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Arrumando as Malas III.

Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso aturar comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor da gente fugia
Antes que esta assi crecesse;
Agora já fugiria

De mim se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo
Se trago a mim comigo


Tamanho imigo de mim?


(Cantiga - Sá de Miranda, poeta português)

O poema acima resume o que senti muitas vezes, aquela vontade de ganhar a estrada, comer o mundo, estar aqui ou alí, fugir de mim mesma pra depois me encontrar. Uma insatisfação absurda que toma conta da gente, de todo mundo aliás, mas poucos se atrevem a largar tudo, perder algo para ganhar outras coisas. Há gente que só entende a linguagem do dinheiro e pensa que nessa vida tudo se compra, se paga, se arranja com isso, verdade ser necessário o tal vil metal, mas não é tudo. Tem gente que "por ele" esquece tudo, perde a cabeça, a compostura, a ética e a humanidade, faz e defaz das pessoas ao seu bel-prazer, dessa gente quero estar muito longe. Certa feita ouvi de alguém de muito caráter e retidão - alguém que prezo muito - possuidor de grande patrimônio, hoje sem liquidez e muitas dívidas por conta dele também, que me viu com minhas malas prontas, me olhou nos olhos e disse "você é mais rica que eu, pois tem liberdade e pode ir e vir quando quiser, sem amarras". Eu que vivia partindo, hoje sei, não! hoje quero chegar! Nesse momento estou mais uma vez preparando as malas para algo novo, escolha minha, com alguma ajuda do destino é claro, do universo ou seja lá do que for, porque de certa maneira fui sacudida com um: "tá na hora de parar de fugir e encarar a vida como ela é". Então ... consegui ver algo no meio do turbilhão que tem sido minha vida nos últimos meses, uma montanha russa cheia de altos e baixos, percebi que tudo que eu busquei ao longo desses anos, inclusive durante minhas andanças, está dentro de mim mesma e há algumas horas de distância também,  por isso resolvi parar de fugir - como disse minha irmã dia desses numa conversa: "se joga" - e me jogar sem medo de ser feliz. Sinto que "A Chegada" está bem próxima, posso vê-la.

Termino com Clarice Lispector (escritora brasileira)

 "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento".

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