quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Лефортовский тоннель - Túnel Lefortovo

Quando vemos filmes cheios de perseguição, acidentes de trânsito e derrapagens, logo nos vem à mente... "é só um filme" que exagero. Mas, o que as câmeras de segurança podem captar em estradas e tunéis pelo mundo a fora, é deixar qualquer set de filmagem para trás. As imagens a seguir foram captadas no Túnel Lefortovo com 2,2 km de extensão em Moscou, Rússia. Considerado o túnel mais longo do mundo, dentro de um perimêtro urbano, foi apelidado de "Túnel da Morte". O rio Yauza passa por cima do túnel e a água infiltrada goteja em algumas áreas. Quando a temperatura cai, durante o rigoroso inverno russo, parte da pista congela, resultando nas imagens a seguir:

video

Se for a Moscou, lembre-se... "desacelere".

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Minha vida em ruínas.

Segunda-feira fomos ao cinema ver “My life in ruins” que no Brasil leva o título de “Falando Grego” com estréia prevista para 11/09 (não sei porque colocar títulos tão diferentes do original) talvez para chamar a atenção do público menos interessado, os que não estão atentos a sinopses e comentários... “Minha vida em ruínas” teria muito mais sentido. Tudo bem, não quero discutir essa questão, na realidade quero falar do filme e comentar passagens com as quais me identifiquei. O filme conta com Nia Vardalos, atriz nascida no Canadá (de ascendência grega) que ficou conhecida por seu papel em “My big fat greek wedding”, originalmente, um monólogo para o teatro que se transformou no sucesso de cinema do ano de 2002 “Casamento Grego” produzido por Rita Wilson (esposa de Tom Hanks, também descendente de gregos) e dirigido por Joel Zwick. “My life in ruins” trata-se de uma comédia romântica que tem a Grécia, mas precisamente Atenas como cenário (e algumas cenas rodadas em Alicante, Espanha), onde a historiadora desempregada, Georgia, aceita trabalhar como guia turística em uma pequena agência de viagens. Entre turistas estereotipados e belas paisagens o filme transcorre dentro do esperado para o gênero. O que me levou ao cinema, verdadeiramente, foram as belas paisagens de Atenas, atualmente ameaçada pelo grande incêndio que há dias castiga a Grécia, pode parecer uma bobeira, mas o fato de ainda não ter conhecido o berço da civilização ocidental pessoalmente e vendo as notícias dessa catástrofe, me fizeram ir ao cinema para ver as lindas panorâmicas daquele lugar. Como disse antes, há momentos do filme com os quais me identifico, na realidade, quando a protagonista desabafa sobre o desinteresse dos turistas em saber sobre a história dos lugares que visitam, enquanto ela fala sozinha, os demais se preocupam em comprar souvenires e tirar fotos. Verdade seja dita, é exatamente como me senti durante o período em que dei aulas de história. A alienação e desprezo para com momentos determinantes da humanidade me frustaram um pouco, por sorte, alguns alunos me salvaram da decepção total. O filme também me mostrou que há sentimentos e sensações que são universais, coisas que imaginava serem só minhas, como quando, Georgia, tendo conquistado o grupo de turistas, consegue fazê-los perceber que a dimensão do lugar transcende tempo e espaço, momento em que pede aos turistas que em silêncio ouçam o som do vento por entre as colunas do Paternon, o mesmo som que há cerca 447 a.C já ouvira os gregos. Assim me sinto quando viajo para algum lugar novo e visito monumentos ou museus, assim me senti em Cáceres no verão passado, quando caminhando por ruelas da cidade medieval, me imaginava como se estivesse ali em outras épocas, vendo e escutando as pessoas que ali passaram e viveram, assim me senti em Mérida visitando o Anfiteatro e o Teatro Romano, onde assisti a Electra de Sófocles e Eurípedes, no 54º. Festival de Teatro Clássico de Mérida e me transportei no tempo, ou ainda, o misto de curiosidade e morbidez que experimentei na Capela dos Ossos em Évora, Portugal. Momentos únicos que me fazem desejar ser imortal, somente por saber que não terei tempo para conhecer tudo o que gostaria de conhecer. Em realidade, não se trata bem de tempo, se não oportunidade, por isso o cinema tem para mim lugar de destaque, ele me leva para os lugares que ainda não fui e... que talvez jamais estarei. E você... tem ficado em silêncio para escutar, presenciar a história dos lugares por onde passa?

