sábado, 21 de agosto de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Bienal do Livro 2010.

Terça-feira foi dia de reencontrar o querido amigo Ricardo Faria, historiador, professor e escritor mineiro. Nossos encontros têm tempo certo para acontecer, quase um fenômeno astronômico eu diria, acontecendo de maneira cíclica a cada dois ou três anos. Astros que dependem de uma conjunção especial para estarem juntos, risos. 2005 na Anpuh UEL, 2007 Anpuh UNISINOS e agora em 2010 na Bienal do Livro de São Paulo. Entre livros, textos, história, parada para o “lanchinho” e muito riso, as horas passaram rapidamente. Desta vez a tônica da nossa discussão foi a tal “pós-modernidade” e o “hibridismo”, conceitos atuais que substituem a famosa “quebra de paradigma” ou os “parâmetros que norteiam o bojo de algo”, trocando em miúdos, os modismos que ajudam a promover e vender produções que muitas vezes são nada mais nada menos que “variações do mesmo tema”, cheios de adornos e firulas que só fazem aborrecer o leitor não especializado – e o especializado também –. Por outro lado, percebemos que os campeões de venda nos dias atuais, sem sombra de dúvida, são os livros de auto-ajuda, as novelas negras e vampirescas ou o famoso besteirol. Não é para menos, eles ajudam a desopilar o fígado e dar boas gargalhadas. Não sei como foram as primeiras Bienais do livro de SP, mas o mercado editorial também entrou para a era do espetáculo, entre Drag Queens performáticas, ciberespaços, espaços gourmet e outras atrações, a feira é um grande parque de diversões, onde crianças entusiasmadas com o personagem que ganha vida, adolescentes high techs e professores enlouquecidos, tudo é motivo de festa, ao menos isso, porque os livros continuam caríssimos e inacessíveis para a maioria dos brasileiros. Infelizmente o Brasil não é um país de leitores e o pior de tudo é o grande número de analfabetos funcionais existentes, contradizendo os números do último censo do IBGE para educação no país. Apesar do aumento da escolaridade no país apontado pelo censo, o que encontramos nas escolas, empresas e outros lugares são pessoas com dificuldade de interpretação, seja de textos, de enunciados, etc. Gente que escreve e lê sim, mas não compreende. Fala português, mas, não se comunica. O pior de tudo que isso se aplica a profissionais de todas as áreas, inclusive professores. Na era da informação, a formação tem sido deixada de lado, ler é importantíssimo, seja o que for, afinal exercitar a mente com leituras, independente das preferências, é a melhor forma de manter-se jovem. Para o corpo o exercício físico, o futebol, a caminhada, a dança, para a mente a leitura.

21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
De 12 a 22/08/2010 – Anhembi – SP
Mais informações acesse: http://www.bienaldolivrosp.com.br/

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Um brinde a Amizade!




"Amigo: alguém que sabe tudo a teu respeito e gosta de ti assim mesmo." (Elbert Hubbard)



Não há coisa melhor que estar entre amigos, velhos ou novos amigos. Nesta última sexta-feira passei uma noite deliciosa na casa dos amigos Rosangêla e Thales. Rô, como a chamo desde criança, nos recebeu, a mim e o grupo que ali esteve com toda a atenção e carinho que lhe é peculiar. Além da bela decoração e ambiente para lá de acolhedor, cometemos todos, sem exceção, o pecado da gula. Regados a muito vinho nos deleitamos com os queijos e os saborosos caldos – caldo de mandioquinha, de cenoura e caldo verde – e outros petiscos que nossa anfitriã fez questão de preparar pessoalmente, deixando todos surpresos com seus dotes culinários, mais uma qualidade a ser acrescentada às outras que minha querida amiga Rô possui. Depois de muitas fotos, muito riso, muito vinho, ainda sobrou animação para dançar e a noite foi curta para tanta alegria. Para mim foi uma daquelas noites surpreendentes, para qual não criamos expectativas e nos divertimos como nunca. Rô e Thales obrigada pela noite.

Rô obrigada pela amizade!





Beijos da amiga de ontem, hoje e sempre!


Meg

sábado, 14 de agosto de 2010

Peter Burke e Maria Lúcia G.Pallares-Burke apresentam Gilberto Freyre.

