sábado, 27 de fevereiro de 2010

À beira do precipício.

Frías

De tempos em tempos recebo e-mails com aplicações de power point repetidas, vêm de remetentes diferentes, mas o conteúdo é o mesmo. Esses dias recebi algo com o título deste post e ao ver as imagens de Ronda, Castelfollit de la Roca e Cuenca (Espanha), Manarola (Itália), Bonifacio (Córcega) e Santorini (Grécia) me lembrei da visita que fiz a cidade de Frías, situada na província de Burgos (comunidad autónoma de Castilla y León). Não muito longe de Orduña localiza-se a menor cidade da Espanha, a medieval Frías. Uma cidade encantadora, a começar pela estrada margeando o rio Ebro, onde a natureza interage em harmonia com tunéis cavados na rocha e mantidos rusticamente. Chegando a cidade a vista não poderia ser mais bonita, todo o conjunto histórico composto de casas, igreja e castelo encontra-se amuralhado e suspenso sobre as rochas, impondo-se naturalmente ao olhar do visitante. É impossível passar pela estrada sem notar a beleza do lugar. Ao aproximar-se e subindo a pé pelas ruazinhas estreitas, podemos observar as chamadas “casas colgantes” onde homens e mulheres, em sua maioria aposentados, apreciam desde suas janelas as vistas sentindo a vertigem peculiar das alturas. Como muitas cidades da Espanha, Frías tem em seu calendário anual, além das festas religiosas, uma feira ou mercado onde os moradores devidamente vestidos retornam à Idade Média e com a vantagem de ter o cenário perfeito, fruto da preservação do patrimônio e respeito ao entorno. Passear pelas ruas da pequena Frías é como transportar-se para um épico do cinema ou para algum relato da história, imaginando poder cruzar em algum momento com um vassalo, senhor feudal, quiçá, um nobre e… “à beira” daquelas casas elevadas ou em algum ponto da muralha, deparar com um cavalheiro medieval resgatando uma bela donzela após vencer disputa com rival. A cidade é inspiradora, seu conjunto monumental parece ter parado no tempo, num precipício escolhido justamente por ser local estratégico e de passo para as províncias vizinhas. Dando testemunho de um período considerado por alguns como a Idade das Trevas, a atual Frías tem luz própria.


Para saber mais sobre Frías acesse: http://www.ciudaddefrias.com/


Para saber mais sobre Idade Média leia:

ANDERSON, Perry. - Passagens da Antiguidade ao Feudalismo.
BLOCH, Marc. - A Sociedade Feudal.
DUBY, Georges. - O tempo das catedrais: arte e sociedade - 980/l480.
- A Europa na Idade Média.
- História Artística Da Europa-idade Média (2 vol).
ECO, Umberto. - Arte e beleza na estética medieval.
LE GOFF, Jacques. - A civilização do Occidente Medieval.
- Para um novo conceito de Idade Média: tempo, trabalho e cultura no Occidente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Viajar! Perder países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.


Fernando Pessoa (Lisboa , 1888-1935)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu…