Falando Grego - Título original: My life in ruins.
Elenco: Nia Vardalos, Richard Dreyfuss, Rachel Dratch, María Adánez, Macarena Benites, Sheila Bernette, Heather Blair, María Botto, Jareb Dauplaise, Alexis Georgoulis.
Direção: Donald Petrie
Países: USA / Espanha
Ano: 2009
Gênero: Comédia
Duração: 98 min.
Veja o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=hQ5-xyE6J0w

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

No palco da vida.

"Vejam só Que história boba eu tenho pra contar
Quem é que vai querer acreditar
Eu sou palhaço sem querer
Vejam só Que coisa incrível o meu coração
Todo pintado nessa solidão
Espera a hora de sonhar
Ah, o mundo sempre foi Um circo sem igual
Onde todos representam bem ou mal
Onde a farsa de um palhaço é natural" (...)

(Trecho de "Sonhos de um palhaço" música de Antônio Marcos e Sergio Sá)




Marco Cardoso como Careta em Apresentação da Banda Horu’s Trio Combinações


Ele já foi Creonte, Jesus Cristo, bêbado, caipira, marujo, figurante, animador, Chalaça – o amigo do imperador - e muitos outros. Já fez comédia, tragédia grega, curtas, longas, projetos educativos, dublagens, clow e muita “palhaçada”. Usou chapéus e “levou alguns também”. Fez rir e chorar. Emocionou crianças, adultos e velhinhos. O incrível é que ele sempre foi meio desligado, desde criança. Eu me pergunto: Como consegue lembrar as falas e decorar os textos? Sei lá!! O improviso também é uma arte. Quem é o figura? Tô falando do meu irmão ator. Isso mesmo, tenho um irmão ator, ator(mentado), risos. Marco Cardoso, Moica para uns, para mim eternamente Marquinho. Num mundo, onde a máxima “pão e circo” está presente desde a antiguidade e sobretudo no cenário político, ganhar o pão com a arte de representar é que é uma arte. Marquinho “te amo” e não estou representando!

Senhoras e Senhores! E... com vocês Marco Cardoso!

** Fotos do arquivo pessoal de Sabrina Carvalho.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Coisas de Criança.


Ela tinha 11 anos, por primeira vez fazia parte de algo importante. Era a 1ª. suplente (ou vogal) na chapa de alunos que havia ganho as eleições escolares (quanta ingenuidade). Naquele tempo em que Educação Moral e Cívica e OSPB (Organização Social e Política do Brasil) eram disciplinas levadas a sério - caso contrário, sério seria a bronca -, uma vitória nas urnas conferia certo status aos alunos. Ensinavam-lhes que tinham muitas obrigações e que deveriam cumpri-las da melhor maneira possível, entre as quais: a de representar seus colegas nas reivindicações e buscar soluções para os problemas do grupo, a de aprender e cantar corretamente o hino nacional, a de respeitar os símbolos nacionais e a de conhecer protocolos como: hastear, arriar e dobrar adequadamente a bandeira nacional demonstrando-lhe respeito, deferência sempre, mesmo que isso significasse pagar o maior mico (risos). E foi exatamente isso que ocorreu... um mico cívico. Acontecimento que quase provoca uma CPI escolar, o que seria muito educativo, para não dizer saboroso, afinal, essas coisas sempre acabavam em “pizza”.

