domingo, 12 de dezembro de 2010

De volta à Terra da Garoa.

Decoração de Natal na Av. Paulista

Depois de dois anos fora do país e seis meses na provinciana Mogi das Cruzes, o que já estava me deixando agoniada, eis que retorno à Sampa. Pode parecer loucura ser apaixonada por essa megalópole que beira à esquizofrenia, onde gente estressada, bi-polar, impaciente convive com deprimidos e toda sorte de fobias. Pensando bem, o que é ser normal neste mundo? Deixar a pequena e pacata Orduña, ao norte da Espanha, seguido de uma forçada estada em Toulouse na França, depois, uma breve temporada na melancólica Lisboa, retornando ao Brasil com parada em Mogi – terra do caqui –, para depois acabar nas imediações da Avenida Paulista no coração de São Paulo é realmente uma mudança radical. Mas eu que adoro desafios e mais ainda, adoro a livraria Cultura, os cinemas alternativos, o Pedaço da Pizza, os espaços culturais, museus e cafés espalhados pelos arredores, não poderia estar em lugar melhor. Imagine o buxixo que é viver onde tudo acontece. Bares abertos até altas horas, com suas mesas enfileiradas nas estreitas calçadas da região, gente de todas as tribos circulando pelas ruas, arranha-céus disputando espaço e a luz do sol. E por falar em céu, imagine o tráfego de helicópteros ao longo do dia, só nesta semana vi da minha janela uns três helicópteros pousando e decolando, um barulho ensurdecedor que se mistura com vozes, buzinas dos carros e o som que o vizinho compartilha com o resto do prédio acreditando que todo mundo curte Tropa de elite, osso duro de roer, pega um pega geral, também vai pega você! Pois é, bem-vindos a São Paulo! Não esqueça de trazer protetor solar, a cidade é um forno no verão, guarda-chuva, quase todos os dias caí um toró por aqui, protetor auricular se quiser dormir, atenção redobrada – especialmente no final do ano, quando todos querem garantir o “peru do natal” inclusive os malacos de plantão – e uma dose extra de paciência, a cidade exige isso o tempo todo. São Paulo tem de tudo e para todos os gostos e bolsos, tem até roteiro turístico para quem curte lendas urbanas, isso mesmo, um “tour pelos mistérios e fantasmas da Capital”, só não se diverti quem não quer. Com tudo isso posso dizer que estou feliz, há alguns anos aprendi a amar essa louca cidade. Ainda não sei se será desta vez que criarei raízes, de qualquer maneira passarei um longo período por aqui, até que algo ou alguém me faça querer estar em outro lugar. Enquanto isso não acontece vou curtir as luzes de Natal da Paulista, as ofertas culturais da cidade e as pizzas da minha pizzaria preferida. Preparada para encarar mais um ano e muito trabalho nessa louca e linda capital, afinal, não sou mais a “caipira” que chegando à Avenida Paulista há anos atrás perguntou ao jornaleiro “Onde fica a Paulista?” e ouviu, entre o riso e a ironia: “Cê tá pisando nela!”.

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