quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Feira do Largo da Ordem e o contador de histórias Hélio Leites.

Já estive outras vezes em Curitiba, mas desta vez foi especial. Não fiz nada óbvio, quero dizer, não estive nos pontos turísticos mais visitados da cidade, até porque já os conheço de outras viagens, mas passei momentos inesquecíveis e... só meus(nossos). Fizemos questão de visitar a feirinha do Largo da Ordem, passeio descontraído e interessante para um domingo ensolarado, e que sol, nos pegou em cheio e nem notamos. Coisa que acontece quando estamos bem acompanhados e não percebemos o tempo passar e as coisas acontecerem. Mas nem tudo passou despercebido, entre uma parada aqui outra ali para apreciar artesanato, objetos antigos, conversar e fazer fotos, conheci uma figura ímpar, o artista plástico, poeta e contador de histórias Hélio Leites. Criador dos “(in)utensílios” ele nos mostra sua arte de maneira simples e divertida, numa cadência de palavras sem pausa, uma seqüência de idéias sem interrupção, talvez, ativadas pela memória que cada objeto lhe traz. Da história da latinha da sardinha e o sermão dado aos peixes por Santo Antonio, já que os homens não lhes deram atenção ao São Longuinho feito de batedor de claras em neve e que dá pulinhos com uma facilidade. Os palitos de sorvete convertidos em um palito de cabelo ou um broche em forma de uma ave cuja cor pode determinar nosso humor, alertando os desavisados quando a mulher ou a namorada está na tpm, por exemplo – neste caso usando o vermelho – miniatura cuja venda pelo valor de R$ 6,00 lhe propicia a compra de muitos pãezinhos, o que ele brinca usando o trocadilho de “o milagre dos palitos”. Incrível como ele chama a atenção de quem passa pela feira sem grande esforço, aquelas peças minimamente detalhadas e de materiais simples, objetos do nosso cotidiano transformado em outro objeto, trazem consigo histórias e algumas lições. A cabeleira branca, a cara engraçada o jeito irreverente de Hélio Leites me pareceu uma mistura do engenhoso professor Pardal e o cientista pra lá de genial interpretado por Christopher Lloyd em “De volta para o futuro” e me arrancou muitos sorrisos. Para Paulo Leminski – poeta curitibano – Hélio Leites era um "significador de insignificâncias" e se olharmos sob essa ótica é realmente o que ele faz e o que todos nós deveríamos fazer, resignificar as coisas em nossas vidas. Buscar a sardinha na lata da sardinha e não Nemo, evitando muitos problemas. Acreditar no milagre da vida e como costumo dizer, transformar os limões que ganhamos ao longo dela em uma doce e refrescante limonada. Se você nunca esteve em Curitiba, quando tiver oportunidade não deixe de visitar a Feira do Largo da Ordem e parar para ouvir as histórias do artista Hélio Leites, mais do que arte, você terá lições de simplicidade na dose certa e se tiver dinheiro poderá levar alguma lembrança da feira também, afinal nem só de palavras vive o Homem.

Conheça um pouco mais de Hélio Leites:




Veja também:
Pequenas Grandezas: Miniaturas de Hélio Leites de Rita de Cássia Baduy Pires.

(Foto: Hélio Leites by Meg Mamede)

Um comentário:

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