quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Aniversário do Diário de Bordo

Novembro de 2011, o Diário de Bordo tem muito para comemorar, os números são animadores e fazem com que esse espaço criado para informar a família e os amigos das minhas andanças, vire espaço para fazer novos amigos e ajudar pessoas na busca por informação. Lugar onde as descobertas, a poesia, as histórias dão lugar a emoção: a minha e a dos leitores visitantes e, seguidores que por aqui passam.

Não contabilizo comentários porque nem todo mundo quer ou tem facilidade para fazê-los, mas sei que muita gente já passou por aqui e se identificou com algo, afinal, as minhas, a suas, as nossas histórias são universais, nada é tão único que outros não possam sentir ou vivenciar. Milhões e milhões de vezes ao longo dos anos e dos lugares o ser humano passa por situações semelhantes, uns as dividem, outros as guardam para si.

Quando mais jovem nunca quis um diário, na verdade não gosto de escrever em cadernos, mas aos 39 anos quando viajei para Europa, onde passei 25 meses, senti necessidade de escrever e contar o que achava relevante, relatar histórias, memórias, e acontecimentos, parte do que vi e ouvi como viajantes de todos os tempos o fizeram e inspirados neles criei o blog.

Hoje o diário em forma de blog tem outra cara, mas a tônica continua a mesma, ou seja: as viagens que faço a partir das coisas, o movimento que me desloca no espaço ou interiormente e me faz conhecer lugares, pessoas, culturas e a mim mesma. Desde que comecei o diário, em 2008, percebi mudanças em mim e isso faz com que esse exercício seja cada vez mais necessário para me tornar alguém melhor a cada texto, por isso quero agradecer aos amigos, a família, aos leitores anônimos, ou não, e aos seguidores do Diário de Bordo pelas visitas, comentários e os votos em premiações. Agradeço inclusive o uso de textos ou parte deles em alguma coisa que tenham feito, mesmo não dizendo de quem seja pois quem o utilizou sabe de onde tirou.

Como penso e como vejo o mundo estão impressos nas minhas palavras e o bom dessa história é saber que sempre haverá alguém lendo e intrigado sobre quem sou e como vivo, da mesma forma como quando pegamos um livro de um autor qualquer e a história nos faz viajar em divagações, conjecturar, refletir, questionar algo e melhor de tudo, nos faz fruir.

Sempre gostei de escrever e espero que parte deste blog possa num futuro próximo transformar-se em livro, como já vem ocorrendo com parte das minhas memórias de viagem do período de abril de 2008 até o retorno ao Brasil em maio de 2010, mas isso é outra história.

Vamos aos números então...

O Diário de Bordo completou neste mês 03 anos de existência;

Ultrapassamos a marca de 110.000 mil acessos;

Recebemos cerca de 400 visitas diárias;

Ficamos entre os 100 melhores blogs na categoria de Arte e Cultura do prêmio TOPBLOG por dois anos consecutivos 2010 e 2011.

O que mais posso dizer?

Na verdade tenho apenas que agradecer a todos os que contribuíram (e contribuem) para que o blog atingisse essas marcas, até porque o diário é fruto único e exclusivo da minha vontade e persistência, não faço propaganda de nada, dou visibilidade ao que acredito ser necessário enfatizar e procuro sempre informar sobre o que está, de alguma maneira, relacionado com a proposta do blog e por isso o acesso, a crítica ou sugestão dos que nos visitam é tão importante para manutenção deste espaço. 

Obrigada!

sábado, 26 de novembro de 2011

Livro de Família: O Casamento.

26/11/1966 Casamento de Albertina e José
Igreja Matriz de Selesópolis - SP.
Há 45 anos a jovem Albertina se casa com José na igreja matriz de Salesópolis, cidade onde nasceu e passou os primeiros 20 anos de vida. O pai, Pedro Lima já havia morrido alguns anos antes, em agosto de 1963 no mês em que ela completava 17 anos, mas os irmãos Pedro e Miguel e a mãe Maria Laura, além de outros familiares e amigos marcaram presença naquela tarde de festa. Ainda que a ausência do pai naquele importante momento da sua vida lhe trouxesse tristeza, ela não foi maior que a alegria de iniciar uma nova vida ao lado daquele que ela escolheu para ser seu par até que a morte os separe.

