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Meu mundo por um Chocolate.


Há dias que não quero outra coisa se não saborear chocolates: bombons, trufas, ou barras. A vontade é tanta que chego a salivar só de pensar em um chocolatinho derretendo na minha boca. Quando era criança, me contentava com choquito, prestígio, laka, diamante negro e me parecia um manjar dos deuses, e o era, afinal não conhecia outros sabores e por isso mesmo não tinha como escolher entre esse ou aquele. Ainda assim passei a infância e adolescência acabando com as caixas de chocolate do bar do meu pai e depois as caixas de bombons sortidos Nestlé, Lacta ou Garoto. A primeira vez que experimentei um sabor diferente, um chocolate mais refinado foi quando a Kopenhagem abriu uma franquia na minha cidade, tinha uns 16 ou 17 anos quando provei a famosa Língua de Gato e em seguida presentiei um namoradinho com um Coração de chocolate Kopenhagem para comermos juntinhos no dia dos namorados. Depois disso provei alguns chocolates suíços que minha amiga Carmen Margareth sempre me trazia de suas viagens à Europa. De criança sonhava visitar uma fábrica de chocolate, como Charlie, personagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate (filme de 1971 dirigido por Mel Stuart) e me fartar de tantas variações e sabores. Quem é da minha geração além te ter visto o referido filme em sua primeira versão, também colecionou as séries de fauna e flora dos chocolates Surpresa da Nestlé, era uma delícia cada vez que saia um card repetido, um chocolate a mais até completar a coleção. Aos poucos fui conhecendo e experimentando as várias formas e uso do chocolate: o bolo Prestígio que meu irmão caçula adorava fazer, as trufas da D.Hideli, os mousses do Mirella, o famoso bolo Floresta Negra preferência da amiga Daise, os fondues com frutas que experimentei em Monte Verde ou um simples e quente Choconhaque que tomava quando sentia meus pés frios. Hoje o que mais aprecio são os After Eigths Mints, os chocolates com recheios cítricos, o chocolate meio amargo e chocolate quente para tomar com churros (algo que aprendi a gostar aqui no País Basco). De fato o Chocolate é uma viagem, lendo o livro do jornalista americano Mort Rosenblum, viajei literalmente do cultivo do cacau aos exigentes chocolatiers europeus. A bebida de mortais e de Deuses é responsável por disputas corporativas, alquimia e paixões. Rosenblum nos revela a história do chocolate de maneira tão prazerosa quanto o próprio chocolate. Do seu uso ainda na América pré-colombiana a sua viagem à Europa pelas mãos do colonizador espanhol e português, passando pelas denominações de origem que garantem a qualidade do produto final. O atual cultivo do cacau na África e América e as implicações política, social, econômica e mais recentemente ecológica geradas por essa produção. Com breve menção ao Brasil, capítulo no qual me lembrei da novela Renascer do inicio dos 90 de Benedito Ruy Barbosa, produção que se desenvolveu em torno das plantações de cacau de Ilhéus na Bahia e que traria ao conhecimento do público, expressões como: Vassoura de Bruxa e Podridão Parda, nomes populares dados aos males – pragas e fungos - que atacam os cacaueiros da América Latina e de outras partes do planeta. A viagem continua no Velho Mundo, onde a disputa entre os chocolatiers suiços, belgas e franceses na produção do melhor chocolate só é menos interessante quando o autor descreve as sensações ao desgustar Pralines, Palets d’or ou Ganachés pelo mundo afora. Já os segredos de cada especialidade, de cada artesão do chocolate ou das grandes companhias, esses seguem bem guardados em cada lugar visitado como um precioso e porque não dizer lucrativo tesouro. Para mim o chocolate tem efeitos terapêuticos. Ponto! Só eu sei o beneficio que ele me traz quando entro na tpm, risos, mesmo que pesquisas e estudos apontem para o contrário não abro mão desse velho e bom companheiro e é nessa hora precisamente que troco o meu mundo por uns bons bombons ou uma barra bem servida de chocolate. Na falta deles me vale uma bolacha, de chocolate claro, uma caixinha de bis ou quiçá uma balinha toffees de chocolate... Verdade seja dita, um mundo, um reino pode valer muito pouco em algumas situações....risos.

Agora os deixo porque o Chocolate me espera.

Para saber mais:
Chocolate: Uma Viagem, título da Edição Portuguesa. No Brasil o livro intitula-se Chocolate – Uma Saga Agridoce Preta e Branca de Mort Rosenblum, Ed. Rocco.

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