segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O céu de Lisboa - Win Wenders

Quando o Rogério me falou da mostra “Win Wenders – Imagens que obedecem” na Caixa Cultural aqui em Curitiba, logo me veio à cabeça o filme Buena Vista Social Club (1999), dando uma olhada na programação um dos filmes que me chamou a atenção foi O céu de Lisboa (1994) e, por um motivo muito pessoal, queria rever Lisboa a partir de outro olhar que não o meu. Rever o Tejo, a Mouraria, o elétrico, os telhados, os azulejos, as roupas nas janelas e outros detalhes que conheci ao longo dos meses que lá vivi. Eu diria que foi inusitado, pois o que vi na telona, foi a Lisboa do inicio de 90, antes da revitalização para Expo 98, antes da entrada de Portugal para zona do euro (1999), foi a Lisboa de Fernando Pessoa – referência essencial no filme do cineasta alemão – foi a Lisboa do grupo musical Madredeus e da doce Teresa Salgueiro – responsáveis pela trilha sonora do filme – uma Lisboa diferente da que conheci da janela do elétrico, do Cais do Sodré, da sacada do apartamento onde morei, dos mirantes por onde passei.

Win Wenders, importante cineasta contemporâneo inspirado pelo ícone Andy Warhol e aclamado pelo conjunto de sua obra, nos faz viajar, nos apresenta o Homem em constante movimento, buscando respostas para si através de outras culturas. Ele trata daquele deslocamento necessário para compreensão de si mesmo e com sorte, do outro. Algo que só as almas inquietas, os insatisfeitos, os ávidos pelo novo são capazes de entender. Não basta ver nos livros ou no cinema, não basta ouvir os relatos, temos que partir, pegar a estrada, explorar. Explorar nosso bairro, nossa cidade, nosso país e porque não o mundo.

Logo no inicio do filme, me lembrei das minhas férias nos verões de 2008 e 2009, quando seguimos para o sul da Espanha com destino a Portugal. Aquelas estradas vazias, com algumas casinhas brancas e seus barrados amarelos, esparsas, dando a impressão de que não havia uma viva alma. Ao longo do percurso o rio Tejo, que nasce Tajo na Espanha e desagua lindo no oceano Atlântico e nos brinda ao chegar a Lisboa, largo e majestoso. Quantos foram os domingos que me sentei no Cais do Sodré sob o céu de Lisboa e o Tejo aos pés, olhando para o firmamento enquanto imaginava onde eu estaria anos depois. Quantas foram às vezes em que flanei pelos bairros lisboetas da Alfama, Mouraria, Chiado, etc, sem hora ou destino certo. Entrando aqui e acolá, olhando as gentes, fazendo fotos, observado tudo ao meu redor em busca de respostas.

O filme me encheu de melancolia, sentimento tipicamente português, assim como quando estive vendo a exposição de Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, figura constante no filme de Wenders. Verdade seja dita é impossível conhecer Lisboa sem conhecer Pessoa. Sai da mostra um pouco nostálgica, mas, feliz por entender algumas coisas que quando lá estive não entendia, talvez o distanciamento nos ajude a compreender o que já passou.


Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!

(último verso da Ode Triunfal, poema de Fernando Pessoa publicado no primeiro número da revista Orpheu, 1915, heterônimo Álvaro de Campos)


Título Original: Lisbon Story
Direção: Wim Wenders
Roteiro: Wim Wenders
Gênero: Drama
Origem: Alemanha/Portugal
Ano de lançamento: 1994
Música: Jürgen Knieper / Madredeus
Fotografia: Lisa Rinzler




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