terça-feira, 23 de março de 2010

Encontros e despedidas.

Hoje visitando alguns blogs encontrei novamente a Talita, uma “borboleta viajante” que com sensibilidade aguçada vai longe. Lendo a letra da canção postada por ela, composição do Milton Nascimento e Fernando Brant, na doce voz da Maria Rita, parei para pensar nos encontros e despedidas que eu ainda terei. Os amigos que fiz, os que deixei, os que reencontrei - como a própria Talita, uma intrépida e corajosa viajante que conheci em Paraty, depois reencontrei em S. Paulo e por último na cidade do Porto em Portugal, onde gentilmente me recebeu meses antes de ir para Luanda, Angola - além dos amigos, tem o amor interrompido, num intervalo doído e necessário. Ouvindo a música penso no momento que se aproxima, já estou em pedaços, partida. Uma parte minha quer ir e a outra quer ficar, numa dualidade que me mata. “É a vida”.

“São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida...”


quarta-feira, 17 de março de 2010

A rainha do palácio de ar: Millennium chega ao final.

Com “La reina en el palacio de las corrientes de aire" ou "A rainha do palácio de ar" título no Brasil – último livro da trilogia de Stieg Larsson – a saga chega ao fim. Quiçá esse gostinho de quero mais seja o segredo deste sucesso editorial. Esperava ansiosa para ver o último filme da trilogia Millennium, baseado na novela negra escrita por Larsson, não me decepcionei. Mais uma vez Lizbeth Salander e Mikael Blomkvist, interpretados por Noomi Rapace e Michael Nyqvist me fizeram vibrar, num misto de sentimentos: impotência, raiva e justiça. E por falar em justiça, não acredito que um remake americano obtenha melhores resultados que os alcançados pela equipe de profissionais suecos envolvidos na produção da trilogia Millennium, sou partidária do “dai a César o que é de César”. Com esse trabalho, Larsson e Daniel Alfredson – diretor do filme e equipe – devolvem à Suécia a projeção dos tempos do diretor de cinema Ingmar Bergman (“O sétimo selo” e “Morangos Silvestres” entre outros) colocando-a em evidência e, novamente nos roteiro de viagem como destino da moda. O filme não poderia ser diferente, apesar do ritmo mais lento em relação aos dois filmes que o antecedem, a ação concentra-se no desfecho da trama, não há cenas inverossímeis do cinema “arrasa-quarteirão”, a ação se desenrola no sentido de amarrar as pontas, dando respostas às questões que ficaram em aberto no segundo filme, como disse no post anterior, nossa heroína havia baixado ao inferno. Verdade que à Lisbeth Salander lhes concedem uma capacidade acima da média, uma força quase improvável para uma mulher tão mignon, mas sua força não está no físico, vêm da capacidade de refazer-se, das habilidades na investigação e conhecimentos informáticos. Para mim, o que realmente move a personagem é a vontade de justiça. Ou... seria vingança? Não é para menos que seja ela a heroína da história e com Mikael Blomkvist carregue a responsabilidade de agradar ou não ao espectador (ou leitor), assim é, além dos ditos experts em cinema, todo mundo tem um crítico dentro de si e não é possível agradar a todos. Não tenho intenção de esmiuçar o filme aqui, na realidade veja ou leia os livros e tire suas próprias conclusões. O sucesso de vendas de Millennium com tradução em cerca de 40 países e vendas na casa dos milhões, fez com que os livros de Stieg Larsson entrassem para o rol dos best-sellers e com isso outros autores de origem nórdica e à luz do fenômeno Larsson, ganharam espaço e destaque. Todos por sua vez, um pouco herdeiros da novela negra do casal, também suecos, Sjowall e Wahloo que na década de 70 criaram tramas policiais com elementos psicológicos e detalhadas investigações. Para os apreciadores do chamado romance negro e do cinema Noir, vale a pena ver os lançamentos e produções oriundos dos países nórdicos, com certeza haverá outros autores com seus vilões e heróis para preencher a lacuna deixada com a morte prematura de Stieg Larsson. Confira!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Gernika-Lumo e Pablo Picasso.