Num fim de semana qualquer e por um motivo qualquer, ela foi incumbida por uma professora – aliás, não era uma professora qualquer, era a assistente da direção, cargo importante na hierarquia escolar naqueles tempos - de passar na escola, arriar a bandeira e levá-la para casa, devolvendo-a na segunda-feira quando fosse à aula. E foi exatamente o que ela fez. Tocou a campainha, como o caseiro não apareceu, ela resolveu, depois de esperar alguns minutos, escalar o muro da escola e pular para dentro do pátio, em seguida, subiu a escada que dava para a quadra de esportes, onde três mastros ostentavam as bandeiras em dias de festa, e aproximou-se, naquele dia havia somente a bandeira do Brasil hasteada e a coisa ficou mais fácil, sozinha, com o corpo ereto e a mão no peito, ela cantou afinada o hino nacional brasileiro (risos, muitos risos), depois, arriou com todo cuidado aquela flâmula e dobrou-a como lhe ensinaram, em forma de uma “esfiha”, melhor dizendo, de um triângulo, pousou-a no antebraço esquerdo e deixou a escola rumo à casa, feliz da vida, com a sensação de dever cumprido e orgulhosa de si mesma.

Quando já havia chegado a casa e passado alguns minutos, ela escuta uma sirene, alguém a chamava pelo nome no portão. Era um policial – marido de outra professora – que foi a pedido da esposa buscar a bandeira na escola e deparou com o mastro vazio. Ao sair, um vizinho lhe contou que uma menina franzina, de cabelos curtos, havia pulado o muro e levado a bandeira, com mais algumas informações ele facilmente chegou até a “meliante” que supostamente havia surrupiado a bandeira da escola. Ao ser indagada, ela confirma estar em posse da bandeira, conta sua história e se nega terminantemente a entregá-la, dizendo que só a entregaria na segunda-feira para professora que lhe havia destinado aquela missão, disse também que era integrante do grêmio escolar e que havia cantado o hino nacional inteirinho e sem errar antes de arriar a bandeira e em seguida, pergunta ao policial:

- Você sabe cantar o hino nacional? E... o cantaria antes de arriar a bandeira?

Houve silêncio por alguns segundos. O policial apenas riu e foi embora.

Ela demorou anos para entender o porque daquele riso.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fazendo amigos.

Eu e Roberta (Orduña, Espanha)

Li esses dias uma frase sobre a amizade, não lembro onde, dizia assim "para fazer um amigo, temos que fechar um olho e para mantê-lo fechar os dois" acredito que tenha alguma verdade nisso, acredito também que devemos abrir os braços, o sorriso e sobretudo o coração, afinal, somos imperfeitos, humanamente imperfeitos. Eu me sinto feliz com os amigos e amigas que tenho e é justamente de uma delas que quero falar, melhor, escrever e quando ela ler este post já estará longe.

Hoje a amiga Roberta partiu com destino ao Brasil. O retorno à casa é sempre motivo de alegria, rever a família, os amigos, rever o "velho" com "novo" olhar, reecontrar-se com o passado e resgatar lembranças, por vezes esquecidas, mas, guardadas em algum cantinho da memória. Para quem fica, a certeza da saudade e um nó na garganta, para quem vai, esperanças de um novo começo.

Roberta, sabe por que não fui vê-la ontem? - Eu sou chorona. Hoje é você quem parte, minha única amiga "brasileira" em terras ibéricas. Que vontade de ir contigo! Mas... ainda não chegou minha vez, tenho coisas por fazer aqui. Espero poder revê-la em outro momento da vida, te dar um abraço, um sorriso, contar minhas histórias e ouvir as tuas e "fechar os olhos" no mesmo instante em que eu beijar teu rosto.

Me despeço momentaneamente com essa canção...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Parapente em Orduña.

Cartaz da 6ª Edição do Festival Aéreo Internacional de Orduña.

