quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

2012 se despede e não será o fim do mundo!


Para o Brasil, para América Latina, para a maioria dos países do continente africano, para muitos dos países da Europa e para os EUA, não haverá fim do mundo em 2012. Devido à crise que estes últimos enfrentam, nenhum deles tem condições de receber um evento desse porte. Nem mesmo a Alemanha, que já tentou duas vezes e fracassou.  Um evento dessa magnitude requer esforços globais para ocorrer concomitantemente em todo planeta e, sabemos não existir consenso para isso.

Alguns disseram que se meu Timão fosse campeão do Mundial 2012 o mundo iria acabar, acredito que acabou sim, para os anticorintianos. Para nós é mais um motivo de alegria e se fosse pro mundo acabar nossa Nação acabaria em festa.

Será que os Maias se equivocaram? Ou a pedra onde esculpiram o calendário não tinha mais espaço para além 2012? 

Bem, essas são respostas que não teremos. O importante é que 2012 foi um ano razoável.

Neste ano aceitei que necessito de óculos para trabalhar e ler, não enxergo nada em cardápios, bulas e produtos no supermercado.  O meu colesterol aumentou, os meus joelhos doeram, meus cabelos brancos aumentaram (que bom que fico bem de vermelho), minha memória falhou (troquei análise Swot por slot, a estratégia do Oceano Azul por Céu azul, Eddie Vedder por Win Wenders, etc.) e meu corpo reclamou de quase tudo. 

Amigos eu cheguei à maturidade, ao ápice da vida. Maravilha! 

Próximo passo: iniciar a descida, afinal tudo que sobre desce. Peito e bunda inclusive. O pior que o joelho dói mais na descida #0*#@$#@*%$@!!! 

Mas nem tudo está perdido, ganhei outras coisas com o passar do tempo. 

Aprendi a amar e encontrei o companheiro ideal. Trabalhamos muito e planejamos o futuro juntos: uma casa térrea com rampa e piso antiderrapante, técnicas para não esquecer o horário dos remédios e muitas viagens lindas que faremos juntos, começando pela Croácia e Grécia em 2013.

A vida é feita de altos e baixos, temos que vivê-la um dia após o outro, como se cada dia fosse o último (porque um dia será). Na juventude a sorvemos em grandes goles, na maturidade aprendemos a degustá-la de maneira tranquila e nem por isso menos prazerosa.  

Sei que não mudamos, nossa essência permanece a mesma com o passar dos anos. Eu serei sempre ligada no 220w, mesmo que eu perca a potência, lá no fundo  serei sempre aquela criança levada, curiosa e tagarela. 

Então...  mesmo que me joelhos doam, que minha vista se canse e minha mente se confunda, eu verei o ano novo chegar porque o mundo não vai acabar. Verei um “bando de loucos” voltar do Japão, verei o entardecer na Ilha do Mel, verei o sorriso do meu amor quando eu fizer alguma palhaçada ou falar alguma bobeira e, serei muito feliz. 

Adeus 2012! Que venha 2013, 14, 15, 16, 17,... ... ...

domingo, 2 de dezembro de 2012

O teatro e sua curiosa tradição escatológica.





Merda! Merda pra você!

Português: merda: Francês: merde, Inglês: shit, Alemão: scheiße, Espanhol: mierda.

Que coisa estranha de se ouvir poucos minutos antes de entrar no palco, diria qualquer pessoa que desconhece o sentido da expressão. Na verdade tradicional maneira de desejar boa sorte no mundo das artes cênicas e os atores já estão acostumados a ouvir a palavra.

Existem algumas versões para origem da expressão, mas a mais reproduzida menciona o costume que surgiu na França, onde as boas peças de teatro eram determinadas pela quantidade de carruagens (carros puxados a cavalos) estacionadas a porta ou nas proximidades do teatro, consequentemente a quantidade de excremento animal: merda, depositado nesses locais.

Imagine uma peça em vários atos, talvez duas ou mais horas de espetáculo, baseado em obras de dramaturgos como Molière, Shakespeare e outros tantos e os cavalos lá fora tomando água, comendo capim, abanando o rabo, relinchando entediados enquanto esperavam o fim da peça. Não podiam fazer outra coisa se não transformar a frente do teatro em banheiro, fazendo ali suas necessidades mais básicas e animalescas.

A partir disso começa-se uma análise interessante, quanto mais merda ao fim do espetáculo, mais sucesso. E é muito fácil entender esse raciocínio, veja: a quantidade de merda revela a quantidade de carruagens que estiveram estacionadas ali e, consequentemente, quanta gente viu o espetáculo. Simples assim, não precisa ser cientista ou matemático para entender as contas, basta ter um pouco mais de estômago e observar.

Essa cadeia de acontecimentos media a qualidade de uma peça. Imagine se entre o público presente estivesse um crítico de arte que e ao sair tivesse que andar com cuidado desviando de tanta merda. Ele poderia então comprovar que havia muita gente na plateia e que a peça era realmente um sucesso.

Hoje não existe mais o glamour daquela época, nem a merda também, afinal ninguém mais vai ao teatro em carruagem, talvez hoje fosse possível medir o sucesso através do barulho dos carros ao final do espetáculo, quando motoristas impacientes e enfileirados para sair do lugar não conseguem esperar e metem a mão na buzina.

Talvez pudéssemos medir o sucesso através da quantidade de CO2 despejado no ar, mas, já não teria o charme da antiga expressão “merda”, imagine falar buzina, CO2 ao invés de: merde, shit ou mierda para Usted.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Neste mês o Diário de Bordo completa 4 anos no ar!

