domingo, 25 de abril de 2010

Pra não dizer que não falei das flores.

Abril, primavera na Europa. Época das flores, do verde e da esperança. Esperança de mudança para portugueses que em 25 de abril de 1974 testemunharam a derrubada do então regime político ditatorial que se estendia desde 1926. O levante militar daquele dia de abril não encontrou grande resistência das forças leais ao governo, que cederam perante o movimento popular que logo teria o apoio dos militares. Este dia passou para história portuguesa como “25 de Abril” ou “Revolução dos Cravos”. Conduzido por oficiais intermediários na hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Num gesto eternizado, um cravo vermelho em uma espingarda simbolizaria o fim de um período nefasto para portugueses e para as ex-colônias portuguesas na África. A florista que entregou o cravo vermelho aos soldados bem poderia ter se inspirado em Tistou de Tistou les pouces verts, livro de Maurice Druon escrito em 1957 cujo enredo trata entre outras coisas da relação de amizade entre o pequeno Tistou, menino rico, e o jardineiro da casa Sr. Bigode, que descobre o dom especial do “menino do dedo verde” que ao tocar algo faz com que nasçam flores, convertendo a fábrica de canhões do pai em uma fábrica de flores, mudando o nome da cidade de Mirapólvora para Miraflores. Verdade é que a vontade de paz é universal, assim como a tirania do Homem. Seria maravilhoso se houvesse muitos mais Tistous e floristas como a portuguesa do 25 de Abril, empunhando flores, transformando o mundo bélico em que vivemos em eterna primavera.

2 comentários:

  1. Agora você me comoveu.
    Tenho um filho que desde bebê, é mal humorado, desligado das coisas e assim até que no teatro, assistindo ao "Menino do Dedo Verde" _ ele chorou de emoção.
    Foi uma revelação.
    Como as coisas que você coloca na postagem.

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  2. Oi Bábarba,
    Que bonito isso que acaba de contar, verdade que as vezes as nos supreendemos com as pessoas e suas demonstraçoes de sensibiliade, essas que afloram de onde e quando menos esperamos. Eu nunca esqueci do Menino do Dedo Verde, foi presente de uma professora quando eu tinha uns 11 ou 12 anos, metáfora que naquela época nao compreendia, a guerra mais próxima foi a das Malvinas e apesar do largo período da Guerra Fria, creio que me voltei para o mundo que criei e ali permaneci alguns anos, tendo os livros e a poesia por companheiros... um pouco alienaçao talvez, mas uma alienaçao cheia de cores e vida.
    Bjs e obrigada pela visita.

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