Desde que cheguei em Orduña, ademais dos plátanos que me encantam, a vista do Txarlazo e do Monte Santiago, ambos parte da chamada Sierra Salvada, sempre me fazem olhar às alturas e admirar a beleza do entorno. Ao sair da cidade e ao retornar, meus olhos buscam a imagem da Virgen de La Antigua, cravada com seus 25m de altura em um dos pontos do Txarlazo e me sinto em casa. Além disso, os dias de céu azul e bons ventos nos presenteiam com um espetáculo à parte, desde os balcões e janelas da Casa Llaguno podemos ver o balé de parapentes, às vezes até balões, colorindo o céu da cidade. Não contente em somente vê-los, tive que ir até onde pousam, para em seguida voar. Experiência inesquecível. Orduña é parada obrigatória para os apaixonados por esportes aéreos e todos os anos sedia um Festival Aéreo Internacional. As vistas lá de cima são de tirar o fôlego. A primeira vez que voei aqui, foi com o Joseba (competente parapentista da região), deixei o estômago nas alturas, gritei, senti o vento na cara e a uma sensação de liberdade indescritível. Há pouco mais de um mês aconteceu a 6ª Edição do Festival Aéreo, desta vez não pude aproveitar porque estava em Barcelona, mas, me lembro da edição anterior que aconteceu dias depois do meu vôo e cujo slogan “Vuela con Corazón” levo estampado em uma camiseta que ganhei de presente. A seguir veja um pouco da beleza de Orduña e o que rolou no “Volando voy, volando vengo” Orduña 2009.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Feijoada com "La Verónica"

Gonzalo de Diego e Paty Lloret (foto by Meg Mamede)

Éramos nove. As meninas Nerea e Ainhoa, Vicka, Joseba - nosso anfitrião - Roberta e Aitor, Paty e Gonzalo, do duo basco-argentino “La Verónica” e euzinha de cozinheira... risos, muitos risos, imagine a responsabilidade. O que seria um almoço diário e rotineiro transformou-se num evento, tudo porque, Joseba encontrava um amigo aqui outro lá e comentava da “comida brasileira” que íamos fazer em casa, logo, os convidava. De qualquer maneira eu passei boa parte do dia na cozinha e se viessem todos os convidados, seríamos uns quinze, mas... a feijoada “basca”, mais risos, estaria garantida. Como disse, a responsabilidade era grande, imagine preparar um dos pratos típicos brasileiros, sem nunca tê-lo feito antes. Verdade é que sempre foi meu pai, o Sr.Mamede como os vizinhos o conhecem, que prepara a feijoada lá em casa. Mas, não decepcionei, com um pouco de criatividade consegui suprir a falta de alguns ingredientes. Enquanto estava na cozinha, sempre chegava alguém olhava a panela de feijoada e dizia: Humm... alubias! E... eu, retrucava: - Não! Feijoada! Por fim, servi a feijoada quase completa: com arroz, mandioca frita (o que aqui encontramos com nome de yuca, como nas ex-colônias espanholas da América), com molho vinagrete (com o caldo do feijão e a pimenta à parte), laranja, caipirinha e uma substituta da couve, porque aqui na Espanha nunca encontrei couve, optei por uma espécie de acelga, cuja as folhas verdes e macias cortadas em tiras finas dariam o mesmo efeito se refogadas com azeite e alho, episódio esse que nos rendeu boas risadas, pois momentos antes do almoço, Joseba foi colher a tal acelga na horta de Aitite (avó em euskera) e justamente as folhas, as que eu ia utilizar no lugar da couve, ele jogou fora porque estavam feias e trouxe apenas os talos (que aqui utilizam para fazer uma espécie de ensopado com batatas e chorizo), ele teve que sair correndo para comprar acelga e, desta vez as trouxe intactas. De sobremesa, servi doce de abóbora com queijo e Roberta trouxe “palha italiana”. Um almoço que eu chamaria de uma quase “festa das nações” onde a comida e a bebida (piña colada para começar, seguido de capirinha, Lambrusco gelado e tinto de La Rioja) promoveram a integração entre bascos (espanhóis “por supuesto”) Joseba e suas filhas, Aitor e Gonzalo, Roberta e eu, brasileiras, a argentina Paty e a ucraniana Vicka, com muito sabor e humor também, porque ao longo do almoço o que não faltou foram piadas e histórias engraçadas. Para completar a festa, tivemos um dia ensolarado e, ao som de música brasileira da melhor qualidade passamos momentos divertidíssimos no jardim.

