sábado, 12 de setembro de 2009

Por onde tenho andado.

Detalhe do Monumento aos Navegantes - Lisboa (foto by_Meg Mamede)

Navigare necesse, vivere non est necesse".
(Pompeu, General Romano)

As férias de verão acabaram. Os europeus retornam à rotina. As crianças iniciam novo ano letivo, enquanto os adultos enfrentam a tal depressão pós-férias - algo novo que ouvi no rádio dia desses - e eu desembarquei em Lisboa. Na realidade antes de chegar aqui, na terra do Pessoa, dos pastéis de Belém, da arte manuelina e do fado, estive a conhecer outros tantos lugares de Portugal. Em companhia das meninas Nerea e Ainhoa e de Joseba, deixei a Espanha rumo ao país vizinho, passando pelas já conhecidas Salamanca e Cáceres, onde as meninas fizeram questão de ir, por conta das piscinas que adoraram estar no ano passado. Dessa vez entramos em Bejar, uma cidade a caminho de Cáceres, da estrada se vê a muralha e parte do que restou das construções antigas, a cidade apesar de seu passado medieval, nos pareceu um pouco decadente, ladeiras e ruas estreitas onde motoristas descuidados trafegam como se estivessem em uma rodovia. Nessa época do ano as temperaturas podem chegar aos 40 graus fácil, fácil, por isso as cidades ao longo do dia são quase cidades fantasmas. Somente o turista de passagem e o burro – me refiro ao animal quadrúpede macho da mula - é que se arrisca ao sol, por isso as fontes de água e os lugares climatizados são tão importantes, além é claro, de muito protetor solar e água para hidratar. Eu é que o diga, o calor me deixa insuportável, me comporto como uma criança mimada e impertinente, dessa vez, depois de muitos anos fiquei feito “camarão”, descuidei da proteção solar e, em Cascais, litoral de Lisboa, o vento frio me fez sair da sombra, não senti o calor e com pouca proteção tive parte do corpo bastante queimado, depois senti até calafrios, Nerea brincava comigo dizendo que queria esquentar os pés frios na minha perna quente... risos. Voltando ao nosso roteiro, saímos da Praia do Guincho em Cascais e seguimos para Sintra, andamos um pouco e o clima mudou totalmente, a neblina deixava tudo encoberto e notávamos o ar frio ao abrir a janela do carro, uma região de Serra, com mata mais densa e brisa bastante fresca. Seguindo os trilhos do elétrico (o que no Brasil chamamos de bonde), logo fomos descobrindo uma cidade que há alguns séculos atrás serviu de refúgio de veraneio para monarquia portuguesa, com Palácios românticos e Castelos, entre os quais destaco o Castelo dos Mouros, construção remanescente do século IX - período da ocupação muçulmana na Península Ibérica - que bravamente Ainhoa explorou com Aita, enquanto Nerea e eu provávamos amoras e enchíamos as garrafas de água em uma fonte ao pé da muralha, depois fomos à Quinta da Regalera, construção do XVII em estilo manuelino. Já nas ruas estreitas do centro histórico a cidade nos presenteou com imagens, aromas e sabores, porém para o turista mais sossegado, vale dizer que: não demore a sair, pois os portugueses fecham o comércio muito cedo e você pode não provar aquele vinho ou pastel. Na estrada novamente, desta vez seguimos para Nazaré, lugar muito peculiar, onde a pesca dita os usos e costumes dos seus habitantes, o contraste das barracas de praia coloridas com os trajes negros usados por mulheres e homens da cidade confere um ar curioso ao lugarejo e, os mais idosos são os que mantêm viva a cultura local, entre elas a de secar os peixes no areal perto dos barcos coloridos, lugar ideal para apreciar as delicias do mar, aproveitamos para comer “Arroz de Marisco” prato preferido de Joseba, à base de arroz, mariscos e peixes, com um toque todo especial dado pelo coentro. Próxima parada Torreira – Aveiro – onde além da bela praia para os amantes do surf, a Ria de Aveiro é um atrativo à parte, a tranquilidade das águas com seus barcos de pesca, nos convida ao relaxamento. Depois de alguns dias e noites explorando parte de Portugal, veio o pior momento: despedir-me das meninas Nerea e Ainhoa e de Joseba, o que aconteceu na cidade do Porto...meu coração que partiu ao sair do Brasil em 2008, quando deixei minha família, agora partiu-se novamente ao deixar minha família basca, essa que me recebeu tão bem e com a qual vivi os últimos 17 meses... “que lastima pero adiós, me despido de ti y me voy”... sinto um nó na garganta sempre que lembro desse momento. Mas nem tudo é tristeza, elas me deixaram e levaram outra passageira, isso mesmo, uma iguana portuguesa, rs, que a pedido das meninas, Joseba comprou no Porto, resta saber se ela, acostumada a couve, irá comer acelga ou canonegos. Já no Porto reencontrei a amiga Talita, aquela que conheci na FLIP 2004 em Paraty e juntas passamos dias divertidos e muito produtivos, ela me mostrou a cidade do Porto, fomos também a Bussaco visitar o Palácio de Bussaco – hoje hotel – construído pelos monarcas portugueses no XIX em estilo neo-manuelino, contando com um conjunto que exibe uma riqueza de decoração e uma exuberância de arcos abobadados, escadarias em mármore, tapeçarias raras, quadros de mestres pintores e peças de alguns dos mais notáveis artistas portugueses, para espanto e encanto dos hóspedes e visitantes. Ao cair da tarde chegamos a Coimbra, onde pudemos admirar a cidade alta desde a margem do Rio Mondego. Aproveitamos para fazer fotos, tomar um café e falar do futuro, nosso futuro aqui na Península Ibérica. Tudo isso me fez lembrar a necessidade que o Homem tem de renascer, reinventar-se como bem escreveu Fernando Pessoa “Viajar! Perder países! Ser outro a cada dia”… Não pense ser fácil, eu tenho tentado. Eu tenho andando por aí, mas... meu coração ficou na Espanha.




Slide show - Fotos by_Meg Mamede

Um comentário:

Obrigada pela visita e comentário. Em breve seu comentário será publicado.

Outras viagens que podem interessar:

Related Posts with Thumbnails