Ou quem está muito longe do calor e da contagiante alegria brasileira. Eu nunca vi um desfile de escola de samba ao vivo e a cores, por isso mesmo me deu uma vontade danada de ouvir de perto o som da bateria no recuo, ouvir um samba enredo em uníssono enquanto vejo o colorido das alegorias passando pela avenida. Quem diria que o tímido entrudo português daria vez ao que hoje é conhecido como o maior espetáculo da terra. Não tenho dúvida que em matéria de Carnaval não há nada igual ou maior do que se faz no Brasil. Festa trazida da Europa e transformada pelos brasileiros, seja nos salões, nos sambódromos, nas ruas, encontramos histórias e referências distintas trazidas por colonizadores e imigrantes, que somada à outras tradições pára um país durante quatro dias. Elementos oriundos da corte, da senzala, da casa grande, dos cortiços (o que daria lugar às favelas posteriormente, local fértil para criatividade carnavalesca), mesclam-se numa festa pagã que remonta, segundo alguns historiadores, do Antigo Egito, passando por Grécia e Roma, influenciando o mundo ocidental começando pela Europa até chegar à América. Entre os carnavais mais famosos do mundo estão os de Veneza na Itália, Nova Orleans nos E.U.A, Nice na França, Las Palmas de Canárias aqui na Espanha, etc, cada qual a seu modo faz a alegria do folião ou turista que por ali passe, mas nada se compara ao Carnaval brasileiro. Meu segundo carnaval em Euskadi está sendo frio, gelado literalmente, a fantasia mais indicada é a de urso polar, risos. Com neve e temperaturas abaixo de zero, não tive ânimo para disfarçar-me, usei apenas uma máscara e muita roupa. Ao sair na noite de sábado encontrei pelas ruas de Orduña personagens ilustres como o grupo Kiss (meus ídolos aos 11 anos), o personagem V (do filme V de Vingança) com aquele riso gélido e inquietante, além de palhaços, bruxas, piratas, mosqueteiros, extra-terrestres, ciganas, soldados, vampiros, gangsters e toda a sorte de personagens. Ah! E… quase perdi a cabeça por um cavalheiro medieval, melhor dizendo pelas mãos de um cavalheiro medieval. Sempre sonhei com um Natal nevado, mas Carnaval nunca. É assim, só valorizamos o temos quando não temos! Eu daria tudo para estar nas ruas de Salvador, Recife, Diamantina ou São Luís do Paraitinga me esbaldando, pulando Carnaval até o dia clarear e olhos fecharem num cansaço alegre e genuinamente brasileiro. Nesses dias de frio, prometi a mim mesma: "ainda hei de ir atrás do trio elétrico".

domingo, 14 de fevereiro de 2010

San Valentín.

Nunca imaginei declarar meu amor assim, para o mundo ver e ouvir. Verdade é que... não imaginei amar assim e... "nunca fui para alguém o que hoje eu sou". Obrigada meu Amor!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Universo feminino.

Sabe esses dias que você acorda, mas... deveria ter ficado na cama? Pois estou assim há alguns dias. Super, hiper, mega sensível, mal humorada e chorona. Malditos hormônios que saltam tanto como se estivessem em eterno carnaval. Eu não imaginava que teria essas mudanças físicas aos 40, tanto é assim que escrevi um post aos 39 dizendo que isso não ia me passar. Ledo engano. Cá estou, me mordendo e o que é pior mordendo os outros. Nessas horas nada como cuidar-se, dar-se mimos e buscar coisas prazerosas, que vão desde uma sessão de massagem, uma noite de amor, um objeto de desejo a uma boa barra de chocolate. Mas, quando isso não basta o ideal é buscar outras opções. Uma mudança de look, uma viagem, ingressar em um Spa ou empreender uma rotina onde os exercícios físicos sejam uma constante. Foi exatamente o que fiz, comecei a frequentar as termas e saunas do balneário da cidade e, em decorrência disso tenho sido mais cuidadosa do que de costume, pois a quantidade de sal, ferro e outros minerais contidos nas águas que abastecem as piscinas alteram o Ph da pele e do cabelo. E por falar em cabelo, eu já estava me sentindo uma ursa, tenho muito cabelo e crescem tanto, incomodavam na hora de dormir, às vezes envelheciam minha expressão e, para secá-los… que trabalho! Como não tenho o privilégio de Jennifer Aniston de carregar o cabelereiro para lá e para cá e nem dinheiro para isso… resolvi cortá-los e ponto. Sai com o cabelo pela metade, não pela metade das costas, pela metade do comprimento que tinha. O problema é que as cabelereiras bascas, seguindo as tendências daqui cortam o cabelo muito diferente das brasileiras e têm peculiaridades que só vi aquí (franjas em formato de elmos, cabelos lisos na frente e crespos atrás, três ou mais cores berrantes aplicadas, excesso de laquês etc). Em uma atitute ousada, eu diria ousadíssima de minha parte, deixei que a cabelereira tomasse as rédias da situação, conclusão: sai do salão parecendo ter saido de algum Mangá ou Comic japonês, numa total assimetria. Como se não bastasse e para rir sozinha, resolvi comprar algum creme hidratante para o rosto, diferente do que usava, tratava-se de um produto à base de soja indicado para peles maduras, imaginei: faz tempo que deixei de ser adolescente, por isso vou levar este. Ao abrir o creme em casa, descobri que o produto é indicado para senhoras acima dos 60, risos, minhas opções eram: esperar para usá-lo daqui a 20 anos ou usá-lo já. Como dinheiro não dá em àrvore e tão pouco cai do céu (aqui do céu só cai chuva e neve) resolvi "dar a cara à tapa" ou melhor dar soja à cara. Para ajudar, há dias que me sinto inchada como um balão de festa infantil, costumo fazer piada dizendo que poderia ser a “Chica Repsol”…risos – uma espécie de garota propaganda da companhia de gás espanhola – o incrível é que tenho mantido uma alimentação sana e sem excessos, apesar de não abrir mão do café pelas manhã, chocolates em alguns dias e vinho sempre que a refeição peça. Nós mulheres somos inconstantes por natureza, tem dias que nos vemos no espelho – em especial os de provadores de lojas, que são cruéis – e nos sentimos a mais gorda, a mais feia do planeta, risos… noutros dias olhamos e dizemos a nós mesma: “Estou muito bem. Melhor que muitas!”… verdade seja dita “a culpa é dos hormônios”, os homens nao têm nada disso. Como diria o amigo Hideki sobre as conversas femininas “perfumaria, pura pefumaria”. Mas... só as mulheres podem compreender o que estou falando.