Gente o meu blog "Diário de Bordo"completa 4 anos neste mês, verdade que não tenho dado a atenção que ele merece. Foram tantas horas escrevendo, tantas palavras, tantos momentos e histórias empregadas aqui, que ele mereceria uma homenagem a altura.

Recebi dois selos consecutivos do TOPBLOG (2010 e 2011) na categoria Cultura e Arte. Houve um tempo que cheguei a receber cerca de 400 visitas diárias, eu uma ilustre desconhecida, que loucura. Mas não são esses números que fazem meu blog especial, são as pessoas com que falei, são as pessoas para as quais meus textos levaram informação, emoção ou qualquer outra reação.

Usei-o como ferramenta para expor minhas emoções, angustias e recordações. Escrevi para os amigos, para estranhos e para mim mesma, num exercício de auto conhecimento que me fez ver que todos esses "meus" sentimentos são universais.

Logo postarei os melhores momentos e agora aproveito para agradecer a todos que em algum momento estiveram aqui.

Obrigada amigos, seguidores e visitantes!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Minha amada mortal.



Gonzalo de Diego (foto_ Meg Mamede) 
"Vou te encontrar vestida de cetim,

Pois em qualquer lugar esperas só por mim

E no teu beijo provar o gosto estranho

Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar

Vem, mas demore a chegar.

Eu te detesto e amo morte, morte, morte

Que talvez seja o segredo desta vida

Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida" (...)



(Trecho de: Canto para minha morte, música de Raul Seixas e Paulo Coelho)


Paty Lorret (foto Meg Mamede)
A música os aproximou e os uniu. A morte os separou. O que era alegria e arte acabou, dando lugar a um imenso vazio. Ele preso num lápso de tempo, num momento em que a existência dela enchia de beleza e inspiração suas vidas. Juntos eram um só e muitos. Juntos cantavam, amavam, viviam. Separados morreram, os dois. Ele perdido num turbilhão de lembranças e pensamentos. Ela já não era a mesma de antes, jazia em seu leito eterno, decrépita, sem vida. Ele, triste e desolado, sonhava com ela todo o tempo. Ouvia sua voz sussurrando canções. Sentia seu beijo quando o vento mais suave tocava sua face. Chamava seu nome no meio da noite. Falava sozinho, enquanto caminhava por aquela imensa casa. Todas as noites nas quais conseguia dormir, almejava não mais acordar, para estar com ela onde quer que ela estivesse. Alucinado, a via vestida de branco pela casa, com olhar distante, com o mesmo sorriso malicioso que o encantara desde o primeiro encontro. Ao se aproximar para tocá-la, a imagem se esvanecia e ele retornava a sua dor. Ele se perdeu no tempo, entre garrafas de vinho e a fumaça dos cigarros. Uma vida sem melodia, sem rima, sem poesia, decadente. Sem sua amada que partira ainda jovem, ele se sentia um maldito, quase imortal, condenado a vagar solitário, tendo por companhia apenas o violão, o mesmo que ela tocava com graça, enchendo a casa de alegria. Estar sem ela era como estar sem ar. Todas as noites, não suportando mais a ausência, desejava dormir um sono profundo, tranquilo e despertar junto dela. Seu desejo fora atendido, num dia qualquer, não despertou. Não abriu os olhos, já não estava. Feliz se foi. O que os separara, os unira para sempre e… onde quer que estivessem a música se faria ouvir novamente.


** Fotos Gonzalo de Diego e Paty Lloret na Casa Llaguno_by Meg Mamede. Inspirado em "A Noiva Cadáver" filme de Mike Johnson e Tim Burton, por sugestão do fotografo Borja de Diego. www.bilbaobabilonia.blogspot.com (agosto/2009).

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Travessuras ou Gostosuras? Direto do túnel do tempo.

De origem anglo-saxônica a festa de Halloween não é muito comum no Brasil, mas nos últimos anos tem ganhado mais adeptos, sendo mais um motivo pra reunir os amigos e passar bons momentos e, foi exatamente o que fiz neste feriado.

Entre o dia das bruxas, de todos os santos e dos mortos, mais viva que nunca, aproveitei o feriado (em 2010) e me diverti muito. Desci a serra do mar sem intenção de ir à praia – o que foi inevitável–, fui visitar a amiga Mary e curtir a animada festa de Halloween que ela preparou.

No fim das contas acabei aproveitando a estada em Santos para passear pelo maior jardim a beira mar do mundo – cerca de 7 km de orla com flores e muito verde brindando a primavera e os turistas que por lá passam –. Visitei o centro histórico, o Palácio do Café, a Pinacoteca Benedicto Calixto e o Mercado Municipal, deu até pra pegar um cineminha no posto 4. Cidade importante para história de São Paulo e do Brasil, elevada a Vila em 1545, Santos foi porta de entrada para colonizadores e imigrantes que venceram a Serra do Mar – chamada de a Muralha por alguns – em diferentes momentos da nossa história. Mas dessa vez foram criaturas da noite que invadiram Santos, na verdade invadiram a casa da Mary. Bruxas, caveiras, fantasmas, vampiros e até uma múmia dançaram até altas horas num ambiente cuidadosamente decorado por nossa anfitriã.

