sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cinema em casa.

Adoro cinema, mas não gosto de todos os gêneros. De quando em quando vejo algo de terror, de dia e acompanhada, e foi o que aconteceu neste domingo. Meu irmão começou a ver o filme Assombração de Oxide Pang Chun e Danny Pang – original Gwai wik / Re-cycle (Tailândia / Hong Kong, 2006), ele dormiu e eu assisti até o fim. O filme me fez pensar muito, apesar daqueles zombies todos, não é nada aterrorizante, achei-o até reflexivo, eu diria que é quase um “Alice no país das maravilhas” do suspense. Os asiáticos são muito cuidadosos no que se refere à plástica, à fotografia e, entre penumbras, sombras, cinzas e marrons destacam-se cores como o vermelho, o amarelo e o verde, dando uma beleza quase poética às cenas, especialmente à das lápides. Não vou contar o filme aqui é melhor vê-lo, quero evitar spoilers. O cinema asiático é outra forma de fazer cinema, seja o gênero que seja, os orientais têm uma maneira muito peculiar para 7ª arte e não é pra qualquer um gostar. Logo que comecei a ver o filme lembrei-me de Três… Extremos de Fruit Chan, Park Chan-Wook e Takashi Miike – orginal Three… Extremes – (Coréia do Sul / Japão / Hong Kong, 2004) onde três histórias diferentes dialogam entre si por conta do suspense que cada uma, a seu modo, traz, sem cair no lugar comum. Achei a abordagem dos temas elegante, como disse antes, com uma estética impecável, marca de muitos dos diretores asiáticos. As três histórias: Box, Dumplings e Cut têm algo de transgressor e surreal, beirando à bizarrice, mas não são menos bonitas por isso. Mais uma vez chamo atenção para a fotografia, enquadramentos e trilha sonora ao longo de cada história. Cansado de ver remake norte-americano ou intermináveis filmes em série, onde tudo é previsível e repetido? Então.... da próxima vez que for escolher um filme, opte por produções asiáticas ou algo diferente do que está acostumado. Você pode se surpreender.

Assombração (Gwai wik / Re-cycle)




Três... Exremos (Three... Extremes)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Feira do Largo da Ordem e o contador de histórias Hélio Leites.

Já estive outras vezes em Curitiba, mas desta vez foi especial. Não fiz nada óbvio, quero dizer, não estive nos pontos turísticos mais visitados da cidade, até porque já os conheço de outras viagens, mas passei momentos inesquecíveis e... só meus(nossos). Fizemos questão de visitar a feirinha do Largo da Ordem, passeio descontraído e interessante para um domingo ensolarado, e que sol, nos pegou em cheio e nem notamos. Coisa que acontece quando estamos bem acompanhados e não percebemos o tempo passar e as coisas acontecerem. Mas nem tudo passou despercebido, entre uma parada aqui outra ali para apreciar artesanato, objetos antigos, conversar e fazer fotos, conheci uma figura ímpar, o artista plástico, poeta e contador de histórias Hélio Leites. Criador dos “(in)utensílios” ele nos mostra sua arte de maneira simples e divertida, numa cadência de palavras sem pausa, uma seqüência de idéias sem interrupção, talvez, ativadas pela memória que cada objeto lhe traz. Da história da latinha da sardinha e o sermão dado aos peixes por Santo Antonio, já que os homens não lhes deram atenção ao São Longuinho feito de batedor de claras em neve e que dá pulinhos com uma facilidade. Os palitos de sorvete convertidos em um palito de cabelo ou um broche em forma de uma ave cuja cor pode determinar nosso humor, alertando os desavisados quando a mulher ou a namorada está na tpm, por exemplo – neste caso usando o vermelho – miniatura cuja venda pelo valor de R$ 6,00 lhe propicia a compra de muitos pãezinhos, o que ele brinca usando o trocadilho de “o milagre dos palitos”. Incrível como ele chama a atenção de quem passa pela feira sem grande esforço, aquelas peças minimamente detalhadas e de materiais simples, objetos do nosso cotidiano transformado em outro objeto, trazem consigo histórias e algumas lições. A cabeleira branca, a cara engraçada o jeito irreverente de Hélio Leites me pareceu uma mistura do engenhoso professor Pardal e o cientista pra lá de genial interpretado por Christopher Lloyd em “De volta para o futuro” e me arrancou muitos sorrisos. Para Paulo Leminski – poeta curitibano – Hélio Leites era um "significador de insignificâncias" e se olharmos sob essa ótica é realmente o que ele faz e o que todos nós deveríamos fazer, resignificar as coisas em nossas vidas. Buscar a sardinha na lata da sardinha e não Nemo, evitando muitos problemas. Acreditar no milagre da vida e como costumo dizer, transformar os limões que ganhamos ao longo dela em uma doce e refrescante limonada. Se você nunca esteve em Curitiba, quando tiver oportunidade não deixe de visitar a Feira do Largo da Ordem e parar para ouvir as histórias do artista Hélio Leites, mais do que arte, você terá lições de simplicidade na dose certa e se tiver dinheiro poderá levar alguma lembrança da feira também, afinal nem só de palavras vive o Homem.

