segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Em tempos de eleição.

Flautista de Hamelin - imagem Google
Passa ano, entra ano, a política brasileira continua a mesma coisa, toda sorte de político surge, entra e saí. O texto a seguir escrevi em 2010 ocasião da eleição, ainda vivia em São Paulo, agora em Curitiba vejo que só muda o endereço e tudo continua igual.

Aqui, no 2o turno terá Fruit e Ratinho Jr na disputa pela prefeitura, os curitibanos estão com as unhas na cabeça, doidos pra ver se conseguem trazer pra cá o Flautista de Hamelin.

A vida deveria sim imitar a arte e limpar o pais de todos os ratos e insetos que infestam o Brasil.

***

Nesta terça estava deixando o Conjunto Nacional na Paulista, quando esbarrei com o Profº. Mário Cortella na Livraria Cultura, daí resolvi ficar para o lançamento do livro Política, para não ser idiota, na verdade um descontraído bate papo entre os autores Renato Janine Ribeiro e Mário Sergio Cortella. Eu que não gosto muito do assunto acabei gostando da abordagem e, o bate papo bem humorado foi encerrado com frase do poema Memória do Drummond, me lembrando de um texto que escrevi há alguns anos.

Com a proximidade das eleições e vendo a propaganda política com conteúdo político de qualidade que tem sido apresentada, seria oportuno relembrar Lima Barreto, que já nos idos de 1911, ou seja, há quase um século atrás, escreve Triste fim de Policarpo Quaresma abordando, entre ouras coisas, a política nacional, as saúvas, tiriricas e, e outras pragas que enfestavam o cenário brasileiro.

Em Triste fim de Policarpo Quaresma há claramente diálogo entre o autor e personagem. Lima Barreto extrapola as barreiras da ficção, pintando-a, com cores muito vivas e tristes, o próprio título nos remete a essa tristeza.

Seria, o fim da personagem ou seu próprio fim que autor visionara?

O fim é triste por si só, mas, nem sempre significa o fim de tudo, como no poema Memória de Drummond “Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão”, a obra e memória de Lima Barreto são exemplos disso. O mulato de origem humilde que conheceu a elegância do Rio de Janeiro em plena Belle Epoque, optou pela realidade do subúrbio para atender as necessidades da família e assim como seu Major Quaresma conheceu a loucura de perto e, em decorrência do alcoolismo morreu jovem, aos 41 anos. Um rosto entre tantos outros buscando a identidade nacional.

Homem moderno que com linguagem objetiva e simples, sem ser simplista, representou em sua obra todas as personagens e elementos de um Brasil republicano, onde as transformações daqueles primeiros anos causariam muitas inquietações.

Barreto e sua obra, rechaçados por alguns, não se encaixando nem bem aqui, nem bem ali, assim como Policarpo Quaresma com suas idéias e projetos para um Brasil diferente e que nem sempre eram bem aceitos por seus iguais, do projeto cultural, passando pelo projeto científico à agricultura, até chegar ao projeto político, o qual assinalaria de vez o seu fim, representaram o ideário de homens que buscaram a unidade dos Brasis num momento em que a exaltação do que não era nacional e, a busca desenfreada pelo progresso, marginalizou boa parte da população brasileira, em especial no Rio de Janeiro então capital da República, empurrando a população de menor renda para fora do centro, a fim de atender os clamores de uma elite e, escrever a história dos vencedores. Mas, hoje podemos pensar que os vencedores somos nós, herdeiros do legado de Lima Barreto e seus Policarpos, Olgas, Ismênias, Ricardos Coração dos Outros e muitas outras personagens que nos fazem entender um pouco mais da história do Brasil.

(Texto postado originalmente em setembro de 2010)

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