Enquanto muitos criticam a data, por não se tratar de algo tipicamente brasileiro – me refiro ao nosso folclore e suas criaturas fantásticas – ou até mesmo por atribuir à festa um caráter diabólico, acredito que o fenômeno da miscigenação em nosso país resulta num caldeirão cultural onde tudo é assimilado, transformado e incorporado, além do que, brasileiro adora uma festa.

E por falar em caldeirão, entre deliciosos coquetéis, petiscos, biscoitos em forma de dedos de bruxa, ratinhos sabor a cajuzinho, fantasminhas de suspiro e muita música, todos se divertiram muito. Infelizmente o feriado acabou e o jeito foi subir a serra com gostinho de quero mais e a máquina fotográfica cheia de recordações.

O que há séculos foi descoberto por outros povos, hoje continua recebendo criaturas, ops! gente de toda a parte que desembarca no porto seja a trabalho, seja a turismo e aqueles que como eu, descem e sobem a serra, não numa vassoura, mas olhando da janela o mar e a serra desejando ter nascido imortal para aproveitar tudo que a vida oferece, seja a oferta travessura ou gostosura.

(fotos Meg Mamede)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Em tempos de eleição.

Flautista de Hamelin - imagem Google
Passa ano, entra ano, a política brasileira continua a mesma coisa, toda sorte de político surge, entra e saí. O texto a seguir escrevi em 2010 ocasião da eleição, ainda vivia em São Paulo, agora em Curitiba vejo que só muda o endereço e tudo continua igual.

Aqui, no 2o turno terá Fruit e Ratinho Jr na disputa pela prefeitura, os curitibanos estão com as unhas na cabeça, doidos pra ver se conseguem trazer pra cá o Flautista de Hamelin.

A vida deveria sim imitar a arte e limpar o pais de todos os ratos e insetos que infestam o Brasil.

***

Nesta terça estava deixando o Conjunto Nacional na Paulista, quando esbarrei com o Profº. Mário Cortella na Livraria Cultura, daí resolvi ficar para o lançamento do livro Política, para não ser idiota, na verdade um descontraído bate papo entre os autores Renato Janine Ribeiro e Mário Sergio Cortella. Eu que não gosto muito do assunto acabei gostando da abordagem e, o bate papo bem humorado foi encerrado com frase do poema Memória do Drummond, me lembrando de um texto que escrevi há alguns anos.

Com a proximidade das eleições e vendo a propaganda política com conteúdo político de qualidade que tem sido apresentada, seria oportuno relembrar Lima Barreto, que já nos idos de 1911, ou seja, há quase um século atrás, escreve Triste fim de Policarpo Quaresma abordando, entre ouras coisas, a política nacional, as saúvas, tiriricas e, e outras pragas que enfestavam o cenário brasileiro.

Em Triste fim de Policarpo Quaresma há claramente diálogo entre o autor e personagem. Lima Barreto extrapola as barreiras da ficção, pintando-a, com cores muito vivas e tristes, o próprio título nos remete a essa tristeza.

Seria, o fim da personagem ou seu próprio fim que autor visionara?

O fim é triste por si só, mas, nem sempre significa o fim de tudo, como no poema Memória de Drummond “Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão”, a obra e memória de Lima Barreto são exemplos disso. O mulato de origem humilde que conheceu a elegância do Rio de Janeiro em plena Belle Epoque, optou pela realidade do subúrbio para atender as necessidades da família e assim como seu Major Quaresma conheceu a loucura de perto e, em decorrência do alcoolismo morreu jovem, aos 41 anos. Um rosto entre tantos outros buscando a identidade nacional.

Homem moderno que com linguagem objetiva e simples, sem ser simplista, representou em sua obra todas as personagens e elementos de um Brasil republicano, onde as transformações daqueles primeiros anos causariam muitas inquietações.

Barreto e sua obra, rechaçados por alguns, não se encaixando nem bem aqui, nem bem ali, assim como Policarpo Quaresma com suas idéias e projetos para um Brasil diferente e que nem sempre eram bem aceitos por seus iguais, do projeto cultural, passando pelo projeto científico à agricultura, até chegar ao projeto político, o qual assinalaria de vez o seu fim, representaram o ideário de homens que buscaram a unidade dos Brasis num momento em que a exaltação do que não era nacional e, a busca desenfreada pelo progresso, marginalizou boa parte da população brasileira, em especial no Rio de Janeiro então capital da República, empurrando a população de menor renda para fora do centro, a fim de atender os clamores de uma elite e, escrever a história dos vencedores. Mas, hoje podemos pensar que os vencedores somos nós, herdeiros do legado de Lima Barreto e seus Policarpos, Olgas, Ismênias, Ricardos Coração dos Outros e muitas outras personagens que nos fazem entender um pouco mais da história do Brasil.

(Texto postado originalmente em setembro de 2010)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Kilt e Quilt.


Apesar da pronúncia ser a mesma, as palavras quilt e kilt têm significados diferentes. Ambas remontam os séculos e, estiveram presentes nas tradições de povos antigos, como por exemplo: os celtas. Nos dias de hoje estão presentes em países da Europa e América, em especial entres os povos de origem anglo-saxônica. 

O kilt é uma espécie de saiote masculino, pregueado na parte de trás, trespassado na parte da frente, que vai da cintura até aos joelhos.  Era confeccionado na Escócia, tradicionalmente, em tecido de lã e com padrões de tartan - estampas geométricas que identificavam a origem e consequentemente o clã a que o guerreiro pertencia, hoje em dia podendo referir-se à família de origem – e eram utilizados por guerreiros e batedores dos clãs. Era o traje típico de homens e jovens das montanhas escocesas do século XVI. Desde o século XIX, ele está associado a toda a cultura escocesa e com a herança da cultura celta. 

