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Los Abrazos Rotos - Pedro Almodóvar.


"Según Almodóvar, por debajo de las historias de amor cruzadas que conforman la narración subyace 'mi historia de amor al cine. La película es, sobre todo, mi declaración de amor al cine'".

Desde muito criança o cinema me fascinou. Me lembro das tardes e noites que passava no sofá ao lado do meu pai vendo os filmes da sessão Bang Bang à Italiana e muitos outros gêneros. Entre os muitos filmes que vi, um que me marcou bastante foi Os Girassóis da Rússia de Vittorio de Sica /1970 (uma história de amor durante a II Guerra Mundial e campos de girassóis belíssimos) eu devia ter uns 12 ou 13 anos e nunca me esqueci daqueles girassóis ao vento e do olhar perdido de Giovanna (Sophia Loren) ao encontrar seu Antonio (Marcello Mastroianni) sem memória e com outra mulher.

Minha estréia no cinema frente àquela tela mágica, que me transportava e me transporta para espaços e tempos inimagináveis não poderia ter sido mais emocionante... em uma tarde de domingo fui ao antigo Cine Avenida, de minha cidade, para assistir a Contatos Imediatos do Terceiro Grau de Steven Spilberg /1977, sai do cinema olhando para os lados tamanho impacto que o filme me causou, ia completar 10 anos em 1978 quando o filme estreiou no Brasil e, toda aquela produção e ficcão científica, somada a fotografia e à trilha sonora impressionou-me, sobremaneira. Depois disso, os domingos eram os dias mais esperados, saímos em bando (eu, minhas amigas e nossos respectivos irmãos) íamos ao cinema para deleitar-nos com a Sétima Arte e comer pipocas, depois pastéis e sucos, afinal, éramos crianças!

Eu e me meus irmãos víamos quase todos os filmes que passavam na TV e, quando podíamos íamos às estréias de cinema. Quando surgiram os aparelhos de vídeo (VHS), tecnologia que ainda não tínhamos em casa, íamos a casa de uma amiga para as sessões de cinema e nos divertíamos muito.

Me lembro com nostalgia, que em uma tarde estávamos eu e meus irmãos vendo na Sessão da Tarde o filme A Fantástica fábrica de chocolate, de Mel Stuart / 1970, hora em que como de costume, esperávamos o lanche da tarde preparado por minha mãe: Toddy com leite quente e pão torrado com manteiga, mas... naquela tarde tivemos uma supresa extra, sentados no sofá sob o vitrô da sala, vimos uma chuva de chocolates cair pelo vidro em nossos colos. Ah! As mães sempre conhecem as vontades dos filhos, assim que... com tanto chocolate na tv era natural que estívessemos ávidos por provar um, dois ou mais...rs, fizemos a festa e foi uma tarde inesquecível.

Eu amo o cinema, ele me ensinou muito, me fez e me faz, rir, chorar, me emociona, me provoca, me ensina, me transporta. Tenho uma amiga que costumava dizer que eu conhecia tudo de cinema, fazia piada dizendo que eu sabia inclusive o nome de algum figurante que passasse quase despercebido numa cena...rs. Mais tarde meus irmãos reclamavam de ver filmes comigo, porque sem tê-los visto eu antecipava o que ia passar, pura provocação, me divertia com isso.

Dos diretores todos, os italianos têm meu carinho especial. Nomes como Pier Paul Pazolini, Vittorio de Sica, Ettore Scola, Roberto Fellini, Bernardo Bertolucci, Luchino Visconti, estiveram presentes na minha infância e adolescência, me sinto um pouco como Toto, personagem de Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore / 1989, o cinema teve e tem um peso imenso na construção do meu imaginário e saber.

Mais tarde, comecei a explorar outras possibilidades do cinema europeu e asiático, foi quando conheci o cinema espanhol, através do trabalho de diretores como Luis Buñuel (naturalizado mexicano), Vicente Aranda, Bigas Luna, Carlos Saura, Fernando Trueba, David Trueba, Alejandro Amenábar (nascido no Chile, radicado na Espanha) e Pedro Almodóvar, diretores mais conhecidos pelo público brasileiro, sobretudo Almodóvar que já há alguns anos tem estado em cartaz nos cinemas brasileiros, filmes como: Mulheres à beira de um ataque de nervos /1988, Ata-me /1990, De salto alto /1991, Kika /1993, A Flor do meu segredo /1995, Carne Trêmula /1997, Tudo sobre minha mãe /1999, Fale com ela /2002, Má educação /2004, Volver/ 2006, são exibidos inclusive pelos canais de televisão.

No início, a estética de Almodóvar me incomodava, não sei dizer o que, mas... algo me inquietava. Às vezes via seu trabalho psicodélico de mais, carregado de uma sexualidade que eu não compreendia ou exageradamente melodramático, depois de algumas películas passei a apreciá-lo e ver seu trabalho com outros olhos (diria que alcancei a fruição). Hoje me deleito com seu cinema... histórias como as de Tudo sobre minha mãe, Má Educação, Fale com ela, Volver e sua última película, ainda não lançada no Brasil Los abrazos rotos... têm os elementos anteriores que mencionei somados a humanidades, coisas prosaícas e conflitos que nos levam à reflexão com muito humor e sensibilidade. Um cinema passional, tragicômico, carregado de hispanidades e sublimemente subversivo.

E... por que tive regastar parte da minha história com o cinema para falar de Pedro Almodóvar?

Porque ao assistir ao filme Los abrazos rotos, me deparei com o cinema dentro do cinema, a metalinguagem ou o metacinema. A história de amor entre Mateo (Lluís Homar) um diretor de cinema e Lena (Penélope Cruz) aspirante a atriz, interrompida pela tragédia bem representada nas fotos rasgadas, onde os abraços foram interrompidos pelo destino... diferentemente do casal da cena de Romance em Itália (original: Viaggio in Italia de Roberto Rossellini /1953) o filme dentro do filme (onde o casal Joyce, George Sanders e Ingrid Bergman, em crise no casamento, vêm em sua visita à Pompéia os corpos dos amantes que morreram abraçados, unidos pela lava do vulcão e se emocionam) que emociona a Mateo, sobretudo por sua Lena que se foi sem seu abraço. O filme de Almodóvar, trata exatamente desses abraços, das relações, da traição e do amor. Almodóvar faz sua homenagem ao cinema, através de trechos e citações dos filmes que fazem parte do seu arcabouço e que muito contribuiram para sua carreira como cineasta.

Ao lançar o filme Los abrazos rotos aqui na Espanha, o diretor disse tratar-se de uma "declaração de amor ao cinema".

Eu recomendo!

Los abrazos rotos de Pedro Almodóvar, Espanha / 2009 (com Penélope Cruz, Lluís Homar, Blanca Portillo e grande elenco). Previsto para estreiar em novembro/09 no Brasil.
site: http://www.losabrazosrotos.com/

Comentários

  1. Pedro Almodóvar, além de meu xará, é um dos meus diretores favoritos, pode até parecer clichê, mas o que ele faz, não vi até hoje nenhum outro fazer, fez sua obra-prima Má Educação e outros filmes fantásticos como Mulheres à beira de um ataque de nervos e Todo sobre mi madre, enfim, espero ver Los abrazos rotos e observar um diretor que se parece com o vinho, vai melhorando a partir do tempo...

    adorei o blog.

    Parabéns!

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