terça-feira, 28 de setembro de 2010

Um pouco de poesia.

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

(Florbela Espanca, poetisa portuguesa - 1894/1930)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nunca prove uma roupa se não vai comprá-la.

De tempos em tempos recebemos vídeos como esse ou o da cerveja Heineken, inteligentes e engraçadíssimos, faz tempo que não vejo no Brasil propagandas assim. As produções publicitárias por aqui carecem de criatividade, houve tempos em que ríamos mais com propagandas que mesclcavam humor e sacadas inteligentes. Onde foram parar as cabeças pensantes das décadas de 80 e 90?
video

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Quem procura acha.

Joelmir Beting, o que você quis dizer com isso? Que você não é diferente de outros machos machões? Que você não é exceção à regra? Que você parte do senso comum? Ou o que? Perdoe-me se cometo algum equívoco, mas não entendi porque você encerrou a matéria em horário nobre, em rede nacional, com essa infeliz afirmação. Você por acaso nasceu de chocadeira? Não tem mãe? Irmã? Esposa? Filha? Amigas? Colegas de profissão? Eu o tinha em melhor conceito, ainda bem que podemos rever conceitos. Não faço parte de nenhuma associação de proteção à Mulher, de nenhum grupo feminista ou GLS, simplesmente sou Mulher e estava por acaso com a tv ligada no momento em que você humano como eu, do gênero masculino, errou. Não sou jornalista e não conheço as leis que regem a profissão e a liberdade de expressão no país. Tão pouco conheço o código de ética do profissional do jornalismo, mas como cidadã sei dos meus direitos e me senti incomodada, acredito não ter sido a única, pela maneira como você se referiu a uma amiga de profissão, que mesmo não sendo brasileira, merece seu respeito como Mulher e profissional. Sua atitude denota comportamento sexista e reforça atitudes nada respeituosas para com a Mulher. Como formador de opinião deveria ter sido imparcial. Enquanto muitos no país e no mundo, promovem uma cruzada para tentar mudar o quadro de violência e maus tratos contra a Mulher, um ícone do jornalismo brasileiro, referência para muitos na profissão abre a boca para dizer algo tão absurdo. Você deveria ter ficado de boca fechada, ou deixar para tecer seu maldoso comentário entre amigos, na mesa do bar, no vestiário do clube, no âmbito privado, nunca publicamente. O Homem Joelmir Beting pode dizer o que quiser na esfera privada – nossa Constituição assim lhe/nos permite – mas em frente às câmeras de tv deveria ser mais prudente. Nós mulheres devemos assumir que também temos culpa pelo que acontece conosco, não me refiro à exploração da nossa beleza ou sensualidade ou por causa do uso de um vestido mais curto para ir ao trabalho ou à universidade. Nós temos direitos sobre nosso corpo, não somos propriedade de ninguém e fazemos com ele o que bem entendermos. Refiro-me à educação que a Mulher como mãe, tia, avó, professora deve dar aos filhos e filhas, ensinando-os a respeitar o ser humano independente de gênero, credo, classe social ou formação. Só quem é Mulher, tendo sofrido ou não maus tratos – físico, psicológico ou verbal – é capaz de perceber a importância de lutar contra a violência, seja ela doméstica, no trabalho, nas escolas e outros lugares em que a Mulher desempenha seus muitos papéis. Quanto ao conceituado jornalista da Band, como ser humano que é pode reverter a situação favoravelmente, retratando-se com humildade e sendo mais cauteloso, evitando assim, qualquer desconforto perante a sociedade e o (seu) público. Afinal, como ele mesmo mencionou “Quem procura acha”.

A matéria que cito no texto está disponível no link indicado abaixo, não foi possível incorporá-lo ao post.

Jornalista reclama de cantada em jogo de futebol americano

A jornalista mexicana estava nos Estados Unidos para entrevistar um jogador mexicano do time, porém atraiu a atenção de todos os jogadores. Além dos olhares, o treinador arremessava as bolas na direção de Sainz. Após se queixar, Inês recebeu um pedido de desculpas do dono do Jets.

http://videos.band.com.br/v_70394_jornalista_reclama_de_cantada_em_jogo_de_futebol_americano.htm


** A imagem que ilustra o texto, trata-se da capa da cartilha “Diga NÃO à Violência contra a Mulher” organizada pela Rede Oblata da Pastoral do Instituto Oblatas lançado em 2008.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Neste mundo nada se cria...