O ator Liam Neeson como Rob Roy, herói escocês.
(Imagem google)
Com o passar do tempo e com aculturação dos povos, o kilt passa a fazer parte das tradições de outras partes do Reino Unido (Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales) e são também confeccionados com tecidos diferentes dos tradicionais, mas mantendo as características originais, se não, deixaria de ser kilt para se tornar simples saia.

Quanto ao quilt, durante a idade média na Europa, a técnica de quilting (acolchoamento) unia os pedaços ou sobras de tecidos que serviriam de reforço para as roupas dos guerreiros, eram confeccionadas peças para serem usadas embaixo das armaduras. Além das roupas, eram feitas colchas para aquecer as pessoas dos rigorosos invernos no hemisfério norte. Naquela época o quilt tinha características mais funcionais e utilitárias do que a decorativa e/ou ornamental.

Quando da colonização do Novo Mundo, os “Pais Peregrinos” trouxeram na bagagem seus quilts e, a técnica do quilting comum entre as mulheres que se reuniam para elaborar trabalhos manuais nas chamadas quilting bee – onde geralmente confeccionavam algo grande como uma colcha ou tapete a várias mãos –, já que os conservadores protestantes acreditavam que “cabeça vazia: oficina do diabo”.  Dessa maneira introduziram os padrões anglo-saxônicos de quilt na América do Norte. 

Quilting Bee (Imagem google)
Com a expansão industrial e o surgimento das máquinas de costura caseiras, os trabalhos manuais deram lugar a uma produção em maior escala e do uso doméstico passam para os primeiros negócios. De lá pra cá, entre recessões, guerras, revoluções culturais e modismos os quilts surgiram e ressurgiram, para no século XX ganhar, juntamente com o patchwork, espaço, apreciadores e o status de arte.

No Brasil as técnicas do quilt e patchwork foram mais difundidas a partir da chegada de imigrantes alemães e italianos e, num segundo momento, com os ingleses e americanos, ganhando adeptos e fazendo surgir lindos trabalhos. Já os kilts, esses não chegaram por aqui, ou se chegaram não fizeram a cabeça do homem brasileiro. 

O que é uma pena, porque é um charme!

(por Meg Mamede)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tecendo Arte.



Agata Olek (foto Google)

A artista e designer nascida na Polônia e radicada nos EUA Agata Olek é uma crocheteira de mãos cheias. Conhecida por seu trabalho em crochê cobrindo: objetos, bicicletas, carros e até pessoas em instalações vivas, ela chamou a atenção da galeria britânica Tonny’s Gallery e foi convidada a expor no inicio deste ano.

(foto Google)
Seu crochê e pontos, como os feitos por nossas avós, tias e por algumas de nós quando jovens, tomou conta do seu apartamento em N.Y para em seguida ganhar as ruas, galerias e exposições pelo mundo.
Agata Oleksiak conhecida como Olek, esteve no Brasil em 2009, em Salvador-BA, para uma residência artística no Instituto Sacatar, ocasião em que a artista se entusiasmou com as possibilidades de cores e transformação dos brasileiríssimos fuxicos.Durante vernissage que aconteceu no dia 06 de março de 2009, no Museu do Traje Têxtil em Salvador-BA, Olek utilizou sacos de farinha para fazer cachorros de fuxico, trabalho que a artista polonesa realizou em parceria com mulheres do movimento dos trabalhadores rurais.
“Me inspira a maneira como as pessoas fazem, do nada, coisas extraordinárias” comentou a artista na ocasião.
(por Meg Mamede)

sábado, 28 de julho de 2012

Se meu fusca falasse.

Bug Bokja (foto: blog Bokja Design)


Criatividade muitos têm, mas pouco sabem tirar proveito. As designers Hoda Baroudi e Maria Hibri da Bokja Design, empresa libanesa localizada em Beirute, têm criatividade de sobra.


Visitando o site da Bokja é impossível não se surpreender com as ideias e possibilidades que elas apresentam. São peças fantásticas, objetos, móveis – em especial cadeiras e sofás – e até um fusca, lindamente transformados a partir do patchwork.
O fusca saído das ruas de Beirute foi ressuscitado pelas designers da Bokja, uma explosão de cores, tecidos e vida! Redescobrindo velhos personagens e memórias através do tecido, segundo texto publicado no blog da Bokja. 
O Bug Bojka, como é chamado o fusca, foi todo forrado por retalhos de tecidos vintage do Oriente Médio, aplicada técnica do patchwork, tudo foi feito à mão.

Em 2010 o fusca saiu de Beirute no Líbano e seguiu para o Salão de Design de Milão, Itália. Depois disso ele foi leiloado pela internet e o dinheiro arrecadado com sua venda foi para organização italiana Fondazione Francesca Rava, que presta ajuda humanitária no Haiti. A designer italiana Angela Missoni foi quem arrematou a peça.
E lá se foi o fusca... das ruas de Beirute para o mundo!


(por Meg Mamede)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Viajando em busca do self.