E por falar em música de qualidade... tive o prazer de conhecer a Paty Lloret e Gonzalo de Diego do duo “La Verónica”, amigos de longa data de Joseba e ouvir as composições do último trabalho deles, o cd Salta y LLora. Eu me diverti muitíssimo em companhia do casal e de Joseba, seguimos tomando Lambrusco e mais vinho tinto, ao final e com o calor que fazia no jardim, passamos à sala da Casa LLaguno. Paty aproveitou o piano e juntas cantamos um pouco, em seguida apareci com o violão de Joseba e depois ele trouxe sua velha companheira, a guitarra elétrica. Num canto da sala microfone e amplificador, em cima da mesa, garrafas de vinho vazias. Nesse cenário propício e regado a muito vinho, foi impossível ficar calada, então, aproveitei para fazer algo que sempre gostei, cantar. A música brasileira é apreciada por músicos de todo o mundo, em especial a MPB e a Bossa Nova, Paty me pediu que cantasse com ela algumas canções, entre as quais “Nada Mais” (versão de Ronaldo Bastos para canção Lately de Steve Wonder) cantada por Gal Costa e “Samba em Prelúdio” composição de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Não preciso dizer que adorei!!! A tarde ficou curta para tantas notas e risos, quando nos demos conta já era noite e aí, Paty e Gonzalo com violão e guitarra, mostraram um pouco do seu variado e ao mesmo tempo seleto repertório.

O dia que havia começado com uma “exquisita” feijoada brasileira, terminou com a “canja” do duo La Verónica, deixando-nos com gostinho de quero mais.

Os deixo com o vídeo clipe da música “Por que te vas” de La Verónica.

Experimente, você vai gostar!





Para saber mais sobre La Verónica acesse: http://www.laveronica.net/

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

E… por falar em imigração.


Esses dias meu eu imigrante tem falado mais alto, eu diria que tem GRITADO (faz pouco que descobri que letras maiúsculas no mundo virtual significa gritar…rs). Por que? Bem, quem sabe um dia desses desembesto a contar a situação atípica que passei há quase um mês atrás e todos compreenderão melhor tudo isso. Por hora me contento em comentar notícias, fatos e artigos que leio por aí. O momento é propício. A crise econômica que atravessamos transforma o imigrante em delinqüente, reforça os esteriótipos e só quem já foi imigrante um dia sabe do que estou falando, um exemplo foi o encontro que tive com duas bolivianas, uma marroquina e outra brasileira dia desses, a certa altura da conversa e falando do momento atual para os imigrantes aqui na Europa, fizemos piada da nossa situação, comentamos que se a polícia de imigração nos visse diria tratar-se do encontro entre narcotraficantes, terroristas e prostitutas, rimos, porque melhor que ninguém sabemos quem somos, de onde viemos e para que viemos. Mas que isso incomoda, incomoda, verdade seja dita ou cantada “nem toda feiticeira é corcunda e nem toda brasileira é só bunda” assim como, nem todo árabe é homem-bomba e latino-americano tranficante.

Acredito que ser imigrante em qualquer parte do mundo ou época tem lá suas dificuldades, às vezes mais, às vezes menos. Me lembro do caso do rapaz de Minas Gerais Jean Charles, brutalmente assassinado pela polícia inglesa em 2005, confundido com um terrorista, para não citar outros casos de menos repercussão e desconhecidos. Todo dia deparo com algum artigo no jornal, notícia na TV ou Internet, além de relatos que ouço. Hoje no jornal El País li um artigo interessante na coluna Opinión da escritora Carla Guimarães, brasileira de nascimento e agora espanhola “também”, que trata justo do tema que tanto tem surgido nas minhas últimas conversas e escritos, por isso, resolvi compartilhar o artigo na íntegra, sem traduzí-lo, porque... se tem uma coisa que nós brasileiros temos facilidade ou ao menos nos esforçamos é a de compreender o idioma do “outro”, coisa muito diferente aqui na Europa, há coisas que são muito peculiares e nossas, que país algum possuí, como... essa alma grande e a hospitalidade imensa do nosso povo, acolhimento e curiosidade pelo novo, características que só fui compreender melhor quando deixei esse “Gigante pela pópria natureza” chamado Brasil. Hoje sei que isso faz toda a diferença, principalmente quando somos nós o "diferente".

