quarta-feira, 10 de março de 2010

Gernika-Lumo e Pablo Picasso.



(…) Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” (Amyr Klink).


Enquanto a conselheira de cultura basca Blanca Urgell, afirma que a transferência de Guernica de Pablo Picasso, atualmemente em exposição permanente no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia – Madrid – para Euskadi não se trata de prioridade, já que há coisas a serem resolvidas antes disso, as campanhas nacionalistas e a vontade de ter aqui obra tão representativa da história basca, prevalece. Urgell lembra com sensatez, que antes de mais nada a obra de Picasso é "un símbolo universal contra la guerra, un símbolo de todos". Há quase dois anos vivendo na Espanha, ainda não estive em Madrid, porém tenho claro que antes de regressar à casa irei em um fim de semana para desfrutar do chamado Paseo del Prado, onde três grandes instituições museais fazem a alegria dos amantes da história, estudantes, pesquisadores, artistas e turistas, me refiro ao Museo del Prado, Museo de arte Thyssen-Bornemisza e o Museo Reina Sofía, aproveitando, seguirei em trem para cidade medieval de Sigüenza a 17km de Madrid. Ainda sobre a obra do artista malaguenho, enquanto museus como Guggenheim de Bilbao, Museo del Ejercito em Toledo, pleitearam em alguma ocasião ter a obra em seu acervo, cada um por razões distintas, e não tiveram sucesso, o Brasil, específicamente São Paulo na sua 2ª. Bienal de Arte, teve a honra de acollher e expor no ano de 1953 essa obra maestra de Picasso. Neste fim de semana irei juntamente com as amigas Ilze (Letônia), Sandra (França) e Laura (Galícia) para a cidade de Gernika-Lumo, ou simplesmente Guernica, localidade basca que pereceu com o bombardeio alemão autorizado por Franco em abril de 1937 durante a guerra civil espanhola, servindo de motivação para o painel de 350 x 782cm pintado por Picasso para Exposição Internacional de Paris do mesmo ano. Em Gernika-Lumo se encontra, entre outros monumentos históricos o Museo de la Paz que tem o bombardeio da cidade como tema central em sua exposição permantente, além das exposições temporárias que trasitam entre conflito e paz, contando também com serviço educativo e um centro de documentação e memória. Assim como Hiroshima no Japão, Guernica superado o episódio e reconstruída, cumpri um papel importante na sociedade bélica em que vivemos, contando sua história através dos seus respectivos museus e monumentos pela paz. Não perderei a oportunidade de ir, ver e contemplar o trabalho de Picasso, assim, da próxima vez que eu utilizar Guernica como fonte em uma aula de história, terá outro significado, simplesmente porque tive a oportunidade de conhecer Gernika-Lumo, de estar no Museo Reina Sofia e ver de perto a famosa Guernica “com esses mesmo olhos que a terra há de comer um dia ou quem sabe o fogo consumir”.

A seguir um vídeo com a obra Guernica em 3D, trabalho da norte americana Lena Giseke.


video

2 comentários:

  1. Bem, a caminho de San Sebástian passei por Guernica. Dentro do ônibus meus olhos ávidos por um monumento significativo brilhavam ainda que tristes na emoção de estar dentro da cidade que inspirou a obra de Picasso. Guernica, pelo que pude perceber, é um típico pueblo basco, mas nos poucos instantes em que estive ali não pude deixar de reviver toda uma tragédia que só participei enquanto espectadora de um mundo caótico como o nosso. A revivi em minha mente, tentando imaginar horrores que não deveria tentar, confesso que me arrepiei. Estava tudo na minha mente, mas estava lá. Antes de passar por Guernica estive em Madrid diante da enorme obra do grande mestre (o melhor na minha opinião entre os artistas "surreais") e não consegui sentir a mesma emoção. A emoção maior foi saber que aquela era uma obra do gênio da pintura, mas nada pôde tirar a sensação de estar no local do ocorrido nos tempos de Franco.

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  2. Pois é D, passei por lá uma vez com Joseba e as meninas, mas estávamos tao cansados que nao páramos. Amanha irei com Ilze que você conheceu e outras amigas, apesar da chuva e frio previstos para o dia tentarei fazer algumas fotos para recordaçao. E quanto ao que você disse, das sensaçoes e pensamentos que nos tomam quando estamos em algum lugar com episódios tao marcantes da história, ñ é todo mundo que é capaz de sentir assim, transportar-se no tempo e espaço, eu diria que trata-se de uma sensibilidade que faz a diferença. Logo estarei em Sampa e nos veremos de novo. Bjs.

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