Esses dias ando tomada de coisas por fazer, muita coisa acontecendo junto e ao mesmo tempo. Não tenho tido inspiração para escrever algo no meu querido Diário de Bordo. Talvez, seja o momento de parar para um balanço, priorizar algumas coisas e viajar em busca do self. Uns dias de férias para ver a família e recarregar as energias, espero voltar inspirada e dividir algo bacana com meus amigos, seguidores e leitores ocasionais. Por hora deixo essa bonita imagem que a amiga Elisângela compartilhou comigo no face. Em tempos high tech e individuais a palavra compartilhar, nas redes, é algo inspirador.

Abraços a todos e até breve!

sábado, 2 de junho de 2012

Aviso as navegantes.

Queridos amigos, leitores e seguidores, quem costuma visitar o blog deve ter notado maior espaço de tempo entre uma postagem e outra, na verdade ando sem tempo para dar a devida atenção ao blog, por isso passo por aqui para informar que darei um tempo com as postagens.

Em breve estarei de volta. Obrigada!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Nicole Gulin: força e docilidade.

Nicole Gulin customizando New Balance
Capoani - Curitiba/PR (foto: Meg Mamede)
Há pouco mais de um ano em Curitiba tive a sorte de conhecer pessoas singulares, inteligentes, acessíveis e que por esses motivos se tornaram queridas para mim. Entre elas, apesar do contato recente, está a artista plástica Nicole Gulin.

Não me canso de tecer elogios a ela e sempre que a oportunidade me permite, seja pela pessoa que é: sempre com um sorriso no rosto e a gentileza nos gestos, seja pela talentosa e promissora artista que traz em suas obras traços fortes e expressivos e uma docilidade quase palpável.

Há alguns anos me apaixonei por história da arte e de lá pra cá pude ver e apreciar muita coisa no Brasil e fora do país. Confesso que nem tudo me agrada, ainda não estou preparada para absorver tudo que o mundo contemporâneo coloca a minha frente.

Ainda me prendo à estética que agrade meus olhos e que de alguma maneira me toque a alma. Não consigo apreciar aquilo que subverte os meios com a finalidade de chocar ou que subtraia tantos os elementos que tudo que eu vejo seja um ponto negro, ou de qualquer outra cor, num espaço infinito e perdido. Minha percepção da arte ainda não chegou a esse grau de minimalismo e abstração.

Quando vou ver algo quero ter uma percepção sensorial boa e prazerosa como quando o sol aquece minha pele numa tarde fria ou o aroma de um prato saboroso enche minhas narinas e me prepara para o banquete.
Nicole Gulin: Vernissage "eN_trelinhas"
Inter Cultural - Curitiba/PR (foto: site da artista)


Com o trabalho da Nicole foi “gostar” à primeira vista. Durante um curso que fizemos juntas ela me entregou o folder de uma de suas exposições cujo tema “A Força e a Delicadeza das Índias Brasileiras" me encantou, de lá para cá tenho prestigiado suas exposições e performances e conferido de perto a evolução meteórica dos seus trabalhos.

Suas obras trazem elementos gráficos e desenhos inseridos na composição através da técnica de assemblage reunindo desenho, pintura e colagem e segundo a artista: com inspirações, principalmente, em fotos autorais e situações cotidianas, além de conceitos e introspecções.

Talvez por isso eu tenha gostado tanto do trabalho da Nicole, é como se ela se mostrasse de dentro para fora e conseguisse imprimir em seus trabalhos algo que só os “bons” têm: a força para se impor e, a doçura para se manter onde poucos conseguem chegar.

Parabéns Nicole!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Organizando a casa.

Ontem saímos para pesquisar possibilidades que otimizem o pequeno espaço que temos em casa para um home office. Espaço que compartilharei com meu marido devido as nossas recentes demandas profissionais.
(montagem com imagens google)
Depois de sair de uma dessas grandes lojas do segmento de casa: construção e decoração, me lembrei da empresa sueca Ikea,que conheci na Espanha, e fiquei sonhando com a possibilidade de ela vir para o Brasil.

Com a abertura das importações na década de 90, nós brasileiros vimos um grande número de produtos invadirem todos os segmentos do mercado. Bom para alguns e não tão bom para outros. Para o consumidor final a variedade de produtos e preços mais convidativos fez com que novas cores e formas tomassem conta dos lares brasileiros. Em contrapartida os produtos nacionais tiveram que ser readequados, materiais e preços, para não perderem espaço para os concorrentes importados.

Verdade que muitas vezes o pequeno empresário não consegue competir com produtos que vêm de fora, como por exemplo, os produtos chineses. Segundo os economistas Fernando Puga e Marcelo Nascimento, em pesquisa encomendada pelo BNDES “será preciso dotar a indústria brasileira de competitividade” já que muitos dos produtos produzidos aqui vêm perdendo isso. O estudo aponta ainda, que os chineses são responsáveis por dois terços do avanço das importações no mercado doméstico brasileiro nos últimos cinco anos.

Além da infinidade de pequenas lojas de utilidades domésticas espalhadas por todo o território nacional – conhecidas pelo nome de Lojas de 1,99 – temos também grandes redes internacionais que viram no mercado brasileiro um campo fértil para os negócios.

Destaque para a Leroy Merlin (fundada na França em 1960, no Brasil desde 1997), mas as brasileiras Tok&StoK (fundada em SP em 1978) e Etna Store (fundada em SP em 2004 tendo como modelo a sueca Ikea) são outras opções para quem quer deixar a casa linda com qualidade e praticidade, contudo os preços ainda são um pouco salgados para a classe C, a classe que mais cresce no quesito compras, impulsionando o mercado brasileiro nos últimos anos. Sabendo disso as empresas nacionais começam a oferecer produtos de qualidade mais acessíveis, buscando garantir seu lugar na concorrência.