Tudo se copia ou se faz paródia, versão ou como queiram chamar. E no vácuo do sucesso de Liz Gilbert veio Andrew Gottlieb criador da série americana “Z Rock” uma sátira a celebridades do mundo do rock, que numa sacada de marketing e aproveitando o estrondoso sucesso de Comer, Rezar, Amar – a busca de uma mulher por todas as coisas da vida na Itália, na Índia e na Indonésia (lançado em 2006 nos EUA, 2008 no Brasil e que já virou filme com Julia Roberts e Javier Barden), lançou em 2008 (no Brasil em 2009) seu Beber, Jogar e F@#er – a jornada de um homem em busca de diversão na Irlanda, em Las Vegas e na Tailândia. Segundo alguns comentários e resenhas, trata-se de obra fictícia diferente da autobiografia da jornalista e agora escritora de sucesso Liz Gilbert. Não li, mas confesso que me deu curiosidade ao ver o livro numa livraria dia desses. Imagino que contraponto hilário deve ser. Em tempos em que livros de auto ajuda roubam a cena e ganham cada vez mais adeptos, até que um chiste vai bem. Entre ver Tiririca e companhia em propaganda eleitoral, porque não passar esse tempo lendo um livro desses, até porque, não dá pra contar as impressões pessoais sem antes lê-lo. Na verdade não sou muito de comédia, mas, imagino ser uma boa pedida quando se está em uma grande livraria, esperando o tempo passar, sentada em uma cadeira ou banco confortável com o livro sobre as pernas, numa dessas leituras que não requer muito esforço, o problema será não rir alto e atrapalhar as outras pessoas. Outra opção será o cinema, já que a Warner comprou os direitos do livro. Resta saber se será mais uma dessas estúpidas comédias para americano ver. Se for, prefiro sair para beber, jogar bingo ou sei lá o que, mas não vou ao cinema nem f@#endo!

domingo, 12 de setembro de 2010

História Colonial de Mogi das Cruzes.

Ontem foi a vez de prestigiar a professora e amiga Madalena Marques Dias no lançamento do livro História Colonial de Mogi das Cruzes – Elite e Formação da Vila na livraria Nobel de Mogi das Cruzes. Madalena, mogiana como eu - ou mogicruzense como ela costuma dizer -,
recebeu amigos, alunos e ex alunos, entre eles, a amiga Maria Emília que deixou o Planalto de Piratininga para visitar a quatrocentona Mogi das Cruzes. E por falar em séculos de história, o livro em questão foi mais um presente que a cidade recebeu no seu 450° aniversário, comemorado no último dia 1°. O livro lançado pela Oriom Editora é fruto da dissertação de mestrado da professora Madalena. Folheando a publicação encontramos um pouco mais da história da fundação da Vila de Santana, a história dos colonos vicentinos, a distribuição da riqueza entre os fundadores da vila, as relações de poder e prestígio na Mogi de antigamente, assim como, algumas fotos e documentos daquele período. A cidade conta com produções interessantes de autores e datas diferentes, cada um a seu modo contribuiu para que a história da cidade seja conhecida pelos que aqui nasceram, os que aqui vieram viver e curiosos que buscam saber um pouco mais desta “provinciana” e agradável cidade.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Caminhos da Cultura.

O que é cultura? Há muitas definições para a palavra e muitos equívocos também. Podemos falar de cultura a partir do ponto de vista: histórico, artístico, sociológico ou antropológico. Porém minha proposta para a coluna Cult da Woman’s Mag é oferecer leituras interessantes e fluídas que falem de cultura de maneira leve e prazerosa baseando-se em experiências vividas. Gostaria de compartilhar com o leitor algumas histórias aproveitando que o mundo globalizado transformou as experiências pessoais em universais, fazendo com que as pessoas identifiquem-se com as histórias do outro. Além do que, com o advento da mundialização da cultura, hoje é possível dançar salsa em Luanda, comer um kebab em Córdoba, ver videoclipes produzidos em Hollywood em qualquer continente, provar a culinária basca em São Paulo, assistir ao Magic of the Dance em Bilbao, é ainda ouvir o Perpetuum Jazzile da Eslovênia cantando Aquarela do Brasil de Ary Barroso ou simplesmente comer uma deliciosa tapioca, um yakissoba ou um pastel de Belém em qualquer esquina das grandes cidades do Brasil. Todos têm cultura, equivoca-se aquele que pensa que a pessoa que não teve acesso à educação formal ou o privilégio de nascer em berço de ouro não a tenha. Somos produtos do meio em que vivemos. Neles são produzidas a cultura material e imaterial, ajudando, em conjunto com a língua a forjar a identidade de um grupo ou sociedade. Veja o exemplo do índio, ele pode desconhecer a arte barroca produzida em Minas Gerais, o renascimento do século XVI ou nunca ter saído de sua reserva. No entanto, ele também produz cultura ao repassar as suas tradições e produção artesanal. A cultura não é fruto somente da produção elitizada e segmentada de um grupo ou sociedade, tão pouco se restringe à erudição, ela é a soma de tudo isso e de outros aspectos que abordarei aqui a cada mês. Todos nós temos cultura de acordo com nosso entorno e vivências. Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, nós brasileiros somos fruto de uma mestiçagem, cujas matrizes – luso, afro e indígena – resultaram em uma gente singular e uma cultura sincrética. O Brasil, país de dimensões continentais, recebeu levas e levas de imigrantes de todo o mundo e em momentos distintos da sua história. E a nossa gente, fruto dessa mestiçagem, tem uma das culturas mais diversa e multifacetada que se conhece, um mosaico heterogêneo que se reflete na música, na culinária, nas artes, nas festas, nos usos e costumes do brasileiro. Há muitos caminhos para ampliar nossa cultura: a literatura, o cinema, as artes, as viagens. E é sobre esses assuntos que falarei nas próximas edições. Convido você leitor, interessado em viajar no tempo, a conhecer um pouco mais da cultura brasileira e de outros rincões do mundo por onde passei e por onde passarei.







