domingo, 11 de outubro de 2009

Política, Igreja e Máfia: A tríade italiana.

Ahh! A Itália... meu sonho de consumo. Pensado bem, meu sonho de cultura La bella Itália e toda aquela beleza renascentista, em especial a Toscana com seus girassóis, gastronomia, vinhos, arte e arquitetura, essa região me encanta e atrai sobremaneira. Berço de artistas, pensadores, religiosos, eminências pardas e conspiradores, Florença é onde a “fogueira das vaidades” sempre deu o que falar ou queimar - como na época de Savonarola - porém, essa briga de egos e disputa de poder não foi privilégio do homem do renascimento ou somente da Itália, mas... ela sempre estampa algum jornal para além do caderno da cultura. Sai um, entra outro… o circo está montado. O Berlusconi que o diga, o povo precisa de circo e às vezes... um fim de semana no camping.

Essa acidez toda é um pouco de “dor de cotovelo”. Isso mesmo, frustração por “ainda” não ter conhecido um pouco da Itália. A culpa é dos franceses! Deixa pra lá, isso é outra história.

Na realidade voltei a divagar sobre a Itália ao sair do cinema. Ontem, fui ver “Il Divo” com direção e produção de Paolo Sorrentino (Itália / França, 2008), filme presente na 33ª Amostra Internacional de Cinema de São Paulo que acontece de 25/10 a 5/11/09. Não se trata de um filme divertido, é de fato um drama, mas, possui enquadramentos, personagens caricatos como o próprio Andreotti (Toni Servillo, que também fez Gomorra de Matteo Garrone) e trilha sonora que arranca algum riso do público. Para mim, o mérito do filme está na forma como mostra as relações entre política, Igreja e a máfia na Itália - por vezes até parecem uma só - através da trajetória de Giulio Andreotti “Il Divo”, um dos políticos italianos mais influentes e controversos do pós-Guerra. Sete vezes primeiro-ministro, teve a carreira marcada por conflitos eleitorais, atentados terroristas e várias acusações, apesar disso, nunca perdeu a serenidade e um certo carisma. Diferente de outros políticos da Itália e de outras partes do planeta, abriu mão da sua imunidade a favor da investigação que sofria e em 2004, após 11 anos de processo, foi absolvido da pena, mas não da culpa. No inicio dos 90, próximo dos 70 anos, Andreotti não tem medo de nada e ninguém, sabe lidar com o poder, saindo incólume das suas batalhas políticas e do processos judiciais pelos quais passou, até que a Máfia atravessou o seu caminho. Andreotti “a raposa” como é chamado por seus adversários políticos, é um homem aparentemente frágil, mas na verdade é uma fortaleza que faz frente a tudo, por anos e décadas até à morte. Como ele mesmo mencionou em seu 90º aniversário, quando indagado, disse não ter medo da morte e que “Se vou mesmo para o paraíso, não sei. Mas talvez ganhe um desconto no purgatório”. Quanto a sua lápide, o veterano político sugere a seguinte frase “Cuidem de seus próprios problemas”.

Bem, se você quer saber um pouco mais do mundo para além do show business e retornar ao passado não tão distante, vá ver "Il Divo". Não se incomode se você for o mais jovem da sala de cinema, no auge dos meus 40 e na sessão das 16h45 num cinema de Lisboa eu era a mais jovem, todos que ali estavam já eram jovens ou adultos no 25 de Abril de 1974 - Revolução dos Cravos - e de tudo que ouvi e vi no filme, somente a menção ao atentado que matou o juiz italiano Giovanni Falcone em 1992 é que tenho alguma memória, contudo sei que para compreender um pouco mais o panaroma global atual há que se voltar no tempo para entender causas e consequências. Capicce?


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita e comentário. Em breve seu comentário será publicado.

Outras viagens que podem interessar:

Related Posts with Thumbnails