E por falar em lojas do gênero espalhadas pelo mundo, a Ikea (fundada na Suécia em 1951) presente em toda a Europa, América do Norte, Oriente Médio, Caribe e Ásia, é um sonho de loja, quem conhece sabe, tem também a The Container Store (fundada nos EUA em 1978) presente nos EUA e Canadá, ambas oferecem uma infinidade de opções, mas ainda não chegaram por aqui.

Se, observamos bem, a cultura da organização é realmente recente em nosso país, surgindo nas últimas décadas e a partir da iniciativa de empresários e empreendedores que viram no setor uma grande oportunidade de negócio. O que para o consumidor foi uma grande sacada, afinal, organizar o lar, o escritório e outros espaços com praticidade, variedade e economia já não é mais privilégio de alguns.

A cultura do faça você mesmo tem seus adeptos no país e confere personalidade a espaços residenciais e escritórios. Com economia, praticidade, beleza, além do aproveitamento e reuso de móveis e objetos é possível contribuir com a sustentabilidade do planeta e deixar a casa ou o escritório com a cara do dono, imprimindo marca e estilo.

Próximo passo: iniciar nossa pequena obra lá em casa.

terça-feira, 20 de março de 2012

A Via Crucis em Balmaseda, Espanha.

Foto Divulgação Via Crucis Viviente de Balmaseda

A pequena e histórica Balmaseda situada na comunidade autônoma do País Basco, ao norte da Espanha, se prepara para sua festa maior: a encenação da Via Crucis. Celebração de caráter penitencial que remonta do século XVI, quando a população da vila pedia em suas procissões a proteção contra a peste negra que assolava outras regiões. É no ano de 1865 que a procissão da Via Crucis ganha ares de representação com a introdução de personagens que acompanhariam a procissão tradicional: fariseus – soldados romanos – e ao final do século XIX o surgimento das Marias, Madalena, Jesus e Simão “o Cirineu”.

Buscando cada vez mais realismo a população de Balmaseda inseriu novos elementos e personagens à representação: Barrabás, Pilatos e muitos figurantes, o que transformou a tímida procissão de séculos passados num espetáculo cheio de teatralidade e emoção, que atrai gente de toda a Espanha.

Durante a Semana Santa a pequena Balmaseda com pouco mais de 7 mil habitantes, triplica sua população em virtude da festa da Semana Santa. São fiéis, turistas e curiosos que vão para Balmaseda para ver de perto o espetáculo que toma as ruas da cidade, que é cuidadosamente preparada e transformada em cenário para o que eles chamam de Via Crucis Viviente de Balmaseda.

Uma cidade que zela por suas tradições e patrimônio, onde pontes e trechos de estradas romanas foram preservadas e persistem até os dias atuais. A primeira vila de Vizcaya (ou Biskaia em basco) que serviu de caminho para viajantes e comerciantes antes e durante a Idade Média e foi uma espécie de Aduana (alfandega) devido a sua posição geográfica privilegiada. Questões demográficas, econômicas e de infraestrutura tornaram-na ponto estratégico para o comércio da época. Desde sua fundação em 1199 Balmaseda recebeu um população heterogênea, formada por artesãos, agricultores e comerciantes, entre eles alguns judeus poderosos que ajudaram a construir o que Balmaseda é hoje: um lugar lindo cuja atmosfera nos faz viajar no tempo por conta da arquitetura medieval e tradições preservadas.
 
 
Ponte Romana de Balmaseda
Eu conheci Balmaseda na época em que vivi Orduña, cidade próxima, me lembro dos comentários sobre a importância da Semana Santa para localidade, já para o visitante trata-se de uma oportunidade única de presenciar o acontece na vila, conhecer o que eles mesmos chamam de “lapso no tempo”. A semana em que toda a população se transporta no tempo e espaço para viver de maneira dramática os últimos momentos de vida de Jesus de Nazaré.

A “Paixão de Cristo” transformada na paixão de um povo.




Via Crucis Viviente de Balmaseda 2011
(por sugestão de Blossom)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Festa de São Patrício. Na Irlanda, claro!


 Saint Patrick's Day na capital Dublin, Irlanda (imagem Goggle)