Artigo publicado na coluna Cult da Revista Woman’s Mag – Agosto 2010, n° 1

Fotos que ilustram o artigo: Zuheros / Espanha, Detalhe da Torre parte da Cadetral Mesquita de Córdoba/ Espanha e Palácio da Regalera, Sintra /Portugal
© Meg Mamede

sábado, 4 de setembro de 2010

Pra você guardei o Amor.


"Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive
E vi sem me deixar
Sentir
Sem conseguir
Provar
Sem entregar
E repartir"

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Em busca do paraíso.

Próximo a minha viagem de volta ao Brasil assisti “Éden a oeste” filme do diretor grego Costa-Gravas (França / Grecia / Itália, 2009) e não pude conter as lágrimas, não sei se pela história do ingênuo Elias vivido pelo lindíssimo ator italiano Riccardo Scamarcio , personagem que sonha chegar à França e ter melhores dias, ou se pela minha própria história. Reservas à parte, os motivos que me levaram a cruzar o oceano não foram os mesmo que os daquele personagem, porém, sempre nos identificamos com algo. A França que Elias vê como Éden não tem nada de paraíso para imigrantes sem papéis, sem emprego e sem dinheiro. Os sonhos são necessários, alimentam o homem e são fundamentais para mantermos a humanidade, mas não matam a fome e não pagam as contas no final do mês. Atualmente a tendência é o agravamento da situação para imigrantes que se encontram em situação irregular em países como França, Itália, Alemanha, Inglaterra e outros países da Europa, bem como EUA e, os jornais têm mostrado isso com freqüência. Retornando à França, a hostilidade com que o governo francês tem tratado os imigrantes é até contraditório se pensarmos que o próprio presidente Sarkozy nascido na França, é filho de pai húngaro exilado naquele país e mãe de origem judia, mas claro que a política e a economia sobrepujam qualquer humanidade, sempre foi e sempre será assim. A política protecionista adotada em momentos de crise econômica se reflete muito bem no que temos visto: França para os franceses, Itália para os italianos, e prisão para imigrantes sem papel. Pior ainda, é a situação daqueles que se arriscam na travessia do México para os EUA, maior que o risco de ser preso e repatriado é o risco de ser morto como os 72 imigrantes assassinados por traficantes em San Fernando, Estado de Tamaulipas. Mais uma vez a vida imita a arte, ou seria o contrário? Ao ouvir a notícia imediatamente me lembrei do filme “Para além da fronteira” do diretor Wayne Kramer (EUA, 2008), que assisti em Lisboa – no Brasil “Território restrito” – e que me fez repensar a situação daqueles que estão fora de seu país e de maneira irregular, no filme a atriz brasileira Alice Braga interpreta a imigrante Mireya Sanchez, morta por “coyotes” – pessoas que promovem a travessia ilegal, mas que muitas vezes fazem tráfico de drogas e armas também – quando tentava retornar aos EUA desde o México, após ter sido presa e repatriada pela polícia de imigração norte americana. O que leva o ser humano a sair do seu lugar e seguir para outro é algo antigo na história da humanidade, cada povo, cada momento da história e cada qual tem os seus motivos, porém, nada é mais valioso que a vida. No filme de Costa-Gravas o problema da imigração ilegal é tratado com mais leveza e às vezes até dá lugar ao humor, diferente da realidade nua e crua mostrada pelo diretor Wayne Kramer, mas quem nunca saiu da cidade onde nasceu talvez tenha dificuldades para entender o que significa emigrar e todas as conseqüências que a atitude acarreta. Nos dias atuais planejamento e bom senso são essenciais e, temos que pensar nos que ficam: a família, os amigos e todo o sofrimento que uma atitude impulsiva pode causar, afinal, existem situações que preferimos ver somente no cinema e nunca protagonizá-las.


Veja também outros filmes que abordam a questão da imigração:

Código Desconhecido de Michael Haneke (França, 2000)
Entre os Muros da Escola de Laurent Cantet (França, 2008)
O dia da Saia de Jean-Paul Lilienfeld (França. 2008)

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