237 fotos  durante sua incrível viagem.

O fotógrafo passou pelos EUA, Inglaterra, França, Portugal, Espanha, Marrocos, Egito, Turquia, Jordânia, Tailândia, Indonésia, Japão, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia e Peru. Vendo as imagens, senti falta do Brasil, afinal ele esteve tão perto, então resolvi perguntar ao Kiem Lam porque ele não esteve no Brasil. Escrevi um e-mail e recebi a resposta no mesmo dia, Kiem gentilmente me respondeu:

 "Oi Margarete. Eu queria ir para o Brasil, mas não tive tempo, enquanto eu estava nos EUA, era Carnaval e tudo estava muito caro. Eu realmente quero visitar o Brasil, por isso espero  poder ir na minha próxima viagem".

Achei incrível que Kiem Lam com um vídeo tão acessado no vimeo e youtube e, sendo convidado a falar sobre sua experiência em vários canais de comunicação tenha tempo e a gentileza, como disse antes, de responder os e-mails. Eu sempre gostei da internet e das possibilidades que ela cria e por isso resolvi contar aqui esse episódio e convidar você leitor a ver as lindas imagens captadas pelas lentes do Kiem.

Aproveito para desejar ao Kiem que faça muitas boas viagens ao redor do mundo! 



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

2012 O ano do Dragão.


2011 foi o ano do Coelho para o Ano Novo chinês. Eu estive no bairro da Liberdade em S.Paulo conferindo a festa em companhia da amiga Maria Emília, que aliás, adora aquele bairro, pedacinho do oriente na cidade de S.Paulo. Fazia um calor infernal, as ruas tomadas de gente e aromas que saiam das barracas e restaurantes da região, uma verdadeira maratona conseguir andar ou parar num lugar para ver o desfile passar, ponto alto da celebração.

Num colorido de encher os olhos, o vermelho, o amarelo e o dourado saltam em meio à multidão, a festa vibrante mostra um lado do povo chinês desconhecido por nós ocidentais e que aos poucos ganha espaço mundo afora. A festa que acontece nos EUA desde 1953, já tem lugar na Inglaterra, Canadá e mais recentemente no Brasil, com inicio em 2005 no bairro paulistano.  

Festa do Ano Novo Chinês na Liberdade-SP
(foto_Meg Mamede)
A China com sua cultura milenar e tradição exporta mais que produtos para todo o mundo, exporta filosofia e tendências que rapidamente são absorvidas e difundidas no ocidente.

2012 será o ano do Dragão conforme o calendário chinês que comemora o ano 4710. O animal que simboliza a sabedoria e o Império regerá este ano.

Para celebrar a entrada do Ano do Dragão, será montado um palco na praça que leva o nome do bairro, pelo qual passarão academias de artes marciais, grupos musicais, de dança e até modelos desfilando trajes típicos de diversas dinastias chinesas. Barraquinhas de comidas típicas e artesanatos também dão o tom da festa. O evento acontece nos dias 21 e 22 de janeiro e deve reunir mais de 150 mil pessoas, número que já ultrapassa as festas realizadas em São Francisco e Londres, sendo uma das maiores festas fora da China.

Durante o período de festas o gigante asiático para por 15 dias, entre preparativos, viagens e ritos que festejam a passagem do ano, o povo chinês realiza grandes banquetes em casa ou restaurantes e costuma viajar de volta as suas cidades de origem para visitar a família e amigos. O ponto alto da festa, na China, é a queima de fogos de artifício, momento em que eles acreditam atrair sorte e espantar as energias negativas.


Xin Nian Kuai Le para todos!

Saiba mais em Ano Novo Chinês

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

2012 ano de mudanças.

Para 2012 o Diário de Bordo será repensado, terá uma linha editorial melhor cuidada visando formar novo público, atraindo visitantes, apoiadores e patrocinadores também.

A tônica será a mesma de sempre, com foco na cultura em geral falaremos de lugares, livros, artes e tudo o que possa nos trazer o prazer da fruição, o gosto pelo conhecimento, o interesse pelo velho e a curiosidade pelo novo.

No intuito de transformar o Diário de Bordo num blog mais ágil e porque não mais high tech experimentaremos novas ferramentas e opções para que nosso público possa interagir melhor conosco.

Para que isso aconteça começamos desde já, durante este mês faremos uma pesquisa com visitantes, seguidores e amigos do blog para saber o que gostariam de ver e ler por aqui. Em seguida sairemos em busca da informação e a traremos num formato mais fluído, porém, sem abrir mão do nosso estilo.

Ao nos visitar, deixe seu comentário, crítica ou sugestão, eles são muito importantes para construção de um blog melhor.

O Diário de Bordo deseja ser um canal onde você encontre informação de qualidade com a responsabilidade e a sensibilidade que os temas aqui abordados requerem.

Caso tenha dificuldade para deixar seu comentário escreva para megmamede@yahoo.com.br

Agradecemos sua contribuição e desejamos a todos um excelente 2012!

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