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Protesto!

Fotografía extraída de Noborder Network, em sua galería de Flickr. Licença Creative Commons.
Galeria completa:
http://www.flickr.com/photos/noborder/page2/

“(…) Si la luna suave se desliza por cualquier cornisa sin permiso alguno.
Porque el mojado precisa comprobar con visas que no es de neptuno(...)
(...) Si la visa universal se extiende el día en que nacemos y caduca en la muerte.
Porque te persiguen mojado, si el cónsul de los cielos ya te dio permiso.”

(Trecho da música “Mojado” de Ricardo Arjano)


Verdadeiro e cruel o fato. Linda e sensível a música. Chorei ao ver o que me enviou o amigo Ricardo. Sou chorona sim, isso me toca profudamente. Quem vê as fotos que divulgamos em sites, blogs, flicker's etc, não imagina os sacrifícios que fazemos para realizar um sonho. Assim como escolhemos as fotos que vamos mostrar, na vida, também fazemos escolhas. Escolhas essas, que nem sempre são as melhores. O chamado 1º Mundo, os países da Europa abrem as portas para o dinheiro, não para os sonhos. Você pode até estar mal intencionado, mas se tem dinheiro… tudo é relevado, todavia se você tiver lindos sonhos e não tiver metal, esqueça! As portas se fecham! Muitos são os que perseguem os sonhos até as últimas consequências, como os mexicanos que pagam os chamados "coyotes" e muitas vezes nunca chegam ao destino, enganados por seus iguais (hermanos mexicanos), cubanos que fazem loucuras para deixar a ilha em busca de outra vida e são tragados pelo mar. Aqui, são os africanos que chegam em massa na Ilhas Canárias/Espanha e Lampedusa/Itália. O que lhes espera? A prisão e a deportação. Em outros tempos eram aproveitados em postos de trabalho que ninguém queria e por vezes explorados, aliás, explorador é o adjetivo mais adequado ao Homem. Atualmente, os governos têm fechado o cerco, medidas protecionistas provocadas pela crise estimulam o preconceito, a xenofobia, a hostilidade. Que mundo é esse? Não é o mundo que eu sonhei para mim, nem para minha família, nem para os meus amigos e nem para os quais eu nem conheço, não é o mundo do qual falei aos meus alunos e, eu me pergunto: Sempre que há uma grande guerra, uma guerra mundial... enquanto os grandes e desenvolvidos se metem a matar, morrer, vender armas e vender a própria alma... pra onde os demais correm? Para América! Os números da imigração mostram que a América, o Brasil (me refiro a ele por ser meu país de origem) receberam grande contigente de estrangeiros nos períodos entre-guerras, aqueles que deixaram tudo em seu país de origem em busca de uma vida melhor ou simplesmente para manter-se vivos. Eu sou paulista e vejo gente de todo lugar em S.Paulo, espanhóis, italianos, japoneses, alemães, etc... Alguém pediu visa para eles entrarem no país? Perguntaram o que eles traziam nas malas, além da tristeza de deixar sua terra, seus amigos e os sonhos que tinham?

Eu não vim fazer a Europa como os que foram há tempos atrás fazer a América... eu vim para conhecer, para ver o que esses meus olhos só conheciam dos livros, do cinema e dos relatos de amigos, vim para sentir os sabores do azeite, do vinho, do jamón, do pão, da pasta, sentir os cheiros, ouvir a música, ver a arte e voltar para casa, para os meus. Eu sei de onde vim e sei também onde quero estar. É duro como na canção “Mojado” de Ricardo Arjona, ter que apresentar um Visa para provar que não se é de Netuno. O Homem vai à Lua, explora Marte e o seus iguais não podem conhecer as belezas desse aqui que é o nosso planeta… grande, belo e nosso, ao menos em teoria seria de todos, não fosse as fronteiras. As físicas com persistência e um pouco de sorte podemos ultrapassar, mas… as mentais, essas custam a ser vencidas, por vezes, muitos nadam, nadam e morrem na praia (literalmente).

Resolvi vir para cá num momento difícil, crise mundial, pandemia de gripe, endurecimento dos Estados, falta de cooperação entre governos. Estou farta de abrir os jornais e ler sobre as medidas adotadas por governos ultra-conservadores, que ressucitando o fascismo, alimentando o pré-conceito, acreditam que um mundo melhor não será um mundo Multi-Étnico. Se for assim… se a máxima “cada macado no seu galho” valer de algo… que não queiram a banana brasileira, o cacau, as frutas tropicais, as ervas da Amazônia, as praias ensolaradas, a água de côco, a hospitalidade do povo, a cana-de-açúcar, porque não são merecedores. Querem os mercados, mas não as pessoas, querem o metal e isso basta! Já tiveram o ouro, a madeira, o marfim, o diamante, etc, mas, não desejam o Homem da América Latina, da África, do Leste Europeu ou do Oriente Médio. Confesso que sofro com isso, me sinto inconformada e só posso manifestar-me em forma de PROTESTO, um protesto pacífico… um grito preso na garganta e uma lágrima contida ao ouvir “Mojados”.

Meu grito, minhas lágrimas e meus sonhos, ninguém poderá tirar de mim, são meus! Ninguém me representa, senão eu mesma! Quem me pariu foi minha mãe, não um Estado… minha Pátria sou eu, meu territorio é meu corpo e vou onde os meus pés me levem e minha mente vá. Sou dona do meu tempo! Assim nasci e assim hei de morrer!

Comentários

  1. Vc tem o dom das belas palavras...
    quisera eu ter o mesmo!!!
    Se vc chorou ao ver o email, eu me emocionei bastante ao ler seu post.
    Lindo!
    Beijos

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  2. Querida Meg.
    Como tenho passado muito pouco, pouco tenho tido para ler suas idéias maravilhosas, são poucos de qualidade. Concordo em gênero com tudo o que disse. Disse maravilhosamente de sermos pátria nós mesmos e entendo que Chaplim foi muito feliz quando nos legou "sermos cidadãos do mundo". Eu melhor do que ninguém sei o que é ser barrado em um desembarque, algo extremamente deselegante e humilhante. Algo que lá no Brasil, ao menos não ocorre com frequência e racismos. Grato por complartilha-nos o seu BELO mundo.
    Continue sendo feliz ao cubo. E nos conte mais destes mundos latinos por que andas.
    Como nos disse o colega de cima. LINDO!
    Beijos.
    Lourenço

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