Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Amália Rodrigues revisitada.

(“Amália Rodigues” grafite de Jef Aerosol na Travessa de Queimada, Bairro Alto, Lisboa)

"O sal das minhas lágrimas de amor criou o mar
Que existe entre nós dois pra nos unir e separar
Pudesse eu te dizer a dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração nesta paixão que não tem fim

Ausência tão cruel, saudade tão fatal!
Saudades do Brasil em Portugal!

Meu bem, sempre que ouvires um lamento
Crescer, desolador, na voz do vento,
Sou eu em solidão pensando em ti,
Chorando todo o tempo que perdi!"


(“Saudades Do Brasil Em Portugal” fado que ficou conhecido na voz de Amália Rodrigues,
composição de Vinicius de Morais / Homem Cristo)

Uma década sem a rainha, sem a dama do fado. Portugal revive a trajetória da diva “Amália Rodrigues” (1920-1999) através de documentários, exposições e relatos dos que conviveram de perto com a filha mais ilustre de Lisboa. Nasceu Amália da Piedade Rodrigues, na freguesia lisboeta da Pena, a vizinhança foi pouco para tanto talento, de Lisboa para Europa e da Europa para o mundo. Amália Rodrigues levou o fado para os quatro cantos do planeta: de Lisboa para Madrid, passando por Roma, Londres, Rio de Janeiro, Nova York, até chegar a Hollywood meca do showbisness. Com Amália o fado extrapola ruas e vielas de Lisboa, deixa os retiros e casas rurais para inaugurar um novo conceito as “casas de fado”, segundo Amália “o fado não se canta, acontece”. Logo que aqui cheguei, há pouco mais de um mês, senti uma melancolia no ar, já disse isso em outro texto inclusive, às vezes penso: Será coisa minha? mas... sei que não, ouvindo outros brasileiros que aqui vivem escutei o mesmo, às vezes com outros adjetivos mas com o mesmo sentido. Dizem que a arte é a representação maior de um povo, um grupo… se for assim podemos perceber isso na música, creio que a alma portuguesa é um pouco como fado, alguns dizem que o fado teria herdado uma dolência e melancolia do canto dos mouros, os que aqui permaneceram após a retomada cristã ou ainda que o fado seria uma mistura de influências moura, africana e brasileira, de qualquer maneira e independente da sua verdadeira origem o fato é que o fado lisboeta é carregado do romantismo do século XIX, letras nostálgicas, mas também alegres, que falam das desilusões e esperanças do povo, dos amores e das tristezas humanas. Amália cantou os sentimentos contidos na poesia, cantou Camões e outros tantos nomes importantes do cenário cultural português e mundial. Confesso que pouco sei ou ouvi do fado, sei que Amália Rodrigues esteve muitas vezes no Brasil, até casou-se com um brasileiro, mas cresci ouvindo outros estilos musicais, sei também, que Amália Rodrigues pertence à constelação das grandes estrelas como: Edith Piaf, Maria Callas, Carmen Miranda, Mercedes Sosa, além de outras mulheres que em lugares e tempos distintos marcaram com graça, força e coragem o cenário artístico mundial. Ainda bem que nunca é tarde para conhecer, para viajar e se encantar com o novo, por isso hoje, 6 de Outubro de 2009, no 10º Aniversário da morte de Amália Rodrigues, fadista portuguesa que emocionou e emociona corações no mundo todo e em especial o do povo luso, aproveito para render homenagem através da Amália revisitada, seja na imagem do artista francês Jef Aerosol ou através da música que ouvi no rádio dia desses e gostei… descobri que “Gaivota” composição de Alexandre O'Neill e Alain Oulman, imortalizada pela diva Amália, faz sucesso hoje na voz de Sónia Tavares e do projeto “Amália Hoje” da banda The Gift, fazendo com que avós, país e filhos revivam ou conheçam – no caso das novas gerações – a importância do fado para história de Portugal e relembrem seu ícone maior.

“Se uma gaivota viesse Trazer-me o céu de Lisboa No desenho que fizesse, Nesse céu onde o olhar É uma asa que não voa, Esmorece e cai no mar. Que perfeito coração No meu peito bateria, Meu amor na tua mão, Nessa mão onde cabia Perfeito o meu coração”(…)


Comentários

Postagens mais visitadas