Nestes dias, muito tem se ouvido falar sobre o Saint Patrick's Day, – originalmente: Lá ’le Pádraig ou Lá Fhéile Pádraig ou simplesmente Paddy's Day na Irlanda, onde o dia tem seu maior peso – São Patrício  (385-461 dC) foi um missionário cristão, sagrado bispo para depois tornar-se um dos padroeiros da Irlanda.
E o que se comemora nesse dia? Como em todo e qualquer país que tenha tido ou tenha contato com a igreja católica de Roma ou não, festejar os Santos é uma prática comum. Para isso, vale a data do nascimento, da morte ou de algum feito importante do santo em questão. Melhor ainda quando a festa adota hábitos pagãos, no caso de Saint Patrick  é dia de beber muita cerveja e destilados, de encher de gente os pubs irlandeses, escoceses, ingleses e todos os outros espalhados pelo mundo.
A grande festa irlandesa ganhou adeptos não só nos países de língua ou colonização inglesa, como: Canadá, Austrália, Estados Unidos, Nova Zelândia, tradição introduzida pela imigração irlandesa nesses lugares, ela já consta do calendário de festas de, por exemplo: nossos hermanos argentinos. No Brasil, algumas cidades também fazem festa, mas a mais agitada é de Belo Horizonte, MG. 
Na Irlanda a data de 17 de Março, dia da morte do Santo, é feriado nacional e o grande Festival de São Patrício leva muita gente para as ruas para ver os desfiles, dançar, beber e festejar o Saint Patrick´s Day, festa que podemos comparar, guardadas as devidas proporções, ao Carnaval brasileiro ou a Oktoberfest alemã.  
Neste ano a festa acontece na Irlanda de 16 a 19 de Março com desfiles, bandas de música, teatros de rua, espetáculos ao ar livre, danças, artes visuais e atividades para todas as idades. Além das cervejas: Guinness, Murphy’s e Beamish, conhecidas e consumidas em quase todo mundo, tem também a culinária tradicional e moderna a base de batata, carnes e frutos do mar. Como acontecem todos os anos, irlandeses e turistas tomam as ruas das cidades durantes os dias da festa.
Dublin se tingirá de Verde, a cor de São Patrício, que conforme conta a história é uma referência ao trevo de três folhas que o Santo utilizava para falar aos cristãos sobre a Santíssima Trindade.
São Patrício (imagem Google)
Ok! Mas, quem foi São Patrício?
Segundo Jacopo de Varazze em sua “Legenda Aurea” – livro no qual o autor relata a vida dos Santos – “O bem-aventurado Patrício pregava na Irlanda com poucos resultados, por isso pediu ao Senhor um sinal que assustasse os pecadores levando-os a fazer penitência. Por ordem do Senhor, ele traçou então com seu báculo um grande círculo no solo, e em toda aquela circunferência a terra abriu um grande e fundo poço. Foi revelado ao beato Patrício que aquele era o lugar do Purgatório, e quem quisesse ali descer não precisaria mais fazer penitência por seus pecados em outro purgatório. A maioria dos que ali entrasse não sairia, mas alguns voltariam depois de lá ter permanecido da manhã de um dia à manhã do outro. De fato, muitos dos que ali entraram não voltaram.” (leia na íntegra)
Agora... se quiser saber mais sobre a festa, terá que ser rápido para conseguir: vôo, hotel, preparar as malas e aterrissar na terra de Oscar Wilde, Liam Neeson, U2, The Corrs, The Cranberries, Enya, etc.. Quem sabe você não encontra algum deles por lá.

"Lá Fhéile Pádraig shona daoibh!”

domingo, 11 de março de 2012

Uma viagem pelas Gerais.



Fotos tiradas durante viagem a Minas Gerais (entre dez-2005 e jan-2006) do acervo de Meg Mamede

Há alguns anos atrás fiz uma viagem pelas Minas Gerais, fomos de São Paulo à Diamantina, demos um giro pelas cidades do circuito histórico e Estrada Real. Visitamos as casas museu: de Carlos Drummond de Andrade em Itabira e Guimarães Rosa em Codisburgo.

Uma noite no Caraça alimentando o lobo Guará e aproveitando toda a paz que o lugar inspira, já de dia conheci a polêmica "Última Ceia" do Mestre Ataíde, onde uma mulher serve os convidados, pintura posicionada em uma das paredes do Colégio do Caraça. 

Conhecemos também um pouco da história do circuito dos diamantes e a pequena e quase fantasma, Biribiri (buraco no buraco) próxima a Diamantina.

Estivemos na Gruta de Maquiné em Diamantina e na Pedra Pintada em Barão de Cocais para ver as belas pinturas rupestres da localidade. Além é claro de visitar, se não todas, quase todas as Igrejas de: Sabará, Serro, Caeté, Catas Altas, Santa Bárbara, Ouro Preto, Ouro Branco, Mariana, Diamantina, Congonhas, etc..

As Minas Gerais da boa culinária e diversidade paisagística: da fauna e da flora encantadoras e em alguns trechos, devastada pela mão do Homem e pelas máquinas a serviço da Vale. Do Mar de Morros e da Serra do Espinhaço com seus saguis (Sagui da Serra) atravessando a estrada e assobiando para chamar a atenção.

Os símbolos e ícones religiosos estiveram sempre presentes nesse percurso. Do rico barroco, com suas chinoiseries, pinturas florais e marmorizadas às obras dos mestres Ataíde, Aleijadinho e outros importantes representantes da dramaticidade barroca brasileira.

O que mais me impressionou foram os altares laterais da Igreja Matriz de Catas Altas, dedicada a Nossa Sra. da Conceição, representando as várias irmandades religiosas locais. Os altares laterais foram construídos em períodos diferentes e num tempo de riqueza, construídos para que as Irmandades fossem lembradas, numa clara disputa de poder. A matriz de Catas Altas se pareça com um grande teatro, lá encontramos vários estilos entre altares finalizados e inacabados: florais, chinoiseries e marmorização com algumas das peças atribuídas a Mestre Ataíde e Aleijadinho. Para quem chega, a igreja não é tão atrativa, mas ao entrar o espetáculo de cores, entalhes, brilho e por vezes simplicidade vale a visita. Datada do século XVIII a igreja foi construída em madeira, taipa e pedra e é parada obrigatória para quem gosta de conhecer, observar e admirar o passado.

Visitei tudo que foi possível, ouvi histórias e fiz muitas fotos. Conheci museus, igrejas, cemitérios, sacristias, torres e tive o prazer de conhecer de perto o Órgão Arp Schnitger – construído na primeira década do século XVIII em Hamburgo, Alemanha – a jóia da Catedral de Mariana.

