quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Memória que emociona



Nada como nos envolver com o que nos traz satisfação e se com isso também vir emoção, melhor ainda.

Nos últimos tempos a memória e a oralidade têm sido uma constante, seja nas pesquisas de trabalho, nas leituras, seja nos eventos dos quais tenho participado. Hoje fui surpreendida por essa emoção ao assistir o documentário “Mestres Artífices: O imaterial impresso na materialidade” resultado de um dos projetos contemplados pelo edital de Patrimônio Imaterial do Fundo Municipal da Cultura de Curitiba e que foi lançado no I Seminário de Patrimônio da cidade. Trabalho realizado pela arquiteta Giceli Portela, a historiadora Tatiana Marchette e equipe, cujos protagonistas foram os artífices, depoentes do projeto: Belmiro Gusso, presente no evento, Vitorino Smanhoto e Aldoaldo Lenzi.

Há alguns dias lendo o livro “Memória de Empresa” da ABERJE editorial conheci o relato das experiências da CBMM (do grupo Moreira Salles) sobre a tecnologia e as profissões em extinção, neste caso, as profissões que estão diretamente ligadas à indústria, devido ao avanço tecnológico e as mudanças no mercado de trabalho, o que não é diferente no caso dos mestres artífices.

As histórias que conheci hoje estão carregadas de beleza, apesar de alguns infortúnios, como o incêndio que destruiu a primeira fábrica do Sr. Angelo Gusso, pai de Belmiro, com quem ele aprendeu a arte do entalhe nos idos dos anos 50. Tradição passada de pai para filho, de geração para geração ou àqueles interessados na arte dos entalhes ornamentais em madeira, no ferro forjado e soldas ou em vitrais, mosaicos, painéis e murais. Cada relato é único. Os modos de fazer, a relação com a paisagem urbana local (e internacional), a materialidade dos saberes e o romantismo contido em cada peça é de encher os olhos e coração.

Vendo os depoimentos, conhecendo um pouco da história de cada um desses artífices fiquei pensando na história do meu pai, de como ele, um roceiro do Vale do Paraíba/SP, aprendeu a profissão de torneiro mecânico (profissão que, também, caminha para extinção) com o mínimo ou quase nada de instrução e, o quanto ele e muitos outros se orgulham quando falam sobre o que aprenderam e sabem fazer de melhor.

A importância de projetos como esse é o de possibilitar o resgate da memória, utilizando fontes materiais e imateriais dando a conhecer às novas gerações o valor contido em todo e qualquer trabalho, seja o que resulta num lindo vitral que filtra a luz dos ambientes, num encosto de cadeira, numa porta, seja naquele portão ou pequeno trabalho que nem sempre é notado por nós, mas que possui valores que ultrapassam seu valor econômico e traz consigo tradição e histórias de superação e sucesso.

Parabéns aos Mestres Artífices que fazem parte deste projeto e a todos aqueles desconhecidos que também contribuíram e contribuem para tornar a paisagem urbana, os espaços e ambientes lugares dotados de beleza e memória.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Daí a Cesar o que é de Cesar

Cartaz by_Esther Carreras
Este post é um mea culpa com a Esther Carreras, ilustradora de La Rioja, Espanha, de quem tomei emprestado uma ilustração sem citar a fonte por puro desconhecimento. Isso aconteceu em abril de 2010 quando eu ainda vivia em Orduña, naquele fim de semana eles comemoravam o dia do livro e ao entrar em uma pequena livraria da cidade, na mesma rua do Café Samaná, vi um cartaz que me chamou muita a atenção pois reunia duas coisas das quais eu gosto muito: livros e vinhos, especialmente os com denominação de origem La Rioja. Na data, comerciantes locais fizeram um promoção e na compra de um livro ganhava-se uma taça de vinho em alguns bares da cidade. Acabei buscando na internet a imagem, mas não encontrei o autor, usei assim mesmo e de certa maneira infringi algo que para mim é muito importante e que nos dias de hoje é quase impossível de controlar, o uso da produção artística ou intelectual de outrem sem prévia autorização. Eu mesma já passei por isso com textos meus, contundo e apesar de meu blog estar sob licença creative commons, isso não isenta o usuário de citar a fonte, melhor dizendo, dar os créditos. Eu desde muito tempo, mantenho no meu blog um aviso para o caso de usar algo sem autorização prévia, para que quem saiba da autoria me avise, em seguida faço contato para manter ou retirar do ar o material. A Esther educadamente entrou em contato, eu por minha vez só fiz pedir desculpas e me explicar, ela gentilmente me autorizou o uso dessa ou de outras imagens de seus trabalhos. Bem, isto tudo aqui é pra dizer que "daí a Cesar o que é de Cesar e à Esther o que é da Esther".

