sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Onde eu sou feliz.


"A Chegada" oleo sobre tela by_Meg Mamede

Melancolia, tédio, desencontros.
Bad news, mentiras distantes.
Noite mal dormida, calle barulhenta, insônia, olheiras.
Dia nublado, cinzento, mau humor.
Não vejo o Txarlazo, nem La Virgen.
Tento ver o Tejo, mas antes prédios e containeres.
Textos e mais textos, leitura pouco interessante, variações do mesmo tema, linguagem empolada, o método, o conceito e todos os rigores acadêmicos.
Prefiro meus livros de viagem, para viagem e naqueles que viajo.
Prefiro um colchão no chão a uma cama, se, a companhia for boa ou o cansaço extenuante, ou posso trocar por um sofá velho perto do calorzinho de uma lareira.
Saudades da família, daquela que queria estar longe mas da qual quero estar perto.
Coração dividido, Brasil, Espanha, mas nunca Portugal.
Eu já havia esquecido como é viver num caixote, tenho que me readaptar.
Alguns dias desconectada do mundo... wireless em greve.
Incertezas, dúvidas, sempre as escolhas.
Estradas sem sinalização, o que nos induz ao erro.
Vampirismo! Sinto minha energia se esvaindo. Nem centrum dá jeito...risos.
Nossa! Eu ri... Nem tudo está perdido! Há luz no fim do túnel ou quem sabe um comboio.
Outono sem o ocre das folhas dos plátanos no chão, sem o cheiro da chuva no jardim.
Sem Yako ou Toulouse a pedir mimos.
Sem o melhor café do mundo.
Sin la mejor tortilla de patatas del mundo.
Sem as mãos carinhosas de Mamy.
Sem a rabugice do meu Velho.
Sem tantas outras coisas.
Nada e nem ninguém me parece interessante.
Será que estou deprimida?
Creio que seja a TPM chegando.
Verdade, logo será a vez do iboprofeno.
Ah! Dezembro, nunca esperei por você com tanta avidez.
Época do ano em que nada será gris, haverá o branco da neve, o vinho de La Rioja com todos seus tons rojos e todas as cores que os olhos só vêm quando o coração as sente.
Estar lá, onde a vista é sempre bonita, onde o imperfeito é o mais próximo do perfeito que já conheci um dia e tudo é colorido mesmo no inverno.

Lá... Eu sou feliz!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O desafio de ser Professor no século XXI.

Hoje 15 de outubro é “Dia do Professor” no Brasil(*), por isso resolvi falar um pouco do desafio que a profissão representa no século XXI. Obviamente, houve outros desafios relativos a tarefa de ensinar, a própria profissionalização e regulamentação do educador, entre outras coisas, lutas por melhores condições, reformas na educação, novas tecnologias e estudos sobre o tema, etc.. Mas não vivi esses momentos e por isso não posso falar sobre eles. Falo da minha curta, mas não menos intensa e conflitante passagem pela profissão. Sou “caloura” nessa área, mudei de carreira no auge dos meus 30 e poucos anos por paixão a História e ao iniciar na educação pública no Estado de São Paulo me senti como um soldado de infantaria, isso mesmo, me senti na linha de frente de uma batalha travada entre alunos, pais e o sistema educacional do país. Perdoem-me os pedagogos e outros profissionais, me refiro aqueles acadêmicos que escrevem tratados e mais tratados sobre “como educar” sem nunca ter saído de trás da mesa e do computador, sem nunca ter usado giz ou passado algumas horas do seu dia com uma turma de quase 40 ou mais alunos, em uma sala sem porta, numa escola sem infra-estrutura com uma direção laissez-faire e uma turma de adolescentes desinteressados, indolentes e por vezes agressivos. É disso que quero falar. Sei que há muita gente boa, fazendo ótimos trabalhos, dedicando suas vidas à pesquisa e análises comportamentais, mas para entender os meus sentimentos e inquietudes só indo para sala de aula.