Nesta quinta-feira 12 de agosto, tive o privilégio de conhecer e ouvir importantes nomes da história cultural. Referência nos estudos e pesquisas das mídias entre outras coisas, Peter Burke dispensa apresentações. Com muitos livros publicados no Brasil, entre os quais: O Renascimento Italiano: Cultura e Sociedade na Itália, História e Teoria Social, A Escrita da História, A fabricação do rei: a construção da imagem pública de Luís XIV, Uma história social da Mídia: de Gutenberg a Internet, Testemunha Ocular, O que é história cultural, o historiador, pesquisador e professor inglês Peter Burke juntamente com a esposa e também historiadora, a brasileira Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke apresentaram o livro Repensando os trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre, trabalho escrito a quatro mãos que originalmente foi editado para o público anglófono, como mencionado por Peter Burke “para inglês ler” e que posteriormente seria adaptado e publicado no Brasil pela editora UNESP no ano passado. Depois de participarem da FLIP no Rio de Janeiro, que este ano homenageou o autor de Casa Grande e Senzala e que segundo os organizadores do evento “é o mais literário pensador social brasileiro” Peter Burke e Maria Lúcia G. Pallares-Burke, autora de Gilberto Freyre: um vitoriano dos trópicos e também responsável pela curadoria das atividades em homenagem a Freyre na FLIP 2010 vieram à S.Paulo e deram aos presentes no auditório do Cedem/Unesp o presente de conhecer detalhes, curiosidades e abordagem escolhida pelo casal para elaborar o livro. Para essa apresentação de Freyre, o casal Burke se valeu da correspondência pessoal, prefácios, anotações em livros que o autor lia, além da produção de Freyre que em alguns momentos lhes fornecia pequenos relatos autobiográficos e, o fato de Maria Lucia ser brasileira e, portanto, conhecedora da cultura do seu país, foi determinante para a produção do livro. A admiração de um historiador reconhecido internacionalmente por um pensador brasileiro que transitava entre a literatura, a história, a sociologia, a antropologia – sem esquecer seu interesse pela pintura – numa postura interdisciplinar incomum entre seus pares e que segundo Peter Burke encontraria equivalência na Europa em nomes como Fernand Braudel e Johan Huizinga, não poderia passar em branco e por isso mesmo deveria ser apresentado ao mundo. Começando pela Inglaterra Repensando os trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre esclarece que: para conhecer a cultura brasileira, há que se considerar o legado deixado por esse pernambucano cultuado por uns, criticado por outros. Às vezes incompreendido, noutras vezes amado. E... é esse Gilberto Freyre “homem-orquestra”, controverso, narcisista, gênio genioso, interdisciplinar e, sobretudo humano, que nos foi apresentado com elegância inglesa e beleza brasileira.





Repensando os trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre
Editora Unesp (S.Paulo, 2009)
Maria Lucia Garcia Pallares-Burke e Peter Burke
Gênero: Biografia

domingo, 8 de agosto de 2010

Comer, Rezar e Amar.

