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Não estou só!


Com a proximidade da minha ida para Itália, ademais de ler Roberto Saviano, tenho buscado notícias sobre o país nos jornais. Surpreendentemente aqui na Espanha quando se fala de Itália, se fala do 1º Ministro. Quando "Papi" não está cometendo gafes, quebrando protocolos, ainda assim figura nas primeiras páginas dos jornais europeus de maneira nada positiva (com exceção dos jornais italianos, já que boa parte deles são de sua propriedade e quando não, têm que passar por seu crivo). Il Caveliere circula em festas privadas com suas "coristas", presenteia suas "lolitas" com jóias caras, enquanto a esposa pede o divórcio, vida pessoal a parte, isso é o que menos interessa, destaco aqui justamente o conservadorismo de uma figura nada conservadora... no melhor estilo "faça o que eu digo, mas... não faça o que eu faço".

Afortunadamente, não estou sozinha, são muitos os que criticam os caminhos escolhidos pela Itália, principalmente no que se refere à política protecionista e xenófoba... entre tantos, cito José Saramago. O escritor português que sempre editou seus livros na Itália pela Editora Einaudi, não publicará seu próximo livro "O Cardeno" (com reflexões publicadas em seu blog) por essa editora, porque a parceria de anos entre editora e autor foi rompida pela primeira sob a alegação de que em seu último livro o autor tece severa crítica (e verdadeira) ao primeiro ministro italiano.

"(...) A História de Itália surpreende qualquer um. É um extensíssimo rosário de génios, sejam eles pintores, escultores ou arquitectos, músicos ou filósofos, escritores ou poetas, iluminadores ou artífices, um não acabar de gente sublime que representa o melhor que a humanidade tem pensado, imaginado, feito. Nunca lhe faltaram catilinas de maior ou menor envergadura, mas disso nenhum país está isento, é lepra que a todos toca. O Catilina de hoje, em Itália, chama-se Berlusconi. Não necessita assaltar o poder porque já é seu, tem dinheiro bastante para comprar todos os cúmplices que sejam necessários, incluindo juízes, deputados e senadores. Conseguiu a proeza de dividir a população de Itália em duas partes: os que gostariam de ser como ele e os que já o são. Agora promoveu a aprovação de leis absolutamente discricionárias contra a emigração ilegal, põe patrulhas de cidadãos a colaborar com a polícia na repressão física dos emigrantes sem papéis e, cúmulo dos cúmulos, proíbe que as crianças de pais emigrantes sejam inscritas no registo civil. Catilina, o Catilina histórico, não faria melhor. Disse acima que a História de Itália surpreende qualquer um. Surpreende, por exemplo, que nenhuma voz italiana (ao menos que haja chegado ao meu conhecimento) tenha retomado, com uma ligeira adaptação, as palavras de Cícero: “Até quando, ó Berlusconi, abusarás da nossa paciência?” Experimente-se, pode ser que dê resultado e que, por esta outra razão, a Itália volte a surpreender-nos".

Assim como Saramago, prefiro lembrar a Itália por seus gênios artísticos, por seu cinema, por sua música, por sua bela paisagem e sobretudo por sua gente, essa mesma que... há mais de um século emigrou para o Brasil e fez do país sua terra.


Canção dos imigrantes toscanos que chegaram ao Brasil entre o final do XIX e começo do XX.

"Itália bela, mostra-te gentil e os filhos teus não abandonaram,
se não eles vão todos para o Brasil e não se lembram mais de voltar.
Ainda aqui haveria trabalho, sem ter que emigrar para a América.
O século presente está nos deixando, e o novecentos se aproxima.
Eles tem a fome pintada na cara e para saciá-los não existe a medicina.
A cada momento escutamos dizer: "E vou pra lá onde tem a colheita do café".
A cada momento escutamos dizer: "E vou pra lá onde tem a colheita do café".
O operário não trabalha e a fome o devora,
e aqui os assalariados não sabem como fazer para ir pra frente.
Esperaremos no novecentos, acabará este tormento, mas este é o problema,
o pior toca sempre ao operário.
A cada momento escutamos dizer: "E vou pra lá onde tem a colheita do café".
A cada momento escutamos dizer:
"E vou pra lá onde tem a colheita do café".
Não sobrou mais do que padres e frades, freiras de convento e franciscanos,
e certos comerciantes desesperados de impostos não conhecem os limites.
Virá um dia que também eles deverão partir pra lá onde tem a colheita do café.
Virá um dia que também eles deverão partir pra lá onde tem a colheita do café.
Garotas que procuravam marido vêem partir o seu namorado.
Vêm partir o seu namorado e elas ficam aqui com o senhor pároco.
Virá um dia que também elas deverão partir pra lá onde tem a colheita do café.
As casas ficam todas sem inquilino, os proprietários perdem o aluguel,
e os ratos fazem longos passeios, vivem tranqüilos com todos os direitos.
Virá um dia que também eles deverão partir pra lá onde tem a colheita do café.
Virá um dia que também eles deverão partir pra lá onde tem a colheita do café."


Toscana tô chegando!

Comentários

  1. tengo una amiga italiana que trabaja conmigo en la universidad, muy polémica cuando escrieb en la revista de los estudiantes de CC de la Comunicación de la Universidad. Detesta a Berlusconi y ésa es la razón por la cual se fue de su país y vino aquí. Berlusconi es la mafia en el poder y, siendo mafia, puede quedarse por mucho tiempo; hace cosas que no hubiera hecho Mussolini.

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