Quando criança, minha mãe sempre me incentivou a seguir a carreira do magistério, eu sempre relutante e com uma resposta na ponta da língua: “Mãe, eu não quero ser professora. Se eu me tornar professora, ao final de cada ano terei que reunir as mães e dar-lhes um tubo de cola e pedir que encontre a respectiva orelha do filho entre as tantas que estarão espalhadas pela mesa” minha mãe me olhava com uma expressão que variava entre a surpresa e o riso, mas ao final ela me compreendia, sendo eu filha mais velha entre cinco irmãos, coube a mim, de certa maneira, ajudar-lhes na educação e isso colaborou, naquela altura, para a minha falta de interesse pela profissão.

Passadas quase quatro décadas, onde fui parar? Em uma sala de aula da maior escola pública da minha cidade, para ensinar – verbo pretencioso esse - história a duas turmas de 7º ano e cinco turmas de 8º ano… me senti o próprio “Daniel na cova dos leões” e não se trata de insegurança, até porque os desafios me estimulam sobremaneira, mas o choque de gerações e cultura foi tremendo… eu cheia de desejo de fazer aulas diferentes, ensinar história de maneira mais lúdica, estimular reflexões, provocar dúvidas, mexer mesmo com a turma – comportamento peculiar do professor iniciante – tudo que consegui foi emagrecer três quilos, ficar estressadíssima e aos poucos ir perdendo a sociabilidade. Acreditei que eles, os alunos, queriam o que eu tinha para oferecer, verdade é que não, talvez não tenha sabido fazê-lo como esperavam, confesso não tive tempo de compreendê-los, fui tomada por um sentimento de desprezo e ao fim frustração. Pensava comigo e meus botões: “tive as mesmas condições que eles, também sou de berço humilde, passei por dificuldades mil e agora que pensei em devolver uma parte do que recebi, contribuindo um pouco com a sociedade em que vivo, sou tratada dessa maneira?” Não é isso que eu quero para mim. Sei que a educação é uma troca, interação, há dinamismo nessa relação, é um caminho de mão dupla, damos e recebemos, ensinamos e aprendemos, mas… há que se estar muito bem preparada(o) para seguir em frente sem elouquecer ou alienar-se. Lembro-me que um dia, na tentativa de iniciar uma aula, pedi aos alunos que me ouvissem, sem êxito algum e ao fim disse-lhes que tanto fazia se não queriam aprender, daí um aluno disse: - “É professora, a Sra. não gosta da gente” e eu confirmei categoricamente, sem pestanejar: “Verdade, eu não gosto de vocês, quem tem que gostar de vocês, são os pais de vocês, de mim vocês terão a amizade e o respeito, mas terão que ser merecedores, conquistar isso, caso contrário nada feito”. Cansei de ver exemplos de professores que “passam a mão na cabeça do aluno” como se fossem os pais. O professor tem que se posicionar como um profissional de qualquer outra área, ser profissional e não maternal ou um braço da família dentro da escola, na minha opinião só assim seremos estimulantes e admirados… concordo que há que haver amor, “fraterno”, tolerância, algum afeto, afinal não somos “bichos” mas sem exageros… dessa maneira seremos respeitados como pessoas e profissionais pelos alunos, pela família, pela direção da escola e pelo governo, caso contrário seremos sempre esse joguete na mão da mídia e da política, esses mesmos que nos transformam em massa de manobra, fazendo e desfazendo da categoria. Os jovens, ou quase nenhum jovem, tem professores por ídolos ou modelos. Pergunte-lhes e dirão o nome de um jogador de futebol, um modelo, um ator, uma cantora… pergunte-lhes qual a profissão que gostariam de ter no futuro e, dirão: médico, advogado, bombeiro, atriz, jogador de futebol, cientista, cantor, engenheiro, etc… mas nunca professor. Uma vez eu até escutei: "Professor é profissão professora?" Risos. Não preciso dizer mais nada.

