quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quero falar de poesia.

“A poesia é o sentimento que sobra ao coração e sai pela mão."
(Carmen Conde - Professora e poeta espanhola)

Quero falar de poesia. Começando por uma poeta que me encantou desde o primeiro momento quando me foi apresentada. Falo de Floberla Espanca, a quem conheci um pouco tarde eu diria. Foi no curso de história, o professor de “fundamentos da comunicação” levou os versos de Aonde? da poeta portuguesa e, me lembro que quando me pediu para lê-los, li com o acento dos portugueses, ora pois! e isso deu lugar a outra história, digna das poesias da Florbela. A verdade é que, se eu a tivesse conhecido aos 14, 15 anos, teria me inundado a excitação que seus versos provocam e com certeza seria ela minha musa inspiradora, aquela alma incomprendida, rebelde e doce. Como me identifiquei com ela! Eu viajaria nos seus versos. Imagine uma adolescente que começa a sofrer de “amor”, que escreve poemas à noite trancada no quarto e as lê para poucos. Nessa época meu livro preferido era um dos volumes do Anuário dos Poetas do Brasil de 1979, organizado por Aparício Fernandes, não me lembro como esse livro chegou às minhas mãos, mas lembro como saiu, emprestei-o para amiga Sandra e nunca mais o recebi de volta, uma perda irreparável que só se compara à minha vitrola portátil (aquelas em forma de maleta) que eu ingenuamente emprestei a outra amiga que nunca a devolveu (Pode isso? E eu ainda chamo de amiga!), nela eu ouvia LP’s e singles, enquanto suspirava lendo Pablo Neruda, Goulart de Andrade, Carlos Drummond, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Eça de Queiroz, Érico Veríssimo, Vinícius de Moraes e muitos outros. Era meu mundo desmoronando, sem meu livro de cabecereira e minha companheira vitrola. Bem, ao menos não precisei fazer terapia por isso e fui aprendendo desde cedo a lidar com as “perdas”.

O período de 80 a 87 foram os anos mais criativos, escrevia muita coisa, depois parei e anos mais tarde quando revi meus rascunhos pensei: Como eu podia ter escrito sobre sentimentos, paixões, amores, decepções e sofrimentos com tão pouca experiência de vida? Acredito que me alimentei dos livros e do cinema, fonte inesgotável de inspiração. Me lembro também que nós adolescentes da década de 80, tínhamos por hábito e passatempo, fazer cadernos de poesia e de recordações, ah! e responder questinários com perguntas onde mencionávamos nossas preferências e conhecíamos as preferências dos demais, era uma maneira divertida de saber os segredos e desejos dos amigos de ginásio e isso também facilitava os devaneios pueris e os amores platônicos, matéria prima para as primeiras poesias.

Por que eu tô falando tudo isso mesmo? Nem sei, acho que estou sentimental esses dias, fui tomada de assalto por uma nostalgia, às vezes me sinto arremessada ao passado, observando-me de trás para frente, tentando buscar algumas respostas, noutras vezes, um simples verso ou algo que leio ou vejo me coloca no túnel do tempo e regresso a lugares e momentos preferidos, nos quais me sinto aconchegada e em paz.

Ainda sobre poesia, há poetas que são ótimos escritores e outros que são a poesia em pessoa. Há filmes que são poesia pura e há muita poesia musicada. Há poesia no dia a dia, enquanto a vida se alterna entre o lirismo e a licença poética e, as pessoas fazem poesia sem se dar conta. Já o Pessoa, o Fernando Pessoa! esse “poeta fingidor” fez mais que poesia, fez história. Ele foi muitos e foi singular. Ele me lembra alguém… ou melhor, alguém me lembra ele! ah já sei… aquele professor que me apresentou à Florbela era o Fernando em pessoa. Ah! E…esse outro Fernando, que não é o Pessoa e… que é José (o professor) me apresentou a outros também, me levou à casa do Drummond e à cidade do Guimarães Rosa… leu para mim, na cama, Mário de Andrade, Clarice Lispector entre outros, resumo: me apaixonei por suas interrogações, eu, que segundo ele era uma mulher de vírgulas, vivi momentos de exclamação (risos). Verdade, é que pusemos um ponto final depois de tantos dois pontos. Ademais disso, fui trocada pelos Saraus, isso mesmo… nos útimos dias, ou melhor dizendo nas últimas noites da nossa odisséia, ele esteve em companhia da sedutora poesia, não aguentei queria estar com eles, num triângulo perfeito. Melhor assim, hoje entendo o significado de algo que ouvi ele citar algumas vezes “(…) As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão. Mas as coisas findas muito mais que lindas essas ficarão” (Drummond). E… que assim seja.

Um comentário:

  1. Meg,

    Você continua aprimorando sua escrita.
    Neste post, tudo está leve. Acho que vc está leve. E bonita!
    E obrigado pela referência. Acho que tenho menos importância do que vc me atrbui, mas é bom saber que ficou mais que um pouco. Aonde? foi só uma pergunta inicial para seu interesse. Obrigado pelo carinho. Fico emocionado, de verdade! Agora estou chorando feito menino. Meio Abobado com a força de um gesto, de uma ação de uma leitura.
    Obrigado!

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