Conheçam o trabalho dessa garota em  http://culopower.blogspot.com/ vale a pena!!

domingo, 16 de outubro de 2011

Sabores da Espanha em Curitiba

Apesar do vento frio e “otras cositas mas” Curitiba têm surpreendido. Tenho descoberto a cidade a pé, como tem que ser.  Andando pelas ruas da cidade cada dia eu volto para casa com uma novidade. Noite dessas fomos assistir a banda curitibana Confraria da Costa no Sesc da Esquina, parte da programação 2011 do projeto “Som da Cidade”, antes do show começar aproveitamos para conhecer o Restaurante Gonzales y Garcia e provar a culinária.

Restaurante Gonzales y Garcia_foto de Priscilla Fiedler
Não nos decepcionamos, lugar aconchegante, decorado com fotos e motivos espanhóis, música ambiente e os ricos montaditos y tapas acompanhados de cerveja, vinho ou sangria fazem a alegria dos apreciadores dos sabores Ibéricos. E por falar em ibéricos, começamos provando montaditos de queijo brie e jamón serrano, em seguida patatas bravas e langostinos, acompanhados de sangria de vinho tinto para mim e Heineken pro Rogério. Com porções bem servidas e cuidadosamente preparadas, confesso que viajei de volta à Espanha, foi como se eu tivesse salido de poteo o pintxos como se diz por lá. A sangria que tomei estava muito melhor que a sangria que tentei tomar em La Rambla, Barcelona, no verão de 2009. Outro ponto forte são as promoções e descontos que a casa oferece de terça a sexta-feira das 17h às 20h, a relação custo-benefício é uma boa surpresa e incentiva a visitar mais vezes o restaurante. Além das  opções de pratos oferecidos: paella, carnes na parrilla e as caçarolas de bacalhau ou camarão com alho no azeite de oliva. Hum! Só de pensar fico com água na boca.

Restaurante Txapela_foto de Meg Mamede
E por falar em vontade, foi o que me deu, quando vi numa das ruas do centro um Lauburu com as cores bascas indicando outro lugar para conhecer: o Restaurante Txapela, meus olhos brilharam e os sabores e aromas tomaram conta da minha mente. Chegando em casa contei pro Rogério que havia encontrado um lugar ótimo para o lançamento do meu livro, mas que antes queria conhecê-lo, provar os sabores oferecidos e, foi o que fizemos dias depois no Txapela (nome dado a boina que os bascos usam). O restaurante situado numa casa centenária, tombada, recorda os casarios bascos do ponto de vista da solidez da construção, as casas bascas são muito peculiares. O restaurante tem em sua decoração objetos da cultura basca, além de fotos espalhadas em vários pontos, no banheiro encontrei imagens da San Pedro Kalea, Hondarribia, cidade retratada no mural pintado em uma das paredes da casa, mostrando um pouco das festas bascas. Coincidentemente, Hondarribia foi a última cidade basca que visitei dias antes de retornar ao Brasil, depois de viver dois anos no norte da Espanha. Voltando à culinária, nessa noite começamos com os pintxos (montaditos), escolhemos o de queijo brie com damasco e um com maionese de kani com salmão, pedimos inicialmente duas taças de vinho (denominação de origem La Rioja, por supuesto), em seguida provamos croquetes de jamón ibérico e, apesar da noite não estar quente (estamos em Curitiba) pedi um gaspatxo (que pode ser servido como entrada fria a base de tomates, azeite de oliva e alho, ou como opção refrescante para dias de verão, como o salmorejo cordobés) e o Rogério pediu paella com frutos do mar, um pouco salgada pro meu gosto (particularmente prefiro o arroz de mariscos, especialidade portuguesa), tudo acompanhado de mais vinho (dica: peça a garrafa de vinho ao invés de taças, a relação custo benefício é melhor) e para terminar pedimos creme catalão que... estava delicioso.
Tanto o Gonzales y Garcia quanto o Txapela tem bom serviço, com atendentes atenciosos e educados. Em ambos estivemos durante a semana para um happy hour, mas, acredito que mesmo em noites mais movimentadas não deva haver surpresas, talvez um pouco mais de espera, mas nada que não possa ser compensado pela exquisita culinária servida.
¡Que aproveché!

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