De tudo e apesar de tudo, ao fim de um ano o balanço que fiz foi aceitável, até porque houve momentos cativantes, declarações e relatos tocantes, palavras de carinho e ao final fui até convidada a ser paraninfa de uma turma, coisa que declinei, porque acreditava que o justo seria que a professora coordenadora da turma fosse a homenageada. De qualquer maneira me senti lisonjeada e, também homenageada por alguns alunos que ao receber o “canudo” erguiam-no e diziam: "para professora Margarete de História"…risos, até chorei. Alguns deles conquistaram sim minha amizade, meu respeito e meu carinho… Se vou voltar às salas de aula? Bem… isso só o futuro dirá. Por hora frequento salas de aula na condição de aluna e admiro muito aqueles que têm a força e determinação de continuar, de dedicar anos a fio a essa nobre tarefa mesmo quando tudo parece estar fora do lugar.

Hoje para comemorar o dia vou ao cinema ver “O dia da Saia” (La journée de la jupe) filme de Jean-Paul Lilienfeld (França, 2008) que trata exatamente da temática que abordei. A professora de francês Sónia Bergerac, personagem de Isabelle Adjanim vítima de descontrolo emocional causado pelo stress provocado pela indisciplina dos seus alunos. Um dia descobre na sala de aula uma arma na mochila de um aluno, toma-a e, na falta de melhor solução, usa-a para controlar os alunos e poder tentar dar a matéria. Um drama intenso que nos apresenta um rol de problemas habituais nas escolas francesas, mas também nas escolas do Brasil e do mundo, como indisciplina, abusos sexuais, racismo e até violência para com os docentes.

Vou desopilar o fígado! Fui!.



(*) Dia do Professor no Brasil acesse: http://www.portaldafamilia.org/

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Women In Art and In Film, by Philip Scott Johnson.

Dois excelentes trabalhos de arte digital do norte-americano Philip Scott Johnson (St.Louis, Missouri). Animação morfológica com destaque para mulher na arte e no cinema. Vale a pena ver.


Para conhecer outros trabalhos acesse: www.vimeo.com/psjohnson

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

E... Colombo chegou à América.


Alcázar de Los Reyes Cristianos en Córdoba. Os reis espanhóis recebem Cristóvão Colombo (foto_Meg Mamede)


(...) e foi deslumbrante ver o arvoredo, o frescor das folhagens, a água cristalina, as aves e a amenidade do clima. Vontade tenho de não mais sair daqui. E, para descrever aos reis as coisas que vi, não bastariam mil línguas ou mil mãos para escrever, pois parecíamos encantados... E logo apareceu gente nua e todos que vi eram jovens, muito bem-feitos; os cabelos grossos como crinas de cavalo... E se pintam de preto e vermelho e são da cor dos canários, nem negros nem brancos. Não andam com armas, que nem conhecem, pois lhes mostrei espadas que pegaram pelo fio e se cortaram, por ignorância, sorrindo encantados para nossos guizos e miçangas (...)


(trecho dos Diários de Cristóvão Colombro)


Hoje 12 de Outubro, Espanha e outros países latino americanos, a exceção do Brasil, comemoram “el dia de la Hispanidad”, mesmo com controvérsias e mágoas perpetradas ao longo dos 517 anos do “descobrimento” e colonização das terras nomeadas América – em homenagem a Américo Vespúcio - o dia é de comemoração. Verdade é que o povo gosta mesmo de festa, seja na 5ª Avenida de Nova York, onde a comunidade hispânica ostenta com orgulho bandeiras e trajes típicos, seja no País Basco, onde o desejo de independência é uma utopia mas o feriado prolongado é bem vindo e ainda nos países da América Latina onde as comemorações têm características e motivações próprias.

Cristóvão Colombo (1451-1506), navegador genovês, inspirado por navegadores como Marco Pólo e suas viagens, encontra apoio para sua empreitada nos Reis Católicos de Espanha, Fernando V de Aragão (1452-1516) e Isabel I de Castela (1451-1504) já que italianos e portugueses não quiseram financiar seu projeto. Em 6 de setembro de 1492 Colombo parte do Porto de Palos na Espanha e depois de cinco semanas de viagem e vários problemas decorridos desta, chega as terras que chamariam de América no dia 12 de outubro de 1492. A expedição chega onde provavelmente hoje se localizam as Bahamas, passando depois pelo que atualmente corresponde aos territórios de Cuba, Haiti e República Dominicana.

