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Santa Anna das Cruzes de Mogy e Santa Emerenciana (Errata).


Há alguns anos o dia da padroeira da cidade tornou-se feriado municipal, mas muito antes disso, Santa Anna emprestaria seu nome a Huma Villa de Serra aSima que viria a ser conhecida posteriormente por Mogi das Cruzes. De acordo com texto do Foral de elevação de Mogi a vila, datado de 1º de setembro de 1611 o então povoado de Mogi Mirim se constituiria na vila nomeada Santa Anna das Cruzes de Mogy e é por esse motivo que no dia 26 de julho – dia de Santa Anna – os mogianos podem curtir o friozinho em casa ou havendo ponte e sol, fazer o que mais gostam: descer a serra.

Santa Ana ou Santana – do latim Anna, do hebraico Hannah – significa “graça”. Santa Ana descendia de Araão, casou-se com Joaquim da linhagem do rei Davi, tornaram-se pais de Maria e avós de Jesus. Anna em sua condição de mulher estéril foi agraciada com a maternidade aos 40 anos. A figura de Santana – fusão de título e nome – está diretamente ligada à família e a educação dos filhos, tanto é assim que em sua iconografia o mais comum é encontrar imagens onde ela aparece com Maria a sua esquerda, em seu colo ou não, segurando um livro aberto, a popular “Santana Mestra” ou de mãos dadas com Maria, conhecida por “Santana Guia”. O culto às divindades femininas remonta da antiguidade, desde os primórdios a fertilidade seja da terra ou da mulher foi fator importante e determinante para grupos e sociedades. O poder de gerar, alimentar e renovar-se está diretamente ligado ao feminino, sejam as divindades pagãs, seja na iconografia do catolicismo, seja a relação estabelecida com a agricultura e a fecundidade da terra. O culto a Santana já existente no oriente surgirá no ocidente no século VIII, já no século X é celebrado em Nápoles, Itália, a festa da concepção de Santana, que em seguida se estenderia para outras partes da Europa. Sem origem nas sagradas escrituras, o culto a Santana é de origem popular, ligado a terra, tendo sido apropriado pelo catolicismo, chegando ao Brasil pela mão de colonizadores católicos.

Houve um tempo em que a iconografia dos santos me interessava bastante. Fruto da educação católica e do meu interesse pelas artes, observar os santos e santas era uma forma de também aprender história e, ao longo dessas minhas andanças pelo país, visitando igrejas e museus muitas foram as “Santanas” que encontrei.

Acabei equivocando-me em parte deste texto quando o publiquei no último dia 24, mas ao consultar o amigo Juan Carvalho (com quem dividi o sonho de implantar um serviço educativo no MIC de Mogi das Cruzes, há alguns anos atrás), tive a dúvida esclarecida e compartilho com meus leitores a informação correta. A imagem existente no acervo do MIC trata-se Santa Emerenciana, mãe de Santana, avó de Maria e bisavó de Jesus, na foto, segundo o amigo Juan “(...) A imagem a qual você se refere não é a tradicional Santana, mas sim, Santa Emerenciana, a bisavó de Jesus.. Não me lembro direito qual o lado ao certo, mas essa santa Emerenciana segura no braço direito a filha Santana, e no esquerdo a neta, Maria, que segura seu filho Jesus, que foi perdido com o tempo (...) Eu escrevi sobre essa imagem no meu TCC da graduação em artes, onde eu explicava melhor essa questão. Existe, que eu saiba, uma outra Emerenciana na igreja da Ordem Terceira do Carmo do Rio de Janeiro, aquela igreja ao lado da capela imperial, mas em tamanho menor”.
Quanto a outra imagem, não há dúvida alguma, pois em uma de minhas visitas ao Museo de Bellas Artes de Bilbao, adquiri o guia do acervo do museu e de lá tirei as informações para este artigo, além do que o comentário do amigo Juan veio para confirmar minha afirmação.