(…) Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” (Amyr Klink).


Enquanto a conselheira de cultura basca Blanca Urgell, afirma que a transferência de Guernica de Pablo Picasso, atualmemente em exposição permanente no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia – Madrid – para Euskadi não se trata de prioridade, já que há coisas a serem resolvidas antes disso, as campanhas nacionalistas e a vontade de ter aqui obra tão representativa da história basca, prevalece. Urgell lembra com sensatez, que antes de mais nada a obra de Picasso é "un símbolo universal contra la guerra, un símbolo de todos". Há quase dois anos vivendo na Espanha, ainda não estive em Madrid, porém tenho claro que antes de regressar à casa irei em um fim de semana para desfrutar do chamado Paseo del Prado, onde três grandes instituições museais fazem a alegria dos amantes da história, estudantes, pesquisadores, artistas e turistas, me refiro ao Museo del Prado, Museo de arte Thyssen-Bornemisza e o Museo Reina Sofía, aproveitando, seguirei em trem para cidade medieval de Sigüenza a 17km de Madrid. Ainda sobre a obra do artista malaguenho, enquanto museus como Guggenheim de Bilbao, Museo del Ejercito em Toledo, pleitearam em alguma ocasião ter a obra em seu acervo, cada um por razões distintas, e não tiveram sucesso, o Brasil, específicamente São Paulo na sua 2ª. Bienal de Arte, teve a honra de acollher e expor no ano de 1953 essa obra maestra de Picasso. Neste fim de semana irei juntamente com as amigas Ilze (Letônia), Sandra (França) e Laura (Galícia) para a cidade de Gernika-Lumo, ou simplesmente Guernica, localidade basca que pereceu com o bombardeio alemão autorizado por Franco em abril de 1937 durante a guerra civil espanhola, servindo de motivação para o painel de 350 x 782cm pintado por Picasso para Exposição Internacional de Paris do mesmo ano. Em Gernika-Lumo se encontra, entre outros monumentos históricos o Museo de la Paz que tem o bombardeio da cidade como tema central em sua exposição permantente, além das exposições temporárias que trasitam entre conflito e paz, contando também com serviço educativo e um centro de documentação e memória. Assim como Hiroshima no Japão, Guernica superado o episódio e reconstruída, cumpri um papel importante na sociedade bélica em que vivemos, contando sua história através dos seus respectivos museus e monumentos pela paz. Não perderei a oportunidade de ir, ver e contemplar o trabalho de Picasso, assim, da próxima vez que eu utilizar Guernica como fonte em uma aula de história, terá outro significado, simplesmente porque tive a oportunidade de conhecer Gernika-Lumo, de estar no Museo Reina Sofia e ver de perto a famosa Guernica “com esses mesmo olhos que a terra há de comer um dia ou quem sabe o fogo consumir”.

A seguir um vídeo com a obra Guernica em 3D, trabalho da norte americana Lena Giseke.


video

terça-feira, 9 de março de 2010

El secreto de sus ojos.

