sexta-feira, 15 de maio de 2009

18 de Maio - Dia Internacional do Museu.

1- Museu da Língua Portuguesa, Estação da Luz, S.Paulo-SP/Brasil.
2- Museu Oscar Niemayer, Curitiba-PR/Brasil.
3- Museo Guggenheim, Bilbao- PV/Espanha.
4- Museu de Arte de São Paulo, S.Paulo-SP/Brasil.

Não me lembro ao certo quando o Museu se tornou uma paixão na minha vida, desde a infância era adepta de colecionismo. Colecionei de pedras a acredite, sabonetes...rs, passando por bonecas de papel, pápeis de carta, sêlos, santinhos, moedas e objetos antigos. Me lembro o quanto me sentia bem na casa da D. Tata, uma senhora que morava em uma casa ao final da nossa rua, com a qual passava algumas horas da tarde durante a semana, adorava ir a sua casa e ver máquinas de costura, rádios, ferros de passar e chaleiras de ferro, todos, objetos antigos que ela usava para decorar a casa. Em outro momento passei a admirar as coisas da minha avó materna, tudo naquela casa era de museu, se não era, ao menos na minha cabeça de criança o mundo estava rodeado de coisas lúdicas que tinham vida própria, coisas essas que habitavam meu imaginário.

A primeira vez que estive em um Museu de verdade foi com a escola, primeiro visitando um Espaço dentro do prédio da Prefeitura da minha cidade, onde um amontoado de coisas contava um pouco da história de Mogi das Cruzes, de documentos a objetos, passando por fotografias, minerais e armas que retratavam um pouco da vida do município. Depois conheci o Museu do Ipiranga (Museu Paulista), fiquei fascinada com a aquela beleza de lugar, arte e arquitetura que só fui compreender mais tarde. Daquela visita ao Museu do Ipiranga, o que de fato ficou na minha mente, foram os meninos que viviam cerca do Museu e aproveitavam o chafariz para refrescarem-se do calor em meio aquele lindo jardim e, a imagem de uma liteira que vi e na qual queria subir e ter o gostinho de ser carregada...rs, hoje entendo esse desejo de Sinhá Moça que tive quando criança, nada mais era que fruto das novelas de época, diferente da realidade onde a pluridade étnica nos mostra que Sinhás Moças são coisas do imaginário, longe disso, nossa realidade é feita de variadas cores que hoje afortunadamente se misturam nas ruas, ônibus e metrôs e... a liteira ficou no passado, no Museu do Ipiranga.

Com o tempo aprendi o valor da memória, do entorno, da nossa herança cultural, das artes, entre outras coisas e sempre que viajava para algum lugar, buscava saber um pouco mais falando com as pessoas, visitando os Museus, observando as construções. Quando estive em Caxias do Sul visitei a Casa de Pedra da Família Lucchese e o seu interior muito me lembrou a casa da minha avó, depois estive na Casa Merlo em Bento Gonçalves e outros pontos daquele região predominantemente italiana e me dei conta da importância de preservar memória e entorno. Ah! As Igrejas, capítulo a parte nas minhas andanças, adoro fotografá-las, os detalhes do interior, as fachadas, a iconografia religiosa, tudo isso sempre me atraiu... em Floripa fotografei se não todas quase todas, em Minas Gerais... as vezes que lá estive foram poucas para tantas Igrejas, de todas as que visitei entre Mariana, Ouro Preto, Diamantina, Tiradentes, S.João del Rey, Ouro Branco, Sabará, Congonhas do Campo, Santa Barbara, Serro, Caraça, Itabira, Codisburgo, Belo Horizonte, etc, a que mais me encantou foi a de Catas Altas, vendo de fora não se pode imaginar a surpresa que nos aguarda...tantos altares, uns terminados, outro não, outros em restauro... parece um daqueles teatros antigos, bem... o barroco e a Igreja desse período é puro teatro. De obras de Mestre Athaide a Aleijadinho à Casas Museus, como as de JK e Chica da Silva em Diamantina, Guimarães Rosa em Codisburgo, Carlos Drummond em Itabira, Minas Gerais é um encanto, um doce de Estado, como os doces preparados pelas Sras. mineiras. Ainda falando de Minas, visitei os Museus do Oratório, da Inconfidência, entre outros e gostaria de destacar o Museu do Diamante de Diamantina, lá, além de me encontrar novamente com uma velha conhecida minha, a liteira, entre arte sacra, objetos de mineração, etc, conheci o trabalho que eles desenvolviam com a família e trabalhadores dos garimpos da região, uma oficina de produção de semi-jóias, peças e assessórios com prata, couro e outros materiais para incrementar a renda das famílias, é a função social do Museu posta em prática, a Ação Educativa que valoriza o entorno e busca soluções, combinando história, arte e preservação do patrimônio. Não posso deixar de citar a arte rupestre de Barão de Cocais, em um lugar chamado Pedra Pintada na Serra da Conceição, vi e me encantei com os desenhos nas rochas em meio a uma natureza bela e bem cuidada pelos donos da propriedade que com toda a gentileza do mundo conservam o lugar e recebem os visitantes, um exemplo de iniciativa que supera a falta de apoio governamental e uma boa política pública para preservação do patrimônio local e nacional.