O feito de Cristóvão Colombo é de fundamental importância para nossa história. Com sua chegada à América ele consegue naquele tempo, unificar o planeta, já que ao chegar ao Caribe – imaginando estar na Índia - havia aproximadamente nove milhões de nativos no hemisfério ocidental, os quais, não faziam idéia da existência do hemisfério oriental. Por outro lado, os próprios europeus não imaginavam haver um continente a oeste. Hemisférios tão distintos entre si e independentes, que naquela época era como se fossem verdadeiramente separados. Colombo ainda faria mais viagens de colonização com apoio da coroa Espanhola, morrendo em 1506 sem ter atingindo a Ásia. Suas “descobertas” foram recebidas com entusiasmos por parte do governo da Espanha, que prosseguiu com o processo de exploração e colonização das terras. É então que surgem as expressões “Novo Mundo” e “Velho mundo” que até hoje ouvimos.

Lendo alguns textos, percebi que o dia de hoje suscita discussões e sentimentos dos mais variados: alegria, euforia, nostalgia e também lugar para protesto, rancor, desdém e outros adjetivos. De um lado a figura dos destemidos navegadores e dos conquistadores impiedosos, do outro os dóceis gentis e povos autóctones massacrados, clamando por justiça e querendo de volta o que lhes foi tomado. Eu me pergunto: - Nesse processo todo, há de fato vencedores e vencidos? Como bem explorou o Prof. Leandro Karnal em uma aula sobre América… Não seria essa questão mais um axioma historiográfico?

O que ganhamos e o que perdemos nós latino-americanos com a viagem de Colombo?

Não vim aqui para esclarecer ou dar respostas, vim para provocar… provocar algo de reflexão. Além da opinião dos outros - a qual podemos aceitar ou não -, formulemos a nossa própria, os fatos estão aí para que qualquer um possa analisá-los e chegar a síntese própria. Como diria Descartes “Penso, logo existo” e… depois de pensar, relaxe ao som de Vangelis e a bonita trilha sonora do filme “1492 A conquista do Paraíso” do Ridley Scott (1992).



domingo, 11 de outubro de 2009

Política, Igreja e Máfia: A tríade italiana.

Ahh! A Itália... meu sonho de consumo. Pensado bem, meu sonho de cultura La bella Itália e toda aquela beleza renascentista, em especial a Toscana com seus girassóis, gastronomia, vinhos, arte e arquitetura, essa região me encanta e atrai sobremaneira. Berço de artistas, pensadores, religiosos, eminências pardas e conspiradores, Florença é onde a “fogueira das vaidades” sempre deu o que falar ou queimar - como na época de Savonarola - porém, essa briga de egos e disputa de poder não foi privilégio do homem do renascimento ou somente da Itália, mas... ela sempre estampa algum jornal para além do caderno da cultura. Sai um, entra outro… o circo está montado. O Berlusconi que o diga, o povo precisa de circo e às vezes... um fim de semana no camping.

Essa acidez toda é um pouco de “dor de cotovelo”. Isso mesmo, frustração por “ainda” não ter conhecido um pouco da Itália. A culpa é dos franceses! Deixa pra lá, isso é outra história.

