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Em busca do paraíso.

Próximo a minha viagem de volta ao Brasil assisti “Éden a oeste” filme do diretor grego Costa-Gravas (França / Grecia / Itália, 2009) e não pude conter as lágrimas, não sei se pela história do ingênuo Elias vivido pelo lindíssimo ator italiano Riccardo Scamarcio , personagem que sonha chegar à França e ter melhores dias, ou se pela minha própria história. Reservas à parte, os motivos que me levaram a cruzar o oceano não foram os mesmo que os daquele personagem, porém, sempre nos identificamos com algo. A França que Elias vê como Éden não tem nada de paraíso para imigrantes sem papéis, sem emprego e sem dinheiro. Os sonhos são necessários, alimentam o homem e são fundamentais para mantermos a humanidade, mas não matam a fome e não pagam as contas no final do mês. Atualmente a tendência é o agravamento da situação para imigrantes que se encontram em situação irregular em países como França, Itália, Alemanha, Inglaterra e outros países da Europa, bem como EUA e, os jornais têm mostrado isso com freqüência. Retornando à França, a hostilidade com que o governo francês tem tratado os imigrantes é até contraditório se pensarmos que o próprio presidente Sarkozy nascido na França, é filho de pai húngaro exilado naquele país e mãe de origem judia, mas claro que a política e a economia sobrepujam qualquer humanidade, sempre foi e sempre será assim. A política protecionista adotada em momentos de crise econômica se reflete muito bem no que temos visto: França para os franceses, Itália para os italianos, e prisão para imigrantes sem papel. Pior ainda, é a situação daqueles que se arriscam na travessia do México para os EUA, maior que o risco de ser preso e repatriado é o risco de ser morto como os 72 imigrantes assassinados por traficantes em San Fernando, Estado de Tamaulipas. Mais uma vez a vida imita a arte, ou seria o contrário? Ao ouvir a notícia imediatamente me lembrei do filme “Para além da fronteira” do diretor Wayne Kramer (EUA, 2008), que assisti em Lisboa – no Brasil “Território restrito” – e que me fez repensar a situação daqueles que estão fora de seu país e de maneira irregular, no filme a atriz brasileira Alice Braga interpreta a imigrante Mireya Sanchez, morta por “coyotes” – pessoas que promovem a travessia ilegal, mas que muitas vezes fazem tráfico de drogas e armas também – quando tentava retornar aos EUA desde o México, após ter sido presa e repatriada pela polícia de imigração norte americana. O que leva o ser humano a sair do seu lugar e seguir para outro é algo antigo na história da humanidade, cada povo, cada momento da história e cada qual tem os seus motivos, porém, nada é mais valioso que a vida. No filme de Costa-Gravas o problema da imigração ilegal é tratado com mais leveza e às vezes até dá lugar ao humor, diferente da realidade nua e crua mostrada pelo diretor Wayne Kramer, mas quem nunca saiu da cidade onde nasceu talvez tenha dificuldades para entender o que significa emigrar e todas as conseqüências que a atitude acarreta. Nos dias atuais planejamento e bom senso são essenciais e, temos que pensar nos que ficam: a família, os amigos e todo o sofrimento que uma atitude impulsiva pode causar, afinal, existem situações que preferimos ver somente no cinema e nunca protagonizá-las.


Veja também outros filmes que abordam a questão da imigração:

Código Desconhecido de Michael Haneke (França, 2000)
Entre os Muros da Escola de Laurent Cantet (França, 2008)
O dia da Saia de Jean-Paul Lilienfeld (França. 2008)

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