El País - TRIBUNA 10/08/2009

"Woody Allen y la inmigración" por Carla Guimarães

El jueves pasado, en Madrid, me sentí como un personaje de una obra de Woody Allen. Acababa de salir de mi terapia e iba de camino a tomar un café con una amiga que había decidido poner punto final a una conflictiva relación amorosa. De repente, como pasa en las películas, ocurrió un hecho que lo cambió todo. Una ráfaga de viento hizo que un periódico viejo levantara vuelo y fuera a parar justo en mis manos, como en un truco de magia. Iba a tirar el periódico a la basura pero mi curiosidad me lo impidió, deseando, quizá, encontrar un mensaje secreto del destino.

"Europa limita la inmigración por la crisis económica y refuerza la política de expulsiones". En una primera mirada, me pareció soso, aburrido, incluso decepcionante. Hasta que me di cuenta de que esta noticia no era tan irrelevante. Regresé a casa, olvidándome completamente de la cita con mi amiga, me serví una taza de café y empecé a escribir este artículo.

La inmigración para mí no es únicamente un titular de prensa. Hace siete años decidí dejar mi país, Brasil, y emigrar a España. Dicho así parece algo muy simple, pero dejar tu país para establecerse en otro es una tarea complicada. Freud dice que la persona que emigra sufre una especie de duelo, una pena profunda por la pérdida de algo y una lucha interna para reacomodarse a la vida después de haber sufrido dicha pérdida. Existe incluso un nombre para este proceso psicológico: el duelo migratorio. Yo creo haber superado ya mi periodo de duelo.

¿Se han dado cuenta de la cantidad de veces que la palabra "inmigración" sale en los periódicos? ¿Cuántas de estas veces está asociada a algo positivo? Muy pocas. O al menos ésta es la sensación que tengo. Leemos las noticias tal como aparecen en los medios y nos quedamos con una impresión, con un eslogan: la inmigración es "un problema". Y ahora, en plena crisis, se ha convertido en "un problema muy grave".

Sin embargo, según el informe Inmigración y Economía Española: 1996 a 2006, de la Oficina del Presidente de Gobierno, el 50% del empleo creado en España esa década ha sido inmigrante. Los inmigrantes pasaron de contribuir al crecimiento del PIB desde un 7% a casi un 40%. En el año 2008, al comienzo de la afamada crisis económica, el Gobierno reveló que los españoles tienen garantizados el cobro de sus pensiones hasta el 2020 gracias, en buena parte, a la mano de obra inmigrante.

¿Entonces por qué la insistencia en tratar la inmigración sólo como un problema? ¿Por qué de pronto cada país debe defender a sus nacionales y expulsar a los inmigrantes?

Muy simple, porque Europa ha encontrado la justificación perfecta para prescindir de los ideales de igualdad que tanto defiende: la crisis. Existe un pensamiento general en la sociedad española de que los esfuerzos de integración son una tarea exclusiva del inmigrante, y una tendencia a ver la aceptación de la inmigración como un acto solidario (casi caritativo). Las ideas de que la integración debe ser el resultado de un esfuerzo conjunto y de que la inmigración ha sido importante para el crecimiento de este país no son las más difundidas. Y, claro, podemos ser solidarios cuando hay mucho, pero no cuando hay escasez...

Según la investigación Discurso de los españoles sobre los extranjeros, del CIS, cuando la población nacional se ve obligada a elegir entre prácticas igualitarias o acceso a recursos escasos pasando por encima de los extranjeros, opta por lo segundo. De esta manera, la población española pasa a verse como "víctima" y a ver a los inmigrantes como "una amenaza". Y de pronto la crisis excusa el racismo o, como mínimo, justifica el endurecimiento de las ya deficitarias leyes de extranjería.