Na realidade voltei a divagar sobre a Itália ao sair do cinema. Ontem, fui ver “Il Divo” com direção e produção de Paolo Sorrentino (Itália / França, 2008), filme presente na 33ª Amostra Internacional de Cinema de São Paulo que acontece de 25/10 a 5/11/09. Não se trata de um filme divertido, é de fato um drama, mas, possui enquadramentos, personagens caricatos como o próprio Andreotti (Toni Servillo, que também fez Gomorra de Matteo Garrone) e trilha sonora que arranca algum riso do público. Para mim, o mérito do filme está na forma como mostra as relações entre política, Igreja e a máfia na Itália - por vezes até parecem uma só - através da trajetória de Giulio Andreotti “Il Divo”, um dos políticos italianos mais influentes e controversos do pós-Guerra. Sete vezes primeiro-ministro, teve a carreira marcada por conflitos eleitorais, atentados terroristas e várias acusações, apesar disso, nunca perdeu a serenidade e um certo carisma. Diferente de outros políticos da Itália e de outras partes do planeta, abriu mão da sua imunidade a favor da investigação que sofria e em 2004, após 11 anos de processo, foi absolvido da pena, mas não da culpa. No inicio dos 90, próximo dos 70 anos, Andreotti não tem medo de nada e ninguém, sabe lidar com o poder, saindo incólume das suas batalhas políticas e do processos judiciais pelos quais passou, até que a Máfia atravessou o seu caminho. Andreotti “a raposa” como é chamado por seus adversários políticos, é um homem aparentemente frágil, mas na verdade é uma fortaleza que faz frente a tudo, por anos e décadas até à morte. Como ele mesmo mencionou em seu 90º aniversário, quando indagado, disse não ter medo da morte e que “Se vou mesmo para o paraíso, não sei. Mas talvez ganhe um desconto no purgatório”. Quanto a sua lápide, o veterano político sugere a seguinte frase “Cuidem de seus próprios problemas”.

Bem, se você quer saber um pouco mais do mundo para além do show business e retornar ao passado não tão distante, vá ver "Il Divo". Não se incomode se você for o mais jovem da sala de cinema, no auge dos meus 40 e na sessão das 16h45 num cinema de Lisboa eu era a mais jovem, todos que ali estavam já eram jovens ou adultos no 25 de Abril de 1974 - Revolução dos Cravos - e de tudo que ouvi e vi no filme, somente a menção ao atentado que matou o juiz italiano Giovanni Falcone em 1992 é que tenho alguma memória, contudo sei que para compreender um pouco mais o panaroma global atual há que se voltar no tempo para entender causas e consequências. Capicce?


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Amália Rodrigues revisitada.

(“Amália Rodigues” grafite de Jef Aerosol na Travessa de Queimada, Bairro Alto, Lisboa)

"O sal das minhas lágrimas de amor criou o mar
Que existe entre nós dois pra nos unir e separar
Pudesse eu te dizer a dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração nesta paixão que não tem fim

Ausência tão cruel, saudade tão fatal!
Saudades do Brasil em Portugal!

Meu bem, sempre que ouvires um lamento
Crescer, desolador, na voz do vento,
Sou eu em solidão pensando em ti,
Chorando todo o tempo que perdi!"


(“Saudades Do Brasil Em Portugal” fado que ficou conhecido na voz de Amália Rodrigues,
composição de Vinicius de Morais / Homem Cristo)