Se você pensou no livro da norte-americana Elizabeth Gilbert, acertou. Mas, isso aqui não é resenha não, até porque o livro foi lançando em 2007 no Brasil e foi bastante resenhado, criticado, rotulado e o mais engraçado é que eu ainda não tinha ouvido falar dele até que retornei ao país em maio deste ano, coincidentemente, após dois fora do Brasil, período que embarquei numa viagem de auto conhecimento, num parênteses aberto em minha vida para viver em outros lugares, num tempo diferente do meu tempo em São Paulo. Brinco dizendo que foram dois anos da minha vida sem mim, onde pude me ver com distanciamento, deslocada do meu eixo, quase em outra dimensão. Cansada de tudo e buscando respostas embarquei no que alguns acharam loucura e outros, coragem. Fui criticada por deixar tudo e seguir rumo ao desconhecido e incerto, mas também fui invejada por conta da ousadia e desprendimento, são poucos os que aos quase 40 anos largariam tudo para fazer o que eu fiz, mas não me arrependo de nada e faria tudo de novo. Assim como para Elizabeth Gilbert foi um tempo para comer, engordei quase 4 quilos graças à culinária basca, quando cheguei na Espanha pesava cerca de 51 quilos, rezei pouco isso é verdade, mas visitei e fotografei muitas igrejas e o melhor de tudo: amei como nunca havia amado antes. Terminei de ler o livro esses dias e me identifiquei com muitas passagens e situações vividas pela autora, acredito que todo mundo deveria viajar sem rumo ou planejamento pelo menos uma vez na vida em busca do self ou para conhecer seus limites, saber o quanto é capaz de adaptar-se, ou não, para perceber que ninguém é uma ilha e que todos somos iguais em determinadas situações e apenas humanos independente da origem, educação, credo, cor ou classe social. Essa viagem pode ser empreendida aqui mesmo no Brasil, afinal o Brasil é tão extenso e diferente, nossa dimensão continental nos remete a vários Brasis, assim não há desculpa de não falar outra língua ou não conhecer os costumes das gentes, aqui mesmo a diversidade da linguagem e da região em que nos encontramos já nos garantirá uma desafiadora estada e um grande aprendizado. Viver um tempo em algum lugar que não o nosso, só quem já teve uma experiência assim sabe do que estou falando. Lendo sobre Elizabeth Gilbert soube que ela terminou novo livro “Comprometida” fruto de tudo que viveu a partir de sua estada em Bali, Indonésia, onde conheceu o seu atual marido, o brasileiro José Neves. Para uma mulher divorciada que havia prometido pra si mesma que nunca mais se casaria, ficou claro – como ela mesma menciona – que nunca devemos dizer “nunca”. Quanto a mim, aprendi que as experiências humanas são universais, que o que sinto ou penso aqui ou quando vivia em Orduña, são os mesmo sentimentos e pensamentos que outros têm em outros lugares do planeta, e é por isso que quero dividir minha experiência de viagem com quem queira. Uma viagem que começou a partir de anseios, questionamentos e uma vontade de engolir o mundo que me consumia e que com pouco dinheiro e uma grande dose de ousadia se tornaria realidade. A próxima viagem será a edição do livro Um bar chamado Samaná: Uma viagem para recordar, onde pretendo contar o que fazia uma brasileira num bar em estilo irlandês, com nome dominicano em pleno País Basco. Adianto que, ela tomava o melhor café da região enquanto lia os jornais, conversava com as pessoas e alimentava os sonhos, entre eles, o de escrever um livro onde as histórias daquela viagem entrelaçada com sua história de vida e de outras pessoas seriam ordenadas, ou não, para depois cair na rede ou ir para o papel. Mas isso ainda leva algum tempo, como tudo nessa vida. Eu que sempre fui muito independente, ou pensava ser, fui aprender durante essa estada fora que podemos ir além, aprendi que independência é poder ser “senhora do seu tempo” e “dona do seu próprio destino” e é comendo, rezando, amando ou fazendo qualquer outra coisa que se queira que chegamos a isso.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Turista.


Um dia alguém chegou,

olhou de longe, me observou.

Logo... tomou coragem e se aproximou.

Era você que chegou de mansinho, devagarzinho e me tocou.

Tocou tão fundo, que confesso, me encantou.

Ah... Você era tão diferente!

Tímido, calado, tranquilo. Me conquistou.

E eu, fiquei assim... apaixonada, sem eira nem beira, feito barata tonta.

E você? Seu Turista!

Como chegou me deixou.


(Meg, 06/05/85)

Poema retirado de um caderno de poesias feito na adolescência e esquecido por anos**

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Viajando de Trem.

Quando criança nossa casa estava localizada em frente à estação de trem do meu bairro, uma estação antiga de onde só saiam trens com vagões e bancos de madeira. Era mágico poder entrar naquele trem para visitar os parentes que viviam nas cidades vizinhas. Mas a alegria de entrar no trem, sentir o cheiro da madeira e ver a paisagem passando como um filme pela janela duraria pouco, por questões políticas e interesses econômicos, a estação seria desativada e não teríamos mais a facilidade de atravessar a rua e embarcar numa viagem para Guararema, Jacareí, Taubaté – cidades do Vale do Paraíba –, todos perdemos. A estação ficaria esquecida, abandonada por anos, servindo de local de manobra para barulhentos trens de carga, que só faziam atrapalhar nosso sono durante a madrugada, incomodando até hoje os moradores por conta do trânsito caótico que se forma próximo à passagem de nível, toda vez que longos trens de carga passam por lá ou param para manobras. A estação também serviu de escritório para uma empresa de cimento e hoje desconheço o seu uso. Seria maravilhoso se aquela construção fosse transformada num Centro de Memória do distrito de Cesar de Souza ou mesmo da RFFSA, antiga Central do Brasil. Sonhar ainda não paga impostos!