“A santa em estilo gótico alemão mostra sim ser Santana, porque em seus braços ela carrega um menino e Maria que, pelo que me parece carrega um livro, que é o símbolo da educação recebida da mãe”.
Mantendo as informações anteriores no que diz respeito à produção das peças, ambas foram feitas em madeira policromada e em tamanho grande, mostrando a força da mulher e do feminino nas antigas sociedades, seja na estatuária de Santana, seja na de sua mãe, Santa Emerenciana. Cada uma das imagens apesar de ter a mesma composição estética, são produções de períodos e lugares diferentes, e isso fica claro se observarmos as características físicas, roupas e acessórios com as quais foram representadas. A primeira pertence ao MIC - Museu de Arte Sacra das Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes e a outra ao Museo de Bellas Artes de Bilbao. Sobre a Santa Emerenciana que fotografei no MIC, ninguém melhor que o Juan Carvalho para contar um pouco dessa história, e foi o que ele fez ao enviar-me as informações que transcrevi anteriormente, já a Santana do MBAB, trata-se de produção do ateliê do alemão Michel Ehart (c. 1485-90) com 151 x 43 x 30 cm, possuindo uma postura austera e rígida, como imaginamos ser o caráter do povo alemão. As roupas também refletem os usos e costumes alemães, como o toucado na cabeça da santa – parte do vestuário da mulher casada da Alemanha no final do século XV –.

Mesmo sabendo, agora, que as imagens são de santas distintas, ainda assim, é possível perceber as similitudes entre as duas e estabelecer diálogos entre elas, pois a mensagem principal da Mãe Ancestral, no caso da Santana, tem raiz na educação recebida por ela da mãe Emerenciana. A educação passada de geração para geração, reforçando a idéia da mulher como a educadora e a guia que conduz a família.

Aproveito para agredecer aqui a importante colaboração do amigo Juan Carvalho.



Para conhecer um pouco mais da imaginária brasileira em especial a iconografia de Santana no Brasil, visite: Santanas “Coleção Angela Gutierrez”
http://www.santanas.com.br/geral.asp

Para Saber mais sobre a Santa Emerenciana de Mogi das Cruzes, entre em contato com Juan Cezar de Carvalho Borges, cujo TCC teve como objeto de pesquisa e ponto de partida a imagem de Santa Emerenciana pertencente ao acervo do Museu das Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes – MIC.

Ver também:
- Santa Anna das Cruzes de Mogy, de Jurandyr F. Campos e Tunico de Paula.
- Guia do Museu de Bellas Artes de Bilbao.

Comentários

  1. Muy interesante este agregado; es cierto que la imaginería religiosa tiene una simbología bastante complicada y que sintetiza el momento histórico vivido. Quizá hubiera sido, para mí, una visita más rica haber ido contigo al Bode Museum de Berlín, lugar donde hay una increíble colección de estatuas religiosas de varias partes de Europa, sobre todo Italia y Francia. Por otro lado, la escuela cuzqueña sincretizó discretamente el culto a los cerros (apus) a través de las vírgenes pintadas en dicha escuelas en las cuales se veían reflejadas las montañas andinas.
    http://www.google.com.pe/imgres?imgurl=http://3.bp.blogspot.com/_IsWzLg-d-ak/SjBCnnCWGNI/AAAAAAAAABc/MLPA_cg1zX4/s400/Cuzque%C3%B1a2.jpg&imgrefurl=http://fabrizzio2c.blogspot.com/2009/06/arte-de-la-escuela-cozquena.html&usg=__slhg30Wj2GLFn8CGU2NSMKaUNmI=&h=400&w=292&sz=39&hl=es&start=0&tbnid=SwMbvqESLL3cEM:&tbnh=120&tbnw=87&prev=/images%3Fq%3Descuela%2Bcuzque%25C3%25B1a%26um%3D1%26hl%3Des%26sa%3DX%26biw%3D1004%26bih%3D568%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=114&vpy=210&dur=1172&hovh=263&hovw=192&tx=107&ty=133&ei=faddTMe5EcKC8gad--y0DQ&oei=faddTMe5EcKC8gad--y0DQ&esq=1&page=1&ndsp=21&ved=1t:429,r:7,s:0

    Un fuerte abrazo

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  2. muito legal a sua explicação, aqui no Rio de Janeiro existe outra igreja com a imagem de Santa Emerenciana, a Igreja da Ressurreição em Copacabana, vale a pena ir lá dá uma olhada, bem como em todas as imagens que lá têm

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