Uma década sem a rainha, sem a dama do fado. Portugal revive a trajetória da diva “Amália Rodrigues” (1920-1999) através de documentários, exposições e relatos dos que conviveram de perto com a filha mais ilustre de Lisboa. Nasceu Amália da Piedade Rodrigues, na freguesia lisboeta da Pena, a vizinhança foi pouco para tanto talento, de Lisboa para Europa e da Europa para o mundo. Amália Rodrigues levou o fado para os quatro cantos do planeta: de Lisboa para Madrid, passando por Roma, Londres, Rio de Janeiro, Nova York, até chegar a Hollywood meca do showbisness. Com Amália o fado extrapola ruas e vielas de Lisboa, deixa os retiros e casas rurais para inaugurar um novo conceito as “casas de fado”, segundo Amália “o fado não se canta, acontece”. Logo que aqui cheguei, há pouco mais de um mês, senti uma melancolia no ar, já disse isso em outro texto inclusive, às vezes penso: Será coisa minha? mas... sei que não, ouvindo outros brasileiros que aqui vivem escutei o mesmo, às vezes com outros adjetivos mas com o mesmo sentido. Dizem que a arte é a representação maior de um povo, um grupo… se for assim podemos perceber isso na música, creio que a alma portuguesa é um pouco como fado, alguns dizem que o fado teria herdado uma dolência e melancolia do canto dos mouros, os que aqui permaneceram após a retomada cristã ou ainda que o fado seria uma mistura de influências moura, africana e brasileira, de qualquer maneira e independente da sua verdadeira origem o fato é que o fado lisboeta é carregado do romantismo do século XIX, letras nostálgicas, mas também alegres, que falam das desilusões e esperanças do povo, dos amores e das tristezas humanas. Amália cantou os sentimentos contidos na poesia, cantou Camões e outros tantos nomes importantes do cenário cultural português e mundial. Confesso que pouco sei ou ouvi do fado, sei que Amália Rodrigues esteve muitas vezes no Brasil, até casou-se com um brasileiro, mas cresci ouvindo outros estilos musicais, sei também, que Amália Rodrigues pertence à constelação das grandes estrelas como: Edith Piaf, Maria Callas, Carmen Miranda, Mercedes Sosa, além de outras mulheres que em lugares e tempos distintos marcaram com graça, força e coragem o cenário artístico mundial. Ainda bem que nunca é tarde para conhecer, para viajar e se encantar com o novo, por isso hoje, 6 de Outubro de 2009, no 10º Aniversário da morte de Amália Rodrigues, fadista portuguesa que emocionou e emociona corações no mundo todo e em especial o do povo luso, aproveito para render homenagem através da Amália revisitada, seja na imagem do artista francês Jef Aerosol ou através da música que ouvi no rádio dia desses e gostei… descobri que “Gaivota” composição de Alexandre O'Neill e Alain Oulman, imortalizada pela diva Amália, faz sucesso hoje na voz de Sónia Tavares e do projeto “Amália Hoje” da banda The Gift, fazendo com que avós, país e filhos revivam ou conheçam – no caso das novas gerações – a importância do fado para história de Portugal e relembrem seu ícone maior.

“Se uma gaivota viesse Trazer-me o céu de Lisboa No desenho que fizesse, Nesse céu onde o olhar É uma asa que não voa, Esmorece e cai no mar. Que perfeito coração No meu peito bateria, Meu amor na tua mão, Nessa mão onde cabia Perfeito o meu coração”(…)


domingo, 4 de outubro de 2009

Raios que me partam!

Raios sobre a Bobadela, Lisboa (foto_autor desconhecido)


Estava eu no quinto sono quando de sobressalto acordei, aliás, acordei assustada, tamanho estrondo que ouvi. O que seria aquilo? Comemoração antecipada da passagem de ano? Alguma pedreira sendo dinamitada? Implosão de algum prédio vizinho? Ou seria São Pedro dando uma ordem no céu e ao mover algum móvel fez aquele barulho todo? Na realidade, a resposta não é nenhuma das anteriores. O que me fez acordar do sono dos justos, foram os raios - relâmpagos seguido de trovões - (*), que caíram aqui na região de Lisboa… chuva mesmo nada, mas… o barulho. Na hora pensei… “raios que me partam” como posso dormir assim. Tenho medo de duas coisas nesta vida: filmes de terror e relâmpagos e trovões. Me lembro que quando vivia sozinha, ainda no Brasil, quando chovia forte e havia muitos relâmpagos e trovões, me deitava na cama e de lá saia só quando tudo acabasse. Segundo estudos de probabilidade, as chances de ganharmos na Mega Sena é de 1 em 50.063.860, já a de ser atingido por um raio é de 1 em 576.000, com certeza a primeira opção é de longe a única desejada por nós, contudo, a sorte de fotografar esse bonito fenômeno natural é para poucos, primeiro, porque você tem que estar no lugar e hora certa, bem posicionado e seguro, além ter um bom equipamento. Mas a máquina não é garantia de uma boa imagem, saber usar suas funções é fundamental. O tempo de exposição determinado pela velocidade do obturador em combinação com a abertura do diafragma é o que permitirá a entrada de luz que comporá a foto, além da focagem manual no infinito e uso de um tripé para estabilização da imagem garantirão o resultado, ainda há a variante da foto noturna ou diurna, pois, fazer fotos de raios durante o dia é bem mais difícil, coisa para profissional ou aficionado.

