segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mulheres viajantes.


Estava lendo a Revista Mercurio (nº 109 de março/2009) publicação espanhola cujo o tema "El viaje, mito literario" trazia artigos sobre viajantes de várias épocas e partes do mundo, desde a Grécia antiga de Homero, Xenofontes e Herótodo, passando por viajantes anglo-saxones dos séculos XIX e XX que transformaram suas aventuras de viagem em grande literatura, chegando aos exploradores do século XX e XXI que se lançaram a explorar a Àfrica e a Àsia, cada qual a seu modo e com olhares diferentes... como é o caso dos italianos Pier Paolo Pasolini (escritor e cineasta) e o casal Alberto Moravia (jornalista e escritor) e Elsa Morante, ambos publicariam posteriormente suas impressões sobre a Índia, contraditórias entre eles, mas não menos interessantes.

O que me chamou a atenção na revista foi o artigo intitulado "Trotamundos olvidadas" que falava das mulheres viajantes, as quais no período Vitoriano, foram chamadas de "feias, imorais e masculinas". A dificuldade enfrentada por elas, ultrapassa o preconceito social e as coloca no território masculino, por assim dizer onde o homem sempre se destacou. Mas, isso não lhes tira o mérito, a mim me parece que justamente por isso há que dar-lhes o devido crédito, afinal de contas não se trata apenas de romper limites físicos e espaciais, essas mulheres vanguardistas ultrapassaram os limites sociais de suas épocas. Hoje em dia e para nossa sorte, quando uma mulher se lança a uma empreitada dessas é vista com outros olhos e os adjetivos atribuídos a ela também são outros: coragem, valentia, ousadia e para algumas torna-se um estilo de vida e/ou uma fonte de renda. Sabemos que muitas foram as mulheres que acompanharam seus maridos em viagens exploratórias, viagens diplomáticas, comerciais ou mesmo viagens de aventura, seja na África, Ásia ou Ámerica, mas... não é a mesma coisa que deixar tudo e empreender uma viagem solitária.

No Brasil por exemplo, quase todo material: relatos, apontamentos, gravuras, pinturas, cartas que nos ajudam a conhecer um pouco mais da nossa história, foi produzido por homens. Até meados do XIX a dificuldade de viagem era um impedimento para que mulheres empreendessem uma expedição intercontinental, ainda assim algumas aventuraram-se a deixar o conforto e segurança da vida na Europa e acompanharam seus maridos, todavia raramente figuram ou são mencionadas, algumas delas também produziram material, como a Baronesa de Langsdorff ou a francesa Adèle Toussaint-Samson. Interessante que esses materiais se diferenciam entre si, haja vista o enfoque masculino e o feminino, a visão sintética e lógica e a analítica e subjetiva. Os detalhes sempre foram privilégios da mulher.

Ainda sobre o artigo da Revista Mércurio, o texto inicia citando uma religiosa galega que no século IV (meados do ano 381) teria feito sozinha uma viagem de Constantinopla à Jerusalém e durante os três anos que passou viajando, esteve do Egito ao Sinaí, passando por Alexandria e outros lugares santos. Egeria escreveu cartas com relatos minuciosos de sua viagem a suas companheiras, o que mais tarde seria conhecido como "Peregrinación o Itinerario" trazendo à luz detalhes que deixaria estupefata a sociedade, simplesmente, por ser obra de uma mulher.

No século XIX a escritora brasileira Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810-1885) , nascida no Rio Grande do Norte, percorreria a Itália e faria um relato de viagem cheio de sobreposições entre Brasil e aquele país, um olhar romântico das paisagens italianas, carregado de recordações da pátria que adotaria no nome. Seu livro intitulado Trois ans en Italia, publicado na França, fruto dos anos que viveu no país, trata-se de valiosa fonte para entender um pouco mais da história italiana.

"(...) Em Trois ans en Italie, Nísia Floresta inicia a narrativa como um diário de viagem e termina o segundo volume como uma crônica histórica. Opera ainda neste texto uma singular fusão entre as duas formas de diário, "o de viagem" e o "diário íntimo", além de guardar uma semelhança com o gênero epistolar, quando se dirige a outra pessoa. Mesmo no diário, aqui e ali surge um vocativo com quem a narradora dialoga (ou "monologa"), que tanto pode ser alguém de seu relacionamento, como um personagem histórico, uma cidade ou um país. (...)" (extraído de: http://www.geocities.com/ail_br/oolhardeumaviajantebrasileira.htm).

À minha maneira eu sempre viajei, na tela do cinema, nas páginas de um livro. Hoje, tenho a oportunidade de fazer isso mais concretamente e me sinto uma Mulher privilegiada e feliz, não me sinto feia, nem imoral, muito menos masculina (risos), me sinto plena e realizada, assim como devem ter se sentido todas as outras mulheres que em outras épocas e cirscuntâncias escolheram mudar o rumo de suas vidas, conhecendo outros caminhos, até porque, como bem cantou o Skank "O caminho só existe quando você passa". Caminhe!

*Fotos extraídas do artigo da Revista Mércurio (nº 109 de março/2009). http://www.revistamercurio.es/index_800.htm

3 comentários:

  1. Hola Meg, busca un libro llamado MEMORIAS DE UNA PARIA de FLORA TRISTAN, fue una francesa de origen peruano, fundadora del partido socialista en Francia en siglo XIX y gran luchadora por los derechos de la mujer. Fue tía abuela de Gauguin y tuvo una relación turbulenta con su familia peruana, que era aristócrata.

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    1. Caro Gerardo. Este livro vc encontra é vendido pela Editora Mulheres cujo endereço éo seguinte: e-mail:editoramulheres@floripa.com.br e a homepage é: http://www.editoramulheres.com.br Esta editora é muito solícita e eficiente, já adquiri varios livros, inclusive o que você procura, e o atendimento é excelente. Um abraço. Dulcinéia

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  2. Hola Gerardo,
    ¡Gracías por su visita y por su indicación! Voy por ese libro, deve ser una de esas lecturas llenas de buenas historias de viaje y lecciones de vida! Saludos desde Orduña.

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