Conheça um pouco mais de Hélio Leites:




Veja também:
Pequenas Grandezas: Miniaturas de Hélio Leites de Rita de Cássia Baduy Pires.

(Foto: Hélio Leites by Meg Mamede)

sábado, 6 de novembro de 2010

Halloween em Santos.

De origem anglo-saxônica a festa de Halloween não é muito comum no Brasil, mas nos últimos anos tem ganhado mais adeptos, sendo mais um motivo pra reunir os amigos e passar bons momentos e, foi exatamente o que fiz neste feriado. Entre o dia das bruxas, de todos os santos e dos mortos, mais viva que nunca, aproveitei o feriado e me diverti muito. Desci a serra do mar sem intenção de ir à praia – o que foi inevitável–, fui visitar a amiga Mary e curtir a animada festa de Halloween que ela preparou. No fim das contas acabei aproveitando a estada em Santos para passear pelo maior jardim a beira mar do mundo – cerca de 7 km de orla com flores e muito verde brindando a primavera e os turistas que por lá passam –. Visitei o centro histórico, o Palácio do Café, a Pinacoteca Benedicto Calixto e o Mercado Municipal, deu até pra pegar um cineminha no posto 4. Cidade importante para história de São Paulo e do Brasil, elevada a Vila em 1545, Santos foi porta de entrada para colonizadores e imigrantes que venceram a Serra do Mar – chamada de a Muralha por alguns – em diferentes momentos da nossa história. Mas dessa vez foram criaturas da noite que invadiram Santos, na verdade invadiram a casa da Mary. Bruxas, caveiras, fantasmas, vampiros e até uma múmia dançaram até altas horas num ambiente cuidadosamente decorado por nossa anfitriã. Enquanto muitos criticam a data, por não se tratar de algo tipicamente brasileiro – me refiro ao nosso folclore e suas criaturas fantásticas – ou até mesmo por atribuir à festa um caráter diabólico, acredito que o fenômeno da miscigenação em nosso país resulta num caldeirão cultural onde tudo é assimilado, transformado e incorporado, além do que, brasileiro adora uma festa. E por falar em caldeirão, entre deliciosos coquetéis, petiscos, biscoitos em forma de dedos de bruxa, ratinhos sabor a cajuzinho, fantasminhas de suspiro e muita música, todos se divertiram muito. Infelizmente o feriado acabou e o jeito foi subir a serra com gostinho de quero mais e a máquina fotográfica cheia de recordações. O que há séculos foi descoberto por outros povos, hoje continua recebendo criaturas, ops! gente de toda a parte que desembarca no porto seja a trabalho, seja a turismo e aqueles que como eu, descem e sobem a serra, não numa vassoura, mas olhando da janela o mar e a serra desejando ter nascido imortal para aproveitar tudo que a vida oferece, seja a oferta travessura ou gostosura.

(Fotos by_Meg Mamede)

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