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Memória que emociona



Nada como nos envolver com o que nos traz satisfação e se com isso também vir emoção, melhor ainda.

Nos últimos tempos a memória e a oralidade têm sido uma constante, seja nas pesquisas de trabalho, nas leituras, seja nos eventos dos quais tenho participado. Hoje fui surpreendida por essa emoção ao assistir o documentário “Mestres Artífices: O imaterial impresso na materialidade” resultado de um dos projetos contemplados pelo edital de Patrimônio Imaterial do Fundo Municipal da Cultura de Curitiba e que foi lançado no I Seminário de Patrimônio da cidade. Trabalho realizado pela arquiteta Giceli Portela, a historiadora Tatiana Marchette e equipe, cujos protagonistas foram os artífices, depoentes do projeto: Belmiro Gusso, presente no evento, Vitorino Smanhoto e Aldoaldo Lenzi.

Há alguns dias lendo o livro “Memória de Empresa” da ABERJE editorial conheci o relato das experiências da CBMM (do grupo Moreira Salles) sobre a tecnologia e as profissões em extinção, neste caso, as profissões que estão diretamente ligadas à indústria, devido ao avanço tecnológico e as mudanças no mercado de trabalho, o que não é diferente no caso dos mestres artífices.

As histórias que conheci hoje estão carregadas de beleza, apesar de alguns infortúnios, como o incêndio que destruiu a primeira fábrica do Sr. Angelo Gusso, pai de Belmiro, com quem ele aprendeu a arte do entalhe nos idos dos anos 50. Tradição passada de pai para filho, de geração para geração ou àqueles interessados na arte dos entalhes ornamentais em madeira, no ferro forjado e soldas ou em vitrais, mosaicos, painéis e murais. Cada relato é único. Os modos de fazer, a relação com a paisagem urbana local (e internacional), a materialidade dos saberes e o romantismo contido em cada peça é de encher os olhos e coração.

Vendo os depoimentos, conhecendo um pouco da história de cada um desses artífices fiquei pensando na história do meu pai, de como ele, um roceiro do Vale do Paraíba/SP, aprendeu a profissão de torneiro mecânico (profissão que, também, caminha para extinção) com o mínimo ou quase nada de instrução e, o quanto ele e muitos outros se orgulham quando falam sobre o que aprenderam e sabem fazer de melhor.

A importância de projetos como esse é o de possibilitar o resgate da memória, utilizando fontes materiais e imateriais dando a conhecer às novas gerações o valor contido em todo e qualquer trabalho, seja o que resulta num lindo vitral que filtra a luz dos ambientes, num encosto de cadeira, numa porta, seja naquele portão ou pequeno trabalho que nem sempre é notado por nós, mas que possui valores que ultrapassam seu valor econômico e traz consigo tradição e histórias de superação e sucesso.

Parabéns aos Mestres Artífices que fazem parte deste projeto e a todos aqueles desconhecidos que também contribuíram e contribuem para tornar a paisagem urbana, os espaços e ambientes lugares dotados de beleza e memória.

Comentários

  1. Oi, Meg!

    Também concordo com você: não podemos deixar as tradições e histórias se perderem no tempo.

    Beijos!

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  2. Oi Rafaela, pois é fiquei emocionada com o depoimento do Sr. Belmiro Gusso, que inclusive estava no evento... sabe aquela fala tranquila e cheia de sabedoria? Além das imagens, fotos antigas ao longo do vídeo, foi lindo!

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