Voltando aos raios, esses dias, recebi por e-mail as fotos dos famigerados e belos raios que me acordaram, fotos sacadas desde algum prédio vizinho aqui na Bobadela, Lisboa, onde podemos ver a ponte Vasco da Gama e o Rio Tejo - cartões postais da cidade -, cujo autor desconheço. A imagem é tão bonita, um verdadeiro espetáculo de luz, que não pude deixá-la guardada na minha caixa postal. Como diria Dickie Vigarista (personagem da Corrida Maluca) “Raios, raios duplos, triplos. Particularmente prefiro a famosa “Vá pros raios que te partam”, risos... imagine como seria desaparecer no melhor estilo Jeremy Reed, protagonista do filme “Energia Pura” (Powder, 1995). Agora... pense bem antes de dizer: "Quero que um raio caia na minha cabeça se eu estiver mentindo", olha que há mais possibilidade de isso ocorrer do que você ganhar na loteria.

(*) “Um raio dura em média meio segundo. Nesse intervalo de tempo, muitos fenômenos se combinam, principalmente físicos e climáticos, para resultar naquilo que vemos e ouvimos. Conforme eles variam, as descargas podem ser mais ou menos intensas. Algumas regiões do planeta têm maior tendência a produzir descargas elétricas atmosféricas. As principais conseqüências das descargas elétricas atmosféricas (raios) são a luz (relâmpago) e o som (trovão). Os relâmpagos são produzidos basicamente pela radiação eletromagnética emitida por elétrons que, após serem excitados pela energia elétrica, retornam a seus estados fundamentais. Isto ocorre principalmente na Descarga de Retorno e por esta razão, no caso da descarga nuvem-solo, a geração da luz é feita de baixo para cima. A luz do relâmpago é bastante intensa devido à grande quantidade de moléculas excitadas. Pode-se observar que as ramificações do canal são menos brilhantes pela menor quantidade de cargas presentes nessa região. A geração de luz dura cerca de um décimo de segundo. Portanto, os fótons produzidos no início da trajetória, apesar de chegarem primeiro na retina do observador, conseguem mantê-la sensibilizada até a chegada dos fótons provenientes do final da trajetória. Por isso, é comum se pensar que o canal se iluminou todo de uma vez ou ainda que o relâmpago caiu, vindo de cima para baixo, talvez por colocarmos a nuvem como nossa referência. Geralmente a luz do relâmpago é de cor branca, mas pode variar, dependendo das propriedades atmosféricas entre o relâmpago e o observador”.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Amor e a Pomba.

Sevilha, Espanha (foto by_Meg Mamede)

Venho aqui para falar do amor. Mas do amor que é meu, não de outra pessoa, ou dele, ou nosso. Do amor que emana de mim. Que está no meu coração e que só eu conheço. Alguém pode até percebê-lo, mas... ninguém o sente como eu. Porque é: o meu amor. Ele tem razão quando diz que "o Amor é como uma pomba que... costuma voar, fugir, se tentamos pegá-la, mas que permanece ao sentir-se livre". Pois então, deixo-te livre para voar ou permanecer, porque esse amor que menciono é meu, sou eu que o sinto e quero sentí-lo. Ele é meu e quero dar-te, como quando me ensinastes que o que é nosso damos a quem queremos e da maneira como queremos, seja a pessoa merecedora ou não. Mas você! Você merece todo o meu amor e... se quiser sabe exatamente onde encontrá-lo.


"Voe por todo mar e volte aqui
Voe por todo mar e volte aqui
Pro meu peito...

Se você for, vou te esperar
Com o pensamento que só fica em você

Aquele dia, um algo mais
Algo que eu não poderia prever
Você passou perto de mim
Sem que eu pudesse entender
Levou os meus sentidos todos pra você

Mudou a minha vida e mais
Pedi ao vento pra trazer você aqui
Morando nos meus sonhos e na minha memória
Pedi ao vento pra trazer você pra mim

Vento traz você de novo
O Vento faz do meu mundo um novo
E voe por todo o mar e volte aqui
E voe por todo o mar e volte aqui
Pro meu peito..."


("Vento" composição de Márcio Buzelin, música do Jota Quest)

Outras viagens que podem interessar:

Related Posts with Thumbnails