"Salão de Beleza" música de Zeca Baleiro.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A visita de Lehendakari.


A Europa tem os olhos voltados para os países emergentes, o acrônimo BRIC – criado pelo economista britânico Jim O'Neill em 2001 para referenciar os quatro principais países emergentes do século XXI: Brasil, Rússia, India e China – saltita nos jornais e conferências Europa afora. O Brasil tem se destacado seja por seus recursos naturais, por sua dimensão continental, por seu PIB, seja por conta da política externa do atual governo. A figura singular do presidente Lula da Silva têm ganhado as manchetes por aqui. O Brasil tem figurado na imprensa positivamente tornando-se cada dia mais atrativo. Lendo o jornal EL CorreoEdición de Vizcaya – soube que o atual Lehendakari, equivalente aos nossos governadores de estado, visitará o Brasil em março deste ano, mas precisamente São Paulo, acompanhado de cerca de 90 empresários bascos que interessados em estreitar laços e ampliar seus negócios em S. Paulo farão parte da comitiva de Pátxi López. Mesmo não sendo López homólogo do presidente Lula e sim presidente de governo do País Vasco – Eusko Jaurlaritzako Lehendakari – fala-se da possibilidade de um encontro entre os dois, encontro ainda não confirmado e que vem sendo articulado pelo governo basco. Os interesses são claros, o sentido comercial é categórico e reforçado pela política de expansão de novos negócios e fortalecimento dos já existentes. Empresas como Iberdrola, CAF, Idom e Corporación Mondragón já estão solidamente instaladas na Terra da Garoa, nos dias atuais, terra das fortes chuvas. Essa mesma São Paulo que atraí empresários e investidores estrangeiros, em outros momentos de sua história recebeu imigrantes oriundos da diáspora basca, assim como outras regiões do Brasil e em menor escala se comparada a outros países da América Latina, porém, todos de alguma forma contribuiram com trabalho e com sua cultura para construção desse importante estado brasileiro. O mais célebre deles é nada mais nada menos que um dos fundadores de São Paulo, o padre jesuíta José de Anchieta, nascido em Tenerife, Espanha – filho de pai basco de sobrenome Antxeta e mãe judia, cristã nova –. É certo que a maior concentração de bascos está em São Paulo, chegaram ao Brasil em momentos distintos da nossa história e juntamente com tantos outros imigrantes deram voz, cara, cor e feições ao gigante chamado Brasil.

Aurrera
Brasil!


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