Começo dizendo que o cinema argentino “me encanta”. Descoberta de alguns anos atrás, quando frequentava as salas de cinema do Espaço Unibanco em São Paulo. Como já mencionei no blog, filmes com receita simples: a vida e suas vicissitudes, o dia a dia, os sentimentos que envolucram o ser humano, seus medos e suas paixões. El secreto de sus ojos não poderia ser diferente, com elenco afinado, conta com a presença do carismático e talentoso Ricardo Darín – rosto conhecido em produções portenhas: O filho da noiva, Aura, Clube da Lua, O sinal, atualmente em O baile da Vitória – e grande elenco. Vi o filme no sábado um dia antes de se confirmar o previsto, O segredo dos seus olhos um dos favoritos a receber o Oscar 2010, derrotou outros fortes candidatos, Ajami (Israel), O Leite da Amargura (Perú), O Profeta (França) e A Fita Branca (Alemanha), ele tem a cadência peculiar dos filmes produzidos na última década na América do Sul e não decepciona. Retornando ao ganhador de melhor filme estrangeiro da 82ª. Ediçao do Oscar, do diretor Juan José Campanella – baseado no livro La pregunta de sus ojos de Eduardo Sacheri –, assisti ao filme sem perder os detalhes, a inquietude das personagens, bem como, as dúvidas e angústias que são facilmente percebidas e compartilhadas com o espectador, posto que as questões morais abordadas seja implícita ou explicitamente, nos levam a questionar e avaliar até onde nós seres humanos somos capazes de chegar quando somos nós os protagonistas de algo real. Quais são nossos limites seja no amor ou no ódio? Embalado por trilha sonora de Federico Jusid, a música “Estación Retiro” de Jusid e Kauderer, é melancólica, eu diria tristíssima, mas não menos bonita e dialoga perfeitamente com o que Benjamín Espósito, personagem de Darín, arrasta consigo por anos e anos. Observando as diferenças e traçando paralelos, o filme de Campanella me fez lembrar filmes como: A sangue frio de Richard Brooks e A vida de David Gale de Alan Parker e das reflexões que filmes como esses nos trazem. Ao final aquele gostinho amargo e aquela impotência saboreada ao longo da película foram compensados, afinal mais que ver, os olhos falam. Eu recomendo.





sexta-feira, 5 de março de 2010

Gastronomia basca, Sidra e Txakoli.

Em muitas culturas, é ao redor da mesa que as conversas mais interessantes, despretenciosas e porque não dizer importantes acontecem. Junto à família, amigos ou até mesmo estranhos, à hora das refeições celebra-se algo mais que somente alimentar-se. Reunir-se na hora de comer é um hábito duplamente prazeroso, seja pela culinária em si, seja pelo vinho ou outra bebida que a acompanhe, seja pela companhia, e... aqui em Euskadi não poderia ser diferente, o povo basco leva muito a sério a cozinha. Há famílias que só se reunem para comer em datas especiais, comemorativas e, em alguns países somente nos casamentos e funerais. Para mim a família deveria comer sempre reunida. Lá em casa isso acontece ao domingos e me lembro que quando criança a casa da minha avó materna vivia cheia e na hora de comer fazíamos fila perto do fogão de lenha, cada um se apanhava como podia para sentar-se, as crianças comiam primeiro, logo, os adultos. Sou a favor de comer sem televisão por perto, para estimular o diálogo ou exercitar o silêncio, momento propício para demonstrações de afeto, agradecimento e porque não reconciliação. Desde que cheguei a Euskadi estive em algumas “comidas populares”, almoços realizados pelos moradores de alguma localidade que em suas festas costumam oferecer um almoço na rua com longas mesas e muitos comensais, como se faz em algumas partes do Brasil também. Aqui as sociedades gastronômicas ou confrarias, que se reunem em txokos – a partir de San Sebastian em meados do XIX – ou em sede própria, com direito a estatuto e tudo, são redutos totalmente masculino e apesar de certa progressividade, muitas das sociedades gastronômicas continuam não aceitando mulheres entre seus membros, por vezes como meras convidadas, desde que... "não cheguem perto da cozinha". Segundo o escritor basco Rafael Aguirre, essa exclusão deu-se a partir da necessidade do homem basco ter liberdade para “comer e cantar” em território próprio, uma vez que no modelo matriarcal da sociedade basca de séculos atrás, a mulher detinha todo o poder no âmbito familiar e isso incluia a cozinha. Talvez por isso Euskadi tenha uma larga tradição gastronômica, com chefs reconhecidos internacionalmente e muitos estudantes à procura de formação nessa área, tanto é assim que em dezembro passado foi posta a pedra fundamental da Basque Culinary Center em Donostía, com previsão para iniciar suas atividades em 2011. Receitas como Merluza en salsa verde, Porrusalda a la vasca, Bacalao al pil pil, Chipirones rellenos en su tinta e muitas mais, fazem a alegria de bascos que passam os dias cozinhando em companhia de amigos, vinho, sidra e muita conversa. Durante anos a culinária basca foi considerada a melhor da Espanha. Atualmente há dois tipos de culinária basca: a tradicional, rica em matéria primas de qualidade: carnes, peixes, cogumelos (chamados seta, que não são cultivados, são selecionados e colhidos entre os que nascem naturalmente nos montes bascos), feijão branco (aluvias blancas) e molhos (salsas), acompanhados de deliciosas sobremesas (postres) em farta porções e, outra mais recente, sofisticada e criativa, mas com raízes na culinária tradicional. Outra opção são as concorridas Sidrerias, onde pratos como Tortilla de bacalao, Costilla de ternera a la parilla, Chuletón de buey a la parilla, Pimientos rellenos com hongos o bacalao, são saboreados e acompanhados de sidra basca, cujo sabor é diferente da nossa conhecida sidra, apesar de ser produzida a partir da maçã também é menos adocicada e deve ser servida com habilidade quase de malabarista, com a garrafa de sidra à altura da cabeça a bebida cai perfeita dentro do copo ou ainda direto dos barris no caso das Sidrerias. Um capítulo a parte é “Salir de fiesta” um verdadeiro convite ao pecado da gula, de bar em bar saboreando Tortillas de patatas (cuja melhor é a do Bar Samaná de Orduña elaborada por Joseba de Muguruza, vale a pena conferir) e Pintxos dos mais variados, Croquetas, Gildas, etc, sempre acompanhados de vinho ou outra bebida. E por falar em vinhos, além dos vinhos com denominação de origem Rioja, meus preferidos, Euskadi oferece seu tradicional Txakoli, produzido em Vizcaya, Guipuzcoa e Álava. Peculiar e tradicional produto basco, teve um passado esplendoroso, com importante presença social e econômica há alguns séculos, tendo um lento e preocupante declínio no final do XIX. Hoje e graças a Getariko Txakolina produção de Guipuzcoa, pioneiros na modernização da elaboração do Txakoli, esse vinho basco recuperou seu status e juntamente com outras denominações de origem como Bizkaiko Txakolina produção de Vizcaya, deu a conhecer, valorizar e amparar este vinho ancestral, fruto de vinicultura atlântica de variedades autóctonas e do bom fazer artesanal de seus caseríos. Há quase dois anos vivendo no País Basco e preparando-me para regressar ao Brasil, entre muitas das coisas que sentirei falta, com certeza os sabores, aromas e cores da culinária basca será uma delas, “echaré de menos” a tortilla de patatas de Joseba, os exquisitos pintxos, os pimentos rellenos con hongos, porrusalda, as lentejas con chorizo, os pistos, o jamón e acreditem até as costillas de cerdo a la parrilla. Viajar é isso, conhecer, experimentar, gostar e sentir saudades.

