segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu…


Ou quem está muito longe do calor e da contagiante alegria brasileira. Eu nunca vi um desfile de escola de samba ao vivo e a cores, por isso mesmo me deu uma vontade danada de ouvir de perto o som da bateria no recuo, ouvir um samba enredo em uníssono enquanto vejo o colorido das alegorias passando pela avenida. Quem diria que o tímido entrudo português daria vez ao que hoje é conhecido como o maior espetáculo da terra. Não tenho dúvida que em matéria de Carnaval não há nada igual ou maior do que se faz no Brasil. Festa trazida da Europa e transformada pelos brasileiros, seja nos salões, nos sambódromos, nas ruas, encontramos histórias e referências distintas trazidas por colonizadores e imigrantes, que somada à outras tradições pára um país durante quatro dias. Elementos oriundos da corte, da senzala, da casa grande, dos cortiços (o que daria lugar às favelas posteriormente, local fértil para criatividade carnavalesca), mesclam-se numa festa pagã que remonta, segundo alguns historiadores, do Antigo Egito, passando por Grécia e Roma, influenciando o mundo ocidental começando pela Europa até chegar à América. Entre os carnavais mais famosos do mundo estão os de Veneza na Itália, Nova Orleans nos E.U.A, Nice na França, Las Palmas de Canárias aqui na Espanha, etc, cada qual a seu modo faz a alegria do folião ou turista que por ali passe, mas nada se compara ao Carnaval brasileiro. Meu segundo carnaval em Euskadi está sendo frio, gelado literalmente, a fantasia mais indicada é a de urso polar, risos. Com neve e temperaturas abaixo de zero, não tive ânimo para disfarçar-me, usei apenas uma máscara e muita roupa. Ao sair na noite de sábado encontrei pelas ruas de Orduña personagens ilustres como o grupo Kiss (meus ídolos aos 11 anos), o personagem V (do filme V de Vingança) com aquele riso gélido e inquietante, além de palhaços, bruxas, piratas, mosqueteiros, extra-terrestres, ciganas, soldados, vampiros, gangsters e toda a sorte de personagens. Ah! E… quase perdi a cabeça por um cavalheiro medieval, melhor dizendo pelas mãos de um cavalheiro medieval. Sempre sonhei com um Natal nevado, mas Carnaval nunca. É assim, só valorizamos o temos quando não temos! Eu daria tudo para estar nas ruas de Salvador, Recife, Diamantina ou São Luís do Paraitinga me esbaldando, pulando Carnaval até o dia clarear e olhos fecharem num cansaço alegre e genuinamente brasileiro. Nesses dias de frio, prometi a mim mesma: "ainda hei de ir atrás do trio elétrico".

3 comentários:

  1. Meg!!!
    Vc passou melhor carnaval que eu amiga...aqui em Uberaba eu nao vi nem rastro de carnaval. Continuo com a vontade de ir atrás do trio....Pois qdo vc for, como prometeu, me chama e vamos juntaaaas.
    Bjssssss

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  2. Meg, não sei se soube, mas São Luis do Paraitinga foi invadida pelas águas do Rio, tudo meio que se acabou por lá, não houve carnaval. Acredito que se você estivesse aqui não ia gostar muito do calor INFERNAL que está fazendo... Agur!

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  3. De, pois é... acompanhei as notícias das chuvas em SP e soube de Sao Luis... que triste. A última vez que estive lá foi em janeiro de 2006, espero que consigam reconstruir se nao tudo ao menos parte do patrimônio do Vale do Paraíba. Qto a estar no Brasil, irei em maio deste ano, farei contato. Agur!

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