José, filho do Sr. Joaquim Tobias e da Dona Maria Benedita, já era um homem feito com seus 31 anos, de uma magreza que o fazia parecer o príncipe “Cabo de Vassoura”, com bigode fino e aparado, um terno escuro, não é que o roceiro ficou elegante naquele dia e recebeu a família e amigos com muita alegria no coração.

Passado algum tempo eles se mudam para Mogi das Cruzes. Primeiro iria José para conhecer a cidade, conseguir um trabalho, depois Albertina o acompanharia, em seguida a família começa a crescer. Sete são os filhos do casal, dos quais cinco estão vivos, firmes e briguentos como sempre. Gente de sangue quente esses “Cardoso”, mas Albertina e José são verdadeiros heróis, na melhor acepção da palavra.

Gente brava, lutadora, que não desiste apesar de todos os problemas e barreiras que surgiram ao longo dos anos. O casal conseguiu criar os filhos, vê-los crescer, casá-los (ou não) e ver os netos chegarem.

Eu sempre brinquei com minha mãe por conta da história das balas Juquinha, isso mesmo aquelas balas mastigáveis de várias cores e sabores, é que o avô Joaquim tinha um bar e o pai quando ia pro sítio visitar a mãe levava consigo um punhado de balas embaladas naqueles papéis de pão antigos, para adoçar a relação. Então, eu sempre digo pra mãe que ela se vendeu por muito pouco.

“Onde já se viu aceitar casar-se depois de algumas centenas de balas” (risos).

Brincadeiras à parte, os tempos mudaram, hoje as relações se estabelecem de outras formas, mas naquele tempo as pessoas se conheciam, não tinham tanto tempo para enrolar umas as outras, a sociedade cobrava, os pais, os irmãos estavam sempre presentes. Não era de bom tom uma moça de família conhecer muitos moços e demorar a casar-se.

A mãe casou aos vinte anos, foi mãe de sua primeira filha aos 21 e vive ao lado do mesmo homem desde então. O pai com seu humor ácido convive, com a ironia ingênua da mãe, eles protagonizam as discussões mais prosaicas na cozinha da casa e ao final cuidam um do outro como tem que ser, como se nada tivesse acontecido, afinal os filhos são para o mundo e o marido e a mulher são como os dedos anelares da mão, que segundo algumas culturas representam o casal, pois ao dobrar os dedos médios, se torna impossível separá-los como se separam os demais dedos que representam os filhos e os amigos.

Deixando de lado as metáforas, hoje é dia de festa, pois meus pais Albertina e José completam 45 anos de “vida juntos”, são exemplos de superação e força para todos nós, por isso seus filhos: Margarete, Mauricio, Marco, Maristela e Marcio agradecem a dádiva da vida, seus genros e nora: Cristiano, Rogério e Renata os parabenizam pela data e os netos: Cristian, Guilherme, Marcello e Laura agradecem pela possibilidade de conviver com eles, pois na casa dos avós “pode tudo”, e só quem já foi criança e conviveu com seus avós sabe o que é isso.

A vida é um mistério, poucos são os que a vivem bem ou chegam perto disso, cada um faz dela o que quer, mas é o caráter e as escolhas que trazem às nossas vidas motivo para agradecer, para olhar para trás e dizer que valeu a pena!

Queridos pais que Deus os abençoe sempre, como os abençoou naquela tarde de 26 de novembro de 1966.

Feliz aniversário de casamento!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Livro de Família.

Vó Maria com os tios José e Pedro 
Lendo “Álbum de Família: A imagem de nós mesmos” do colombiano Armando Silva, além de outros artigos que falam sobre a importância da memória e história para compreensão de nós mesmos, leituras essas que tenho feito para produção de textos e materiais de trabalho, ressurgiu em mim um desejo antigo, na verdade algo que me intriga e estimula desde muito tempo.

