quinta-feira, 13 de maio de 2010

Cristóbal Balenciaga no Museo de Bellas Artes de Bilbao.

Cristóbal Balenciaga em "El diseño del Límite" no Museo de Bellas Artes de Bilbao.

Próximo do dia internacional dos museus – 18 de maio – andei refletindo sobre a resignificação e apropriação dos museus nos dias atuais. Acabei de ver no Museu de Belas Artes de Bilbao, entre arte sacra, pinturas, esculturas e retrospectiva fotográfica de Alberto Shommer (1952-2009), a exposição intitulada “El diseño del límite” nada mais nada menos que 35 peças de alta costura de Cristóbal Balenciaga (1895-1972) supensas no ar, algumas delas circundadas por um fino fio de luz, outras em vitrines ovaladas que lembram filmes futuristas, sem manequins ou outro tipo de sustentação as roupas têm vida própria e cobram protagonismo pelos corredores e espaços que ocupam, num projeto museográfico que contempla a beleza das formas e cores. Balenciaga nasceu em Getaria / Gipuzkoa, nome basco reverenciado no mundo da moda, representando muito bem sua terra natal. Começou bastante cedo, filho de pai pescador e mãe costureira, com somente 13 anos copiou um vestido da marquesa de Casa Torres, que se tornaria sua mecena enviando-o à Paris para formar-se em alta costura. Em 1913 abriu seu próprio atêlie em San Sebastian, em seguida Barcelona e Madri, para em 1937 entrar de vez no cenário internacional da moda abrindo sua casa de alta costura no número 10 da avenida George V em Paris. Lendo comentários e notícias sobre a exposição deparei com artigo interessante do jornal Deia, publicação de Bilbao, do qual destaco o seguinte trecho: “Cuando en 1973 el Metropolitan de Nueva York mostró la retrospectiva El mundo de Balenciaga, muchos se llevaron las manos a la cabeza porque la moda había llegado a los museos. El mismo museo celebró en 1983 la polémica exposición Yves Saint Laurent y más adelante las muestras dedicadas a Versace y Dior. Hoy en día la mayoría de los gurús de la moda, como YSL, Balenciaga, Pertegaz, Prada y Armani, han tenido su retrospectiva. En el Guggenheim Bilbao, 400 diseños del modisto italiano Giorgio Armani compartieron techo en 2001 con las obras de Richard Serra, Robert Morris, Richard Long y Kandinsky. Y es que si el cine es el séptimo arte, para muchos la moda es el octavo, una faceta más de la cultura y el arte contemporáneo” (…). A moda como arte e, por que não nos museus? Verdade seja dita, os objetos têm e fazem história, assim como seus criadores, sejam eles artesãos, pintores, escultores, fotográfos e costureiros ou estilistas de moda, Balenciaga por exemplo era reconhecido pela beleza geométrica dos cortes e por seu conhecimento dos tecidos e harmonia cromática – isso me lembrou as aulas de cubismo e fauvismo, onde as formas e cores são os principais elementos na composição estética –. O artista Balenciaga era chamado de “o arquiteto da alta costura” e segundo os organizadores da exposição liberou o corpo de mulher das ataduras da velha moda, elevando a alta costura à categoria de arte. Chanel o respeitava, enquanto Dior professava sua grande admiração, entre as clientes mais fiéis e habituais figuravam as atrizes Marlene Dietrich e Ingrid Bergman. O homem hermético, reservado e grande artista Balenciaga inspiraria nomes como: Hubert de Givenchy, Oscar de la Renta e Emanuel Ungaro, estrelas da moda responsáveis por vestir as estrelas da 7ª Arte. No mundo contemporâneo há espaço para tudo e para todos, inclusive nos museus, para mim os fins justificam os meios, afinal muitos museus sofrem com a falta de visitas, com uma exposição diferenciada é possível atrair visitantes distintos do habitual, aumentando a frequência e diversificando o público, dessa maneira é possível também desempenhar seu papel por excelência e que por definição segundo o ICOM é o de “uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberto ao público, e que adquire, conserva, estuda, comunica e expõe testemunhos materiais do homem e do seu meio ambiente, tendo em vista o estudo, a educação e a fruição”, assim a resignificação dos museus e a apropriação dos seus espaços, seja pelo artista/objeto, seja pelo público é o que legitima a existência dessas instiuições, garantindo a preservação da memória e história de um determinado grupo e/ou sociedade, bem como, o incentivo e manutenção do ócio cultural.

A exposição “El diseño del límite” de Cristóbal Balenciaga poderá ser vista no Museo de Bellas Artes de Bilbao de 10/5 à 26/9/2010. Vale a pena ver.

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