quarta-feira, 13 de julho de 2011

Arnaldo Baptista - Loki.


Foto de divulgação do filme Loki de Paulo Henrique Fontenelle

Dia desses Rogério me apresentou Arnaldo Baptista. Ah! Você não o conhece? Não tem problema, eu também não o conhecia. Mas Os Mutantes... deles você já ouviu falar não? Pois é, me emocionei ao assistir o filme "Loki" documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, de 2008.

O filme conta a trajetória do músico paulistano Arnaldo Baptista, cérebro e coração da banda que ousou levar a guitarra elétrica para o palco dos Festivais de MPB, isso mesmo, Os Mutantes acompanharam Gilberto Gil na música "Domingo no Parque" no festival de 1967 promovido pela Record, ano no qual o movimento musical nominado Tropicália (da união de músicos baianos) ganharia mais força com as canções "Domingo no Parque" de Gilberto Gil e "Alegria Alegria" de Chico Buarque.

Não quero falar dos Mutantes, quero falar do músico, compositor, artista plástico, do menino chamado Arnaldo Baptista. Do sorriso doce, da expressão que passeava entre o ingênuo e o tímido, uma quase tristeza até a tão desejada felicidade, sentimentos visíveis no rosto do homem. Como saber ao certo, ninguém conhece alguém vivendo uma vida ao seu lado, muito menos assistindo a um filme, contudo, essa foi minha percepção do que vi e ouvi ao longo do documentário, o que de alguma maneira me cativou. Óbvio que o artista em questão, humano como todos nós deve sofrer com as vicissitudes do seu tempo, das suas escolhas, dos seus amores e deve ter lá seus defeitos, mas não se pode negar sua genialidade para arte, não se pode deixar de notar a simplicidade e o bom humor das letras que somada a arranjos bem cuidados e a ousadia da trupe, fez deles e especialmente dele, referência no cenário musical brasileiro e mais ainda, trouxe-lhes reconhecimento internacional em uma época na qual a internet devia ser uma quimera.

Quanta experimentação, quanto sofrimento, quanta dor é capaz de suportar o ser humano? Com tantos altos e baixos, loucuras e desatinos a vida do Arnaldo poderia ser comparada a uma montanha russa e finalmente ele encontrou a paz, o Arnaldo encontrou sua “menina”. Quantos passam a vida buscando sem encontrar um amor como aquele? O amor incondicional e salvador da Lucinha. Ela trouxe aquele que sempre fora um ídolo, inclusive para ela, de volta à vida. Levou Arnaldo, o homem, para Juiz de Fora, MG, mostrando-lhe um novo caminho e a certeza do recomeço. Momento onde a natureza, a tranqüilidade, os pincéis e as tintas deram novas cores aquele corpo, aquela alma, deixando o interior menino e meio naïf daquele homem sofrido expressar-se nas telas. Poucos são os que têm a chance de recomeçar assim, tudo de novo, do zero, mas com dignidade e amor.

A proposta do documentário de partir de uma tela em branco sendo preenchida ao longo do trabalho deles, norteou o passeio pela história desse paulistano e, ao final tudo estava lá, ora de maneira lúdica, ora de maneira óbvia. Lucidez e loucura andam juntos. Quem é louco e quem é normal?

A verdade é que esse gênio sensível tocou muitos: de simples mortais como eu aos grandes nomes da música mundial, basta ver o filme para saber do que estou falando. Boa música, muita história, sensibilidade e beleza. A beleza de estar vivo e ser amado. Só isso já basta!  

Eu me emocionei e sem ter medo de ser piegas confesso que chorei. Eu recomendo.


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