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Um livro, um amigo.

Cartaz para o dia do livro 2007 criação de Esther Carreras
Quantas foram as vezes que ele me fez companhia me levando para lugares distantes sem que eu saísse do lugar ou que foi comigo para algum lugar que o levei. Não me lembro qual foi meu primeiro livro, creio que tenha sido um livro que o tio Miguel me deu de presente quando eu era criança, uma encadernação bonita com histórias infantis. Depois vieram os livros do pré-primário, seguido das leituras obrigatórias do ginásio, mas o melhor de tudo foi a fascinante descoberta da biblioteca da escola e a liberdade de escolher. Que lugar mágico era aquele e quase sempre eu lia o que não me correspondia, títulos dos quais tenho vaga memória, que se misturam na minha cabeça e às vezes saltam um trecho, uma frase, uma personagem. Lembro-me das noites que não dormi com medo de que algum alienígena invadisse o planeta, acabara de ler O terror Rithiano de Damon Knigth, sempre me atraiu leituras fantásticas e escritores como Edgar Alan Poe, Steve King, títulos como Os quatro cavaleiros do apocalipse de Vicente Blasco Ibáñez, A erva do Diabo de Carlos Castaneda, passando pela avó do CSI, popular no Brasil na década de 80 Ágatha Christie embalou muitas das minhas noites. Há livros que nunca esquecemos, amei ler Memórias de um fusca e Memórias de um Cabo de Vassoura de Orígenes Lessa, sofri com Pollyanna e Pollyanna Moça de Eleanor H. Porter, ri muito com Antoninho Fincapé e seu defunto de Rogério C. de Cerqueira Leite, me apaixonei pela poesia, comecei a escrever em companhia das coleções Para gostar de ler e Vaga-lume ambas da editora Ática, nunca me esqueci de Tistu de O menino do dedo verde de Maurice Druon e enrubesci com Decameron de Boccaccio, leitura proibida que li às escondidas e precocemente. Autores como Clarice Lispector, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, José de Alencar, Eça de Queirós, Pablo Neruda, Camões, Fernando Pessoa, Erico Veríssimo, Lima Barreto e muitos outros estiveram comigo e não poderia deixar de citar Anne e Serge Golon que certamente são responsáveis pelo meu interesse por história e relatos de viagem. Sei que no mundo hi-tech em que vivemos os livros impressos têm sido tema para inúmeras discussões, seja do ponto de vista da ecologia, seja do ponto de vista tecnológico ou econômico, mas meu saudosismo não me deixa mentir, nada como poder levar nosso amigo para qualquer parte, sentir suas páginas sob os dedos, o cheiro de um livro novo, as histórias todas de um livro velho, estar rodeada deles e poder relembrar cada história ao observá-los ou folheá-los. Estando longe de casa, do país, quando quero me sentir em São Paulo, não tenho dúvida, entro em uma livraria e entre um livro e outro, um café ou lendo algum trecho sentada num banco qualquer me sinto como se estivesse na minha cidade, há coisas que não mudam, os sentimentos são os mesmos, não importa se estou em Lisboa, Bilbao ou no Porto, as sensações se repetem, tenho que me conter para não levar tudo que gostaria, ademais de lê-los, gosto de vê-los, de tê-los à mão e senti-los e creio que eu não sou a única. Considero os livros como grandes amigos, amigos que não me pedem nada, me contam coisas, me fazem chorar, rir e ver a vida sob outro ângulo, melhor ainda, sob vários ângulos, por isso no Dia Internacional do Livro não poderia deixar de lembrá-los. E por falar em homenagens, acabo de saborear um Rioja oferecido pelo Bar Samaná, oferta para todos que comprem um livro aqui em Orduña durante este fim de semana incentivando o comércio e a cultural local.

Amigo livro, brindamos por ti. Osasun!

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