terça-feira, 8 de junho de 2010

Celebrando a diversidade.

Parada Gay de São Paulo 2010 (foto by_Meg Mamede)


Meu primeiro fim de semana em São Paulo foi uma overdose de informação. Na realidade um choque! O retorno a megalópole paulista foi um retorno ao caos se comparado aos quase dois anos que vivi em um pueblo vizcayno com cerca de 4.500 mil habitantes, onde o som mais alto que se ouvia era dos pássaros no jardim, alternando-se com algum trator, caminhão de gás ou as campanadas da igreja. Onde as ruas nada tinham de semelhante com o enlouquecedor trânsito da Terra da Garoa. E por falar em garoa, tínhamos lá o que chamam de sirimiri que me recordava o sereno típico de São Paulo. Mas, não estou reclamando não, estou feliz por estar de volta, rever a família, os amigos, os sabores e cores desse país colorido e diverso. E falando em diversidade, no domingo resolvi ir à Livraria Cultura do Conjunto Nacional - lá na Paulista - e era o dia da diversidade, o dia da maior Parada Gay do mundo. Eu estive lá, no meio da multidão. Poucos metros separam o metrô Consolação do Conjunto Nacional, contudo chegar ao Café Viena da livraria custou um pouco, afinal, enquanto o povo seguia em direção oposta atrás de algum dos 15 trios elétricos que animaram a festa, nós seguíamos em direção contrária. Já no Café da livraria nos sentimos aliviadas e protegidas do alvoroço que se formava lá fora, entre música eletrônica, sol, bebedeira e outras cositas mas o público da Parada do Orgulho GLBT caiu na folia e deu seu recado, afinal homofobia ou qualquer outro tipo de preconceito é out, demodê, eu diria pouco inteligente, porém, há outros aspectos que independentemente da nossa formação, educação ou berço, como queiram chamar, é chocante sim. Uma coisa é levantar a bandeira da liberdade de escolha, usar a parada para conscientizar as pessoas sobre questões da cidadania, outra coisa é converter a festa em um espetáculo dantesco, literalmente a visão do inferno. Em determinado momento a alegria e entusiasmo da festa deu lugar à bizarrice, ao grotesco, à bebedeira, pancadaria, vandalismo e destruição do patrimônio alheio. Não posso, nem quero ser hipócrita, confesso que há sim choque de geração, entre a minha e as mais jovens, não conseguiria estar lá mais do que os minutos que gastei para chegar do metrô ao Conjunto Nacional, me senti chocada com algumas cenas e hoje mais do que nunca sei que escolhi bem não ter filhos. Uma coisa é orientação sexual guiada pelos desejos do corpo e do coração, usando o bom senso, afinal, para que serve o livre arbítrio? Outra coisa é querer chocar, rebelar-se com comportamentos estimulados por modismos - beijos televisimos de divas andrógenas e pop stars -, adolescentes que mal conseguem interpretar um texto ou compreender o enunciado de uma prova, desesperados por provar tudo como se o mundo fosse realmente acabar em 2012. Pronto falei, tô chocada! Para sala de aula não volto mais, não sou capaz de compreender ou me fazer compreender. Definitivamente esse não é o meu mundo. Apoio sim as causas que buscam a liberdade e que sejam verdadeiras, que celebrem a diversidade de maneira saudável e com muito respeito ao "outro".

Viva diferença! Abaixo a baixaria!

4 comentários:

  1. Estou contigo:
    Viva a diferença! Abaixo a baixaria!
    Mas calma...vc chegou ao Brasil!!!! E esse choque cultural é inevitável. Felizmente, você vai se surpreender com os avances de Brasil, com o crescimento economico e até em nível cultural. Você verá um Brasil diferente de qdo partiu e se orgulhará. Contudo.....Infelizmente, você vai ver que em muitos aspectos o Brasil continua o mesmo, que a educação do povo deixa muito que desejar e que, "desgraciadamente", está longe de mudar. Dentro das mudanças positivas, o que "dói" é ver pessoas tão desinteressadas em desenvolver-se.
    Mas faz parte. E quem viveu na europa, ou em qualquer parte do mundo mais desenvolvido, qdo volta se torna mais crítico e exigente.
    Saudades!!!!!

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  2. Gira e rigira ed eccomi qui. Ti auguro una buona serata.

    http://remenberphoto.blogspot.com/

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  3. Oi Roberta, a chegada é sempre recomeço, mas como na música da Maria Rita, o lugar da partida e o mesmo da chegada e vice-versa.

    Dual, volte sempre.. Tanti Auguri tutti noi! Grazie!

    Rogério,
    Obrigada amigo, espero conhece-lo em breve!

    Emília,
    Amiga, vc me salvou a vida... eu só não te dei um beijo porque, bem você sabe...rs. Obrigada pela amizade e carinho.

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