sexta-feira, 29 de abril de 2011

A Indústria do Casamento

Nos últimos dias o casamento real entre William e Kate tomou conta dos jornais, Internet e conversas pelo mundo, especialmente no ocidente. Apesar da distância geográfica e histórica, nós brasileiros, em especial brasileiras, não estivemos indiferentes, até porque, com tanta notícia ruim nada como presenciar a celebração do amor, mesmo que este seja uma invenção do romantismo. Há trinta anos atrás, então com 12 anos, assisti a cobertura do casamento de Charles e Diana, me recordo apenas da grande cauda do vestido da Lady Di e seu lindo e pesado bouquet. O desfecho não foi o esperado “felizes para sempre” e tão pouco foi “a morte que os separou” – e isso não é um problema para a Igreja Anglicana (inglesa) já que ela surge em 1534 a partir do impasse criado entre a Igreja Católica e o Rei Henrique VIII, que pedia a dissolução do seu casamento com Catarina de Aragão para casar-se com outra – a história da linda e tímida princesa que até hoje é notícia. Na verdade nunca fui sonhadora em relação ao casamento, especialmente no que diz respeito às convenções, ritos e ao evento, mas tenho amigas que sempre sonharam com esse momento e o realizaram uma ou mais vezes. Quando criança dizia à minha mãe que se me casasse um dia seria de roxo ou vermelho, o mais próximo que cheguei de um vestido branco foi na formatura do ginásio. Vontade de ser princesa? Tive sim, mas aquela Cinderela de um quadro do programa do Silvio Santos, quem tem mais de 30 anos sabe qual é o programa. Queria mesmo era ganhar aquele montão de brinquedos e coisas para casa e ao final ser coroada, mas... nem Miss Caipirinha, uma versão tupiniquim das Rainhas dos Bailes escolares americanos eu consegui ser, acredito que ser “gata borralheira” seja mais fácil e não acho ruim. Nem no teatro consegui casar. Verdade! Fui a “Sra Baratinha” e meu escolhido morreu na panela de feijão, aquele rato glutão! Admiro a vontade de celebrar o momento e dividi-lo com todos, mas prefiro a minha parte em viagens, pegar o meu “príncipe cafa” e sair pelo mundo afora. Propício ou não, o casamento inglês serviu para colocar a monarquia daquele país em evidência novamente, apesar de uma minoria contrária ao sistema monárquico, reis e rainhas fazem parte do imaginário de quase toda a Europa e mesmo com a crise que afeta a Inglaterra, bem como o resto da comunidade européia, nada como uma grande festa para unir as pessoas em celebração. “Pão e circo” é uma receita que sempre deu certo na história da humanidade. Hotéis cheios, turistas e jornalistas de todas as partes circulando, passada a festança e a ressaca talvez o contribuinte inglês perceba sua real contribuição e fique feliz assim mesmo. Por aqui o evento também renderá frutos, afinal mês de maio é tido como mês da noivas em nosso país e esse segmento cresceu muito na última década. Há muita gente casando e separando inclusive. Vantagem? Poder casar novamente e fazer outra festa e, agora tem até festa de divórcio! Nos últimos anos surgiram muitas empresas especializadas que fazem do grande dia um dia grande: maquiladores e cabelereiros, estilistas e costureiros, mestres de cerimônia, decoradores e cenógrafos, músicos e orquestras, cozinha especializada para o momento e presentes para os convidados, fotógrafos e cinegrafistas, espaços pensados e concebidos para receber qualquer tipo de festa, DJ’s e café da manhã para os “sobreviventes” – palavra do príncipe Harry – tudo de acordo com as necessidades e o bolso do cliente. Imagine quanto dinheiro a indústria do casamento fatura ao ano? Ainda tem gente organizando as viagens de lua de mel, lista de presentes e até a casa dos noivos, sem contar as feiras especializadas que acontecem em todo o país e que reúnem os muitos profissionais do segmento. É tanto trabalho que a economia agradece. Não é à toa que muita noiva perde quilos e quilos antes do “grande” dia, não deve ser tarefa fácil organizar tudo isso, mas o interessante e que muitas delas afirmam ser esse o dia mais feliz de suas vidas. E depois?

Dando uma de advogada do Diabo pergunto: - Haverá vida após o casamento?

Não posso responder, não me casei (ainda)... mas estou muito feliz com meu namorido e como já disse o poeta: Que não seja eterno posto que é chama! Mas que seja infinito enquanto dure! E que dure pelos próximos 40 anos pelo menos! Momento em que finalmente buscaremos uma cerca elétrica.

Ficou curioso? Ah! Mais essa é outra história.

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