Sempre estive voltada para as questões dos museus enquanto cursava história e, a medida que fui conhecendo um pouco mais sobre o tema, sobretudo visitando e participando das atividades oferecidas por muitos Museus de São Paulo, fiquei cada vez mais interessada no assunto. São Paulo tem grande número de Museus, Espaços Expositivos, Galerias de Arte, Centros Culturais para todos os gostos e bolsos. Que saudades sinto dos Encontros de História da Arte à partir do Acervo do MASP ministrados pelo Prof. Renato Brolezzi, aquele auditório ficava tomado no primeiro sábado de cada mês, alí aprendi muito sobre História da Arte e fiz amigos... não tenho dúvidas de que o Serviço Educativo do MASP, independente de qualquer problema que o Museu enfrente, é modelo no segmento, o profissionalismo e dedicação com que a equipe do Paulo Portella trabalha, garante a satisfação daqueles que procuram o serviço. Mas, São Paulo não é o só o MASP, tem o Museu da Língua Portuguesa, a Pinacoteca do Estado, o Museu do Imigrante, o Memorial da América Latina, o MAM, o Museu de Arte Sacra, o Museu da Cidade, o Museu Pe. Anchieta, a Caixa Cultural, o CCBB, o Espaço Cultural da BM&F, o Museu Lasar Segall (com trabalho maravilhoso do educativo), o MAC, o Museu Afro Brasil, o Itaú Cultural, o Museu do Ipiranga, MIS, MUBE, MAB da Faap, MAE-Usp. Ufa!! Como disse o que não falta é museu... durante os últimos anos tive o privilégio de ver exposições, participar de eventos culturais e fazer cursos em boa parte dessas instituições. Se... você está pensado "nossa que coisa mais chata" ou "museu é lugar de velharia", com todo respeito te digo: "você está muito enganado"... o que te falta é fruição e isso não carregamos nos genes ao nascer, isso alcançamos com o tempo, apredemos a gostar, aprendemos a ver o que os objetos contidos nesses espaços, sejam eles de arte, religião, história natural, música, fotografia, etc... nos dizem. O objetos têm história, fazem história e fazem parte de uma história.

A partir do suposto de que a escola não é a única responsável pela construção do saber histórico e compreensão da cultura; entendo que a memória, o patrimônio material e imaterial, a oralidade, a iconografia, a tecnologia e outros, contribuem para a formação do indivíduo, interagindo com a educação formal. Para construção do saber, para a fruição e formação do cidadão, a educação escolar se completa no entorno, nos lugares de memória, nos espaços expositivos – museus e outras instituições –, na tradição oral e na produção cultural de uma sociedade ou grupo. Por isso, as parcerias devem se estruturar na possibilidade de aproveitar melhor nossa diversidade, na valorização da micro-história e no intuito de apreensão do devir, situando sujeitos históricos que a partir da memória individual interagem com um grupo, entorno e sentem-se de fato responsáveis pela constituição da memória coletiva e parte da História.