Ainda criança, olhava os objetos do sítio da avó Maria Laura (também documentada como Maria da Conceição ou Maria de Souza) e que para nós era apenas vó Maria ou vô da Bica (por conta da pequena bica d’água que havia no sítio) e tinha vontade de conhecer a história daquelas coisas e mais tarde colecioná-las, além é claro de conhecer minhas origens maternas. Vó Maria, mulher pequenina, de tez bronzeada do sol e voz tranquila e doce, andava descalça pelo terreiro em frente da casa, modelava e queimava os objetos de barro para uso doméstico, usava açúcar cristal ou pedaços de rapadura para adoçar nosso café, que era colhido, torrado e moído por ela mesma, dava-nos pequenas bolinhas homeopáticas para curar nossas dores e males, aquelas doses açucaradas que adorávamos, vivia sem luz elétrica ou água encanada e mantinha tudo perfeitamente cuidado e limpo, responsável pelas tarefas da casa e cuidados com o pequeno sitio da família, local onde ela sempre nos esperava para os finais de semana.

Por que estou contando isso? Porque há dias atrás quando estive com minha mãe, aproveitei para trazer umas poucas fotos e documentos antigos da família no intuito de criar um livro de família com fotos e histórias narradas por minha avó e reproduzidas pela minha mãe. Na verdade não farei um trabalho extenso e rigoroso de genealogia, quero apenas dar destaque para aquela que sempre foi e será um exemplo de bondade, humildade e sabedoria para nós: a vó Maria.

Agora consigo entender de quem herdei minhas características físicas, vendo a foto da vó Maria percebo de onde vêm meus olhos pequenos e os traços do meu rosto, meus cabelos e minha estatura. Sou parte índia, como fora a minha avó. Hoje até brinco quando falo disso, digo que venho de uma linha ascendente direta de Gengis Khan, mas na verdade me entristece um pouco não conhecer mais sobre minha ancestralidade devido a documentos e fotos perdidas ou com informações diferentes entre si. Conheço o que a oralidade me permite conhecer, histórias ouvidas em encontros de família, relatos fragmentados da nossa origem.

Adoraria poder levantar a trajetória da família, obter mais informações do lado paterno e materno, mas me contento em fazer algo que permita aos meus sobrinhos e as próximas gerações conhecer um pouco mais da nossa história. Para outras perguntas a ciência já pode dar respostas através do rastreamento genético, como o projeto genográfico realizado há algum tempo pela National Geographic e a IBM.

Hoje não tenho comigo nenhum daqueles objetos que faziam parte da casa da minha avó e infelizmente não sei o paradeiro deles, guardo apenas as lembranças daqueles dias na casa da “vó da bica” e do sorriso estampado no rosto dela toda a vez que ela ouvia o barulho da buzina e avistava o carro chegando e nós, eu e meus irmãos, dependurados na porteira do sítio. Bons momentos aqueles, eternizados na minha memória e dos quais hoje sinto uma saudade que dói.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Casa Vazia


Dia de chuva e vento frio pra não fugir do habitual na cidade de Curitiba. Depois de um belo almoço, por que não um filme? Foi isso que fizemos esparramados no sofá. “Casa Vazia” do diretor sul coreano Ki-duk Kim (original Bin-jip / 3 Iron - produção de 2004 - Coréia do Sul / Japão) foi o escolhido. Um filme sem diálogos entre os protagonistas onde as imagens falam mais que palavras.
O encontro entre um invasor de casas, diferente, que passa algum tempo em casas cujos donos estão viajando, ele não rouba, ele lava, limpa e faz pequenos consertos, e uma mulher, Tae-suk, cujo casamento infeliz e a violência do marido a fez mergulhar no mundo marginal e terno de Sun-hwa. O que é sonho? O que é real? Essa é a tônica do filme. Quer saber mais? Só assistindo.
Na verdade o que me chamou a atenção foi a música que se repete e embala alguns momentos do filme, curioso não se tratar de música coreana ou japonesa e por incrível que pareça aquela voz me soou familiar, a música cantada em árabe é a canção “Gafsa” da belga com origens anglo-egípcias Natasha Atlas, cantora que ouvi muito há alguns anos atrás, e que ao ouvir novamente me trouxe algumas lembranças.
Maravilha esse mundo globalizado em que vivemos! É possível reunir, numa tarde cinzenta, sem sair de casa: bacalhau português, vinho brasileiro, filme sul coreano, música árabe, um paranaense e uma paulista. Quem precisa de mais?


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