Voltando para casa relaxei num “banho perolado”, umas das muitas opções oferecidas pelo balneário do Parque das Águas da cidade mineira de Caxambu – cidade que faz parte da região conhecida por suas estâncias hidrominerais e sua biodiversidade – além de aproveitar as águas termais, num entorno de muita beleza natural e arquitetura preservada, pude fotografar os lindos vitrais em estilo arte nouveau na sede do balneário e passar horas relaxantes no spa.

Guimarães Rosa tinha razão “é junto dos bão que se aprende o mió”.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Via Uno em Havana, que contraste!

Acompanho o blog de Yoani Sánchez há algum tempo e são muitos os artigos que me provocam reflexão. A seguir na íntegra e sem tradução reproduzo "Boutique" que me chamou a atenção, pois, o que passa em Havana, Cuba, também acontece no Brasil, não é toda a população que pode comprar um Via Uno e outras marcas que anteriormente tinham preços acessíveis e hoje estão nas alturas. É fato, que os sapatos brasileiros têm execelente qualidade e beleza que encanta consumidoras no Brasil e fora daqui, mas entre comprar um sapato ou comida, sapato ou livro, fico com a segunda opção. Já tive meus dias de Imelda Marcos, hoje sou mais Yoani Sánchez "sin dudar".


Loja Via Uno, Havana - Cuba.

A pocos metros de la Plaza de San Francisco se ve la glamorosa vidriera de una tienda Vía Uno. Zapatos de piel con afilados tacones, un tanto inútiles para las irregulares aceras de La Habana. Bolsos con pliegues y ribetes dorados en los que pareciera que cabe el mundo, que hubiera espacio para toda la ciudad. La gente curiosa se detiene frente al cristal y algunas mujeres entran a mirar de cerca, aunque muy pocas salen con alguna compra entre las manos. Allí está la adolescente que pronto cumplirá quince años insistiéndole a la madre para que desembolse los ahorros en unos botines rojizos. También la funcionaria de una nueva corporación, con la boca abierta y las cejas levantadas ante los precios que llegan a las tres cifras. Cruzando la calle –justo frente a la puerta de la boutique- hay una anciana con la mano extendida pidiendo dinero.

Como en una fotografía sobre expuesta, los contrastes sociales se perciben cada día con más fuerza en la vida cubana. Mientras muchos se levantan con la angustiante pregunta de “¿qué voy a comer hoy? una nueva clase -con moneda convertible en el bolsillo- alardea de consumir los artículos de tiendas exclusivas. Gente que gracias a la corrupción, los negocios privados, las remesas o los privilegios gubernamentales accede a una ropa más cara, mejores alimentos, a mercancías que no están al alcance de la gran mayoría. En las zonas turísticas, esos claroscuros se aprecian con mayor nitidez disparidad. Es ahí donde la Cuba de varios niveles se hace más visible, más dolorosa. Es ahí donde se desmiente ese concepto de “igualdad” que todavía se escucha en innumerables consignas, que habita –como un espejismo- en la mente de tantos fuera de nuestras fronteras.

Bajo el resplandor que despide el cartel lumínico de letras afiladas, un señor vende cucuruchos de maní. Ni una sola sílaba de su pregón se escucha dentro de esa tienda climatizada, mucho menos en el probador, donde alguien sube la cremallera de una prenda de lujo.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Eduardo Kobra e a Arte do Grafite.


O paulistano Carlos Eduardo Fernandes Leo de 36 anos, conhecido no mundo do grafite como Eduardo Kobra, mostra que o grafite é uma arte e que a única coisa que tem em comum com a pichação, que para mim é vandalismo e lixo, é o espaço e os suportes. Expoente da geração de grafiteiros paulistanos, Kobra tem mais de 50 trabalhos entre painéis e murais espalhados pela capital paulista, com trabalhos expostos no Brasil e em outros países.

Seus trabalhos são de um realismo e beleza que é quase impossível passar por eles e não parar para admirá-los. Um exemplo disso são os trabalhos realizados na: Avenida 23 de Maio com Viaduto Tutoia, um mural de quase 220 metros de extensão, retratando a São Paulo nos anos 20 e o da Praça Panamericana, que tem 9 metros de altura por 30 de comprimento e mostra um grupo de imigrantes italianos.


É clara a influência do muralismo mexicano nos trabalhos do artista, o volume dos corpos e a monumentalidade das obras. Vendo os murais do Eduardo Kobra me lembrei do trabalho do Mário Gruber existente na estação Sé do metrô de SP, um mural de 50m2 em acrílico e vinil intitulado “Assim como sempre, o amanhã está em nossas mãos”, artista que nos anos 50 conviveu de perto com Diego Rivera.

Além de Gruber, acredito que o artista tenha outras “coisas em comum” com Cândido Portinari, do que somente a contaminação por metais existente em algumas tintas usadas por ele(s), me refiro: aos murais e painéis pintados com temáticas realistas e críticas sociais.


Obra localizada na Avenida Faria Lima-S.Paulo/SP

O que mais me encanta no trabalho do Eduardo Kobra e o resgate da memória seja ela: paulista, paulistana, da imigração, dos usos e costumes, porque faz com que transeunte típico de grandes cidades, apressado e distante, olhe, conheça e até pare para admirar cenas de um passado não tão distante assim, mas importantíssimo para história das cidades.

Conheça o belíssimo trabalho de Eduardo Kobra.

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