Tempos atrás lendo “Os pés alados de Mercúrio: Relatos de viagens à procura do self” de Luis Pellegrini, lembrei-me das minhas viagens de infância. Pellegrini menciona sua primeira viagem de trem sozinho, ainda muito jovem, seu pai o embarca num trem com destino a casa de parentes no interior de S.Paulo e numa mescla de medo e ansiedade ele segue viagem. Aquela viagem o mudaria para sempre, no trem ele conhece alguns jovens maiores que ele, que deveriam estar retornando do exército para casa e apesar da diferença de idade o recebem no grupo e o fazem participar da conversa, enquanto tomam cerveja e ele um refrigerante, passam a viagem contando suas histórias. Pellegrini atento escuta tudo com curiosidade. O autor diz que entrou naquele trem “menino” e saiu “homem”. Achei isso fantástico.

Por que estou contanto tudo isso mesmo? Verdade que me deu vontade, hoje organizando umas coisas em casa, livros, papéis e mais papéis, encontrei algo há muito esquecido. No meio de um caderno de poesias, encontrei um impresso do concurso de redação “Viajando de Trem” promovido pela RFFSA em São Paulo, de 1982, voltado para alunos do 1º. e 2º. Grau, para o qual enviei uma poesia representando a EEPG. Prof. Rubens Mercadante de Lima e recebi Menção Honrosa. Meu primeiro e único prêmio, ainda como precoce escritora (risos).

Muitas foram as situações que vivenciei num trem, quem me conhece sabe que eu não dirijo, não tenho carta, brinco dizendo que, malemal, dirijo carrinho de supermercado e por isso mesmo vou onde os meus pés me levam, e claro... uso e abuso de ônibus, trens e outros meios de transporte e foi viajando que vivi as situações mais inusitadas possíveis, conheci gente, fiz amigos, passei apuro e ri muito depois – de Mogi para S.Paulo, de Tiradentes para São João Del Rey, de Orduña para Bilbao ou Córdoba, da Bobadela para Lisboa ou de Lisboa para o Porto, de Barcelona para Milão –. Foi viajando num trem que sonhei chegar à Florença e fiquei em Perpignan, mas essa é outra história.

Aproveito para protestar contra a política brasileira, contra os políticos brasileiros que vivendo num país tão extenso, não têm preocupação com a construção e manutenção de uma malha ferroviária descente, que traga qualidade de vida e melhores condições de transporte à população brasileira. É vergonhoso o escancarado interesse pelas rodovias e tudo que está relacionado a ela e à produção petrolífera do país. Por que não investir em tecnologias mais limpas e menos poluentes? Por que não reduzir os custos, dando maior mobilidade e conforto para que o brasileiro possa conhecer seu país? Por que não optar por um meio de transporte mais rápido e seguro, que pode ligar o Brasil de norte a sul, leste a oeste? Por que não gerar novos postos de trabalho e alavancar de vez a locomotiva chamada Brasil? Por que acabar com itinerários como os que eu conheci quando criança, transformando antigas Estações de trem em depósitos de lixo, entregues ao vandalismo?

Essas são respostas que não temos. Quem sabe, com alguma sorte as próximas gerações sejam contempladas com o desenvolvimento do setor. Por hora nos resta a reflexão e uma atitude menos consumista e preconceituosa em relação aos velhos trens que ainda circulam nas cidades brasileiras. Não adianta comparar com o que há fora do país, há que exigir dos governantes melhorias para o setor, afinal é no Brasil que vivemos.

O trem
Vai andando,
Vai levando
Tanta gente,
Tantos sonhos,
Tantas vidas diferentes.
Vai seguindo,
Vai sumindo
Vai plantando novas idéias,
Novos amores,
Novas amizades e descobertas,
Vai seguindo deu destino.
Vai deixando outras coisas.
O trem
É como criança;
Segue levando esperanças
Para um mundo diferente.
Trem, assim te imagino,
Como um sonho que traz
Paz, esperanças e amor
Daqueles, que com você vão.

(Menção honrosa - 1982, concurso realizado pela RFFSA)


* Foto de Ricardo Koracsony, 2003.
** A estação de Cesar de Souza foi inaugurada em 1893, pela Central do Brasil, homenageando o engenheiro João Augusto César de Souza, chefe da 5a divisão da Central em 1890 e deu origem ao antigo bairro, hoje Distrito de César de Souza. O que sobrou da então estação ferroviária inaugurada em 1921 já foi até escritório de uma empresa de cimento, mas seria um lugar perfeito para um Centro de Memória do bairro ou da própria RFFSA (antiga Central do Brasil).

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