Para saber mais sobre:

Sociedades Gastronômicas: Sociedades populares de San Sebastián, 1876-2005. Livro de Rafael Aguirre.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ciclogénesis Explosiva “la Tormenta Perfecta”

Há um ano atrás escrevi sobre os câmbios climáticos aqui no blog, passado treze meses, novamente tivemos a visita nada desejada de um fenômeno metereológico chamado ciclogênesis explosiva ou tempestade perfeita – felizmente, não se trata de um fenômeno habitual, mas seus efeitos podem ser devastadores, semelhante a de um ciclone tropical. Resulta do choque de massa de ar quente com outra de ar frio. O encontro das diferentes massas desenvolve rapidamente uma profunda tempestade em um período muito curto, dando lugar a ventos intensos e fortes chuvas –. Nomeada “Xynthia”, diferente de “Klaus” que passou por aqui em janeiro de 2009, chegou à Espanha pela Comunidade Autônoma de Galícia vinda da Ilha da Madeira, Portugal, fazendo com que algumas comunidades autônomas da Espanha entrassem em alerta vermelho, entre elas, a do País Basco (Euskadi) onde a velocidade dos ventos atingiram 228 km/h e foi justamente aqui em Orduña que a cilogênesis explosiva teve seu ápice. Na última quinta-feira tivemos fortes ventos por aqui, já na sexta houve calmaria, o pior estava por vir. A previsão era de que no sábado Xynthia chegaria. Na noite de sexta-feira fechamos e reforçamos todas as janelas da Casa Llaguno, acredite quase 60 entre janelas e balcões e nos preparamos para os fortes ventos que chegariam a partir das 15h do sábado. As previsões não estavam erradas e o alarme dado pelo governo basco fez com as pessoas se preparassem para o que viria, por sorte não houve vítimas fatais, apesar de incidentes registrados em Viscaya, Álava e Gipuzcoa, entre eles 39 focos de incêndio, acidentes de trânsito e danos causados em casas e comércios, em especial aqui em Orduña onde o vento atingiu o recorde de 228 km/h às 22h e parte do telhado de uma prédio de 4 andares foi levado pelo vento, atingindo carros e o bloco de prédios vizinho, destruindo janelas, rompendo paredes e causando pânico nos moradores que foram evacuados pelos bombeiros voluntários da cidade e levados para um lugar seguro. Outro problema foi a falta de energia elétrica que acabou por volta das 22h e só foi restabelecida na manhã do domingo. Particularmente, passei muito medo, estive das 20h30 às 24h no bar Samaná, onde uma dezena de pessoas resolveu ficar, já que o funcionamento dos trens foi suspenso até o dia seguinte, depois fui para casa onde permaneci sozinha até a chegada de Joseba. No escuro e com as janelas do quarto tremendo todo o tempo ao sabor do vento que soprava sem trégua, não consegui pregar os olhos, tinha a impressão de que elas iam soltar-se a qualquer momento e lançar-se em minha direção. Em meio ao medo ainda tive tempo para o humor, humor negro na realidade, enquanto me encolhia sob o edredon pensei “eu sempre desejei morrer dormindo, mas... justo hoje não consigo nem pregar os olhos”... aos poucos e ao longo da madrugada o vento foi perdendo a força e os ruídos originados por ele foram ficando menos intensos, adormeci e só despertei quando Joseba chegou a casa. Amanheceu um lindo domingo de sol e eu segui por todo o dia com uma dor de cabeça infernal, fruto da noite mal dormida e do medo que passei. A Casa Llaguno que tem mais de 100 anos mostrou-se muito resistente (como outras construções bascas) tivemos apenas duas telhas tiradas, nenhuma árvore sofreu danos maiores que alguns galhos caídos – lenha para os dias de frio – menor sorte tiveram os moradores de casas mais isoladas onde o vento açoitou sem piedade levando parte de cercas, muros e telhados, tombando carros, containeres de lixo e árvores, causando temor e prejuízos. Agora a tempestade perfeita que passou por aqui, seguiu para outros países da Europa, ceifando dezenas de vidas na França, Bélgica e Alemanha, ganhando força e deixando um rastro de destruição e pânico. Mais uma vez a reflexão se faz necessária e com o passar dos anos com mais urgência, afinal somos todos testemunhos de que as catástrofes previstas há algumas décadas atrás, quando o chamado “efeito estufa” ganhava os noticiários como novidade quase insólita para alguns, hoje se mostra mais realidade que nunca: Puerto Principe, Madeira, São Paulo, Santiago do Chile, Canárias, Orduña e muitos outros lugares têm experimentado a fúria da Mãe Natureza. Quando aprenderemos a respeitá-la? Qual será a herança deixada para as próximas gerações? Medo? Insegurança? Ou apenas imagens para recordar um período em que o planeta Terra foi verde, azul e de muitas outras cores que o cinza e o negro que se vislumbra toda a vez que uma tragédia ocorre em alguma parte do planeta. Você deve estar pensando "quanto pessimismo" por isso e para provocar termino com a frase de Saramago - em entrevista para El País de 05/03/09, quando do lançamento do filme “Ensaio sobre a cegueira” na Espanha - “los únicos que pueden tener interés en cambiar el mundo son los pesimistas, los que ven que las cosas no van bien". Imagino que para os demais as coisas estejam boas como estão. Copenhagen que o diga!

** Fotos dos danos causados pela ciclogênesis Xynthia em Orduña, Viscaya. Extraídas do jornal "El Correo" edição Viscaya de 01/03/10.

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