sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Coisas de Criança.


Quando nasci, plantaram uma jaboticabeira no sítio, curioso que assim como eu, ela nunca deu frutos, a última vez que lá estive, em janeiro do ano passado, ela continuava firme e forte, sem uma jaboticaba sequer. Tenho uma marca de nascença, entre a cintura e o quadril do lado direito que se assemelha a uma folha, segundo minha mãe – a D. Albertina – quando estava grávida teve vontade de comer ameixa do pé que tínhamos em casa, lá subiu e se fartou, horas depois descobriu uma folha da ameixeira justamente no lugar onde levo a tal marca. Se tem alguma relação lógica? Nem imagino, mas... me faz graça ouvir essas histórias. Na infância muitas foram as árvores que subi, no sítio da nossa família tinha de tudo, a maioria árvores frutíferas. Entre macieiras, laranjeiras, pitangueiras, ameixeiras, pessegueiros e outras eiras e eiros cresci. Em casa tínhamos uma preciosidade, uma goiabeira gigante que era nossa diversão, até que um dia o pai acabou com ela alegando fazer sombra para as outras plantas da pequena horta. Adulto tem cada coisa! Aquela goiabeira era nossa alegria, ali brincávamos eu e meus irmãos – éramos cinco – e os amigos todos. Uma vez, um desses fotógrafos que batiam de porta em porta, entre os 70 e 80, para fazer fotos caseiras – quem tem entre 30 e 40 anos deve ter alguma foto dessas perdida em algum canto – fez umas fotos nossas no quintal, dias de mato alto… eu claro, subi na goiabeira e esbocei um sorriso tímido, tinha 12 anos. Noutra vez, fizemos guerra de goiaba e entre goiabas verdes que doíam à bessa quando nos acertavam e as maduras que viravam uma “meleca” a tarde foi curta para tanta diversão, essa árvore também era nosso esconderijo quando aprontávamos alguma coisa em casa, passávamos horas na parte mais alta da goiabeira, fugidos da mãe. Nessa época também, não me lembro ao certo se com 11 ou 12 anos, plantei minha primeira e única árvore, uma ameixeira. Foi na escola onde eu estudava e em comemoração ao dia da árvore. Não sei se transplantaram a árvore de lugar, pois há alguns anos novas salas de aula foram construídas no espaço onde algumas árvores foram plantadas naquele dia, ao menos cumpri um dos objetivos para realização do Homem: o de plantar uma árvore – também comprei um bicicleta, mas… ainda não escrevi um livro (serve um blog?) e não tive filhos -. Em casa, meu pai – o Sr. Mamede – não cansava de se valer dos poderes medicinais das árvores, suas folhas, flores, etc – para a diarréia ele nos dava folhas de figueira ou broto de goiaba, para pedra nos rins, várias foram às vezes que tomamos uma mistura na qual as folhas do chapéu de couro, aquela árvore praieira era um dos ingredientes. Ah! Mas as árvores também podem ser mal empregadas, como no caso dos pequenos caules do pé de marmelo, isso mesmo, uma vez, creio que tinha uns 7 anos, apanhei de vara de marmelo, por um motivo banal, a mando da minha avó paterna minha mãe me deu uma varada na perna, chorei de soluçar e demorei anos para ver minha avó com outros olhos, sempre que olhava para ela via a tal vara de marmelo. Me lembro também de um domingo no parque municipal da minha cidade, onde eu e mais alguns amigos resolvemos fazer uma pequena trilha seguindo um dos garotos que dizia conhecer bem o caminho, o que no começo foi divertido, logo tornou-se assustador, no fim da tarde nos perdemos entre aquelas árvores todas e, se não fossem os bombeiros e funcionários do parque, teríamos passado parte da noite entre tombos, espinhos e carrancas que algumas árvores nos sugeriam. Como já disse em outro texto, às vezes uma imagem, um e-mail, um artigo de jornal me transporta ao passado… Relembrei essas pequenas histórias de criança, justamente porque recebi um e-mail do IVA Voluntariado sobre a Campanha “Dia da Árvore – Plante essa ideia” e resolvi escrever sobre as árvores da minha vida…risos. Escrevemos sobre paixões, viagens e outras coisas, porque não falar das nossas árvores. E por falar em nossa árvore - de acordo com nosso nascimento - a minha é a Macieira, coincidência ou não, era a primeira árvore para a qual eu me dirigia quando chegava ao sítio da minha avó materna. Bons tempos aqueles.


Um comentário:

  1. A minha infância foi muito produtiva em termos de imaginação. Mas se eu pudesse voltar a ela, algumas atitudes eu as tomaria de forma diferente. Crescendo e aprendendo.

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