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O Amor e uma Cabana.

Sempre ouvi essa frase por aí, gente que almeja um amor e uma cabana e crê que só isso lhes basta. Será? Tenho minhas dúvidas. Os românticos são tipos sofredores, em especial os apaixonados. As paixões nos exaltam, nos desequilibram, subimos alto para logo cair vertiginosamente. A paixão nos dá uma sensação de leveza, de que podemos tudo para em seguida nos deixar em pedaços. A paixão – do latim patior significa sofrer, suportar algo difícil – seja por um homem ou mulher, seja pelo time de futebol, seja pelo que seja a paixão é sinônimo de exagero e sofrimento. Eu só me dei conta depois de sofrer inúmeras vezes, além disso, participando de um bate-papo com o historiador Nicolau Sevcenko, escutei algo a certa altura que fez refletir, usando como exemplo a "paixão de Cristo" e a legendária história de "Tristão e Isolda", Sevcencko conseguiu de maneira simples esclarecer a diferença entre paixão e amor. Como disse, me apaixonei e sofri muitas vezes, hoje sei que o amor é muito mais sereno e equilibrado, além disso, quem ama não adoece e não me refiro ao livro do cardiologista Marco Aurélio D. Silva, apesar dele tratar da relação entre o amor e as doenças, me refiro ao estado que o amor em suas mais variadas formas pode nos deixar, o importante é estar pronto, receptivo e predisposto a amar, independente do “outro”. Já o romantismo, não sei até que ponto é bom ou não para relação a dois. Invenção do Homem moderno da Europa no final do XVIII, o romantismo teve especial importância na unificação da atual Alemanha, onde surgiria o movimento literário conhecido por Sturm und Drang – tempestade e ímpeto – quem nunca leu ou ouviu falar das cartas do jovem Werther, relatos da sua paixão por Charlotte, da obra “Os sofrimentos do jovem Werther” de Goethe. Deixando de lado as artes, passando para a vida cotidiana, o romantismo tomou conta do ocidente e a apropriação popular do amor romântico peculiar do gênero romance veio dar cor e dor aos corações mais sonhadores e idealistas. Ainda hoje, passado anos da minha tentativa de cursar Direito lembro-me bem de um texto intitulado “A razão sábia e a paixão louca” que discutimos em alguma disciplina e que explica muito do que vemos todos os dias na tv, nos jornais e na Internet, todos esses crimes movidos pela passionalidade. Mas voltando ao amor... Ah! O Amor, esse sim merece um lugar especial em nossas vidas e agora que eu o conheci, não quero mais deixá-lo partir, verdade que eu sempre parti e continuo partindo, mas agora sei que posso levá-lo comigo para onde eu for. Nunca é tarde para nada, pensei que conheceria somente o amor paterno, o fraternal, já que não tive filhos e até alguns anos atrás não havia experimentado o “amor” de um homem, foi preciso viajar quilômetros, falar outra língua, me afastar de tudo e de todos para descobrir que também sou capaz de amar. Mas a descoberta maior foi a de que posso sim ser feliz com esse amor, mesmo estando longe, porque minha felicidade depende de um conjunto de coisas, não somente do "amor e uma cabana", mesmo que essa cabana tenha quase 60 janelas... risos. O amor que experimentei é tranquilo, equilibrado, não é possessivo e ciumento “quando estive com ele estive nos braços da paz” como na música de Dominguinhos e Nando Cordel. Com ele aprendi que o amor depende de cada um de nós, que amamos as pessoas de maneiras diferentes, não tem como amar mais ou menos, pois ninguém é igual, além disso, a vida sempre nos impõe escolhas, eu, por exemplo: escolhi retornar ao Brasil porque necessitava outras coisas que também amo e que aqui deixei, meus pais, amigos, meus projetos. A rotina pode ofuscar o amor, roubando-lhe o brilho, transformando a relação em sofrimento. Confesso sem pesar que não derrubei lágrima alguma ao despedir-me dele no aeroporto, parti feliz. Parti com a certeza de que ele me deu o maior dos presentes que eu poderia ter recebido de alguém, pois com ele aprendi a lição de como “amar e ser amada” e hoje sei que Vinicius foi só razão quando escreveu os versos do seu Soneto de Fidelidade e eu, finalmente “posso dizer do amor que tive, que não é imortal posto que chama, mas que será infinito enquanto dure”.


Eu recomendo:

Os sentidos da Paixão, organizado por Adauto Novaes. Cia das Letras
A Paixão no banco dos réus de Luiza Nagib Eluf. Editora Saraiva.
Quem ama não adoece de Marco Aurélio Dias da Silva. Best Seller.
Médico de homens e de alma de Taylor Caldwell. Record.
Para viver um grande amor de Vinicius de Moraes. Cia das Letras.

Comentários

  1. Ongi Etorri Marguerite.....Duras?

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  2. Amiga Meg

    Hace tiempo que no se de ti, aunque los que le leemos a través de tus líneas nos enteramos de lo que vas sintiendo día a día y como la vida te va llenando y tú de ella.
    Te mando un gran abrazo y un saludo desde esta helada tierra por estos días...

    Renato

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