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Sistema de transporte de Curitiba: Um dia de Fúria.


Estação tubo Praça Osório
Imagine mudar de São Paulo para Curitiba apostando na qualidade de vida da cidade, tantos foram os comentários ao longo dos anos e desde minha primeira vez aqui, em 1994, frases como: “cidade planejada, arborizada, limpa”, “povo educado”, “baixa criminalidade” e o mais ouvido “sistema de transporte de primeiro mundo”. Onde? Só se for na França! Melhor ainda em Vitoria-Gasteiz.

Que me perdoem os curitibanos bairristas, nascidos aqui ou que se sentem curitibanos por adotar a cidade, realmente há muitos pontos positivos, regiões arborizadas – em bairros de melhor padrão, geralmente –, é mais limpo que São Paulo sem dúvida, mas ainda não descobri se o milagre se dá pela companhia responsável pela limpeza pública ou pela educação do povo. Educação, ponto que também ponho em xeque, já vi muita gente jogando lixo na rua, destruindo lixeiras e otras cositas más.

Mas o que mais me estressa aqui acredite: é o premiado e comentado sistema de transporte de Curitiba que desde os idos dos 80, 90 ajudou a eleger muito político. Claro que o sistema tem muito de vanguarda e tecnologia, mas isso não é tudo quando os fluxos humanos aumentam consideravelmente. De fato não posso criticar o sistema do ponto de vista técnico, não tenho know how para isso, mas como usuária de sistemas de transporte da algumas cidades do Brasil e da Europa, posso sim criticar a maneira como os responsáveis, seja pelos serviços, seja pelo controle de tráfego de Curitiba administram a coisa. Posso falar da falta de estratégia e descaso para com o usuário.

Já comentei aqui no blog, em outros posts inclusive, que não dirijo, portanto, ademais dos meus pés – os que realmente me levam a qualquer lugar – dependo do transporte público. São quase 31 anos da minha vida utilizando esses serviços, desde que peguei um ônibus circular por primeira vez aos 12 anos, sozinha, na minha cidade, foi uma experiência inesquecível: vomitei todo o almoço ao descer na antiga Praça do Aviário no centro de Mogi das Cruzes.

Logo que cheguei a Curitiba, há quase cinco meses, estive trabalhando num escritório no centro da cidade e durante os 45 dias caminhei da região central até o bairro do Juvevê, onde moro. Hoje em novo emprego, no bairro Bigorrilho, dependo um pouco mais do sistema de transporte daqui, mas assim que o frio e a chuvas dêem uma trégua, o retorno para casa será caminhando. Ah! Claro, há a opção da ciclovia, porém, ela está mais para o lazer do que para atender: percursos casa-trabalho. Boa parte das ciclovias é compartilhada com pedestres e, o pior de tudo é ter que dividir espaço com a péssima direção dos motoristas curitibanos. Como sempre digo, não quero virar número estatístico.

Hoje foi a gota d’água, me senti como Michael Douglas em “Um dia de Fúria” (filme de Joel Schumacher, 1993 - EUA), depois de vários dias, ou melhor, tardes entubada literalmente na estação Bruno Filgueira, onde todas as tardes por volta das 18h05 me dirijo para pegar o primeiro ônibus Biarticulado brasileiro, batizado de "Metrobus", linha Centenário-Campo Comprido, sentido Campo Comprido, espero diariamente entre 30 e 40 minutos para que um desses dê o ar da graça, para em seguida surgir, assim do nada, como num passe de mágica, mais uns três, como se andassem em comboio, enquanto nós usuários andamos como sardinhas enlatadas, desrespeitadas e negligenciadas.


Ônibus biarticulado que atende às estações tubo de Curitiba

Hoje choveu forte ao longo do dia e não poderia ser diferente na hora de sair do trabalho, desci rápido sentido estação Bruno Filgueira, debaixo de chuva, fiquei feliz porque além de um motorista “educado” me dar passagem para cruzar na faixa de pedestre que há próximo ao tubo, havia dois biarticulados encostando na estação. Corri e peguei o segundo. Mal sabia eu que cenário dantesco me esperava, um verdadeiro inferno.

Na estação tubo Eufrásio Correia, próximo ao Shopping Estação, só faltou encontrar o “chefe” das criaturas infernais, porque as criaturas estavam todas lá e, as sardinhas que saltavam dos vários Centenário-Campo Comprido – lembra: eles andam em comboio – eram fritas pelos que desciam da linha Capão Raso-Santa Cândida, sentido Santa Cândida. Gente discutindo, passando mal, mães carregando os filhos acima da cabeça e ninguém para organizar a turba.

Estação tubo com entrada e saída no mesmo lugar.
A maioria das estações tubos têm esse tamanho, somente
algumas estações estratégicas tem maior tamanho e saídas
em ambas extremidades.
Falam mal do metrô de São Paulo, que conheço muito bem, mas nem lá passei o sufoco que passei hoje, lá, ao menos há pessoal treinado para interromper e/ou controlar os fluxos quando necessário e há uma coisa fundamental: saídas de emergência. Item imprescindível em locais onde há grandes fluxos humanos. Abro aqui um parênteses: não há como sair das estações tubo de Curitiba em caso de emergência, ou você pula da plataforma correndo o risco de ser pego por um ônibus ou arrebenta o vidro lateral para depois ser acusado e provavelmente condenado por destruir patrimônio público.

Com tanta gente parada no mesmo lugar, como hoje, não há como sair pelas catracas posicionadas nas extremidades, existentes somente nos tubos maiores, não há saídas de emergência. Somado a isso, a falta de campanhas educativas à população – lembrando que curitibano não é paulista acostumado ao ritmo frenético de grandes cidades –, o povo daqui se atrapalha todo na hora de administrar o caos. Não respeitam os sentidos de direção, tornando ainda maior a confusão instalada.

Nós brasileiros temos muito que aprender com os japoneses, povo admirável pela educação e respeito ao próximo e que a todo o tempo nos dá lições de cidadania e humildade.

Enquanto os políticos locais e administradores dos transportes continuam vendendo “seus peixes”, nós usuário sofremos com a má gestão pública e privada, além da má educação de alguns. Há poucos dias aconteceu o evento “Mobilidade Curitiba: idéias para transformar o trânsito em nossa cidade” e eu espero realmente, que isso faça a diferença e as questões levantadas saiam do plano das idéias e sejam concretizadas. Assim, futuros moradores da cidade não se sentiram enganados por uma dose exagerada de romantismo.

Eu sempre disse que para conhecer um lugar há que se viver nele, viagem de turismo ou curta estadia não dá para conhecer os verdadeiros problemas locais, tão pouco explorar o que ele tenha de melhor. O turismo sempre contempla o que é bom, se não, não seria turismo. Enquanto isso o morador local paga um preço alto para alcançar a tão sonhada qualidade de vida.


Para reclamar do transporte público em Curitiba ligue ou escreva para URBS

Telefone: (41) 3320-3232 (Disponível de segunda a sexta-feira, das 08h30 às 17h30)

Av. Pres. Affonso Camargo, 330 - Jardim Botânico - CEP 80060-090 - Curitiba – PR

Se não resolverem a questão acesse o link a seguir e faça sua reclamação

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