Por que falei tudo isso? Porque assim como muitos, eu não nasci gostando de Museu e acreditando que eles fossem o melhor lugar do mundo, mas aprendi muito com eles e se hoje enxergo meu entorno diferente e consigo ver coisas sobre o meu lugar estando longe dele, devo isso ao aprendizado, à mudança na minha forma de ver e sentir os objetos, os espaços e o tempo. Precisei conhecer muitos Museus do meu país para descobrir uma jóia que estava muito próxima de mim e da qual não havia notado o brilho... me refiro ao MIC - Museu das Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes, cujo conjunto arquitetônico, seu interior somado ao acervo documental e de arte sacra me fizeram por algum tempo sonhar ... me fizeram pensar numa Ação Educativa que envolvesse os alunos e professores da região de maneira a conhecer um pouco mais da história local, a tal micro história que citei antes, para depois poder apreciar todo o resto. Aqui na Europa tive oportunidade de conhecer "museus a céu aberto" cidades patrimônios da humanidade: Cáceres, Burgos, Mérida, Córdoba, Évora com seus monumentos, igrejas, museus... mas nada apagou a doce lembrança que tenho do MIC, menina dos olhos do Frei Tinus van Balen e do jovem Juan Carvalho, espero voltar à minha cidade e contribuir com iniciativas realmente eficazes para parceria do museu com o entorno e a escola, inclusive isso foi meu objeto de estudo durante a gradução e tema em uma mesa que participei no XXIV Simpósio Nacional de História de ocorrido na UNISINOS em S.Leopoldo/RS em 2007.

Aqui conheci o monumental Museo Guggenheim, com sua arquitetura moderna e um pouco assustadora, ademais de caríssimo e... confesso preferir o Museo de Bellas Artes de Bilbao, um espaço mais aconchegante, onde se pode estar por horas, fechar os olhos e imaginar estar visitando espaços de São Paulo como MASP, Pinacoteca do Estado... a arquitetura, o cheiro, a luz me faz viajar de volta a terra da garoa mesmo estando em solo basco. Estive também no Museo de la Paz de Guernica, onde a triste memória da guerra é mantida e superada pela alegria da reconstrução da cidade, em um exemplo de força e luta constante pela paz.

Para aqueles que gostam ou não de museus, para aqueles que colecionam ou já colecionaram algo, para aqueles que acham isso uma total perda de tempo e para aqueles que nunca entraram em um museu por qualquer motivo que seja, eu gostaria de deixar uma mensagem:


"Os objetos têm história, deixe que eles lhes conte".


Texto do trabalho apresentado no XXIV SNH 2007

Ensino de história, patrimônio e memória: Parcerias possíveis.

http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Margarete%20da%20Costa%20Cardoso.pdf

** Todas as fotos que ilustram este texto pertecem ao meu arquivo pessoal.





2 comentários:

  1. Lindo, muy lindo; sí, los museos encierran las almas de una ciudad o un pueblo. Hay museos impresionantes y de algunos de ellos ya he hablado en mi blog. Pero por el día del museo (no sabía ese dato, mil gracias)voy a escribir de otro gran museo: el Museo de Arte de Viena, el hecho por María Teresa, la gran reina de Austria (Pensamiento ilustrado en monarquías despóticas) Un millón de gracias

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  2. Olá Meg. Maravilhoso o universo dos museus expressado por você.
    Ótimo saber que sua odisséia continuará agora pela bota. Boa viagem. E se possível continue maravilhando o mundo com a sua odisséia. Há tempos não passava por aqui. Recebi seu email, portanto, boa viagem. Como naquele tema do filme Roman Candelabro Italiano...

    AL DI LÀ
    DE BENE PIÙ PREZIOSO
    CI SEI TU
    AL DI LA
    DEL SOGNO PIÙ AMBIZIOSO
    CI SEI TU
    AL DI LÀ
    DELLE COSE PIÙ BELLE
    AL DI LA DELLE STELLE

    CI SEI TU
    AL DI LA
    CI SEI TU
    PER ME, PER ME
    SOLTANTO PER ME
    II
    AL DI LÀ / DEL MARE PIÙ PROFONDO
    CEI SEI TU
    AL DI LÀ / DEI LIMITI DEL MONDO
    CI SEI TU
    AL DI LÀ / DELLA VOLTA INFINITA
    AL DI LÀ DELLA VITA
    CI SEI TU / AL DI LÀ
    CI SEI TU PER ME

    Até...

    Lourenço

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