Pero los trabajadores extranjeros no necesitan de caridad, sino de derechos. Porque es cierto: la inmigración es un gran problema en este país, especialmente si eres inmigrante.

Llegada a este punto, el café se me había acabado y vi que había dos mensajes en el móvil, ambos de mi amiga olvidada. Definitivamente he llegado al fin del segundo acto de mi película y ya es momento de terminar este artículo. Hace siete años me mudé de país, pasé por mi duelo y establecí lazos con esta tierra. Me he integrado sin la necesidad de una ley que me obligue a hacerlo, y actualmente tengo incluso la nacionalidad española. Una ráfaga de viento y un periódico viejo me han dado la oportunidad de escribir sobre algo que hace muy poco era simplemente mi día a día. Aunque es verdad que este artículo está escrito por una inmigrante, también es cierto que está escrito por una española.
Extraido de: http://www.elpais.com/articulo/opinion/ (publicado em 10/08/09)

Leia também:

Diario de una brasileña en Madrid (por Carla Guimarães)
http://www.elpais.com/articulo/opinion/Diario/brasilena/Madrid/elpepiopi/20080223elpepiopi_5/Tes/

Assista o filme:

Título Original: Jean Charles
Gênero: Drama
Ano de Lançamento (Inglaterra / Brasil): 2009
Direção: Henrique Goldman
Elenco: Selton Mello (Jean Charles de Menezes), Vanessa Giácomo (Vivian), Luís Miranda (Alex), Patrícia Armani (Patrícia), Maurício Varlotta (Maurício), Sidney Magal (Sidney Magal), Daniel de Oliveira (Marcelo), Marcelo Soares (Chuliquinha),
Rogério Dionísio (Bisley)
Trailer: http://www.imagemfilmes.com.br/imagemfilmes/principal/filme.aspx?filme=103845

sábado, 8 de agosto de 2009

Rir "ainda" é o melhor remédio.

Queridas Jovana, Luci, Toma, Anne, Khadja, Paty, Mirta, Gaby... essa charge é para nosso deleite. Nada nem ninguém ficará para semente! E... Toulouse para mim, será sempre o nome de um dos meus pintores favoritos, sem mais.



Charge do cartunista Karry (Lima - Perú), que gentilmente "copiei" do blog do meu amigo Aquiles.

http://karrycartoons.blogspot.com/

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Laura, Feliz Aniversário!



Minha pequena Laura, "doçura tenra" da vovó Tininha e "gata garota" da tia Margarete, você não pode imaginar a falta que você me faz e o quanto me faz feliz quando atende o telefone com essa voz travessa e alegre. Hoje você faz quatro anos e desde que chegou é um presente para todos nós. Esses seus olhinhos e seu sorriso iluminam a casa e enchem de felicidade nossos corações. Eres tú nosso maior tesouro! Essas mãozinhas longas, seu narizinho perfeito, seus cabelos de anjo, esse seu jeito de andar elegante, uma gazela... tens ares de princesa e humor de plebéia, alegria dos humildes e vivacidade no olhar. Criança dócil e amiga, serás uma mulher valente, justa e belíssima! Faz e farás jus ao seu nome, Laura, "aquela que veio para coroar nossas vidas".

Te amo!

sábado, 1 de agosto de 2009

Padrão de Beleza.

O vídeo a seguir é para todas as mulheres que como eu, às vezes, ao olhar-se no espelho se vê como se fosse "A Vênus de Urbino" de Tiziano, com aquele ventre proeminente, ou uma banhista pintada pelos impressionistas.

video

Achou o vídeo insólito? Eu diria tratar-se de verdade indigesta.

Veja também:

- História da Feiúra de Umberto Eco, Ed. Record
- História da Beleza de Umberto Eco, Ed. Record
- Anorexia e Bulimia de Julia Buckroyd, Coleção Guias Agora
- Anorexia e Bulimia Nervosas- Blogs e Casos Reais de Tamara Carla Erbert, Ed. Marco Zero
- Anorexia, Bulimia e Obesidade de Salvador R. Busse, Ed. Manole

Outras viagens que podem interessar:

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